alt=Mapa das regiões propostas por Milton Santos|miniaturadaimagem|323x323px|Mapa das regiões propostas por Milton Santos e Maria Laura Silveira alt=Mapa das regiões propostas por Milton Santos|miniaturadaimagem|322x322px|Versão alternativa para uso pedagógico Quatro Brasis é uma proposta teórica e geográfica de regionalização do Brasil feita pelos geógrafos Milton Santos e Maria Laura Silveira em 2001. Nessa regionalização, o principal critério foi o meio técnico-científico-informacional. Assim, ela leva em consideração a difusão da infraestrutura que suporta as redes de informações, mercadorias, capitais e pessoas entre os estados. Usando esses critérios, os geógrafos agruparam os estados em quatro regiões: Região Amazônica, Região Concentrada, Região Nordeste e Região Centro-Oeste.
As regiões Região Amazônica Contendo os estados do Acre, Amazonas, Roraima, Rondônia, Pará e Amapá, a Região Amazônica é a maior das quatro, ocupando quilômetros quadrados. A região tem pouca densidade demográfica, bem como poucos centros urbanos, levando ao predomínio de atividades tradicionais para sustentar a economia da região.
As principais atividades econômicas da área são a agropecuária, a aquicultura e o extrativismo mineral e vegetal. A mineração de ferro é de grande importância econômica, principalmente no estado do Pará, onde essa indústria faturou R$31 bilhões no primeiro trimestre de 2021. A Região Amazônica também tem alto potencial hidrelétrico, o rio Amazonas, por exemplo, é o maior do mundo por volume d'água. Mesmo assim, a exploração dos recursos dessa área foi iniciada apenas recentemente, e a região produz menos de 25% da energia hidrelétrica do Brasil.
Região Concentrada Ocupando quilômetros quadrados — a menor região por área —, a Região Concentrada é o centro tecnológico do país, onde o desenvolvimento da ciência e da tecnologia é o maior e mais contínuo no Brasil. A região consiste dos estados do Sul e do Sudeste, sendo diversas cidades dos estados que a compõem centros importantes do país — a cidade de São Paulo, por exemplo, destaca-se como polo nacional.
Segundo Milton Santos, a Região Concentrada é “composta de denso sistema de fluxos, em razão dos elevados índices de urbanização, por atividade comercial intensa e alto padrão de tomada de decisões do território brasileiro, abrigando atividades modernas e globalizadas, como alguns setores financeiros e de serviços”. Essa região tem a maior densidade demográfica e a é mais industrializada do país. Ainda sim, sua economia integra outro setores da indústria, como a metalurgia e a extração de petróleo, e da agropecuária, como o plantio de café, cana-de-açúcar e laranja, além do turismo.
Região Nordeste Congruente a delimitação do IBGE, a Região Nordeste apresenta, de modo geral, alta desigualdade entre as sub-regiões, que são a Zona da Mata, o Agreste, o Sertão e o Meio-Norte, e índices sociais baixos, embora esses estejam apresentando melhoras nas últimas décadas. O turismo é muito prevalente no Nordeste, principalmente em cidades litorâneas e praieiras, estimulando a economia local e gerando empregos.
A Zona da Mata é a área mais desenvolvida da região, com indústrias diversas e espaços urbanos similares aos sudestinos. Enquanto isso, o resto da região é menos desenvolvido e mais dependente de atividades do setor primário. A agropecuária é predominante no Sertão e no Agreste, onde os principais produtos agrícolas são a cana-de-açúcar, o cacau, o milho, o algodão, o feijão, a mandioca e a soja, e a pecuária é prevalente no Maranhão, Piauí e Bahia. Mesmo que o Nordeste contenha vários aspectos técnico-científico-informacionais — como o maior parque tecnológico do Brasil —, esses estão, na maior parte, concentrados nas grandes cidades do litoral.
Região Centro-Oeste Abrangendo o Tocantins, o Mato Grosso, o Mato Grosso do Sul, o Goiás e o Distrito Federal, a Região Centro-Oeste cresceu principalmente a partir da alta migração de fazendeiros da região Concentrada, os quais buscavam novas terras e foram estimulados pelo programa da marcha para o Oeste. Apesar da economia do Centro-Oeste ser voltada ao setor primário, a região tem tecnologia e desenvolvimento paralelos à Concentrada, tendo um índice técnico-científico-informacional alto.
A economia do Centro-Oeste é voltada à agropecuária, havendo a produção de vários tipos de grãos, como o milho, o girassol, o feijão e, principalmente, a soja, sendo o Mato Grosso o maior estado produtor de soja no Brasil. A pecuária é focada na avicultura e suinocultura, sendo a presença de gado menor. O extrativismo consiste na extração da madeira e de metais — ouro, ferro e níquel, por exemplo. Mesmo havendo presença do setor secundário, ele é majoritariamente baseado no setor primário, cobrindo áreas como a produção alimentícia, de celulose, de laticínios, e de ração. Contudo, ainda existem outras áreas desse setor, como a automobilística e a farmacêutica.
Ver também Subdivisões do Brasil Regiões do Brasil Lista de regiões hidrográficas do Brasil
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