A arqueologia digital é a aplicação da tecnologia da informação e da mídia digital à arqueologia. Inclui o uso de tecnologias como fotografia digital, reconstrução 3D, realidade virtual e sistemas de informação geográfica. A arqueologia computacional inclui métodos analíticos baseados em computador e pode ser considerada um subcampo da arqueologia digital e virtual.

Conceito geral O uso da tecnologia digital para a realização de pesquisas arqueológicas permite a coleta de dados sem invasão ou destruição dos sítios arqueológicos e do patrimônio cultural que eles possuem, auxiliando na preservação dos dados arqueológicos. Foi assim que muitos dos primeiros sítios arqueológicos foram descobertos em profundidade. As aplicações desta tecnologia ajudaram na reconstrução de monumentos históricos e artefatos como cerâmica, fósseis da pré-história, restos mumificados.

À medida que a Tecnologia de Informação e a Comunicação disponível no campo da arqueologia se desenvolve através de vários avanços tecnológicos, os arqueólogos são capazes de obter mais acesso a essas tecnologias, permitindo que maiores quantidades de dados arqueológicos sejam elas documentadas e analisadas com precisão. A tecnologia atualmente disponível tem permitido que os dados sejam disseminados, processados e fornecidos de forma eficiente aos arquivos públicos, com o uso de técnicas de vigilância em campo permitindo que uma maior quantidade de análise de dados em campo seja realizada por arqueólogos.

Preservação do patrimônio digital No desenvolvimento de novas tecnologias, vem novas formas de se expressar. Hoje já é importante parte do patrimônio cultural e intelectual a materialidade digital, Documentos que são necessários para um melhor conhecimento da trajetória humana em diversos aspectos sendo eles históricos, artísticos, ideológicos políticos ou religiosos. Este patrimônio pode ser gerado de diversos processos com igualmente diversas razões.CAMPOS, F. M. Informação digital: um novo património a preservar. Cadernos BAD (Portugual), n. 2, 2002. Disponível em: http://hdl.handle.net/20.500.11959/brapci/62432. Acesso em: 29 jan. 2023. O crescimento exponencial desse novo tipo de informação, traz desafios no momento de geri-lo, mas, A preservação digital tem sido uma preocupação crescente com os profissionais que trabalham com informação incluindo os arqueólogos que vem adotando estratégias especificas para este acervo. Fora os dados, há uma preocupação com o próprio material tecnológico, que é representado por um conjunto de objetos com necessidades de conservação especificas.

Estudo das materialidades virtuais Como já instituído a informação digital pode trazer uma parcela importante no entendimento acerca do patrimônio cultural e intelectual. A existência de mundos virtuais permite a emergência de comunidades com seus próprios mitos baseando-se na arquitetura dos seus mundos, como um mito de criação.

História A utilização arqueológica dos computadores, tal como foi definida por George L. Cowgill em 1967, ganhou terreno no final da década de 1950, impulsionada por algumas experiências isoladas de utilização de cartões perfurados triados à máquina. Como disciplina tipicamente humanística, a arqueologia foi abalada pela intervenção das ciências físicas, matemáticas e naturais, que logo após a Segunda Guerra Mundial foram assumindo um papel cada vez mais crucial como ferramentas de pesquisa e conhecimento.

A ciência e a tecnologia passaram a se inserir na arqueologia, renovando profundamente seus métodos de investigação e transformando sua estrutura dentro de um movimento dinâmico quantitativo que afetou muitos outros campos das Ciências Humanas e Sociais. Durante a década de 1960, a Nova Arqueologia se desenvolveu como um movimento cultural: seus precursores, em particular Lewis R. Binford, reivindicavam que os computadores, como em outras ciências exatas, deveriam se tornar uma ferramenta indispensável para o processamento automático de dados arqueológicos e antropológicos.

A análise de artefatos arqueológicos, principalmente os pertencentes à Pré-História, vislumbrou o uso pioneiro de computadores através da aplicação de técnicas matemáticas e estatísticas. Muitas vezes, os métodos eram emprestados de outras áreas de pesquisa, como ciências naturais, geografia e psicologia, e depois atualizados para responder às necessidades específicas da arqueologia.

A relação entre as “duas culturas” foi complexa e por vezes conflituosa, como acontece frequentemente quando diferentes abordagens se encontram e colidem para encontrar caminhos comuns. No entanto, o experimento foi bem-sucedido e deu origem a desenvolvimentos unitários e caminhos inovadores de investigação científica, nos quais a tecnologia da informação teve um grande impacto nas metodologias tradicionais de pesquisa.

A arqueologia digital vem se desenvolvendo desde meados da década de 1960 mas é um campo de estudo recente no Brasil, que reúne pesquisadores por todo o país. A partir dos anos 2000, a arqueologia digital avançou em dois campos principais: o primeiro com renderizações de vídeos com modelos 3D.

A Arqueologia Digital consiste em preservar e divulgar os achados arqueológicos no processo de uma escavação, sejam de estruturas arquitetônicas, sítios arqueológicos ou objetos encontrados, utilizando diferentes fontes de informação e comunicação. Desde informações geográficas, fotos aéreas, panorâmicas em 360 graus, exames a laser, modelagem computacional, análise estatísticas. Todas essas informações geradas possibilitarão uma maior precisão, portabilidade e facilidade de análise e a construção do conhecimento bilateral, interligando de forma mais ampla a Arqueologia com o restante do mundo.

