Igor Vsevolodovich Girkin (,; nascido em 17 de Dezembro de 1970), também conhecido pelo pseudônimo Igor Ivanovich Strelkov (), é um veterano do exército russo e antigo funcionário do Serviço Federal de Segurança (FSB) que teve um papel central na Anexação da Crimeia pela Federação Russa, e mais tarde na Guerra em Donbas, como um organizador de grupos militantes na República Popular de Donetsk. Girkin liderou um grupo de militantes na Ucrânia, onde ele participou do Cerco a Sloviansk. Durante a batalha ele aumentou sua influência e se tornou o comandante militar de facto de todas forças separatistas na região do Donbas, situação confirmada pelo Primeiro-Ministro da República Popular de Donetsk Alexander Borodai, o qual o nomeou oficialmente Ministro da Defesa.
Girkin, que se descreve como um nacionalista russo, foi acusado pelas autoridades ucranianas de terrorismo. Ele foi sancionado pela União Européia pelo seu papel de liderança no conflito armado no leste ucraniano. Autoridades ucranianas o acusaram de ser um coronel aposentado do GRU, a organização russa de inteligência militar externa.
Em 2014, ele defendeu que os "clãs liberais" (as frações liberais das elites russas) deveriam ser destruídos em favor dos "clãs da segurança pública". Em 2016, ele formou o Movimento Nacional Russo, um grupo político favorável à "união da Federação Russa, Ucrânia, Bielorrússia e outras terras russas em um único estado pan-russo e à transformação de todo o território da antiga URSS em uma zona incondicional de influência russa".
Girkin é suspeito de crimes de guerra, tendo admitido o uso de escudos humanos e execuções sumárias. Em 19 de junho de 2019, promotores holandeses acusaram Girkin de assassinato na queda do Voo Malaysia Airlines 17, e emitiram um mandado de prisão internacional contra ele. Girkin admite "responsabilidade moral", mas nega ter dado a ordem de derrubar o avião.
Com a invasão russa da Ucrânia em 2022, Girkin reganhou a atenção como um "blogueiro de guerra". Notável por sua postura ferozmente pró-guerra e ultranacionalista, mas ao mesmo tempo sendo um crítico ferrenho das Forças Armadas da Rússia, acusando-os de incompetência e "insuficiência". Seis meses após a invasão russa da Ucrânia em 2022, após a grande contra- ofensiva ucraniana de Kharkiv em setembro, ele previu uma derrota completa para as tropas russas na Ucrânia. Em outubro de 2022, Girkin se juntou a uma unidade de voluntários lutando contra as forças ucranianas. Em abril de 2023, Girkin, ao lado de outros nacionalistas russos, formou o "Clube dos Patriotas Irritados", um movimento social linha-dura que defende medidas mais contundentes a serem tomadas pelo governo russo na guerra.
Em 21 de julho de 2023, Igor Girkin foi detido pelas autoridades russas sob a acusação de "extremismo", usada pelo governo russo contra oponentes políticos. Girkin foi condenado em janeiro de 2024 por incitação ao extremismo e sentenciado a quatro anos de prisão.
