Ponta Grossa é um bairro localizado na zona sul da cidade brasileira de Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul. Foi oficialmente criado pela Lei 6.893 de 12 de setembro de 1991 e teve seus limites modificados pela Lei 9.993 de 16 de junho de 2006Diário Oficial de Porto Alegre - 19 de junho de 2006.

Um dos bairros banhados pela orla do Guaíba, a Ponta Grossa abriga a praia da Ponta Grossa e a praia do Tranquilo.

Região de Planejamento e OP A Ponta Grossa está inserida na "Região Geral de Planejamento Oito" (RGP-8), a última das oito Regiões de Gestão do Planejamento de Porto Alegre. Cada região reúne um grupo de bairros com afinidades entre si, com a RGP8 possuindo dez bairros ao todo. A RGP-8 abriga duas Regiões do Orçamento Participativo (OP) distintas: a Região Restinga (que inclui os bairros Restinga e Pitinga) e a Região Extremo-Sul (que inclui Ponta Grossa, Belém Novo, Boa Vista do Sul, Chapéu do Sol, Extrema, Lageado, Lami e São Caetano).

Histórico Origem do nome thumb|right|230px|O morro da Ponta Grossa, visto do Santuário Madre de Deus. O bairro Ponta Grossa recebeu esta denominação por ali se situar um destacado acidente geográfico da orla do lago Guaíba: uma ponta (pequena península) que invade o lago no sentido leste-oeste. Sobre ela erguem-se os 145 metros do Morro da Ponta Grossa, uma das maiores elevações da capital gaúcha, justificando assim o uso do adjetivo grossa.

No século XVIII, o conjunto composto pela ponta e pelo morro já recebia eventualmente a denominação até hoje utilizada, pois, conforme uma pesquisa de Clovis Silveira de Oliveira, autor do livro "Porto Alegre: a cidade e sua formação", o diário de expedição do português Gomes Freire de Andrade cita a passagem desta comitiva pela Ponta Grossa em 1754História dos bairros de Porto Alegre , enquanto navegando pelo lago. Além disso, em um antigo mapa de 1763, elaborado pelo engenheiro militar José Custódio de Sá e Faria, consta a designação grafada Ponta Groça.Museu de Topografia da UFRGS

Ocupações indígenas Embora quase não haja pesquisas arqueológicas e historiográficas relacionadas ao bairro ou até mesmo à zona sul de Porto Alegre, foram encontrados indícios de ocupação guarani na área de Ponta Grossa.Estruturação do espaço no sítio guarani da ilha Chico Manoel (POA/RS)

Séculos XVIII e XIX thumb|left|180px|Ruína da chaminé da Olaria do Peixoto, em 2013. O território da Ponta Grossa era, no século XVIII, um grande rincão que pertencia a Anna da Guerra Peixoto (falecida em 1791), esta filha de Francisco de Brito Peixoto, o capitão-mor de Laguna, em Santa Catarina. No dia 20 de abril de 1780, a senhora das terras vendeu o chamado "Rincão Grande", bem como todos os animais que nele pastavam, para Antônio Cardozo da Silva. A antiga escritura de venda foi registrada no Livro 6 do 1.° Tabelionato de Porto Alegre e encontra-se mantida no acervo do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul.

