Emma Jane Catherine Cobden (Londres, 28 de abril de 1851 – Surrey, 7 de julho de 1947) foi uma política liberal britânica atuante em pautas radicais. Filha do reformador e estadista vitoriano Richard Cobden, foi uma das primeiras defensoras dos direitos das mulheres e, em 1889, esteve entre as duas mulheres eleitas para o primeiro Conselho do Condado de Londres. Sua eleição foi controversa; contestações judiciais à sua elegibilidade dificultaram e, por fim, a impediram de ocupar o cargo como vereadora.
Desde a juventude, junto com suas irmãs, procurou proteger e desenvolver o legado de seu pai. Ela permaneceu comprometida ao longo de sua vida com as questões "Cobdenitas" de reforma agrária, paz e justiça social, além de ser uma defensora consistente da independência da Irlanda pela Grã-Bretanha. A batalha pelo sufrágio feminino em igualdade de condições com os homens, no qual assumiu seu primeiro compromisso em 1875, foi sua pauta mais duradoura. Embora simpatizasse e apoiasse aqueles, incluindo sua irmã Anne Cobden-Sanderson, que escolheu fazer campanha usando métodos militantes e ilegais, manteve suas próprias atividades dentro da lei. Além disso, esteve no Partido Liberal, apesar de sua profunda discordância sobre a questão do sufrágio.
Após seu casamento com o proprietário de editora Thomas Fisher Unwin, em 1892, Jane Cobden ampliou sua gama de interesses no campo internacional, principalmente ao promover os direitos das populações indígenas dentro dos territórios coloniais. Como anti-imperialista convicta, se opôs à Guerra dos Bôeres entre 1899–1902 e, após a criação da União Sul-Africana em 1910, atacou a introdução de políticas segregacionistas. Nos anos anteriores à Primeira Guerra Mundial, se opôs à cruzada de reforma tarifária de Joseph Chamberlain com base nos princípios de livre comércio de seu pai e foi importante no renascimento da questão da reforma agrária no Partido Liberal. Na década de 1920, encerrou suas atividades na vida pública e, em 1928, cedeu a antiga residência da família, a Dunford House, à Cobden Memorial Association como um centro de conferência e educação dedicado às questões e pautas que definiram o chamado cobdenismo.
Primeiros anos
Antecedentes familiares e infância Jane Cobden nasceu em 28 de abril de 1851, na rua Westbourne Terrace, oeste de Londres. Foi a terceira filha e a quarta criança de Richard Cobden, que na época de seu nascimento, era um parlamentar radical representando West Riding. Junto com John Bright, cofundou a Anti-Corn Law League, que, na década de 1840, liderou a campanha bem-sucedida pela abolição das Corn Laws. A mãe de Jane se chamava Catherine Anne (inicialmente com sobrenome Williams), filha de um comerciante de madeira de Machynlleth, no País de Gales. Catherine teve seis filhos, todos fruto do relacionamento com Cobden: Richard ("Dick"), nascido em 1841; Kate, nascida em 1844; e Ellen, em 1848. Após o nascimento de Jane, vieram mais duas filhas: Anne, em 1853, e Lucy, em 1861.
Na década de 1830, Richard havia transferido o controle de sua fábrica especializada em produção de calicô a seus irmãos para se concentrar no serviço público. Em 1849, seu negócio já estava falindo e ele estava perto de uma crise financeira. No entanto, foi salvo da falência por uma subscrição pública que não apenas liquidou suas dívidas, mas também lhe permitiu adquirir a chácara no qual havia nascido em 1804, em Dunford, perto de Heyshott, em Sussex. Ele reconstruiu a propriedade como uma grande casa de campo, Dunford House, que se tornou a casa da infância de Jane Cobden desde o início de 1854. Em abril de 1856, Dick, que estava na escola em Weinheim, na Alemanha, morreu após uma curta doença. A notícia foi um choque devastador para a família, e causou o afastamento temporário de Richard da vida pública. Esse hiato foi prolongado quando, em 1857, ele perdeu sua vaga como parlamentar. Ele só retornou à Câmara dos Comuns em maio de 1859, como membro do Partido Liberal de Rochdale.
