Em 5 de dezembro de 1891, às 00h35, Pedro II, último Imperador do Brasil, que reinou durante um período de mais de meio século, faleceu aos 66 anos, no Hotel Bedford em Paris, França. O anúncio de sua morte foi seguido de reações de todo o mundo, somente no dia de sua morte, havia chegado ao Hotel Bedford mais de telegramas prestando condolências a Família Imperial. Enquanto o governo francês optaria por um funeral de Chefe de Estado ao imperador, a representação diplomática do Brasil, na França, tentava convencer o governo francês a não fazer estas homenagens, pois poderiam ferir suscetibilidades dos governantes republicanos brasileiros. Após o velório na Igreja de la Madeleine, o caixão foi levado em cortejo até a estação de Paris, de onde seguiria para Espanha, e por fim a Portugal. Apesar da chuva e temperatura extremamente baixa, cerca de pessoas assistiram ao evento pelas ruas de Paris.

Acometido de grave doença pulmonar, Dom Pedro II morreu ainda jovem para os padrões atuais. Contava com 66 anos, mas aparência de muito mais velho. Suas responsabilidades, as preocupações, a vida pública havia lhe imposto tal aparência.

Antecedentes miniaturadaimagem|298x298px|D. Pedro II aos 65 anos de idade em 1891. No dia 24 de novembro de 1891, D. Pedro II, em seu exílio na França, foi passear de carro em Saint-Cloud. Às 16 horas escreveu que havia retornado do passeio em que viu as ruínas do palácio que lá existira e de onde teve uma bela vista de Paris que “estava neblinosa”.Carvalho 2007, p. 238. Frio, neblina, às 18h30 anotou que estava com uma tosse terrível. Mota Maia o medicou e meia hora depois D. Pedro achou que estava melhor.Besouchet 1993, p. 27. No dia 25 de novembro, esteve de cama o dia inteiro, repousando. Mota Maia chamou o dr. Bouchard que diagnosticou uma gripe. D. Isabel, o Conde d’Eu e os netos, além do padre David e de vários brasileiros, o visitaram nesse dia.Besouchet 1993, p. 29.

Assim que a notícia de sua doença se espalhou, a colônia brasileira em Paris o visitou em peso. Uma visita frequente, além da princesa e dos netos, era a do dr. Charcot.Carvalho 2007, pp. 238–9. No dia 30, o Conde d’Eu telegrafou para D. Pedro Augusto, que havia partido para visitar o tio, o rei da Bulgária, Fernando I. Gastão explicou a situação de D. Pedro II ao neto e solicitou a sua presença em Paris. No dia 1, os drs. Charcot, Mota Maia e Bouchard notaram que a pneumonia havia tomado o pulmão esquerdo.Schwarcz 1998, p. 489.

No dia 2, no seu aniversário, houve uma missa no seu quarto e o imperador comungou. Os médicos acharam, inicialmente, sinais de melhora e, no dia 3, D. Isabel e o Conde d’Eu voltaram para a casa em Versalhes.Besouchet 1993, p. 30. Mas só para darem com o telegrama de Mota Maia à porta dizendo para eles retornarem. D. Pedro II piorara, ardia em febre e alternava períodos de consciência. Não havia mais nada que os médicos pudessem fazer, a pneumonia atingira também o pulmão direito. No dia 4 de dezembro, pela manhã, D. Isabel pediu um padre e da igreja perto veio o abade d’Angily, que deu a extrema-unção.Calmon 1975, pág. 1891.Besouchet 1993, p. 601. O imperador, já quase sem voz, ainda conseguira dizer: “Brasil”.

Morte

Em 5 de dezembro de 1891, as 00h35, em seu quarto do Hotel Bedford, D. Pedro II falecia.Calmon 1975, pág. 1892 Sua morte ocorreu sem dor, como se ele dormisse. Todos os presentes, D. Isabel, o Conde d’Eu, seus filhos, D. Pedro de Alcântara, D. Luiz e D. Antônio, o genro Duque de Saxe com os filhos, D. Pedro Augusto, D. Augusto Leopoldo e D. Luís Gastão, suas irmãs D. Januária, com seu marido o Conde d'Áquila, e D. Francisca e seu marido do Príncipe de Joinville,Lyra 1977, Vol 3, p. 165. os diversos brasileiros e estrangeiros presentes, como o professor Christian Friedrich Seybold, se puseram de joelhos e rezaram por sua alma. O Conde de Aljezur, oficial da câmara de Sua Majestade Imperial, lavrou o ato de sua morte. Houve beija-mão ao cadáver de D. Pedro e os brasileiros beijaram também a de D. Isabel, aos prantos pela morte do pai, sendo reconhecida pelos presentes como a nova Imperatriz do Brasil no exílio.Besouchet 1993, p. 605.

D. Pedro II era admirado em todo o Mundo, e somente no dia de sua morte em 5 de dezembro havia chegado ao Hotel Bedford mais de 2 mil telegramas prestando as condolências à Família Imperial. Poucas horas após a morte de Pedro II, milhares de pessoas compareceram ao Hotel Bedford, dentre elas, o Presidente do Conselho, Freycinet e os ministros da Guerra e da Marinha da França. Sadi Carnot, Presidente da República francesa, que estava fora de Paris, mandou todos os membros da Casa Militar em trajes de gala levar os pêsames para a princesa D. Isabel.Besouchet 1993, p. 607.