Em 1884, o major Francisco da Costa Peixoto (1846-1920) adquiriu uma parte considerável do rincão dos herdeiros do espólio de Antônio Cardozo da Silva, que abrangia porções desde a atual Avenida Juca Batista, a norte, até a Avenida Serraria, ao sul. O major Peixoto foi pioneiro no bairro ao construir uma olaria na região, próximo da orla do Guaíba, utilizando como matéria prima a argila que coletava nas margens do Arroio do Salso. Mais tarde, em outubro de 1909, o major Peixoto fez a a inauguração "oficial" da pequena fábrica com a aquisição do maquinário da Bromberg & Company para a fabricação de telhas, tijolos e tijoletas, o que rendeu matéria no jornal Correio do Povo na ocasião. Após a morte do major Peixoto, a olaria continuou sendo administrada por seu filho Átila (falecido em 1963), que também realizou a venda de parte das terras, em 1939, para a família do general José Antônio Flores da Cunha, promovendo o gradual loteamento da região. Posteriormente, o terreno da olaria do major Peixoto acabou adquirido na década de 1960 pelo "Clube Social do Médico", então um departamento da AMRIGS (Associação Médica do Rio Grande do Sul), restando no presente apenas a ruína da chaminé da antiga fábrica. thumb|right|230px|Planta do Rincão da Ponta Grossa de 1897, por A. Hebert. Em 1897, o arquiteto e chefe das obras públicas do Estado Affonso Hebert, que assinava A. Hebert, foi comissionado para elaborar a "Planta do Rincão da Ponta Grossa", finalizado em março de 1897. O documento registra que a área da propriedade era de cerca de 651 hectares, bem como situa a morada, a antiga olaria e um pequeno porto do major Peixoto na área que corresponde hoje aos fundos do terreno do "Clube do Médico". O mapa antigo de A. Hebert também registra a pedreira nas proximidades do Morro da Ponta Grossa, a qual daria nome ao logradouro "Estrada da Pedreira" posteriormente. thumb|right|230px|Ruínas de prédio da pedreira. Da antiga pedreira no Morro da Ponta Grossa e de outras existentes nas elevações da cidade, foram extraídas rochas de granito para a construção de prédios importantes no Centro Histórico de Porto Alegre, tais como o Palácio Piratini (1909), o Memorial do Rio Grande do Sul (1910) e grande parte da Catedral Metropolitana (1921)A memória geológica do centro antigo de Porto Alegre: o registro da evolução urbana nos prédios históricos e no urbanismo da cidade, Instituto de Geociências da UFRGS. 2009. A história da pedreira foi marcada por episódios de acidentes fatais envolvendo funcionários: em abril de 1952, quando a pedreira era de propriedade da firma José M. de Carvalho & Cia Ltda., uma pedra de "4 mil quilos" se desprendeu de cima de um barranco e esmigalhou o corpo do operário João Graciano de Barros, de 20 anos de idade, contra um caminhão de carga que chegava[http://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=098230&pesq=Acidente%20fatal%20Ponta%20Grossa&pagfis=13362 Jornal do Dia (RS), Ocorrências policiais: Uma pedra de 4 mil quilos esmigalhou o operário", publicado em 10 de abril de 1952, página 03.; em maio de 1959, quando a dona da pedreira era a firma Walter B. Fischer & Cia, o cortador de pedra Adão Barbosa, de 38 anos, faleceu instantaneamente ao ser atingido por um bloco granítico que rompeu com uma dinamite que explodiu antes do tempo, o que acarretou indenização à família conforme lei trabalhista da épocaJornal do Dia (RS), O Dia na Polícia: acidente fatal numa pedreira em P. Grossa, publicado em 20 de maio de 1959, edição 03677, página 02.. Além disso, a pedreira foi local de investigação de uma morte misteriosa: em dezembro de 1963, o cadáver do uruguaio Raul Haroldo Bigot foi achado na pedreira, e as buscas policiais encontraram seus documentos pessoais e um coldre, mas sem a respectiva pistola.Diário de Notícias (RS): Detetivas continuam com as buscas em Ponta Grossa: já encontraram coldre da arma. Edição 00233, publicado em 7 de dezembro de 1963.

