Antônio Felix Filho (c.1900, Providência – 19 de junho de 1974), mais conhecido como Turquinho, foi o primeiro patrulheiro da Polícia Rodoviária Federal.

Início de vida Foi filho de um imigrante sírio com uma mineira. Viajou para a Síria ainda adolescente, mas não conseguiu encontrar seus parentes e passou por dificuldades no país. Chegou a passar fome e frio e viveu de trabalhos informais. Após quatro anos no país, cansou-se de suas condições de vida e decidiu voltar para o Brasil. Para tanto, trabalhou como grumete no navio Santarém, do Lloyd Brasileiro.

Polícia Rodoviária Federal Antônio trabalhou na construção da Rodovia Rio-Petrópolis e em 1927 militou pela criação de uma polícia de patrulhamento, o que aconteceu no Governo Washington Luis no ano seguinte. Em 1933, virou crítico da recém-criada Polícia de Estradas por ela nunca ter sido verdadeiramente implementada. Ele, então, foi diversas vezes ao Palácio do Catete exigir a implementação efetiva das patrulhas.

Cansado das respostas negativas, comprou uma moto Zundapp KS 750 e passou a fazer as patrulhas sozinho, munido apenas de um revólver e binóculos. Em uma dessas patrulhas, Antônio se encontrou com Getúlio Vargas, o qual já conhecia, e seu segurança, Gregório Fortunato, onde ele questionou o presidente sobre a implementação da polícia.

Em 1935, foi chamado pelo administrador Natal Crosato, a mando de Yeddo Fiuza, Chefe da Comissão de Estradas e Rodagem, para ser o primeiro Inspetor de Tráfego, onde deveria ajudar a treinar e organizar a patrulha das rodovias Rio-Petrópolis, Rio-São Paulo e União Indústria. Para isso, ganhou uma moto Harley Davidson e passou a fazer rondas com cerca de 450 homens da Comissão de Estradas de Rodagem. Ele também foi um dos maiores conselheiros de Carlos Rocha Miranda.

O primeiro quadro de policiais foi criado oficialmente em 23 de julho de 1935 com o auxílio de Carlos Rocha Miranda. Eram eles: Antônio Wilbert Sobrinho, Alizue Galdino Neves, Ranulpho Pereira de Carvalho, Manoel Fonseca Soares, Nicomedes Rosa e Silva, Waldemar Barreto, Andelson José dos Santos, Manoel Gomes Guimarães, Pedro Luiz Plum, Mário Soares, Luciano Alves e Nelson Azevedo Barbosa.

Turquinho deixou o patrulhamento com motocicletas em 2 de setembro de 1947 após um grave acidente envolvendo seu veículo e um automóvel da comitiva do Corpo Diplomático, ocupado pelo General Pedro Aurélio de Góis Monteiro.

Nossa Senhora da Medalha Milagrosa No dia 30 de dezembro de 1936, Turquinho estava dirigindo em uma ronda noturna na Rio-Petrópolis quando pensou ter atropelado uma mulher que atravessava a rodovia distraida. Quando voltou para prestar socorro, a rodovia estava deserta, e no local estava uma medalha com a imagem de uma santa. Neste dia, ele jurou criar a maior força policial do Brasil. Mais tarde, a santa foi identificada como a Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. Turquinho carregou a medalha consigo até o fim da vida, e, em 2004, ela virou a padroeira da Polícia Rodoviária Federal.

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