thumb|Parte superior de uma estatueta de bronze de Hércules encontrado em Selêucia, cujas coxas têm uma inscrição bilíngue (grego e parto) (Museu do Iraque, Bagdade)
Selêucia ou Seleuceia do Tigre (; ), chamada Selique, Selica ou Selicos () no Talmude hebraico e Saluaquia (Salwaḳia ou Salwaḳya) no Targum aramaico, foi a primeira capital do Império Selêucida, fundada pelo basileu .
História Selêucia foi fundada pelo diádoco Seleuco I Nicátor, em 312, ou , dependendo da datação do início de seu reinado, como sede do Império Selêucida. Está situada às margens do rio Tigre, a 32 quilômetros da moderna Bagdá, junto ao lago natural onde o canal de Naarmalca do Eufrates se juntava ao Tigre. Perto dela estava Ópis. Seu distrito era muito fértil e, no início, a sua malha urbana se assemelhava a uma águia com as asas abertas. Foi erigida usando materiais trazidos da cidade da Babilônia. Logo se consagrou como centro da cultura grega no Oriente Próximo, substituindo a Babilônia como entreposto comercial entre o Oriente e o Ocidente. Por sua posição, também serviu de porto ao comércio fluvial. A população era mista, com muitos gregos e semitas e havia ainda uma expressiva colônia de judeus. Em seu tempo, Plínio, o Velho estimou que a população fosse de 600 mil pessoas. Flávio Josefo alegou que os judeus chegaram nela fugidos da Babilônia dada a enorme pressão dos gentis, e por volta de , mais de 5 mil deles foram mortos pelos locais motivados por seu ódio comum.
Mesmo quando o centro de poder do Império Selêucida mudou à Síria no , ela manteve seu caráter grego. No tempo do basileu , o general Molão da Média se rebelou e a tomou, que se tornou sua capital. Antíoco marchou contra ela, cuja população foi torturada e foi pesadamente taxada, e sua magistratura, nomeada por Políbio como Adeiganas, foi exilada. Em ca. , o xá tomou a Babilônia. As cidades gregas se recusaram a se submeter ao xá e receberam o selêucida , quando em tentou restaurar seu poder. Estas cidades foram severamente punidas pelo xá e o prefeito Hímero, que inclusive devastou a cidade da Babilônia, mas Selêucia reteve sua auto-gestão; ao que parece, seu governo consistia numa espécie de senado com 300 membros. Também se manteve como o maior centro comercial do Oriente, tanto que Estrabão alegou ser maior do que Antioquia do Orontes, que em seu tempo, salvo Alexandria, era o maior centro comercial no Oriente. Escavações demonstram que a cidade gradualmente se orientalizou.
Sob os arsácidas, a administração e tropas foram instaladas em Ctesifonte, no lado oposto do rio. Todavia, se tornou sede de facções violentas e disputas dinásticas. Dião Cássio alegou que o general romano Crasso, em sua guerra contra , a alcançado, mas não é certo que isso tenha ocorrido. Seja como for, os seleucenses constantemente apoiaram os poderes ocidentais contra a dominação parta, inclusive encabeçando uma rebelião aberta entre 35 e 42, que terminou com os locais sendo severamente punidos. Sob , foi fundada a cidade de Vologesocerta para rivalizar com Selêucia, ou mais especificamente como dito por Plínio, drenar sua população. No tempo da invasão do imperador Trajano , foi tomada pelos generais Erúcio Claro e Júlio Alexandre e parcialmente incendiada. Seria reconstruída ao estilo parta, porém. Na guerra seguinte, agora contra , as tropas de Lúcio Vero , lideradas pelo general Caio Avídio Cássio, a destruíram totalmente em 164. A data marca o fim do helenismo na Babilônia. Sua população à época era de 300 mil pessoas e foi dito que a praga que se espalhou no Império Romano nos anos seguintes se originou ali. Sétimo Severo , na campanha contra , viu as ruínas de Selêucia e Babilônia, enquanto que Juliano , na guerra contra o xá do Império Sassânida, encontrou o território de Selêucia tomado por um pântano cheio de animais selvagens que foram caçados por seus soldados.
Bibliografia
Categoria:Cidades do Império Selêucida Categoria:Localidades do Império Parta Categoria:Localidades do Império Sassânida Categoria:Sítios arqueológicos da Grécia Antiga no Iraque