Envolvimento na Transnístria, Bósnia e Chechênia
A mídia russa identificou Girkin como um oficial da reserva militar russa que expressou visões linha-dura sobre a eliminação daqueles percebidos como inimigos do Estado russo e lutou junto aos grupos pró-Federação Russa nas campanhas contra-separatistas na Chechênia e a grupos separatistas pró-Moscou no conflito da região separatista da Moldávia, a Transnístria. De acordo com várias fontes, Girkin participou na Guerra da Bósnia como um voluntário ao lado dos sérvios, e na Chechênia como um mercenário contratado.O grupo pró-Rússia Heróis da Nova Rússia publicou as antigas atribuições militares de Girkin, reveladas por ele mesmo em um fórum de reconstruções militares: junho de 1993 – julho de 1994, unidade militar (в/ч) 11281 МО ПВО; Fevereiro–Dezembro de 1995 serviço de contrato 22033 «Х» (166-я гв. МСБР); 24 de março de 1995 até 10 de outubro de 1995, 67º ОГСАД; Agosto de 1996 – julho de 2000 unidade militar 31763. Julho de 2000 – abril 2005 unidade militar 78576. Depois de 2005, unidade militar 36391. Esta última identificada como uma unidade de prevenção de terrorismo internacional da FSB (Управление по борьбе с международным терроризмом 2-й Службы ФСБ России). Em 1999, Girkin publicou suas memórias sobre a participação no conflito na Bósnia e em Herzegovina. Em 2014, ele foi acusado pelo centro de mídia bósnio Klix.ba e por um oficial aposentado do Exército Bósnio de estar envolvido no Massacre de Višegrad, no qual milhares de civis foram mortos em 1992.O líder dos separatistas ucranianos, Igor Strelkov, em 1992 pintado em Visegrado expurgado de bosniaks. Klix. 25 de julho de 2014
A BBC noticiou que Girkin pode ter trabalhado para o FSB da Rússia em uma unidade de contra-terrorismo, citando especialistas militares russos. De acordo com a mídia russa, ele trabalhou como funcionário do FSB e seu último serviço antes de se aposentar foi junto ao Diretório de Combate ao Terrorismo Internacional do FSB.
Em 2014, o grupo Anonymous publicou o que eles alegaram ser e-mails pessoais de Girkin, revelando que ele foi funcionário do FSB por 18 anos, de 1996 a Março de 2013, incluindo na Chechênia de 1999 a 2005, de acordo o Moscow Times. O jornal também afirmou que Girkin nasceu em Moscou e que entrou em contato com ele por e-mail e telefone mas que ele não confirmou as alegações. Um líder local de milícias pró-russas na Ucrânia, Vyacheslav Ponomarev, que se descreve como um amigo antigo de Girkin, afirmou que a informação sobre Girkin era verdadeira. Seu pseudônimo "Strelkov" ("Strelok") pode ser traduzido aproximadamente como "Homem do Rifle" ou "Atirador". Ele também já foi apelidado de Igor Groznyy ("Igor o Terrível").
Alexander Cherkasov, líder do grupo de direitos humanos russo Memorial, está convicto que o "Igor Strelkov" envolvido na Ucrânia é a mesma pessoa que o oficial militar russo chamado "Strelkov", que foi identificado como sendo diretamente responsável por pelo menos seis casos de desaparecimento forçado (em quatro situações distintas) e assassinato presumido de moradores ocorridos tanto no vilarejo Khatuni, situado no distrito de Vedensky, nas montanhas da Chechênia, quanto nos assentamentos próximos de Makhkety e Tevzeni em 2001-2002, quando Strelkov estava alocado ao 45º Regimento de Reconhecimento Destacado da unidade de Forças Especiais das Tropas Paraquedistas Russas baseadas próximas de Khatuni. Nenhum desses crimes foi solucionado por investigações oficiais. O website do ombudsman oficial de direitos humanos da Chechênia lista vários moradores de Khatuni que desapareceram em 2001 (Beslan Durtayev e Supyan Tashayev) como tendo sido sequestrados de suas casas e levados à base do 45º Regimento de Reconhecimento Destacado por oficiais conhecidos como "Coronel Proskuryn e Strelkov Igor Outra entrada lista o desaparecido Beslan Taramov como tendo sido sequestrado em 2001 no vilarejo de Elistandzhi por homens do 45º Regimento sob liderança de "Igor Strelkov (apelido Strikal)". Cherkasov também lista Durtayev e Tashayev (mas não Taramov) como estando entre as presumidas vítimas de "Strelkov". Cherkasov e outros observadores suspeitavam que se tratava do mesmo "Strelkov", quando o próprio Girkin confirmou que ele esteve presente em Khatuni em 2001, onde ele lutou contra a "população local". De acordo com Cherkasov, como resultado das ações de Girkin na Chechênia, duas irmãs de um dos "desaparecidos", acabaram se tornando terroristas e morreram três anos depois: uma dessas irmãs, Aminat Nagayeva, explodiu a si mesma durante os atentados terroristas a dois aviões russos em 2004 no Oblast de Tula, especificamente em uma aeronave Tu-134, "Volga-Aeroexpresss", matando 43 pessoas; a outra irmã, Rosa Nagayeva, participou do Massacre de Beslan no mesmo ano.
