miniaturadaimagem|Representação de indumentárias do Egito Antigo A indumentária do Antigo Egito diz respeito à relação de seu povo com suas roupas, calçados, joias e cosméticos. Apesar de serem conhecidos por seu conhecimento multidisciplinar, o Egito também é responsável por introduzir as ideias de moda e beleza ao resto do mundo. Os antigos egípcios davam grande importância para a higiene e autocuidado, espelhos, pentes e objetos de banho foram alguns dos itens mais utilizados. O Egito também possui uma longa tradição na produção têxtil que data do primeiro milênio a.C. Graças ao clima seco do território, grande parte de seus tecidos sobreviveram até o século XXI, e o vestuário ainda gera influência em diversas nações contemporâneas. Sendo assim, o Museu Britânico detém uma coleção com cerca de quinhentas peças têxteis datadas do primeiro milênio d.C. O linho se destaca como a principal matéria-prima utilizada no vestuário. A indumentária egípcia se consolidou como uma das principais influências na indústria têxtil, servindo de inspiração para diversas coleções de moda de marcas modernas como Balmain, Valentino, Givenchy e Chanel.

Aspectos da indumentária A indumentária do Egito era simples, prática, e, para grande maioria da população, a mesma roupa usada por uma mulher poderia ser usada por um homem. A dignidade social não era baseada em gênero e sim no status social. Isso significa que homens e mulheres ocupavam os mesmos espaços e eram vistos como iguais. Por esse motivo, o senso estético para vestimentas era quase unissex muito antes desse conceito ser compreendido pelo mundo permeando seu vocabulário.

Durante toda a história do Antigo Egito, as roupas já indicavam a posição do indivíduo no estrato social. Quanto mais alta sua posição na sociedade, maior seria a quantidade e qualidade dos tecidos e adornos vestidos. Para demonstrar seu status, prestígio, vitalidade e força, os faraós utilizavam de pregas nas vestimentas, joias, maquiagem e essências no corpo, que eram utilizadas como perfume. O povo era muito criterioso quanto sua limpeza e aparência, pessoas desleixadas eram consideradas inferiores. Ao longo de aproximadamente 3000 anos, o vestuário egípcio se manteve tradicional. No entanto, a partir da invasão de novos povos em seu território, foi gerada influência de novos costumes, em especial vindos do Império Romano.

Época Tinita e Império Antigo Durante a Época Tinita, homens e mulheres das classes mais baixas se vestiam de maneira semelhante, utilizavam chantis lisos, na altura do joelho, provavelmente brancos ou de cor clara. Eram feitos principalmente de linho, algodão ou bisso. Antes do desenvolvimento do linho, as pessoas usavam roupas feitas de couro ou junco de papiro trançado.

Egípcios da classe alta desse mesmo período não se diferenciavam muito do padrão, se não fosse pela maior ornamentação. Diferenciava-se a aristocracia de fazendeiros e artesãos apenas observando as jóias que utilizavam.

Crianças de ambos os sexos não usavam roupas desde o nascimento até a puberdade.Pastores, barqueiros e pescadores viviam principalmente com uma simples faixa de couro da qual pendia uma cortina de junco; muitos também trabalhavam completamente nus, pelo menos até o Império Médio - nessa época tornou-se raro ver um trabalhador despido. Mulheres moleiras, padeiras e trabalhadoras da colheita geralmente são retratadas com uma longa saia envolvente, mas com a parte superior do corpo à mostra. Os lavadores e lavadeiras que trabalhavam diariamente às margens do rio Nilo lavando roupas de outras pessoas realizavam suas tarefas nus porque estavam na água durante muito tempo.

Chanti alt=Relevo esculpido na parede da tumba de Hatexepsute mostra homens em fila carregando galhos de árvores e machados. Os homens vestem chantis.|miniaturadaimagem|192x192px|Relevo representando uma infantaria vestindo chantis e armada com machados. Retirado da tumba de Hatexepsute.

