O T-90 é um tanque de guerra de terceira geração desenvolvido pela Rússia. Ele entrou em produção em 1993, baseado num protótipo designado como T-88. O T-90 foi produzido pela Kartsev-Venediktov Design Bureau na Uralvagonzavod em Nizhny Tagil. O modelo de produção é baseado no largamente redesenhado T-72BM, com algumas partes da série T-80; o nome foi escolhido por causa das grandes perdas de tanques T-72 na Guerra do Golfo. As inovações do T-90 incluem uma nova geração de blindagem reativa explosiva Kontakt-5 na base e na torre.

Desenvolvimento e produção 300px|miniaturadaimagem|esquerda|Um dos primeiros modelos do T-90, produzido em 1992 O T-90 foi desenvolvido a partir de um programa que visava criar um único tanque de guerra para substituir todos os modelos soviéticos da série T-64, T-72 e T-80. A plataforma do T-72 foi escolhida como base para a nova geração de tanques devido ao seu custo-benefício, simplicidade e qualidades automotivas. A fábrica da Uralvagonzavod em Nizhny Tagil foi responsável pelo trabalho de design e preparou duas propostas paralelas — o Obiekt 188, que foi uma atualização relativamente simples do tanque T-72B existente (Obiekt 184), e o mais avançado Obiekt 187 — apenas vagamente relacionado à série T-72 e incorporando grandes melhorias no design do casco e da torre, blindagem, motor e armamento. O trabalho de desenvolvimento foi aprovado em 1986 e os primeiros protótipos foram concluídos em 1988. Os veículos resultantes do programa Obiekt 187 não foram abertos ao público até esta data, permanecendo confidencial.

O Obiekt 188 foi projetado por um time sob comando de V.N. Venediktov. A maior mudança foi a integração do sistema de controle de disparo modelo 1A45, do T-80U. O Obiekt 188 foi inicialmente designado como o T-72BM. Os primeiros quatro deles foram entregues para testes em janeiro de 1989. Uma variante melhorada (chamado de T-72BU) foi entregue a partir de junho de 1990. Em março de 1991, o Ministério da Defesa soviético recomendou que o Exército adotasse o Obiekt 188. O trabalho no Obiekt 187 foi interrompido simultaneamente por razões desconhecidas.Zaloga 2018, p. 7–8.

Nos últimos anos da União Soviética, a construção de tanques despencou. A enorme planta de Chelyabinsk, em Kharkov, e a Fábrica Kirov, em Leningrado, pararam de produzir tanques de guerra a partir de 1989 e 1990, respectivamente. Nas duas fábricas de tanques restantes em Omsk e Nizhni-Tagil, os pedidos do Estado praticamente cessaram em 1992. Na mesma época, o Ministério da Defesa da Rússia decidiu que se comprometeria a produzir eventualmente apenas um tipo de tanque. Durante a década de 1980, os militares soviéticos encomendaram blindados T-64, T-72 e T-80, então em produção simultânea de empresas de design de tanques rivais. Embora todos os três tanques tivessem características semelhantes, cada um exigia componentes diferentes, o que contribuía para a carga logística complicada para o exército. A performance ruim das versões atualizadas do T-80 geraram grandes críticas a respeito dos designs de blindados soviéticos.Zaloga 2018, p. 4–5. Em janeiro de 1996, o coronel-general Aleksandr Galkin, chefe do Diretório de Blindados do Ministério da Defesa da Rússia, disse que as Forças Armadas russas eliminariam gradualmente a produção do T-80 em favor do T-90 (Galkin inverteu sua posição no final daquele ano, alegando que o T-80U era um tanque superior). A produção do T-80 em Omsk persistiu até 2001, principalmente para o mercado de exportação.Zaloga 2018, p. 16–17. 300px|miniaturadaimagem|esquerda|Um T-90A russo, em 2013 A principal atualização no T-90 era a incorporação de uma forma ligeiramente modificada do sistema de controle de incêndio 1A45T Irtysh mais sofisticado do T-80U e um motor multi-combustível V-84MS atualizado desenvolvendo 840 cv (618 kW).Zaloga 2018, p. 13–14. O T-90 foi produzido na fábrica da Uralvagonzavod em Nizhny Tagil, com produção de baixo nível sendo realizada desde 1992 e praticamente cessando no final da década de 1990 para o mercado interno. Cerca de 120 tanques T-90 foram entregues às Forças Terrestres Russas antes que a produção de uma versão atualizada fosse retomada em 2004.Zaloga 2018, p. 8, 21, 24. Enfrentando a redução dos pedidos domésticos, a Uralvagonzavod recebeu aprovação do governo russo para exportar o T-90 em meados da década de 1990. Os projetistas da Uralvagonzavod criaram uma nova torre soldada que ofereceu melhorias na proteção e no espaço interno no mesmo período. Em 1997, a Índia sinalizou interesse na compra do T-90 em resposta a aquisição pelo Paquistão de 320 T-80UD ucranianos. A fábrica indiana HVF, em Avadi (no leste de Tâmil Nadu), já fabricava o T-72 sob o nome de "Ajeya". No começo da década de 2000, a Índia começou a produzir sua variante do T-90S, chamado de Bhishma, que contava com várias melhorias, como um motor mais potente.Zaloga 2018, p. 17–18, 20. Nos próximos dez anos, a produção de modelos do T-90 foram produzidos, ainda que em pequena escala, em fábricas russas. No começo da década de 2010, modelos foram exportados novamente (para Uganda, Síria e Iraque, por exemplo).