Devido a grande quantidade de ausências em seu lar, por tarefas parlamentares e de outras naturezas, Richard Cobden era uma figura um tanto remota para suas filhas, embora suas cartas indicassem que ele se sentia afetuoso por elas e que desejava direcionar sua educação política. Anos depois, todos reconheceriam sua influência sobre suas ideias. Ambos os pais ficaram impressionados com as meninas por conta de suas responsabilidades para com os pobres da comunidade. O diário de Jane Cobden, registrado em 1864, mostra visitas em casas e asilos. Ela e sua irmã mais nova, Anne, com 12 e 10 anos, respectivamente, davam aulas numa escola rural. As meninas foram incentivadas pelo pai a contribuir com o dinheiro que possuíam para amenizar a pobreza na região: "Não guarde o dinheiro (...) já que você decidiu dá-lo aos pobres sofredores, deixe que seus próprios vizinhos o tenham. Sua mãe lhe dirá como aplicá-lo e me contará tudo sobre isso".
Fraternidade das irmãs pelo legado do pai Richard Cobden morreu após um grave ataque brônquico em 2 de abril de 1865, algumas semanas antes do aniversário de 14 anos de Jane. Seguiu-se um período de incerteza doméstica e preocupação financeira, eventualmente resolvido por uma pensão do governo de libras esterlinas por ano e a criação de um "Fundo de Tributo a Cobden" por seus amigos e seguidores. Após a morte de seu pai, Jane e Anne frequentaram a escola Warrington Lodge, em Maida Vale; contudo, após um desentendimento cuja natureza não é clara, ambas foram expulsas da escola — "jogadas em minhas mãos", reclamou sua mãe. Nesse momento difícil, Catherine não se isolou; em 1866, supervisionou a republicação da obra Political Writings, de seu marido, e, no mesmo ano, tornou-se uma das signatárias da "Petição Feminina", um evento que a historiadora Sophia Van Wingerden marca como o início do movimento organizado pelo sufrágio feminino.
Em 1869, a Dunford House foi alugada. Catherine e suas quatro filhas mais novas mudaram-se para uma casa em South Kensington — a mais velha, Kate, casou-se em 1866. A presença delas na nova residência provou ser algo insatisfatório; Ellen, Jane e Anne demonstravam independência de espírito e divergiam das opiniões da mãe. Catherine se mudou, levando a filha mais nova, Lucy, e foi para o País de Gales, onde viveu até sua morte em 1877. Em South Kensington, Ellen, Jane e Anne, muitas vezes acompanhadas por Kate, tinham o sentimento comum de preservar a memória e as obras de Richard Cobden, além de defender seus princípios e pautas radicais em suas ações. Juntas, as irmãs interromperam a publicação de um livro de memórias de seu pai, patrocinado por seus ex-colegas e compilado por uma amiga da família, Julie Salis Schwabe. Isso causou algum rebuliço; Schwabe havia dado apoio financeiro e emocional à família após a morte de Richard. No entanto, Jane queria um memorial maior, e garantiu os serviços de John Morley, cuja biografia de Richard Cobden foi publicada em 1881.
Durante esses anos, Jane costumava viajar para o exterior. Em Londres, ela e suas irmãs ampliaram sua gama de conhecidos nos círculos literários e artísticos; entre seus novos amigos estavam o escritor George MacDonald e os pré-rafaelitas William e Jane Morris e Edward Burne-Jones. Posteriormente, Ellen casou-se com o pintor Walter Sickert. Jane desenvolveu um interesse pelo sufrágio feminino após participar de uma conferência em Londres, em 1871. No ano de 1875, assumiu um compromisso específico com esta pauta, embora não tenha se tornado ativa no movimento por vários anos. Nesse ínterim, em 1879, ajudou a fundar o Cobden Club, em Heyshott, perto da cidade natal de seu pai.