O Chanti foi uma das peças mais comuns no Antigo Egito, era uma espécie de saia curta, feita de um pedaço retangular de linho que enrolado ao redor do corpo e amarrado na cintura por um cinto feito de tecido. O Chanti era usado regularmente por homens da classe trabalhadora.

Homens das classes mais altas preferiam chantis mais elaborados com detalhes bordados, pedrarias anexas às roupas e acessórios. Os chantis das camponesas iam da cintura até os joelhos, sem cobrir a parte superior do corpo.alt=Estátua de uma mulher egípcia vestida com um Kalasiris, vestido longo e estampado. Carrega na mão direita um pato morto e em sua cabeça um grande pote que contém um animal não identificado dentro, provavelmente para oferenda.|miniaturadaimagem|225x225px|Estátua de mulher egípcia vestindo Kalasiris.|esquerda

Kalasiris As vestes femininas eram mais distintas entre as classes, mulheres da alta sociedade vestiam vestidos longos e ajustados ao corpo, podendo conter mangas ou não. Esses vestidos foram chamados Kalasiris, eram sustentados por alças nos ombros e as vezes complementados com uma túnica transparente usada sobre eles.Sobre o vestido, as mulheres podiam escolher usar xales, capas ou roupões. O xale era um pedaço de tecido de linho fino com cerca de 1,2m de largura por 4m de comprimento aproximadamente.

A moda feminina que mostrava os seios não era motivo de preocupação. Os vestidos das mulheres de classe alta às vezes começavam abaixo dos seios e iam até os tornozelos. Império Médio alt=Vestido em rede que vai dos tornozelos até a cintura e é sustentado por finas tiras que cobrem os seios, passam pelos ombros e finalizam nas costas|miniaturadaimagem|237x237px|Vestido em rede do Antigo EgitoO Primeiro Período Intermediário (2181-2040 a.C.) do Egito começa logo após o colapso do Antigo Império ocasionando em mudanças drásticas na cultura egípcia mas a indumentária se manteve relativamente a mesma. Apenas no Império Médio (2040-1782 a.C.) que são vistas mudanças no modo egípcio de se vestir.

Os vestidos das aristocratas mudaram, visto que agora são frequentemente feitos de algodão. Os vestidos ainda justos, agora tinham mangas e apresentavam decote profundo ornamentado com um colar de fecho no pescoço. Eram também feitos de um pedaço único de tecido no qual a mulher se enrolaria adicionando um cinto, assim transformando a parte superior do vestido em uma blusa.

No entanto, existem evidências de mulheres de alta classe utilizando vestidos que iam dos tornozelos até a cintura e eram sustentados por finas tiras que cobriam os seios, passavam pelos ombros e finalizavam nas costas.

Os homens do período continuavam a usar o simples chanti com pregas na frente. Não se sabe exatamente como os antigos egípcios plissavam suas roupas, mas as imagens das artes mostram claramente pregas em roupas masculinas e femininas. A peça de roupa mais popular entre os homens da classe alta era o avental triangular; um chanti engomado e ornamentado que caía um pouco acima dos joelhos e era preso por uma faixa. Era usado sobre uma tanga que era uma tira triangular de tecido passando entre as pernas e amarrada nos quadris.

O Novo Império Logo após o Império Médio, o Egito entrou no Segundo Período Intermediário (1782 - 1570 a.C.), no qual o povo estrangeiro conhecido como Hicso governou o Baixo Egito. Já os Núbios se apoderaram nas fronteiras do sul do Alto Egito, restando apenas Tebas nas mãos dos egípcios.

Os Hicsos proporcionaram ao Egito muitos avanços, inovações e invenções que depois foram de grande utilidade, mas não pareciam influenciar a moda egípcia. Isso aconteceu principalmente porque os Hicsos admiravam muito a cultura egípcia e emulavam as crenças, o comportamento e vestuário egípcio em suas cidades.

