Há diversas correntes de esoterismo no Oriente. "Esoterismo oriental" é um termo referido por alguns estudiosos que vagamente abrange crenças e práticas religiosas do chamado Oriente ditas como "esotéricas", secretas ou ocultas. Sua demarcação como um campo, no entanto, é problemática, pois varia conforme os limites de consideração geográfica e cultural de ocidental e oriental (como em relação às nações islâmicas) e da definição de esoterismo, com alguns acadêmicos defendendo que não pode haver algum conceito para além de esoterismo ocidental (o que pode levantar questionamentos quanto a uma indevida aplicação não êmica),Page Jr., Hugh R.; Finley, Stephen C. (2021). «“What Can the Whole World Be Hiding?”: Exploring Africana Esotericisms in the American Soul-Blues Continuum». In: Aspem, Egil; Strube, ed. New Approaches to the Study of Esotericism (em inglês). Col: Supplements to Method & Theory in the Study of Religion. 17. Leiden; Boston: Brill. Citação: "Hanegraaff’s caution to avoid “terminological imperialism” (2015, p. 86) is well taken. Imposing etic categories on phenomena for which emic taxonomies are available (if, at times, not readily accessible) is a danger in ethnographic description and comparison. Equally problematic, however, is the tendency toward claiming exclusive ownership of terms like esotericism, culture, religion, etc., by one or more academic disciplines". Arquivado em 18 de agosto de 2022 na Wayback Machine.Granholm, Kennet (13 de janeiro de 2016). «Contemporary esotericism». In: Woodhead, Linda; Partridge, Christopher; Kawanami, Hiroko, ed. Religions in the Modern World: Traditions and Transformations (em inglês). Routledge. Citação: In contemporary research esotericism, is commonly identified as a distinctly Western phenomenon, formed in specific European historical processes. Thus, there is no comparable Eastern esotericism. Culturally distinct phenomena may appear similar, but this should not be taken to mean that the similarities are more than superficial or that a historical relation exists. Ver também Granholm, Kennet (29 de março de 2022). «Esotericism and Secrecy». In: Urban, Hugh B.; Johnson, Paul Christopher. The Routledge Handbook of Religion and Secrecy (em inglês). Routledge. enquanto outros propõem uma perspectiva globalizante. Mesmo assim, foi empregada por outros acadêmicos que reconhecem na categoria um uso para denominar estudos e práticas secretas comparáveis, principalmente em tradições do hinduísmo e budismo, e também em outros sistemas, religiões populares e sincretismos.
Demarcação do conceito Marco Pasi aponta que o conceito ocidental de esoterismo surgiu não em um contexto acadêmico, mas devido ao religionismo no século XIX, quando foi feita pela primeira vez a polêmica distinção entre um esoterismo oriental e ocidental. Inicialmente, essa dicotomia surgiu na década de 1880, em que, segundo Julian Strube, ocultistas franceses reivindicaram a autenticidade do que chamaram de "l'ésotérisme occidental", enquanto rejeitavam o "falso esoterismo oriental" da Sociedade Teosófica. Houve também em 1890 um conflito dentro da própria Sociedade Teosófica entre William Quan Judge, que defendia um chamado "ocultismo ocidental", e Annie Besant, que defendia a variante "oriental". Segundo Pasi: "É, portanto, principalmente como reação a uma ideia de 'esoterismo oriental' que a ideia de 'esoterismo ocidental' poderia se desenvolver". Porém, segundo Strube, isso não basta para definir esses significantes, pois uma complexa rede de entrecruzamentos ocorreu entre várias culturas do oriente e ocidente, e por isso defende a conceituação de um esoterismo global.Strube, Julian (2021). «Towards the Study of Esotericism without the “Western”: Esotericism from the Perspective of a Global Religious History». In: Aspem, Egil; Strube, ed. New Approaches to the Study of Esotericism (em inglês). Col: Supplements to Method & Theory in the Study of Religion. 17. Leiden; Boston: Brill. Arquivado em 18 de agosto de 2022 na Wayback Machine. Diferentes entendimentos de esoterismo foram produzidos globalmente, principalmente através de intercâmbios ao longo do século XIX. Assim, acadêmicos da religião costumam utilizar o termo "esotérico" para categorizar práticas que reservam "certos tipos de conhecimento salvífico para uma elite selecionada de discípulos iniciados", segundo a descrição de Wouter Hanegraaff.
