Tara Leigh Calico (nascida em 28 de fevereiro de 1969) é uma mulher estadunidense que desapareceu perto de sua casa em Belen, Novo México, em 20 de setembro de 1988. Acredita-se amplamente que ela tenha sido sequestrada. Em julho de 1989, uma foto Polaroid de uma jovem e um menino não identificados, amordaçados e aparentemente amarrados, foi exibida ao público pela televisão depois de ser encontrada em um estacionamento de loja de conveniência em Port St. Joe, Flórida. Amigos da família acharam que a mulher se parecia com Calico e entraram em contato com sua mãe, que então se encontrou com investigadores e examinou a Polaroid. Ela acreditou que era sua filha depois de levar em consideração "tempo, crescimento e falta de maquiagem", e notou que uma cicatriz na perna da mulher era idêntica à de Calico. A Scotland Yard analisou a foto e concluiu que a mulher era Calico, mas uma segunda análise pelo Los Alamos National Laboratory discordou. Uma análise do FBI da foto foi inconclusiva.

O caso de Calico recebeu ampla cobertura em programas de televisão como A Current Affair, Unsolved Mysteries e America's Most Wanted. Também foi apresentado no The Oprah Winfrey Show e 48 Hours.

Desaparecimento Na terça-feira, 20 de setembro de 1988, Calico saiu de sua casa por volta das 9h30 da manhã para fazer seu passeio diário de bicicleta pela Rodovia Estadual 47 do Novo México. Ela pedalava por essa rota quase todas as manhãs e, às vezes, era acompanhada por sua mãe, Patty Doel. No entanto, Doel parou de pedalar com Calico depois que sentiu que estava sendo seguida por um motorista. Ela aconselhou sua filha a considerar levar gás pimenta, mas Calico rejeitou a ideia. Na manhã do desaparecimento de Calico, ela havia dito a Doel para ir buscá-la caso não estivesse em casa até o meio-dia, pois tinha planos de jogar tênis com seu namorado às 12h30. Quando sua filha não voltou, Doel foi procurá-la pelo caminho habitual de bicicleta de Calico, mas não conseguiu encontrá-la; então entrou em contato com a polícia. Peças do Walkman Sony de Calico e uma fita cassete foram encontradas posteriormente ao longo da estrada. Doel acreditava que ela poderia ter deixado cair os objetos na tentativa de marcar seu caminho. Várias pessoas viram Calico pedalando sua bicicleta, que nunca foi encontrada. Ninguém testemunhou o suposto sequestro dela, embora várias testemunhas tenham observado um caminhão de cor clara (possivelmente um Ford 1953) com caçamba seguindo-a de perto.

Fotografias

Van Toyota Em 15 de junho de 1989, uma foto Polaroid de uma jovem e um menino desconhecidos, ambos amordaçados com fita adesiva preta e aparentemente amarrados, foi encontrada no estacionamento de uma loja de conveniência em Port St. Joe, Flórida. A mulher que encontrou a foto disse que ela estava em uma vaga de estacionamento onde um furgão Toyota branco sem janelas havia sido estacionado quando chegou à loja. Disse que o furgão era dirigido por um homem com bigode que aparentava ter cerca de 30 anos. A polícia estabeleceu barreiras rodoviárias para interceptar o veículo, mas o homem nunca foi identificado. De acordo com funcionários da Polaroid, a foto teria sido tirada depois de maio de 1989, pois o filme específico usado na fotografia só estava disponível a partir daquele momento.

A foto foi exibida em A Current Affair em julho, e Doel foi contatada por amigos que haviam assistido ao programa e acharam que a mulher se parecia com Calico. Parentes de Michael Henley, também do Novo México, que havia desaparecido em abril de 1988, viram o episódio e disseram acreditar que o menino na foto era ele. Doel e os pais de Henley se encontraram com investigadores e examinaram a Polaroid. Doel disse estar "convencida" de que era Calico. Ela também notou que uma cicatriz na perna da mulher era idêntica à de Calico, adquirida em um acidente de carro. Além disso, um exemplar de bolso de V.C. Andrews' My Sweet Audrina, que supostamente era um dos livros favoritos de Calico, pode ser visto ao lado da mulher. A Scotland Yard analisou a foto e concluiu que a mulher era Calico, mas uma segunda análise realizada pelo Los Alamos National Laboratory discordou dessa conclusão. Uma análise do FBI da foto foi inconclusiva.

A mãe de Henley disse estar "quase certa" de que era Michael na Polaroid. A identificação do menino na fotografia como Henley é considerada altamente improvável: seus restos mortais foram descobertos em junho de 1990 nas montanhas Zuni, cerca de 11 quilômetros de onde sua família acampou e 121 quilômetros de onde Calico desapareceu. A polícia acredita que Henley se perdeu e posteriormente morreu por exposição às condições ambientais.

