Este artigo documenta downbursts (microbursts e macrobursts) significativos no Brasil. Para melhor consistência, outros fenômenos oriundos de correntes descendentes como os gustnados, mesovórtices, e ventos severos de Rear Flank Downfrafts e do colapso descendente dos Rear Inflow Jets (Jatos de Influxo Traseiros) também são documentados.
Importante: Este artigo não documenta downbursts comuns, que são tipos de correntes descendentes que costumam ocorrer durante chuvas convectivas normais, geralmente com velocidades inferiores a 90 km/h. Antes de adicionar algum fenômeno à lista, certifique-se de que ele realmente se trata de um downburst ou uma corrente descendente convectiva, e não de downdrafts ordinários de tempestades convectivas normais. Frentes de rajadas (e seus efeitos como: tempestades de poeira/areia, haboobs e gustnados) também são documentados.
Downbursts (também chamados de microexplosão/macroexplosão) são fenômenos meteorológicos bastantes comuns em todo o Brasil, ocorrendo regularmente.
Esses eventos também são chamados de "vendaval", "tempestade de vento" e "temporal de vento". Na América do Sul, são mais frequentes e mais altamente severos na Bacia do Rio da Prata, onde parâmetros como taxas de lapso variáveis em baixos níveis da atmosfera, diferença atmosférica e vertical de índices de humidade, alto DCAPE (≥1000 J/kg-1), são facilmente alcançáveis, o que resulta em downdrafts intensos durante tempestades convectivas. Adicionalmente, algumas regiões de Minas Gerais (Zona da Mata, Campo dos Vertentes, Vale do Rio Doce, o estado do Mato Grosso, Vale do Mucuri), norte do Rio de Janeiro e na Bacia Amazônica, também são locais muito propícios a downbursts extremos.
Na América do Sul, o fenômeno El Niño tem uma correlação extremamente positiva na frequência e intensidade de tempestades severas, granizadas, tornados e principalmente os downbursts. Os anos de 1997, 2015 e 2023, sendo anos de El Niño forte a muito forte, se registraram inúmeros eventos de vendavais convectivos destrutivos.https://www.ufsm.br/2026/05/14/el-nino
Uma vez que esta corrente de ar frio atinge o solo e se espalha, ela produz rajadas de ventos que em casos extraordinários, hipotéticos e extremamente raros podem teoricamente produzir rajadas de ventos de até 325 km/h, equivalentes a velocidade de um tornado F3. Fortes downbursts e vários outros tipos de correntes descendentes são capazes de causar estragos por quilômetros, derrubando árvores, linhas de energia e cercas e causando danos extremos a edifícios. Porém, apenas uma média fração desses eventos atingem magnitudes capazes de causar destruição significativa (>130 km/h) e são sempre produzidos de tempestades convectivas severas. Eventos dessa alta magnitude ocorrem muitas vezes em todos os meses, em quase todos os estados brasileiros. A maioria dos downbursts não excedem a velocidade dos 120 km/h e geralmente causam apenas leves danos. Eventos dessa baixa magnitude podem ocorrer em tempestades pulso (ou unicelulares) ou multi-celulares (fusão de células únicas), propícias a correntes descendentes.
Na maioria das vezes, essas tempestades convectivas de vento severas ocorrem em áreas desabitadas e/ou área rurais, o que resulta em quase nenhum relato de danos.