Os e-mails vazados em Maio de 2014 e atribuídos a Girkin contém seus diários da Bósnia e da Chechênia, enviados por ele a seus amigos para uma revisão. Uma história descreve uma operação de captura de ativistas chechenos de um vilarejo em Mesker-Yurt. Questionado do motivo pelo qual ele não publicou tal história, Girkin explica que "as pessoas que nós capturávamos e questionávamos quase sempre desapareciam sem rastros e sem julgamentos depois que tinhámos concluído", sendo esse o motivo de não-publicação dessas histórias.
Envolvimento na Ucrânia Crimeia
Girkin foi um dos maiores comandantes da "auto-defesa russa" na Crise da Crimeia de 2014. Em uma entrevista de 22 de Janeiro de 2015, ele explicou que o "acachapante apoio nacional à auto-defesa" como retratado pela mídia russa era ficção, e a maioria das agências de lei, a administração e o exército estavam em oposição à auto-defesa, na realidade."Я не увидел, к сожалению, никакой поддержки органов государственной власти в Симферополе. Не было ее. Депутатов собирали ополченцы, чтобы загнать их в зал, чтобы они приняли решения. И я был одним из командиров этих ополченцев", Girkin afirmou que sob seu comando, os rebeldes "coletavam" deputados nas Câmaras e tinham que "forçadamente levar os deputados a votar [favoravelmente a se juntar à Rússia]".Coronel russo da FSB Igor Girkin (apelido Strelkov): "O referendo da Crimeia foi uma fraude". Debate de I. Strelkov vs N. Starikov. Neuromir TV. 22-01-2015.
De acordo com um cúmplice, Girkin chegou à Crimeia se descrevendo como um "emissário do Kremlin", formando logo após as forças de auto-defesa na Crimeia. Sua posição estava acima do auto-declarado primeiro-ministro da Crimeia Sergei Aksyonov, e sua principal tarefa em Março de 2014 foi o treinamento acelerado das recém-formadas formadas forças da Crimeia, além da seleção dos melhores treinados para transferir à invasão do Donbas. Girkin negociou pessoalmente e supervisionou a retirada das forças ucranianas da Crimeia.
De acordo com Girkin, ele era o responsável durante o incidente ocorrido no assalto ao Centro Cartográfico em Simferopol.
Cerco de Sloviansk
De acordo com Girkin, o chefe do recém-instituido governo russo na Criméa, Sergey Aksyonov, pediu a ele que lidasse com as províncias setentrionais.
Em 12 de Abril de 2014, Girkin liderou um grupo de militantes que tomaram os prédios dos escritórios do comitê executivo, do Departamento de Polícia e do Serviço de Segurança da Ucrânia em Sloviansk. Girkin alegou que a milícia foi formada na Crimeia e consistia de voluntários da Rússia, Crimeia e também de outras regiões da Ucrânia (Vinnitsa, Zhitomir, Kyiv), além de muitas pessoas de Donetsk e Lugansk. De acordo com ele, dois terços eram cidadãos ucranianos.
A maioria dos seus homens tinha experiência de combate. Muitos daqueles com cidadania ucraniana lutaram junto às Forças Armadas da Rússia na Chechênia e Ásia Central, outros lutaram junto às Forças Armadas ucranianas no Iraque e na Iugoslávia. Em uma entrevista, Girkin afirmou ter recebido ordens para não desistir de Sloviansk.
O SBU apresentou a presença de Girkini no Donbas como prova do envolvimento da Rússia na crise do Leste Ucraniano. Eles divulgaram conversas telefônicas interceptados entre "Strelkov" e seus supostos "coordenadores" em Moscou. A Rússia negou qualquer interferência na Ucrânia por suas tropas fora da Crimeia. Em Julho de 2014, autoridades ucranianas alegaram que o Ministro da Defesa Sergei Shoigu coordenou todas as ações de Girkin, fornecendo a ele e aos "outros líderes terroristas" as "mais destrutivas armas" desde Maio e o instruindo diretamente, com a aprovação do Presidente russo, Vladimir Putin.
Alegações de sabotagem e terrorismo