Em 2016, a fábrica de Krasnogorsk terminou de testar o sistema de visão noturna Irbis-K para o T-80U e o T-90, com as primeiras entregas planejadas para 2017. Conclusão do Irbis-K, o primeiro telureto de cádmio e mercúrio produzido na Rússia (o MCT), abordou uma desvantagem dos tanques russos em relação aos seus homólogos ocidentais. Na época, a maioria dos tanques russos eram inferiores tecnologicamente ao americano M1A2 Abrams, o britânico Challenger 2 e o alemão Leopard 2. O Irbis-K pode identificar alvos em alcances de até 3 240 metros durante o dia e a noite. As variantes T-90A e T-90M traziam sistemas de defesa mais aprimorados e sistemas computadorizados atualizados. O dispositivo de imagem térmica fabricado na Rússia não apenas significava que os tanques russos não precisariam mais ser equipados com peças estrangeiras, mas também indicava que a modernização completa do tanque era mais barata. A mira de visão térmica Irbis-K do novo artilheiro de tanque e o sistema combinado de mira e observação Agat-MDT do comandante podem ser fornecidos para a versão atualizada do T-90 (T-90M), substituindo o sistema ESSA pelo termovisor Catherine-FC da Thales.

Em 2010, estudos para a criação do T-95 foram abandonados e o programa OKR Armata foi introduzido para construir o novo blindado para o exército russo. Em 2012, o governo da Rússia afirmou que estava pausando a produção do T-90 para se focar no novo tanque de guerra, projetado para entrar no serviço ativo na década seguinte. Porém, a produção do T-14 Armata se provou complicada e absurdamente cara, o que forçou o exército a ressuscitar a produção do T-90M, que começaram a ser entregues em 2021.

Histórico de combate 300px|miniaturadaimagem|esquerda|Um tanque Т-90M russo destruído em combate pelo exército ucraniano, no Oblast de Kharkiv, em 2022. O T-90 sempre teve problemas com sua blindagem reativa, sendo mais frágil na região da sua torre. O governo russo contestou essa informação ainda na década de 1990, afirmando que a proteção do tanque era resistente contra armas anti-tanque, especialmente contra granadas lançadas por foguete (o RPG). Blindados T-90A foram colocados em situação de combate durante a Guerra Civil Síria pela Rússia e pelo governo sírio. A Síria reportou que, apenas em 2017, cinco T-90A foram removidos das linhas de frente após serem danificados por fogo anti-tanque inimigo.

O Azerbaijão utilizou seus T-90S durante a Guerra no Alto Carabaque em 2020. Um T-90 foi danificado e capturado pela Armênia. Pelo menos dois foram confirmados destruídos nas fases iniciais da guerra, sendo a primeira perda total comprovada do veículo de combate.

O T-90 viu serviço na guerra na Ucrânia desde seu começo. No verão de 2014, blindados T-90 da 136ª Brigada de Fuzileiros Motorizados de Guardas russo viram ação no conflito em Donbas.

