Vanicleia Silva Santos (Bahia) é doutora em História pela Universidade de São Paulo (USP). Sua pesquisa se concentra na História da África e suas diásporas. Trabalhou na curadoria de exposições nos Estados Unidos e no Brasil. É curadora da Coleção Africana do Penn Museum da Universidade da Pensilvânia (UPENN) e docente do Departamento de Estudos Africanos. Antes de se mudar para os Estados Unidos, foi professora associada de História da África na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), de 2010 a 2022, onde continua orientando mestrandos e doutorandos.

Silva Santos é membro do Comitê Científico Internacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) para a Segunda Fase da História Geral da África. Ela é a editora do Volume X da História Geral da África, importante volume publicado em 2023 e aborda a história e as relações entre a África e suas diásporas ao redor do mundo.

Início Em 1998, Silva Santos formou-se em História pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB-Jacobina). Em 2001, concluiu o mestrado em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), no qual defendeu a dissertação de mestrado intitulada "Sons, Danças e Ritmos: Uma Micareta em Jacobina, Bahia (1920-1950).SANTOS, V. S.. SONS DANÇAS E RITMOS: A MICARETA DE JACOBINA (1920-1950). 2001. (Apresentação de Trabalho/Comunicação).

As obras publicadas de Silva Santos examinam a formação de coleções, cultura material africana, seus significados, contextos de produção, insígnias de poder, circulação e a essencialidade de objetos para contar a história dos povos negros.

Carreira acadêmica miniaturadaimagem|Mulheres do Comitê Científico Internacional da UNESCO para o Volume X da História Geral da África: Diásporas Africanas, em Belo Horizonte, UFMG, 2018 A professora Silva Santos trabalhou em instituições em várias partes do mundo com longas passagens pelo Brasil, Moçambique e Estados Unidos. De 2004 a 2007, trabalhou como pesquisadora e educadora no Museu Afro-Brasil, em São Paulo e esta experiência a aproximou da história da produção artística negra na África e nas diásporas africanas. O Museu Afro-Brasil deu origem ao seu trabalho curatorial, à sua pesquisa histórica e à formação museológica. Foi professora visitante na Universidade Estadual do Tocantins (UNITINS), entre 2002 e 2003, na Universidade do Estado da Bahia (UNEB), entre 2009 e 2010, e na Universidad de Buenos Aires (UBA), na Argentina, em 2014. De 2010 a 2022, foi professora no Departamento de História da UFMG, ensinando História da África, e atuou como Diretora do Centro de Estudos Africanos (CEA/UFMG). Em 2018, ela se tornou professora Associada da UFMG. No final de 2019, passou a trabalhar na Universidade da Pennsylvania.

Silva Santos coordenou projetos voltados para a História da África e das diásporas nas universidades onde atuou. Na UNEB, liderou os projetos “A inquisição no sertão da Bahia no século XVIII” (2009) e “A inquisição em Angola (Séculos XVI ao XVIII)” (2012). Estes projetos estudaram a Inquisição portuguesa em relação às práticas religiosas dos povos africanos dentro e fora da África, no contexto da inserção do cristianismo na região. Em 2015, recebeu uma bolsa de pós-doutoramento na University of Texas, onde continuou pesquisando sobre o tema. Na UFMG, liderou um Projeto de Pesquisa sobre História das Relações Internacionais entre Brasil e Moçambique (2013-2014). Também coordenou com José da S. Horta (Universidade de Lisboa) o projeto bilateral “Produção, Circulação e Utilização de Marfins Africanos no Espaço Atlântico entre os Séculos XV e XI” (2014-2021).

Seu trabalho tem avançado na descolonização de espaços universitários e de pesquisa. A professora Silva Santos incentiva a produção de pesquisas que considerem perspectivas globais, internacionais e transnacionais, além de focar em abordagens que não percam "de vista a ligação entre a pesquisa acadêmica e o engajamento social e cívico". Ela esteve envolvida em organizações que ajudam a promover o conhecimento além dos muros da academia e promover outras formas de pesquisa. Entre 2012 e 2014, Vanicleia foi vice-presidenta da Associação Brasileira de Estudos Africanos (ABE-ÁFRICA) e desde 2018 coordena o grupo de pesquisa “Áfricas: história, política e cultura / UFMG”.