Base de dados oficial
De acordo com a PREVOTS, mais de 16598 relatos de danos por ventos convectivos foram registrados em todo o país entre 1° de junho de 2018 até 31 de maio de 2023, sendo que 47 eventos foram significativos (>120 km/h).http://prevots.org/2023/06/prets-completa-5-anos-de-dados/
Década de 1970 1974
16 de agosto - Um possível e raríssimo tornado significativo (>F2) ou downburst extremo em plena estação seca deixou 90 pessoas feridas e mais de 580 desabrigados em Buritis (MG), perto da divisa com o Distrito Federal. Muitas casas de alvenaria colapsaram completamente, com relatos de algumas sendo "arrancadas do chão". Houve imensa destruição de duas escolas e vários outras edificações, com colapso de paredes externas e destelhamentos gerais. Uma pesada máquina de beneficiar arroz foi derrubada junto com as paredes de um prédio, caindo em 5 pessoas, que milagrosamente apenas tiveram ferimentos leves.http://memoria.bn.gov.br/DocReader/028274_02/51366
Década de 1980
1983
13 de maio - Macroburst de forte intensidade em Santa Bárbara d'Oeste (SP) associado a um Complexo Convectivo de Mesoescala (CCM) durante a madrugada. O teto da Escola Fundação Romi-SENAI desabou, torres de iluminação foram derrubadas e o muro de concreto do estádio de futebol do União Agrícola Barbarense caiu.
1989
25 de fevereiro - Vendaval (possível tornado ou downburst) destrutivo deixou pelo menos 300 casas de alvenaria total ou parcialmente destelhadas em Anápolis (GO), levando o município a decretar situação de emergência depois do evento.https://legisla.casacivil.go.gov.br/api/v2/pesquisa/legislacoes/64914/pdf
Década de 1990
1994
17 de fevereiro - Downburst ou tornado provocou prejuízo de 10 milhões de cruzeiros em Sebastianópolis do Sul (SP). Posto de combustível totalmente destruído, muitas árvores e postes derrubados, 200 casas danificadas e antenas parabólicas retorcidas.https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/2/19/cotidiano/7.html 19 de dezembro - Vendaval extremo em Flores de Goiás (GO). 20 casas completamente destruídas. Postes destruídos, deixando o município incomunicável e sem energia elétrica. Estado de calamidade pública tinha sido decretado no município.https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/10/21/cotidiano/19.html
1995
20 de outubro - Macroburst severo em Piracicaba (SP) e várias cidades da região pela manhã, associado a uma linha de instabilidade e JBN profundo, com ventos medidos em até 126 km/h. Queda de pelo menos 50 árvores e do muro do estádio Barão da Serra Negra, além de destelhamentos de residências e interrupção do fornecimento de energia elétrica e do abastecimento de água. 35 feridos e 1 vítima fatal.
1996
23 de janeiro - Vendaval convectivo devasta várias zonas do município de Timon (MA). 500 casas foram danificadas, muitas delas destruídas parcialmente ou totalmente. Dezenas de muros, árvores, cercas e postes de iluminação foram destruídos, e todas as praças do município foram destruídas. Pelo menos uma dezena de veículos sofreram danos, e um roda-gigante de um parque tombou. Houve 1 óbito por ataque cardíaco. 1500 pessoas ficaram desabrigadas. Queda de energia e água foi generalizada e houve uma demora de vários dias para o restabelecimento completo.https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1996/1/26/cotidiano/10.html 11 de novembro - Vendaval com granizo devasta Utinga (BA). 3 mortos e 21 feridos. Pelo menos 200 casas destruídas.https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1996/11/13/cotidiano/36.html
1997
21 de dezembro - Vendaval (possível microburst) severo em Goiânia (GO). Rajadas de vento de 130 km/h foram recordadas em um aeródromo do Aeroporto Santa Genoveva. Ocorrência durante as 14:50 hrs. Evento documentado pela UFRGS.
Década de 2000
2002
7 de setembro - Um CCM profundo, originado no Rio Grande do Sul durante uma ciclogênese noturna, tornou-se uma linha de instabilidade duradoura e cruzou os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, com direção de movimento NE. Houve danos generalizados e muitos severos em vários municípios de São Paulo, incluindo a capital, que registrou queda de mais de 50 árvores. Na capital do estado do Rio de Janeiro, os danos foram os mais significativos, com quedas de centenas de árvores, postes, placas de anúncios, outdoors e desabamento de várias casas, além do destelhamento de centenas delas. Muitas avenidas ficaram obstruídas pela queda generalizada de árvores. Um banco teve seus vidros reforçados e robustos estourados pelas rajadas extremas de vento. Rajada de vento medida em 108 km/h em Piracicaba (SP) pela estação automática da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ).