Início do Século XX Em outubro de 1911, Manoel Christino e Dario Mancillo, dois rapazes de "cor mista" naturais de Pedras Brancas (hoje o município de Guaíba), saíram da Barba Negra, uma localidade de Barra do Ribeiro (então parte do município de Porto Alegre) em uma canoa. Os dois amigos acabaram pegando um violento temporal no caminho e, nas imediações da Ponta Grossa, com a canoa ameaçando afundar, Manoel atirou-se no Guaíba para buscar socorro. Nas vinte e quatro horas seguintes, Dario ficou a sós em pleno rio revolto, sem remos, e clamando por ajuda, tendo um barco a vapor que passava em direção a Barra do Ribeiro se recusado a socorrê-lo. Finalmente, porém, uma chata passou e resgatou Dario, levando-o até o Cristal. De Manoel, contudo, não houve notícias, presumindo-se que morreu afogado na tempestade.Opinião Pública: Naufrágio de uma canôa. Publicado em 10 de outubro de 1911, em Pelotas. Ano XVI, nº 231. Décadas depois, uma outra morte viria acontecer nas águas da Ponta Grossa: em 1940, à noite, um bote de pescadores virou por causa da correnteza do canal do rio, causando o afogamento do caixeiro-viajante Arno Heidrich, de 37 anos, cujo corpo só foi encontrado dias depois em GuaíbaDiário de Notícias (RS): encontrado o corpo de Arno Heidrich. Ano 1940, edição 00208.. thumb|right|200px|Ponte da Avenida da Serraria, construída em 1912. Em junho de 1912, foi inaugurada a ponte sobre o Arroio do Salso, o qual delimita geograficamente o bairro ao norte. O lugar dessa ponte, que se situa na hoje denominada Avenida da Serraria, era conhecido naquela época como "Passo do Estiva", sendo "passo" o lugar onde um rio é raso para se atravessar a pé. Conforme reportagem de época do jornal A Federação, a obra foi liderada pelo major Francisco da Costa Peixoto e custou à Intendência municipal o montante de 2:700$00 mil réis. A ponte também representou a facilitação das viagens entre a capital e a região de Belém Novo, Lami e Itapuã, bem como beneficiou os negócios da olaria do major Peixoto e de outros comerciantes e produtores de leite, madeira, lenha e outros produtos da Ponta Grossa.Jornal A Federação, publicado em Porto Alegre, no dia 12 de junho de 1912. Ano XXIX, nº 137, página 04.

Em julho de 1928, por ordem do delegado fiscal e major Lincoln do Amaral Camargo, da Secretaria de Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional em Porto Alegre, lançou-se um edital para que peticionários de concessão de aforamento de terrenos nacionais no bairro Ponta Grossa, às margens do rio Guaíba, apresentassem alegações que julgassem a bem de seus direitos. No referido edital, publicado no Jornal A Federação, apareceram os nomes dos seguintes peticionários: Alfredo Schueler & Theo Wiederspahn - Um terreno com 717 metros e 90 cmts. de frente, limitando ao Norte com a propriedade dos requerentes, ao Sul com o Rio Guaíba, a Leste e Oeste com terrenos nacionais não-aforados. Henrique Augusto Fernando Schwarz - Um terreno com 1.496 metros de frente limitando ao Norte e Sul e Leste com o Rio Guaíba, e a Oeste com a propriedade do requerente.A Federação: Orgam do Partido Republicano: Edital. Aforamento de Terrenos Nacionaes, edição 162, publicado em 13 de julho de 1928

Esse edital demonstra quem eram, no final da década de 1920, os três grandes proprietários junto à orla do Morro da Ponta Grossa, e que se tornaram por lei os enfiteutas dos terrenos marginais do Guaíba, lindeiros a suas propriedades particulares. Não muito tempo depois do edital, esses proprietários iniciaram seus respectivos loteamentos, com o arquiteto Theo Wiederspahn encabeçando os projeto de parcelamento do solo.

Em 25 de maio de 1929, a antiga Revista do Globo, em seu nº X, ano I, publicou uma seção de "fotografias artísticas", cujo 1° prêmio foi dado a C. Ruhl, autor de fotografias em preto e branco das praias rochosas do Morro da Ponta Grossa, à beira do Guaíba.Revista do Globo, nº X, anno I, páginas 08 e 09 (Fotografias Artisticas), publicada em 25 de maio de 1929.

Décadas de 1930 a 1960 thumb|right|230px|Rua Jacarandás, com o antigo Retiro dos Funcionários da Varig ao fundo.