miniaturadaimagem|upright=1.5|A situação no fronte de batalha no final de dezembro de 2022. Em rosa os territórios controlados pelas forças russas e as regiões listradas denotam áreas que estavam sendo disputadas ativamente. A segunda e a terceira fase da guerra começaram na segunda metade de 2022. Em abril, a Rússia já havia se retirado dos oblasts de Kiev, Jitomir, Tchernihiv e Sumy, com o Ministério da Defesa em Moscou justificando essas ações afirmando que o objetivo principal da operação era proteger Donbas (em contraste com o que Putin havia dito em fevereiro, quando afirmou que a missão do exército russo era derrubar o regime em Kiev). A evacuação de homens e equipamentos foi positivo inicialmente para a Rússia que, com menos território para cobrir, conseguiu focar suas operações militares em objetivos mais coesos. Além disso, os russos superavam os ucranianos em questão de artilharia em pelo menos dez para um. Com esse poder de fogo superior, o avanço russo se focou em Donetsk, com o objetivo de tomar as cidades de Sloviansk e Kramatorsk para expulsar os militares ucranianos da região. Do leste, os russos avançaram, em maio, sobre a cidade de Severodonetsk, que caiu depois de quase dois meses de pesados combates. Em seguida a cidade de Lysychansk também foi tomada, igualmente após sangrento (porém mais curto) embate. Do sul, o exército russo tentou ocupar a cidade de Bakhmut, mas não conseguiram tomar a região. A partir daí, o avanço russo empacou. O Ocidente, em especial, os Estados Unidos e seus aliados da OTAN na Europa, responderam a esses avanços russos mandando mais ajuda para a Ucrânia, incluindo armamento pesado como o lançador de foguetes HIMARS. Essa vantagem tecnológica permitiu aos ucranianos não só segurar suas posições, mas também contra-atacar. Em agosto, uma ofensiva ucraniana começou no Oblast de Kherson, com um novo contra-ataque acontecendo em Kharkiv e em menor volume até em Donetsk no mês seguinte. Os russos foram pegos de surpresa e cederam enormes porções de território, tendo que evacuar cidades como Izium e Lyman. O governo russo respondeu a esses retrocessos mobilizando cerca de 300 mil reservistas para lutar na guerra.

A terceira fase, caracterizada pela tomada de iniciativa pela Ucrânia, viu os ucranianos retomarem muito terreno, reavendo a cidade de Kherson em novembro, o que foi considerado uma grande vitória. No final de 2022, contudo, o conflito viu uma redução na movimentação de tropas, com ambos os lados construindo trincheiras e fortificando defesas. A cidade de Bakhmut se tornou, no final do ano, o setor mais ativo da guerra, palco de violentos combates. A Rússia, por sua vez, iniciou uma nova estratégia que consistia no uso maciço de drones suicidas e mísseis de longo alcance para bombardear a infraestrutura crítica ucraniana, principalmente acertando seu setor energético enquanto o inverno chegava.

Eventos

Julho miniaturadaimagem|upright=1.5|Mapa animado da evolução territorial da guerra em sua segunda fase de operações, de 7 de abril até meados de setembro de 2022. Este período foi caracterizado pela mudança do foco do conflito, com as operações militares cessando no norte e os combates e ofensivas aumentando de intensidade no sul e no leste. 1–6 de julho Em 1 de julho, militares russos dispararam uma saraivada de mísseis contra o assentamento ucraniano de Serhiivka, na parte sul do Oblast de Odessa, destruindo um edifício residencial e um centro de recreação. Pelo menos 21 pessoas morreram. Ataques de longa distância com mísseis balísticos feitos pela Rússia haviam aumentado de intensidade nas semanas anteriores.

O governo dos Estados Unidos então anunciou o décimo-quarto pacote de ajuda à Ucrânia no valor total de US$ 820 milhões de dólares, que incluia: "Munição adicional para lançadores de foguete HIMARS (High Mobility Artillery Rocket Systems)"; "Duas baterias de sistemas de defesa anti-aérea NASAMS"; "Até 150 mil cartuchos de munição de artilharia de 155 mm"; "Quatro radares de contra-artilharia adicionais".

No começo de julho, os combates na região leste da Ucrânia se intensificavam. Porém, combates acirrados continuavam na área de Mykolaiv e Kherson também. Prosseguindo sua campanha para expandir os bombardeios, os russos alegaram ter destruído cinco postos de comando do exército ucraniano apenas no dia 2 de julho, nas regiões leste e sul. Porém, outra coisa que aumentava de intensidade a cada dia eram as atividades de partisans ucranianos, que atavacam, atrás das linhas inimigas, trens de munição, comboios, tropas e civis ucranianos que cooperavam com os russos, especialmente na região sul do país, mais notavelmente perto da cidade de Melitopol.

miniaturadaimagem|esquerda|O presidente Volodymyr Zelensky se encontra com militares ucranianos no "Dia da Marinha", em 3 de julho. Em 3 de julho, na cidade russa de Belgorod, três pessoas foram mortas em um bombardeio ucraniano de acordo com o governador local Vyacheslav Gladkov, que também afirmou que 11 prédios de apartamentos foram arrasados e 39 residências particulares foram destruídas. Essas alegações não puderam ser verificadas de forma independente. Um dos moradores da cidade afirmou: "um míssil atingiu prédios residenciais a cerca de vinte metros da minha casa. Todas as janelas da nossa casa foram quebradas, as portas ficaram desalinhadas". O governador do Oblast de Kursk também reportou ataques ucranianos contra a sua região, afirmando no Telegram que "nossas defesas aéreas [russas] derrubaram dois drones Strizh ucranianos". Já dentro da Ucrânia, nas zonas ocupadas militarmente pelos russos, principalmente na área de Kherson, houve três tentativas de assassinato de funcionários pró-Rússia nas duas semanas anteriores, feitos por guerrilheiros ucranianos.