Pesquisas miniaturadaimagem|Vanicleia ao lado das professoras – Gina Dent (Feminist Studies Department – Universidade da Califórnia), Margo N. Crawford (Professor of English and Director of the Center for Africana Studies in Penn Arts & Sciences); e da ativiststa e intelectual Angela Davis Com uma carreira baseada na interdisciplinaridade, a pesquisa de Silva Santos se concentra na centralidade da cultura material nas sociedades africanas e na diáspora. Sua pesquisa utiliza vários tipos de fontes e arquivos coloniais, incluindo manuscritos do Santo Ofício português, cartas, registros europeus e africanos, história oral, imagens, mapas, artefatos museológicos e sítios arqueológicos.

A agenda de pesquisa de Silva Santos é entender como o conhecimento africano moldou a vida dos negros na África e em sua diáspora. Entre suas principais contribuições aos estudos africanistas está sua mais recente publicação "Marfins Africanos como Insígnias de Poder: Contextos de Produção e Usos Dentro e Fora da África". Seu trabalho no Penn Museum oferece ao público uma nova maneira de curadoria de museus, objetos e narrativas, revisando criticamente os arquivos e as palavras das narrativas históricas ocidentais. 

Produção acadêmica +Principais ContribuiçõesAno de PublicaçãoTipoTítuloRegistroRef.2023LIVROMarfins Africanos como Insígnias de Poder: Contextos de Produção e Usos Dentro e Fora da África.ISBN 978-85-8054-589-92023LIVRO'História Geral da África': África e Suas Diásporas (Volume 10). UNESCO.ISBN 978-65-86603-32-32023CAPÍTULO DE LIVROEstatuetas de Santo Antônio de marfim do Congo no Brasil? Uma análise sobre a produção artística e a cultura visual no Atlântico.ISSN: 0002-0591 (impresso) 1981-1411 (online)2023ARTIGO CIENTÍFICOHistória da África pré-colonial em tempos pós-coloniais: mesa-redonda2023ARTIGO CIENTÍFICOA Cultura Material em Práticas Funerárias no Oeste Africano (Séculos 16-17)2023ARTIGO CIENTÍFICOA formação da Coleção Africana do Museu de Arqueologia e Antropologia da Universidade da Pensilvânia, final do século XIX.ISSN: 0002-0591 (impresso) 1981-1411 (online)2021ARTIGO CIENTÍFICOMulheres africanas nas redes dos agentes da Inquisição de Lisboa: o caso de Crispina Peres, em Cacheu, século XVII.2018LIVROArqueologia e história da cultura material na África e na diáspora africana2018LIVROO comércio de marfim no Mundo Atlântico: circulação e produção (séculos XV a XIX).ISBN 978-85-68158-16-62017LIVROO Marfim no Mundo Moderno: Comércio, circulação, fé e status social (Séculos XVI-XIX).ISBN 978-85-68158-16-62016ARTIGO CIENTÍFICOUma política de ossos: as relíquias católicas na África e o culto aos mortos (1564-1665)

Outras Produções {| class="wikitable" !Ano !Tipo !Nome !Instituição/Portal

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|Menções Relevantes: Aparição em evento |Palestrantes convidados: Museu do Samba |Museu do Samba |} Coletâneas''' Cultura, história intelectual e patrimônio na África Ocidental (séculos XV-XX). Coorganizado com Leopoldo Amado, Taciana Resende e Alexandre Marcussi. Curitiba: Brazil Publishing, 2019. 368p. Arqueologia e história da cultura material na África e na diáspora africana (impresso). Coorganizado com Augustin Holl e Luis Cláudio P. Symanski. Curitiba: Brazil Publishing, 2018. 460p. O comércio de marfim no Mundo Atlântico: circulação e produção (séculos XV a XIX). Coorganizado com René Gomes e Eduardo Paiva. Belo Horizonte: Clio Gestão Cultural e Editora, 2018. 306p. O Marfim no Mundo Moderno: Comércio, circulação, fé e status sociais (Séculos XVI-XIX). Curitiba: Prisma, 2017. 340p. África e Brasil no Mundo Moderno. Coorganizado com Eduardo Paiva. São Paulo: Annablume, 2012. 280p. Estudos em História da África. Coorganizado com Thiago Mota. Revista de Ciências Humanas/ Univ. Federal de Viçosa. Viçosa: UFV, 2015. v. 14. Fontes para a História da África. Revista E-HUM. 1. ed. Belo Horizonte: Ed.UNIBH, 2015. v. 8. 137p. Nações, comércio e trabalho na África. Coorganizado com Alexandre Gebara. Revista Varia História/UFMG. 51. ed. Belo Horizonte: Ed.UFMG, 2013. v. 29. 290p. História da África no Brasil: História e Historiografia. Coorganizado com Taciana Rezende. Revista Temporalidades. Belo Horizonte: Ed.UFMG, 2012. v. 4. 368p.

Referências

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