Síntese, na literatura, é um tipo textual utilizado para organizar e armazenar as principais características de uma obra. Diferentemente do resumo, a síntese apresenta as ideias gerais do autor; desta forma, sua publicação é quase sempre feita pelo leitor. É feita de forma objetiva, tendo diferentes âmbitos dependendo de seu tipo.

O termo “síntese” surge da ideia que o texto tem como objetivo recolher ideias dispersas e amplas presentes no texto e organizá-las em um bloco unificado. Assim, a síntese demonstra plenamente as relações entre as temáticas da obra. Os tipos de síntese incluem a síntese argumentativa, que busca em outros autores embasamento para argumentar sobre a obra principal; a síntese crítica, que constrói uma discussão a partir dos argumentos do texto original; e a síntese explicativa, a qual apresenta tópicos relevantes para facilitar a fixação dos temas da obra.

Diferença entre resenha e síntese Síntese e resenha são dois gêneros textuais que são parecidos, por usar o resumo da obra analisada como método. Porém, eles são completamente diferentes. A resenha consiste em um gênero textual no qual o autor omite opinião ou descreve sobre um livro, um filme, algum álbum musical e demais produções culturais. Uma das finalidades de uma resenha é a divulgação de obras e textos, sob uma perspectiva crítica o que eles contêm. O autor da resenha alude a outras obras publicadas pelo autor do texto-fonte, sempre registrando suas impressões pessoais sobre a obra. As resenhas são vistas em periódicos como jornais das mais variadas tendências e em revistas semanais de circulação nacional. Há dois tipos de resenha: a resenha descritiva e a resenha crítica.

Resenha Descritiva É informativa, consiste em uma forma de expor algo relativo ao conteúdo analisado, sem fazer julgamentos ou relatar a história. O resenhista, neste tipo de resenha, dá a conhecer ao leitor um pouco sobre a obra e o autor, sem se aprofundar no assunto inteiro.

Resenha Crítica Nesse tipo de resenha, o autor dá a sua opinião de forma crítica, além de expor algo a respeito de um conteúdo, influenciando o comportamento dos leitores. O autor da resenha crítica informa o leitor qual o seu enredo, mas não conta a sua história.

Síntese Já a síntese é um gênero textual que resume o que contempla as principais ideias ou a essência de algo. É possível fazer uma síntese de um artigo acadêmico, de um livro, de um filme ou de uma série, por exemplo. Sua estrutura apresenta introdução, desenvolvimento e conclusão, além de algumas características específicas a cada texto, como o caráter argumentativo, crítico ou explicativo.  A sua linguagem deve ser objetiva e impessoal, evitando informações de outros temas e opiniões pessoais. Deve focar-se em apresentar as informações relevantes para a análise feita.

A estrutura de uma síntese é consideravelmente flexível, pois não segue a mesma estrutura do texto-base, porém, ela deve ser dividida em introdução, desenvolvimento e conclusão. Na introdução é onde se apresenta o tema e o autor da obra escolhida. O desenvolvimento é a parte onde se indica os assuntos nucleares, mostrando as intenções do autor. E a conclusão encerra as discussões apresentando as últimas considerações a respeito da obra analisada.

Síntese como ferramenta para a história pública Como dito anteriormente a síntese é um gênero textual ou ferramenta para produção de sentido do passado para um público não especializado, com a possibilidade de abordar novos públicos que desejam solução aos problemas levantados, introdução, desenvolvimento, conclusão, com uma respectiva adequação da linguagem acessível a todos.

A partir de 1967, Raphael Samuel, no Ruskin College da Universidade de Oxford organizou uma série de oficinas e seminários, posteriormente conhecido como movimento Workshop, sendo os pioneiros na Europa.

