Chirley Maria de Souza Almeida Santos (Floresta, 08 de maio de 1974), também conhecida como Chirley Pankará, é uma pedagoga, mestra em Educação pela PUC-SP, doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP) e ativista indígena do povo Pankará de Pernambuco. Foi a primeira co-deputada indígena a integrar um mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo pela Bancada Ativista (PSOL), eleita em 2018 como deputada estadual. É também autora do livro infantil "Nanã e os potes de barro".
Biografia Chirley mudou-se da cidade pernambucana de Floresta para a cidade de Mauá (SP) em 1998 em busca de novas oportunidades de trabalho, com o intuito de ajudar sua família que permaneceu em Pernambuco. Cursou magistério na sua cidade natal e quando chegou no Estado de São Paulo teve seu primeiro emprego como empregada doméstica. Por influência da avó, que manipulava ervas medicinais em sua aldeia, Chirley tinha a intenção de formar-se em enfermagem, porém, conseguiu uma bolsa de estudos e formou-se em pedagogia na cidade de Mauá, após os 30 anos de idade. Durante a graduação, cursou oficinas de teatro em Ribeirão Pires, concluindo a formação com a apresentação do espetáculo “Trabalha Dores”, inspirado no livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell.
No final da graduação iniciou no Observatório de Educação Escolar Indígena pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, onde pôde realizar pesquisas sobre como os estudantes indígenas se sentiam ao fazer parte de escolas não-indígenas, com ênfase na Lei 11.645/2008.
Fez parte da gestão dos Centros de Educação e Cultura Indígena (CECIs), educação infantil do povo Guarani, nas aldeias Krukutu, Tenondé Porã (em Parelheiros) e Tekoa Pyau (Jaraguá) por cerca de oito anos.
Além de ter sido secretária do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher do município de Mauá.
Posteriormente, iniciou em 2013 o mestrado no programa Educação: História, Política e Sociedade pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo com a dissertação intitulada "Os educadores do Centro de Educação e Cultura Indígena".
Em 2015, participou, como aluna especial, da disciplina "Aperfeiçoamento em Psicologia e Povos Indígenas: aspectos éticos, teóricos e metodológicos", desenvolvendo a pesquisa intitulada "Psicologia, cultura: educação e religiosidade".
Iniciou seu doutorado em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP) no ano de 2019, tornando-se a primeira indígena a ingressar no programa por meio das ações afirmativas da instituição. Tese intitulada "Cosmopolítica Pankará: Luta, memória e resistência".
Em 2023, tomou posse no recém-criado Ministério dos Povos Indígenas (MPI), onde assumiu a Coordenação-Geral de Promoção de Políticas Culturais. Contribuiu na elaboração da nota técnica do programa "Ancestralidade Viva: Apoio e Incentivo à Cultura dos Povos Indígenas". Por intermédio do Ministério, atuou como conselheira titular do Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e como suplente no Conselho Nacional de Turismo, vinculado ao Ministério do Turismo. Também participou da articulação interministerial junto ao Ministério da Cultura, contribuindo para a inclusão de cotas destinadas aos povos indígenas em editais e para a ampliação de sua participação nas políticas culturais. No Ministério da Igualdade Racial, participou de reuniões e discussões relacionadas ao Programa Federal de Ações Afirmativas.
Chirley é escritora e autora do livro "Nanã e os potes de barro". Também participou de diversas coletâneas literárias, contribuindo para diferentes publicações.
Ativismo e atuação política
Em 2009, começou a participar da Rede GRUMIN de mulheres indígenas, grupo focado na integração das mulheres indígenas no contexto sociopolítico do Brasil. Assim, ela passou a se envolver nas lutas relacionadas a território, igualdade e educação. No mesmo ano, passou a integrar o Conselho Nacional de Mulheres Indígenas (CONAMI-Brasil). Em 2021 ingressou na Articulação Nacional de Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA) e em 2025 passou a compor a governança da Rede ANMIGA como Mulher Bioma, representando a Mata Atlântica.