Em 1570 a.C, o príncipe tebano Amósis I (1570-1544 a.C) expulsou os Hicsos do país e iniciou o período chamado Novo Império do Egito (1570-1069 a.C), foi nessa era que aconteceram os maiores avanços da história egípcia quanto à moda. Os estilos do Novo Império são aqueles mais retratados nos filmes e na televisão não importando em qual período eles se passam. alt=essa é uma representação da rainha Amósis-Nefertari. Ela usa um vestido longo que vai até os tornozelos, o vestido tem mangas aladas e uma gola bem grande. A rainha também usa um acessório para a cabeça e braceletes nos dois braços, todos eles em ouro.|miniaturadaimagem|249x249px|Representação de Amósis-Nefertari retirada de uma tumba. Datada de 1186-1070 a.C. Museu De Pergamón - Berlim O Novo Império foi a era egípcia quando o território entrou no cenário internacional e os laços com outras nações estiveram mais fortes do que nunca.

O vestuário se tornou mais elaborado, a esposa de Amósis I, Amósis-Nefertari, é retratada em um vestido que vai até a região de seus tornozelos, também apresenta mangas aladas e uma ampla gola.

Kalasiris ornamentados com joias começaram a aparecer no final do Império Médio, mas só se tornaram mais comuns entre as classes mais altas no Novo Império. Perucas enfeitadas com miçangas e joias também aparecem com maior frequência nessa época.

A inovação da moda do Novo Império foi o capelet feito de linho. O capelet ou a capa de xale consistia em um pedaço retangular de linho que era torcido, dobrado ou cortado e frequentemente preso a um colarinho altamente ornamentado. Muito similar ao poncho. Foi muito usado como sobreposição aos Kalasiris que começavam na cintura ou logo abaixo dos seios, assim se tornando o estilo mais popular dentre as classes dominantes.

O vestuário masculino também avançou bem rápido no Novo Império. Os chantis desse período passavam da linha dos joelhos, eram bordados de forma mais complexa e eram usualmente complementados por uma blusa leve e larga. O Faraó, representado com seu Nemés, acessório para cabeça, é regularmente visto nesse mesmo tipo de roupa, vestindo também sandálias ou chinelos. Destaca-se principalmente o uso dos chantis e de blusas com mangas plissadas e mais elaboradas. Grandes cortes de tecido eram usados pendurados da cintura e dobras intrincadas eram visíveis sob as saias transparentes. Esse estilo também é outro bem popular entre a realeza e aristocracia que podiam pagar pelo material.

As classes baixas continuaram usando o simples chanti, ambos os sexos, mas agora mais mulheres da classe trabalhadora apareciam com a parte superior do corpo coberta. Anteriormente, as servas egípcias eram representadas nas pinturas das tumbas completamente ou parcialmente nuas. No entanto, no Novo Império, um grande número de servas são representadas não só totalmente cobertas mas também em vestidos levemente elaborados.As roupas vestidas pelos servos de oficiais e pessoas de importantes cargos eram mais refinadas do que do povo comum. Um servo representado numa tumba da décima oitava dinastia veste uma túnica de linho finamente plissada e uma tanga com uma faixa ampla e também plissada.

Roupa Íntima As roupas íntimas também foram desenvolvidas durante esse período, evoluindo do pedaço de pano triangular e áspero enrolado ao redor da cintura e entre as pernas para um pedaço de pano mais fino costurado no tamanho ideal de quem o usa ou amarrado nos quadris.

A moda dos homens da classe alta do Novo Império era usar essa cueca por baixo de uma tanga sobre a qual se usava uma blusa longa e transparente que caía até os joelhos, uma gola larga - para os nobres - juntamente de pulseiras e sandálias.

O Faraó Tutancâmon (1336-1327 a.C.) foi enterrado com mais de 100 roupas íntimas desse tipo, assim como camisas, jaquetas, chantis e mantos. Esse foi um dos exemplos mais fidedignos da indumentária do Novo Império já encontrados.

Calçados alt=Pintura egípcia de um artesão de sandálias retirada da tumba do Vizir Rekhmire, a obra é datada de cerca de 1504 –1425 a.C. 18° Dinastia, período do Império Novo.|miniaturadaimagem|Pintura de um artesão de sandálias datada de cerca de 1504 –1425 a.C. 18° Dinastia, período do Império Novo.