É, assim, um conceito de difícil demarcação, bem como as noções de "Oriente" e "Ocidente", que são vagas e cujas bordas mudam historicamente, politicamente e ideologicamente.Bogdan, Henrik; Djurdjevic, Gordan (2013). «Introduction: occultism in a global perspective». In: Bogdan, Henrik; Djurdjevic, Gordan, ed. Occultism in a Global Perspective (em inglês). Abingdon; Nova Iorque: RoutledgeGranholm, Kennet (2013). «Locating the West: problematizing the Western in Western esotericism and occultism». In: Bogdan, Henrik; Djurdjevic, Gordan, ed. Occultism in a Global Perspective (em inglês). Abingdon; Nova Iorque: Routledge Dependendo das definições, a maior parte do esoterismo ocidental poderia ser considerado oriental. O chamado esoterismo ocidental foi profundamente influenciado por tradições não ocidentais, e vice-versa, principalmente na contemporaneidade a partir do mundo globalizado. Essa categorização em dois hemisférios aparentemente foi de mais importância interna à retórica dos movimentos esotéricos do que ao discurso acadêmico.
Por exemplo, no neoplatonismo, e depois novamente a partir da Renascença, foi associado um exotismo à origem dos ensinamentos maiores, como da origem da filosofia platônica no Antigo Egito ou de antigos conhecimentos aos "mistérios caldaicos", e nisso o místico e oculto representava a "sabedoria oriental".Burns, Dylan (2021). «Receptions of Revelations: A Future for the Study of Esotericism and Antiquity». In: Aspem, Egil; Strube, ed. New Approaches to the Study of Esotericism (em inglês). Col: Supplements to Method & Theory in the Study of Religion. 17. Leiden; Boston: Brill. Arquivado em 18 de agosto de 2022 na Wayback Machine. Assim, Iâmblico, por exemplo, fazia referência aos Oráculos Caldeus como transmitindo "doutrinas ancestrais assírias", e Pletão atribuiria a origem deles a Zoroastro; tal conceito do imaginário ocidental foi chamado por acadêmicos de "Orientalismo Platônico".
A perspectiva também poderia variar conforme a agenda dos ocultistas, como em movimentos esotéricos neopagãos italianos no século XX que, inspirados pela escola romana tradicionalista, consideravam o cristianismo uma "degeneração" "vinda do Oriente" que nada teria em comum com a tradição esotérica ocidental, a qual afirmavam ser o paganismo.Baroni, Francesco (2013). «Occultism and Christianity in twentieth-century Italy: Tommaso Palamidessi's Christian magic». In: Bogdan, Henrik; Djurdjevic, Gordan, ed. Occultism in a Global Perspective (em inglês). Abingdon; Nova Iorque: Routledge A esotérica "retórica de uma verdade escondida" também se articulava ao exótico, formando-se na imaginação um "Oriente místico", e quando o Egito deixou de ser atrativo em seu exotismo, o polo do "Oriente místico" se deslocou à Índia e além, como "verdadeira morada da sabedoria antiga".