Quando pedagoga na cidade paulista, Chirley percebeu que os indígenas sofriam preconceito pelos próprios professores, por meio de estereótipos e generalizações que afastavam o pensamento dos alunos sobre os povos originários. Assim, defende a ideia de que estes devem ocupar os espaços de conhecimento, como as universidades por exemplo, para combater o cenário de preconceito presente na sociedade e acabar com insultos racistas ainda existentes os quais, segundo a ativista, são difíceis de esquecer. A manifestação de seu pensamento político em defesa dos povos indígenas é realizada nos diferentes protestos que já participou, como o Grito dos Excluídos, em atos contrários ao PL 490/2007 da Câmara Federal (também conhecido como Projeto de Lei do Marco Temporal) e também nos eventos que é convidada a apresentar a realidade do seu povo. Na cidade suíça de Genebra, onde ocorreu um desses eventos realizado na Maison de la Paix, Chirley teve seu cocar, elemento importante da identidade e cultura indígena, confiscado logo após desembarcar no país.
No mandato de co-deputada estadual pela Bancada Ativista na Assembleia Legislativa de São Paulo, teve atuação voltada à elaboração de projetos. Assim, atuou por meio de 7 emendas parlamentares destinadas a comunidades indígenas e elaborou, com lideranças indígenas, a Lei 17.311/2021 que institui o mês do Agosto indígena no Estado de São Paulo, cujo intuito é reforçar a data de 09 de agosto reconhecida pela ONU como Dia Internacional dos Povos Indígenas e apresentar a diversidade dos povos originários brasileiros, suas culturas e lutas da atualidade. A parlamentar defende que uma maneira de preservar a cultura desses povos é por meio da demarcação das suas terras, as quais ajudam a preservar seus costumes e evitar a violência contra as aldeias.miniaturadaimagem|Deputada federal Sâmia Bomfim durante campanha eleitoral de 2022 com Chirley Pankará, então candidata a deputada estadual por SP
Em setembro de 2018, participou da organização do I Encontro Estadual de Mulheres Indígenas na aldeia Guarani localizada no bairro do Jaraguá. O evento contou com a participação de cerca de 200 pessoas de mais de 15 povos indígenas e comunidades refugiadas de outros países. Durante o encontro, as mulheres debateram suas experiências relacionadas a saúde, educação, demarcação de terras e lançaram um manifesto em defesa da sustentabilidade dos povos originários e o direito à terra.
Nas eleições gerais de 2022, Chirley concorreu ao cargo de deputada estadual (desta vez individualmente) pelo PSOL e obteve 27.802 votos, porém não obteve a quantidade necessária para assumir a Assembleia Legislativa de São Paulo. Segundo ela, a ideia de se candidatar foi sugerida pelo próprio movimento indígena, que apoio a sua entrada em uma nova candidatura à ALESP. Durante a campanha, recebeu apoio e divulgação pelas três deputadas federais eleitas com maior número de votos pelo seu partido para a Câmara Federal por São Paulo no ano de 2022: Erika Hilton, Sâmia Bomfim e Sônia Guajajara.
Em 2024, candidatou-se ao cargo de vereadora da Câmara Municipal de São Paulo, conquistando 9.599 votos nas eleições municipais.
Desempenho eleitoral AnoEleiçãoCargoVotos%PartidoResultadoNotasRef.2022Estadual de São PauloDeputada Estadual27.8020,12%PSOL2024Municipal de São PauloVereadora9.599PSOL
Ver também
Educação indígena Povos indígenas do Brasil Pancarás
Referências
Categoria:Mulheres indígenas do Brasil Categoria:Ativistas dos direitos indígenas do Brasil Categoria:Educadores de Pernambuco Categoria:Membros do Partido Socialismo e Liberdade Categoria:Mulheres de Pernambuco na política Categoria:Nascidos em 1974 Categoria:Indígenas do Brasil na política Categoria:Líderes indígenas do Brasil Categoria:Alunos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Categoria:Alunos da Universidade de São Paulo Categoria:Pancarás Categoria:Educadores indígenas do Brasil Categoria:!Wikiconcurso Justiça Climática e Amazônia (artigos)