Desde o começo de julho, soldados do Reino Unido e da Nova Zelândia estavam treinando militares ucranianos para usar canhões L118 e lançadores M270 MLRS. O número de soldados ucranianos treinados foi listado como "centenas" e ocorreu em Wiltshire, no sul da Inglaterra.

No começo de julho, o exército russo conquistou mais sucessos no leste, na região de Donbas, indicando que a mudança de estratégia deles na segunda fase da guerra estava rendendo frutos. Em 3 de julho, praticamente uma semana após a queda de Severodonetsk, foi a vez da cidade vizinha de Lysychansk ser tomada pelos russos. O Presidente Zelensky reconheceu a derrota no Oblast de Luhansk, afirmando: "Se os comandantes de nosso exército retiram pessoas de certos pontos na frente de batalha, onde o inimigo tem a maior vantagem em poder de fogo, e isso também se aplica a Lysychansk, isso significa apenas uma coisa. Que retornaremos graças às nossas táticas, graças ao aumento do fornecimento de armas modernas". O exército ucraniano disse em um comunicado, sobre a evacuação de Lysychansk: "A continuação da defesa da cidade levaria a consequências fatais. Para preservar a vida dos defensores ucranianos, foi tomada a decisão de retirar". Sergei Shoigu, o ministro da defesa da Rússia, informou então ao presidente Vladimir Putin que todo o Oblast de Luhansk foi "libertado".

Ainda em 3 de julho, o primeiro-ministro australiano Anthony Albanese visitou Kiev e prometeu sanções mais duras contra a Rússia, proibindo as importações de ouro russo e impondo sanções e proibições de viagem a dezesseis políticos e oligarcas russos. A assistência militar incluiria ainda a entrega de mais quatorze veículos M113, outros vinte blindados Bushmaster e outros equipamentos militares. Isso significaria que um total de 88 veículos seriam entregues à Ucrânia pela Austrália, sendo 60 Bushmasters e 28 M113.

Em 4 de julho, o governador ucraniano do Oblast de Luhansk, Serhiy Haidai, disse que as forças russas que lutavam em Luhansk "não estavam levando todos os feridos com eles" devido aos intensos combates; ele também disse que "os hospitais estavam lotados - assim como os necrotérios". Já o presidente russo Vladimir Putin disse que as forças russas que participaram das hostilidades ativas e obtiveram sucesso, deveriam descansar para aumentar suas capacidades de combate, porém unidades do exército e equipamentos começaram quase que imediatamente a serem enviados de Luhansk para Donetsk. Para apoiar uma guerra que agora estava projetada para durar mais tempo que o previsto, o Parlamento Russo começou, em 5 de julho, a preparar uma legislação para converter a situação economica da Rússia numa "economia de guerra" para poder ordenar que as empresas produzam suprimentos de guerra e façam os trabalhadores trabalharem horas extras. Tal emenda ainda proibiria as empresas russas de se recusarem a aceitar ordens do governo para "operações militares especiais" e permitiria que ao Kremlin alterar os contratos e as condições de trabalho dos funcionários, como forçar os empregados a trabalhar à noite ou em feriados federais. miniaturadaimagem|A situação militar na Ucrânia no final de julho de 2022. Ainda no dia 4, forças ucranianas atacaram depósitos de munição russos em Dubravnoye, na região de Kharkiv (perto da linha de frente) e Snizhne, região de Donetsk (cerca de 75 km da linha de frente). Acredita-se que esses ataques tenham sido realizados usando o HIMARS, fornecido pelos Estados Unidos, que indicava um aumento das capacidades ofensivas ucranianas com artilharia de longa distância."Russian Offensive Campaign Assessment, July 4 - Institute for the Study of War". Acessado em 8 de julho de 2022.

Em 5 de julho, tropas russas continuaram sua ofensiva ao noroeste e leste de Sloviansk. O prefeito da cidade exortou os civis a evacuarem o mais rápido possível devido ao avanço do exército russo na região."Russian Offensive Campaign Assessment, July 5 - Institute for the Study of War". Página acessada em 5 de julho de 2022. Enquanto isso, forças russas continuaram a se mover para o oeste de Lysychansk em direção a Seversk, ao mesmo tempo que mantinham uma ofensiva a sudeste de Bakhmut. Na direção de Kharkiv, os russos novamente realizaram intensos ataques aéreos e de artilharia contra a infraestrutura militar da Ucrânia e as concentrações de tropas por toda a região. Na direção de Kherson e Zaporíjia, a Rússia continuou a atacar os militares ucranianos e seus equipamentos atrás da linha de frente.

O Ministério da Defesa britânico divulgou uma declaração de que a ocupação da região de Luhansk pelas tropas russas foi bastante rápida e mostrou melhor coordenação do que em outras ofensivas.

Em 6 de julho, o general Igor Konashenkov, o porta-voz chefe do Ministério da Defesa russo, disse que mísseis russos de alta precisão lançados do ar destruíram dois sistemas HIMARS, fornecidos pelos Estados Unidos, na Ucrânia. Os militares ucranianos negaram a alegação, chamando-a de "nada mais do que uma farsa". Os militares russos divulgaram um vídeo supostamente mostrando o ataque, mas não pôde ser verificado de forma independente. Nesse meio tempo, os americanos afirmaram que acelerariam a entrega de sistemas de armas mais modernas aos ucranianos.

7–12 de julho miniaturadaimagem|esquerda|Soldados chechenos lutando pelos russos na Ucrânia.