A Arqueologia digital é um conjunto de técnicas e métodos usados por arqueólogos utilizando-se computadores. Abrange diversos métodos e objetivos que vão da criação de acervos digitais à educação patrimonial e difusão do trabalho científico.GALRãO, A. F. Estudo de caso em arqueologia digital: o gabinete da área de sines. Páginas A&B, Arquivos e Bibliotecas (Portugal), n. Especial, p. 99-114, 2017. Disponível em: http://hdl.handle.net/20.500.11959/brapci/62271. Acesso em: 29 jan. 2023.

No Brasil alt=Evolução cronológica da produção no Brasil|miniaturadaimagem|Evolução cronológica da produção no BrasilSCHWENGBER, V. Arqueologia e Informática: uma Proposta de Educação Patrimonial sobre os Sambaquis do Sul De Santa Catarina. (Dissertação de Mestrado) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, Julho de 2002.https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/53899/2/tesedoutleandrosilva000120952.pdfSilva Neta, Virginia Marques da. Arqueologia digital: um experimento colaborativo na práxis da educação patrimonial. Universidade Federal do Piauí, Programa de Pós-Graduação em Arqueologia, Mestrado em Arqueologia. Dissertação (Mestrado). Piauí.2019.https://teses.usp.br/teses/disponiveis/71/71131/tde-23102018-180447/pt-br.phpSimpósio de Arqueologia em Cenários de Fome: respeito, dignidade, alimento e conhecimento - livro de resumos (7.: 2022: Cruz das Almas, BA) Reunião da Sociedade de Arqueologia Brasileira Regional do Nordeste, 21 a 24 de setembro de 2022/ Agnelo Fernandes Queiróz, Fabiana Comerlato, Olívia Alexandre de Carvalho (organizadores) - Cruz das Almas, BA: UFRB, 2022.84 p.:ilPINA, A.D.V. Os artefatos podem jogar? a digitalização do patrimônio arqueológico em jogos eletrônicos. Dissertação. (Mestrado em Antropologia). Programa de Pós-Graduação em Antropologia, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal do Pará, UFPA. Belém, 2019.Sena, E., Medeiros, R., Santos, C., Sullasi, H., Bonald, L., Chagas, N., & Mutzenberg, D. (2023). As ruínas do forte de São Francisco da Laje: Subsídios arqueológicos para sua preservação. Vestígios - Revista Latino-Americana De Arqueologia Histórica, 17(1), 69–86.BONALD, L. Distribuição espacial dos sítios arqueológicos com grafismos rupestres na Bacia Hidrográfica do Pajeú, PE: um estudo de caso para aplicação de modelos preditivos baseados em algoritmos de aprendizado de máquina. (Tese de doutorado em andamento). UFPE. 2023.

A história da Arqueologia Digital está ligada ao próprio desenvolvimento da Arqueologia paralelamente à difusão da tecnologia, isso não apenas no cenário mundial, como também no cenário brasileiro. O fazer arqueológico ainda em meados dos anos de 1990 era basicamente analógico: registros sendo feitos em papéis, câmeras com quantidade limitada de filmes e mapas cujas folhas eram sobrepostas para o acréscimo de informações. Apesar de na época já existirem computadores com a possibilidade de organizar e armazenar esses dados, a questão da logística para o uso desses computadores, o financiamento e a própria formação do Arqueólogo foram pontos de dificuldade na inserção da tecnologia digital dentro das pesquisas. A logística e o financiamento estão relacionadas a possibilidade do uso de máquinas tecnológicas que estejam dentro do fomento que uma pesquisa possui, transporte, guarda, rede elétrica, tendo em vista que muitos dos trabalhos arqueológicos são realizados em áreas nas quais muitas vezes ficam mais distanciadas dos centros urbanos, ou até de locais protegidos das intempéries da natureza. Além desses pontos, existe a questão relacionada ao conhecimento de uso das máquinas tecnológicas. Aqui se coloca em evidência a relação entre um desenvolvimento intensivo da tecnologia versus a especialização do profissional de arqueologia para usar essas tecnologias. Atualmente existem 14 graduações de arqueologia em funcionamento no país, e a partir de uma pesquisa realizada por Silva Neta,Silva Neta, Virginia Marques da. «Arqueologia digital: um experimento colaborativo na práxis da educação patrimonial». Universidade Federal do Piauí, Programa de Pós-Graduação em Arqueologia, Mestrado em Arqueologia. Dissertação (Mestrado). 2019. verificou-se que existem no total 42 disciplinas que estão ligadas ao uso da tecnologia dentro da disciplina arqueológica. Apesar de animador, ainda é um montante que demonstra que essa especialização está ainda nos passos iniciais na formação do arqueólogo.

Métodos e aplicações Fotogrametria

A fotogrametria pode ser dividida em: fotogrametria métrica – sendo o trabalho quantitativo determinado pela posição de pontos do terreno, distâncias e diferenças de níveis; e fotogrametria interpretativa ou fotointerpretação – imagens analisadas qualitativamente com identificação de objetos. A fotogrametria métrica ainda pode ser subdividida em: 1) os processos terrestres – fotografias em solo tiradas de pontos fixos com coordenadas pré-estabelecidas; e 2) a fotogrametria aérea – fotografias tiradas em cima do local escolhido utilizando meios de transportes aéreos ou drones. (Tommaselli, 2009).

A fotogrametria proporciona uma nova perspectiva para conhecer e valorizar o patrimônio arqueológico. Suas imagens tridimensionais ajudam a promover novas formas para divulgar o conhecimento sobre os sítios arqueológicos que sofreram intervenções variadas em atividades de campo e que podem ser utilizados nas ações de Educação Patrimonial, valorizando a história e a memória da região. Esses modelos tridimensionais possibilitam planejar coletivamente outras formas de conhecimento, fornecendo uma qualidade maior dos registros e auxiliando também na interpretação dos dados arqueológicos (Lima & Landa, 2022).

Fotografia aérea