Anos depois e o conceito de história pública ainda é amplo e em disputa, pois para além de divulgar os trabalhos acadêmicos, seu uso permite refletir sobre diferentes representações do passado na mídia podendo modificar a relação do público com a sua história.MALERBA, Jurandir. “A escrita de história em forma de síntese atende a demandas muito urgentes do debate historiográfico contemporâneo” (Entrevista por Flávia Varella). In: Café História. Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br/entrevista-com-jurandir-malerba-escrita-da-historia-em-sintese-brasil-em-projetos. Publicado em: 22 nov. 2021. ISSN: 2674-5917. Justamente por conta disto, em 2011 foi fundada a Federação Internacional de História Pública, um ano depois 2012, no Brasil, foi inaugurada a Rede Brasileira de História Pública com o intuito de pautar a nível nacional e internacional os estudos e usos da história em espaços públicos. Assim como a amplitude de possibilidades da atuação e produção tais como, a escrita colaborativa como ferramenta de pluralidade e enriquecimento intelectual ou a síntese por sua construção narrativa normalmente cronológica e dos eventos mais marcantes do recorte temporal, difusão do conhecimento para além das barreiras universitárias sem perder o rigor e a responsabilidade metodológica com as fontes.CARVALHO, Bruno Leal Pastor de. História Pública e redes sociais na internet: elementos iniciais para um debate contemporâneo. Revista Transversos.“Dossiê: História Pública: escritas contemporâneas de História. Rio de Janeiro, Vol. 07, nº. 07, pp. 35-53, Ano 03. set. 2016. Disponível em: . ISSN 2179-7528. DOI: 10.12957/ transversos.2016.25602.

Exemplos de síntese Algumas obras podem ser citadas como exemplos de sínteses históricas.

História Geral do Brasil, um trabalho historiográfico produzido por Francisco Adolfo de Varnhagen. Se considerada uma síntese, tendo em vista a mescla de escrita histórica e literária que Varnhagen adota a fim de apelar para um público amplo, se destaca como a primeira a tratar da história do Brasil. Sua obra, entretanto, deixa transparecer seu viés a favor da monarquia, do colonialismo português e do anti-indianismo.Protásio, Daniel Estudante. "Francisco Adolfo de Varnhagen e algumas linhas de força da historiografia portuguesa do seu tempo (1839-1841)". In: História da Historiografia, 2014; 7 (14)Silveira, Pedro Telles da. "Ficção, literatura e história através da “Crônica do descobrimento do Brasil (1840), de Francisco Adolfo de Varnhagen". In: História da Historiografia, 2009; 2 (3)Cezar, Temístocles. "Varnhagen em movimento: breve antologia de uma existência". In: Topoi, 2007; 8 (15): 159-207 O Movimento da Independência 1821-1822, de Manuel de Oliveira Lima. O livro trata do processo de separação do Brasil de Portugal, detalhando a volta de D. João VI para Lisboa, as Cortes de Lisboa, as lojas maçônicas no Brasil, além das personalidades de José Bonifácio e D. Pedro I. Pindorama — A Outra História do Brasil, de Jovane Nunes. Sua sinopse constata o seguinte: “o livro de estreia de Jovane Nunes narra, através de uma perspectiva diferente da que aprendemos nos livros escolares, a trajetória do Brasil desde os primórdios até os dias de hoje, passando por personagens célebres e situações intrigantes”. Alguns autores, a fim de atrair o público, afirmam expor em seus livros a "verdadeira história", a "história que o seu professor nunca te contou e que você nunca leu no seu livro didático". O mesmo fenômeno ocorre na obra de síntese histórica de Eduardo Bueno, Brasil: Uma História, no qual a sinopse consta que o autor "tira a História da prisão das salas de aula e a leva para as ruas". No seminário Independência: Memória e Historiografia, Jurandir Malerba discorre sobre o assunto: "Feitas por não especialistas, para fins ou econômicos – para ganhar dinheiro – ou político-ideológicos; e, não obstante, essas obras de síntese vêm constituindo uma cultura histórica questionável, mal elaborada, cheia de vícios de produção, de interpretação e mesmo de erros factuais".Costa, 2016; Nunes, 2009. Sobre essa historiografia, queira ver Bonaldo, 2010; Rodrigues, 2016; Paiani, 2017. Brasil em Projetos, de Jurandir Malerba. Em sua obra, Malerba apresenta a história do Brasil através de um eixo temático dos projetos de melhoria da nação elaborados ao longo dos séculos. Brasil: Uma Biografia, de Heloisa Murgel Starling e Lilia Schwarcz. Livro de ouro da História do Brasil, de Mary del Priore e Renato Venâncio. Brasil: Uma Interpretação, de Carlos Guilherme Mota e Adriana Lopez.

Categoria:Linguística textual