2004
7 de novembro - Rajada de vento de 144,3 km/h registrado em uma estação particular da região, em Campo Grande (MS). Acompanhado de aguaceiros torrenciais.
2005
16-18 de janeiro - Derecho progressivo extraordinariamente raro em todo o centro-norte dos estados do Pará e Amazonas. A gigante linha de instabilidade produziu centenas de downbursts muito severos em múltiplas localizações. Rajadas de vento estimadas em mais de 140 ou 150 km/h, provocaram a derrubada de mais 500 milhões de árvores na Floresta Amazônica. Destruição em aldeias e municípios também foi registrada.
2006
29 de março - Tempestade supercelular, acompanhada de vários downbursts, com produção de múltiplos tornados em Piracicaba e na região de Campinas, no estado de SP. Rajadas de vento medidas em até 158 km/h no anemômetro do posto meteorológico da Esalq. Ocorrência entre as 11h e 12h.
2007
5 de dezembro - Downburst em Muriaé (MG), com rajadas de ventos registradas em 138,9 km/h, em um aeródromo. Evento documentado por um estudo publicado pela UFRGS.
2008
3 de novembro - Tempestade severa produziu um downburst em Resende, RJ. Rajadas de vento medidos em 164,5 km/h. Ocorrência durante as 21:00 hrs. Evento documentado pela UFRGS.
2009
7 de setembro - Ventos severos produzidos por um bow echo (eco em arco) no sul e sudeste do Rio Grande do Sul. Na área rural de Candiota (RS), houve rajadas estimadas em mais de 150 km/h pela Defesa Civil.https://s2id.mi.gov.br 7 de setembro - Tempestade com microburst em Bagé (RS), resultado de um derecho em forma de arco (bow echo) que atravessou o sul do Rio Grande do Sul. Rajadas de 107,6 km/h foram registradas em uma estação automática, mas no Aeródromo do município foi registrado 130 km/h. 7 de setembro - Downburst devastador em área rural de Lavras (RS), produzido por uma super-célula de alta precipitação. Rajadas acima de 150 km/h foram estimadas em um arquivo digital da Defesa Civil. Silos, propriedades rurais e vegetações foram devastadas. 7 de setembro - Série de downbursts em Pedras Altas (RS), produzidos por uma linha de instabilidade em arco (derecho). Rajadas de ventos estimadas em acima de 180 km/h por meteorologistas. 14 de outubro - Downburst úmido e severo em Matelândia (PR). Aproximadamente 500 residências parcialmente destruídas, 2 silos totalmente destruídos, dois centros comunitários parcialmente destruídos, muitos postes de transmissão de energia elétricas derrubados, e muitas lojas com vidros e janelas estourados, além da queda de centenas de árvores. Rajadas de ventos estimadas em acima de 150 km/h em alguns pontos bem isolados.https://www.defesacivil.pr.gov.br/Noticia/Matelandia-recebe-R-23-milhoes-para-recuperacao-dos-desastres-de-2009 14 de outubro - Downburst úmido em Cascavel (PR). Destruição de dezenas de residências e queda de dezenas de postes e árvores. Vários edifícios públicos também danificados e 1 pessoa ferida e várias desabrigadas. 14 de outubro - Tempestade severa com rajadas descendentes destrutivas em Iguatu (PR). 31 residências completamente ou parcialmente destruídas, 400 desalojados e 80 desabrigados. 25 pessoas ficaram levemente feridas.https://www.defesacivil.pr.gov.br/Noticia/Boletim-atualizado-das-chuvas-e-ventos-fortes-no-Parana 14 de outubro - Tempestade destrutiva em Três Barras do Paraná (PR). 200 residências danificadas, 10 destruídas. Foram registrados 600 desalojados e 300 desabrigados. 14 de outubro - Vendaval destrutivo em Diamante do Oeste (PR). 82 residências danificadas e 3 destruídas. 328 desalojados e 12 desabrigados.
Década de 2010
2010