Durante a Invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, a Rússia utilizou pela primeira vez em larga suas variantes mais modernas do T-90. Em solo ucraniano, os russos enfrentaram um exército moderno que detinha uma enorme variedade de armas anti-tanque (como o FGM-148 Javelin e o NLAW) e o resultado foi devastador. Os principais blindados da Rússia eram o T-72 e o T-80, com estes sofrendo pesadas baixas. O T-90 não fugiu dessa realidade. Foi confirmado, em maio, por exemplo, a destruição de modelos T-90M Proryv-3, que seriam a mais moderna variante de blindado que o exército russo podia colocar em campo. O Ministério da Defesa do Reino Unido, em sua "Atualização de Inteligência de Defesa" de 7 de maio, observou a destruição desses blindados: "Os tanques T-90M estão atualmente em serviço entre as unidades mais bem equipadas da Rússia", e apesar dos recursos avançados do T-90M: "permanecem vulneráveis se não forem apoiados por outros elementos de força".

Até dezembro de 2025, o site de inteligência de código aberto Oryx confirmou visualmente a perda de 210 T-90 russos (quarenta e seis T-90A, dois T-90AK, onze T-90S e 151 T-90M). Vários destes veículos foram também capturados inteiros pelos ucranianos.

Principais Utilizadores thumb|300px|Parada do dia da Vitória de 2013 com tanques Т-90А russos "T-90 — Main battle tank". Página acessada em 8 de outubro de 2022. Designação Local: T-90 Quantidade Máxima: 417 T-90/T-90A e T-90M no serviço ativo. Cerca de 200 T-90/T-90A e T-90M em estoque. Situação operacional: Em serviço thumb|300px|O T90S Bhishma do exercito indiano Em 2010, a fábrica da Uralvagonzavod recebeu 18 bilhões de rublos (US$ 294 milhões de dólares) para entregar 261 unidades modernizadas do T-90 até 2010. Todas as versões do T-90 em estoque na Rússia e suas variantes foram postos para modernização para a versão T-90M, de 2020 a 2025. Entregas e encomendas de T-90M modernizados continuaram até 2022, mesmo apesar das sanções econômicas devido à Invasão da Ucrânia pela Rússia. 300px|miniaturadaimagem|Um Т-90М russo A Rússia tinha parado de produzir os tanques T-90 em favor da nova plataforma de combate Armata que está em baixa produção desde o fim de 2014. Porém, a partir de 2021, o complexo industrial militar russo retomou a produção de T-90M da variante moderna Proryv com o novo canhão 2A46M-5. A produção deste veículo, contudo, era lenta devido as sanções impostas contra a Rússia, que dificultava encontrar equipamento moderno no mercado internacional.

Até o dezembro de 2025, o site Oryx (que utiliza apenas evidências visuais) confirmou que a Rússia perdeu cerca de 210 tanques T-90 (entre destruídos, danificados ou capturados pelos ucranianos) de diversas variantes, na guerra contra a Ucrânia.

Designação Local: T-90 - Bhishma Quantidade Máxima: 2 078 Situação operacional: Em serviço

O contrato inicial para a compra de 310 "T-90S" foi assinado em 2001. Outro contrato foi firmado em 26 de outubro de 2006 para mais 347 tanques modelo T-90S. Um terceiro contrato foi acordado em dezembro de 2007 para mais 300 tanques T-90S atualizados. Um quarto contrato foi assinado para aquisição de 464 T-90S em novembro de 2019.

Designação Local: T-90S Quantidade Máxima: 572 Situação operacional: 185 e 187 encomendados em 2014. Um número adicional de 200 T-90SA entregue em 2016.

A Argélia encomendou, em 2006, cerca de 40 unidades deste carro de combate. A encomenda foi incluída num pacote que incluía vários tipos de armamentos. Posteriormente, notícias vindas a público referem a intenção por parte da Argélia de adquirir um total de até 180 tanques T-90S. Até ao momento não é clara a quantidade de carros de combate deste modelo adquiridas pela Argélia. O país opera vários tipos de carros de combate de origem russa como T-72 e T-54/T-55.

Outros operadores – 10 a 30 T-90S entregues em 2016, após acordo com a OTSC. – 200 T-90S em serviço (alguns perdidos na Guerra no Alto Carabaque de 2022).