Academicamente, passou a se considerar em alguns estudos mais recentes do esoterismo, como os de Gordan Djurdjevic e Henrik Bogdan, a existência de equivalentes próximos do esoterismo ocidental em culturas asiáticas, sugerindo um "esoterismo" indiano, chinês ou do Extremo Oriente em geral. Grande parte dos estudiosos do esoterismo defende que é preferível analisá-lo de maneira transcultural e globalizada, de acordo com cada nacionalidade ou região cultural, enfocando-se as interações do conceito de maneira local ou intercultural mais específica para além de "ocidental" e "oriental", ou também de modo relativo e aberto. Com isso, levam-se em conta as diferenças de cada sistema, apesar de algumas semelhanças em questões do oculto e da possibilidade de um sistema de sigilo, como em conhecimentos secretos, elitismo, teorias sobre espírito e matéria, um suposto saber universal e ritos iniciáticos hierárquicos de mistérios e transmissão.
Alguns se utilizam do termo "esoterismo oriental" (em inglês, eastern esotericism). Henrik Bodgan e Gordan Djurdjevic consideram o "esoterismo oriental" como estando presente junto a elementos ocidentais do sistema de Magick de Aleister Crowley, e Djurdjevic reconhece a difusão do estudo do esoterismo oriental como um importante legado de Crowley. Jeffrey J. Kripal utiliza o termo "esoterismo asiático" em seu estudo de Tantra e Olga Saraogi defende a possibilidade de análise "asiacêntrica" do esoterismo. Georgiana Hedesan e Tim Hudbøg consideram que "ocidental" e "oriental" podem ser utilizados como designações relativas, mas que são limitantes, sendo preferíveis localidades específicas como europeia, indiana e africana.
Já outros como Helmut Zander afirmam que não é porque existe o conceito técnico bem definido de "esoterismo ocidental" que necessariamente deve haver um esoterismo oriental, esoterismo do norte ou esoterismo do sul. Há propostas de uma categoria aberta ao "esoterismo global" ou "esoterismo aberto", considerando que definições rígidas de esoterismo não se aplicam a todas as culturas e em todos os tempos. Assim, Zander afirma, por exemplo, como teoriza Jan Assmann, que é parte da história da religião ocidental desde a antiguidade uma tensão que se reflete na semântica de público versus privado, aberto versos secreto; mas propõe que definir o "secreto" como uma possibilidade e não um requisito pode permitir a consideração de esoterismo em outras tradições não ocidentais.Zander, Helmut (2021). «What Is Esotericism? Does It Exist? How Can It Be Understood?». In: Mühlematter, Yves; Zander, Helmut, ed. Occult Roots of Religious Studies. On the Influence of Non-Hegemonic Currents of Academia Around 1900. Col: Beiträge zur Nichthegemonialen Innovation. 4. Berlim; Boston: De Gruyter Oldenbourg. Não é porque um sistema se origina em contexto ocidental e assimilado por culturas colonizadas que continua sendo ocidental, segundo estudiosos como Egil Asprem, Julian Strube, Keith Cantú e Liana Saif, que defendem a autonomia da agência local na criação de inovações sobre o material.Asprem, Egil; Strube, Julian (2021). «Esotericism’s Expanding Horizon: Why This Book Came to Be». In: Aspem, Egil; Strube, ed. New Approaches to the Study of Esotericism (em inglês). Col: Supplements to Method & Theory in the Study of Religion. 17. Leiden; Boston: Brill. p. 4 e 9. Arquivado em 18 de agosto de 2022 na Wayback Machine.Cantú, Keith (2021). «“Don’t Take Any Wooden Nickels”: Western Esotericism, Yoga, and the Discourse of Authenticity». In: Aspem, Egil; Strube, ed. New Approaches to the Study of Esotericism (em inglês). Col: Supplements to Method & Theory in the Study of Religion. 17. Leiden; Boston: Brill. Arquivado em 18 de agosto de 2022 na Wayback Machine.Saif, Liana (2021). «“That I Did Love the Moor to Live with Him”: Islam in/and the Study of “Western Esotericism”». In: Aspem, Egil; Strube, ed. New Approaches to the Study of Esotericism (em inglês). Col: Supplements to Method & Theory in the Study of Religion. 17. Leiden; Boston: Brill. Arquivado em 18 de agosto de 2022 na Wayback Machine.