Primeiras atividades do movimento
Luta pelo sufrágio feminino A partir do final da década de 1870, as irmãs Cobden começaram a seguir caminhos diferentes. Anne casou-se com Thomas Sanderson em 1882; inspirada por suas amizades dentro do círculo de Morris, seus interesses se voltaram para as artes e ofícios e, eventualmente, para o socialismo. Depois que seu casamento com Sickert fracassou, Ellen tornou-se romancista. Jane tornou-se uma liberal ativa, na ala radical do partido. Por volta de 1879, se tornou membra da National Society for Women's Suffrage (Sociedade Nacional para o Sufrágio Feminino), fundada em 1867, como continuidade da "Petição Feminina" de 1866. Jane ingressou no comitê de finanças da Sociedade Nacional e, em 1880, era sua tesoureira. Naquele ano, foi oradora numa "grande manifestação" no St James's Hall, em Londres, e no ano seguinte discursou em uma reunião semelhante em Bradford. Em 1883, participou de uma conferência em Leeds, organizada conjuntamente pela National Liberal Federation (Federação Liberal Nacional) e a National Reform Union (União Reformista Nacional), onde apoiou um projeto proposto por Henry William Crosskey e apoiado por Walter McLaren (sobrinho de John Bright) para estender o voto nas eleições parlamentares a certas mulheres — aquelas que, "possuindo os critérios que permitem aos homens votarem, têm agora o direito de votar em todos os assuntos do governo local".
A postura geral da Sociedade Nacional era cautelosa, pois evitava uma identificação estreita com os partidos políticos e, por isso, não aceitava a participação de filiais da Federação Liberal Feminina. Além disso, sua política de excluir mulheres casadas de qualquer extensão do projeto originou uma dissidência em 1888, a Central National Society (Sociedade Nacional Central, CNS). Jane juntou-se ao comitê executivo do novo órgão, que incentivou a filiação das Women's Liberal Associations (Associações Liberais de Mulheres), e esperava que um futuro governo liberal garantisse o direito de voto das mulheres. No entanto, os membros mais radicais da CNS sentiram que a organização não tinha compromisso sério com o sufrágio das mulheres casadas. Em 1889, esse grupo, no qual participavam Jane Cobden e Emmeline Pankhurst, formou a Women's Franchise League (Liga do Sufrágio Feminino, WFL), com uma política específica de buscar votos para mulheres, sob os mesmos critérios já existentes para homens, e a elegibilidade de mulheres para todos os cargos públicos.
Moradia para desalojados na Irlanda Em 1848, Richard Cobden havia escrito: "Quase todos os crimes e ultrajes na Irlanda estão relacionados com a ocupação ou propriedade de terras (...) se eu tivesse poder, sempre tornaria os proprietários de terras em moradores, desmembrando as grandes propriedades. Em outras palavras, eu daria a Irlanda aos irlandeses". No entanto, suas opiniões foram mantidas no contexto do unionismo; ele condenou a rebelião da "Young Ireland", em 1848, como um ato de insanidade. Jane adotou o ponto de vista de seu pai sobre a reforma agrária irlandesa, mas abraçou a pauta do governo autônomo irlandês — sobre a qual dava palestras regularmente — e era uma forte apoiadora de uma organização camponesa, a Land League (Liga da Terra). Depois de visitar a Irlanda com a missão feminina em 1887, usou as páginas da imprensa inglesa para expor os maus-tratos aos moradores desalojados. Em uma carta ao jornal britânico The Times, Jane e seus associados citaram um caso particular — a família Ryan, de Cloughbready, no condado de Tipperary — para ilustrar a dureza do governo britânico até mesmo com os indivíduos mais vulneráveis. Jane enviou dinheiro e comida para amenizar a angústia da família Ryan.