Outras fotos Outras duas fotografias Polaroid, possivelmente de Calico, surgiram ao longo dos anos. A primeira foi encontrada perto de um canteiro de obras em Montecito, Califórnia, em 19 de julho de 1989, e é uma foto borrada do rosto de uma menina com fita adesiva cobrindo sua boca e um tecido listrado azul-claro atrás dela, "semelhante ao do travesseiro na foto da van Toyota". Ela foi tirada com um filme que só ficou disponível em junho de 1989. A segunda mostra "uma mulher frouxamente envolta em gaze, com os olhos cobertos com mais gaze e usando óculos grandes de armação preta", com um passageiro do sexo masculino ao lado dela em um trem da Amtrak. O filme utilizado só ficou disponível em fevereiro de 1990. A mãe de Calico acreditava que a primeira fotografia era de Tara, mas achava que a segunda poderia ser uma farsa. Sua irmã afirmou: “Elas tinham uma semelhança impressionante e perturbadora. Quanto a mim, não as descartarei. Mas lembre-se de que nossa família teve que identificar muitas outras fotografias e todas, exceto essas três, foram descartadas.” A Doe Network manteve um arquivo do caso sobre todas as três fotografias Polaroid, que foi encerrado por razões desconhecidas.

Em 2009, vinte anos após a foto Polaroid ter sido encontrada e divulgada pela mídia, fotografias de um menino foram enviadas ao chefe de polícia de Port St. Joe, David Barnes. Ele recebeu duas cartas, com datas de 10 de junho e 10 de agosto de 2009, vindas de Albuquerque, Novo México. Uma das cartas continha uma foto, impressa em papel sulfite, de um menino com cabelo castanho-claro. Alguém havia desenhado uma faixa preta com tinta sobre a boca do menino, como se ela estivesse coberta com fita adesiva, tal como na foto de 1989. A segunda carta continha uma imagem original do menino. Em 12 de agosto, o jornal The Star, de Port St. Joe, recebeu uma terceira carta, também datada de 10 de agosto, em Albuquerque, contendo a mesma imagem: um menino com a boca coberta por uma faixa preta feita com caneta permanente. Não foi confirmado se o menino era o mesmo da fotografia anterior. Nenhuma das cartas continha endereço de remetente ou bilhete indicando a identidade da criança, levando as autoridades locais a acreditarem que poderia haver alguma relação com o desaparecimento de Tara Calico.

As cartas foram enviadas ao mesmo tempo em que uma autoproclamada vidente ligou para falar a respeito de Calico, dizendo que havia conhecido uma fugitiva na Califórnia com quem trabalhava em uma boate de striptease; essa garota acabou sendo assassinada. A pessoa que ligou disse ter tido sonhos sugerindo que a fugitiva poderia ser Calico e que ela poderia estar enterrada na Califórnia. As buscas não levaram a nenhuma descoberta. As fotos foram entregues ao FBI para investigação adicional, na esperança de encontrar impressões digitais ou possíveis evidências de DNA.

Desenvolvimentos posteriores No final de agosto de 1993, a família de Calico recebeu uma dica de uma mulher "sincera e preocupada" que havia ouvido o som de escavações no dia seguinte ao desaparecimento de Calico, em um local a cerca de 11 km ao sul de Belen. As autoridades realizaram posteriormente escavações no local utilizando retroescavadeiras.

Em 1998, Calico foi oficialmente declarada morta. Um juiz considerou sua morte um homicídio.

Em 2008, Rene Rivera, xerife do Condado de Valencia, relatou ter recebido informações de que dois adolescentes haviam atropelado Calico acidentalmente com uma caminhonete, entrado em pânico e, consequentemente, a matado. Segundo Rivera, os rapazes, que conheciam Calico, dirigiram atrás dela em uma caminhonete e algum tipo de acidente ocorreu. Calico morreu posteriormente e os responsáveis encobriram o crime. Rivera afirmou que sabia os nomes dos envolvidos, mas que, sem um corpo, não poderia apresentar uma acusação. Ele não divulgou as provas que o levaram a essa conclusão. O padrasto de Calico, John Doel, disse que o xerife não deveria ter feito esses comentários se não estivesse disposto a prender alguém e que fortes indícios circunstanciais deveriam ser suficientes para uma condenação.

Em outubro de 2013, uma força-tarefa de seis pessoas foi criada para reinvestigar o desaparecimento de Calico. Até 2017, nenhuma prisão havia sido feita e o caso permanecia aberto.

Em 1 de outubro de 2019, o FBI anunciou que estava "oferecendo uma recompensa de até US$ 20.000 por detalhes precisos que levem à identificação ou localização de Tara Leigh Calico e informações que levem à prisão e condenação dos responsáveis por seu desaparecimento".

Em setembro de 2021, o Gabinete do Xerife do Condado de Valencia e a Polícia Estadual do Novo México emitiram uma declaração informando que tinham uma nova pista no caso e que o foco de um mandado sigiloso para uma residência privada desconhecida localizada no Condado de Valencia havia sido emitido; no entanto, nenhum detalhe adicional foi fornecido.

Em 13 de junho de 2023, o Gabinete do Xerife do Condado de Valencia anunciou um avanço no caso do desaparecimento ocorrido em 1988. A xerife Denise Vigil e outros agentes da lei falaram em uma coletiva de imprensa sobre o caso Calico. "Neste momento, as autoridades acreditam que há provas suficientes para submeter esta investigação ao Ministério Público para análise de possíveis acusações", disse Vigil. "Atualmente, as identidades e os detalhes das pessoas de interesse estão sob sigilo judicial e assim permanecerão até que haja uma ordem judicial em contrário".

Família O pai de Calico, David J. Calico, foi espancado e assaltado por dois homens em Albuquerque, Novo México. Ele morreu em consequência dos ferimentos em 2 de novembro de 2002, aos 64 anos. Sua mãe, Patty Doel, morreu em 11 de maio de 2006, em Port Charlotte, Flórida, devido a complicações de saúde após uma série de derrames.

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