Dom Pedro II foi vestido em uniforme de marechal do Exército brasileiro para representar sua posição como comandante-em-chefe das forças armadas brasileiras.Besouchet 1993, p. 603. com as medalhas e ordens das quais era dignitário, segurando o crucifixo em prata de lei, enviado pelo Papa Leão XIII.Calmon 1975, pág. 1893. O corpo foi colocado em três caixões: O primeiro de chumbo forrado em cetim embranquecido, com tampa em cristal; O segundo, de nobre carvalho envernizado; E o terceiro, de carvalho forrado de veludo negro.Besouchet 1993, p. 606. Em cima do caixão foi colocada uma placa de prata gravada com toda a filiação de D. Pedro e os pontos de sua biografia, tudo em latim.

Enquanto preparavam seu corpo, um pacote lacrado foi encontrado no quarto com uma mensagem escrita pelo próprio Imperador: “É terra de meu país; desejo que seja posta no meu caixão, se eu morrer fora de minha pátria”. O pacote que continha terra de todas as províncias brasileiras foi colocada dentro do caixão.Calmon 1975, pág. 1897.Besouchet 1993, p. 604.

Em 6 de dezembro de 1891, milhares de personalidades compareceram a cerimônia realizada na Igreja de la Madeleine.

De acordo com o atestado de óbito, a causa mortis foi pneumonia aguda no pulmão esquerdo.Carvalho 2007, p. 239.Besouchet 1993, p. 602.

Funeral miniaturadaimagem|253x253px|Caixão de Pedro II saindo da Igreja de la Madeleine. A Princesa Isabel desejava realizar uma cerimônia discreta e íntima.Besouchet 1993, p. 609. No entanto, ela acabou aceitando o pedido do governo francês para o funeral de um Chefe de Estado.Besouchet 1993, p. 613. Enquanto o governo francês queria prestar homenagens de chefe de estado ao imperador, a representação diplomática do Brasil, na França, tentava, em vão, impedir que a França fizesse o funeral do imperador como Chefe de Estado, rogando para que a bandeira Imperial não fosse hasteada e que os símbolos do antigo regime não fossem respeitados. De nada adiantou o governo francês prestou honras grandiosas a D. Pedro II e a Família Imperial. Embora republicano, o governo francês tinha a maior consideração per D. Pedro II, porque ele fora o primeiro Chefe de Estado a prestigiar a França, visitando-a oficialmente, após a derrota para a Prússia em 1870.

Para evitar incidentes políticos, o Governo decidiu que o funeral seria oficialmente realizado pelo fato do Imperador ser grã-cruz da Legião de Honra, mas com as pompas devidas a um monarca.Calmon 1975, pág. 1896. Como última homenagem formal, o governo francês do Presidente Sadi Carnot, resolveu mesmo oferecer a Dom Pedro II um funeral de Chefe de Estado.

miniaturadaimagem|311x311px|Cortejo fúnebre de D. Pedro II em Paris.

Em 8 de dezembro de 1891, à noite, os caixões contendo o corpo de D. Pedro II saíram do Hotel Bedford com destino a Igreja de la Madeleine.Besouchet 1993, p. 615. Oito militares franceses transportaram os caixões, cobertos pela bandeira imperial, sendo assistidos por mais de pessoas. A carruagem utilizada fora à mesma dos enterros do Cardeal Morlot, do Duque de Morny e de Adolphe Thiers.Calmon 1975, pág. 1899.

Apesar da chuva e temperatura extremamente baixa,Besouchet 1993, p. 614. cerca de pessoas assistiram ao evento pelas ruas de Paris no dia 9 de dezembro, onde na Igreja de la Madeleine, foi celebrada a missa de réquiem pelo abade Le Rébours, na qual o coro da igreja, regido por Gabriel Fauré, cantou o Kyrie de Beethoven e o Agnus Dei de Cherubini.Calmon 1975, pág. 1900.

A formação militar francesa, composta por homens, todos em uniforme de gala, prestou honras ao Imperador.Besouchet 1993, p. 620. Os cavalos, os tambores das bandas de música e as bandeiras traziam ornamentos negros de luto. Os caixões foram levados em cortejo até a estação Orléans em Paris, de onde partiria, via Espanha, para Portugal.

Duas carruagens levavam quase 200 coroas de flores. Entre elas, a da rainha Vitória, a dos Voluntários da Pátria, a dos estudantes brasileiros em Paris, a de “um negro brasileiro em nome de sua raça”. Além das coroas de Eduardo Prado, Rio Branco, Nabuco, Tamandaré, Ladário e tantos outros, também ali estavam as de instituições como o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o Instituto dos Surdos-Mudos.Besouchet 1993, p. 619.

miniaturadaimagem|322x322px|O caixão de D. Pedro II chegando a Lisboa.

O corpo de D. Pedro II chegou a Madrid às 6 horas da manhã, onde a Família Real Espanhola, membros da nobreza, o ministro da Guerra e demais membros do governo, o esperavam. Entre uma estação e outra um regimento de infantaria fez as honras ao Imperador.Carvalho 2007, p. 240. De lá o trem partiu para Lisboa, onde o Rei D. Carlos I e a Corte reunida esperavam o corpo de D. Pedro II, no cais de Santa Apolônia. De lá até a Igreja de São Vicente de Fora, a guarnição militar da cidade formou alas. As fortalezas e os navios de guerra ancorados no Rio Tejo salvavam de 15 em 15 minutos. A rainha D. Amélia, suas damas e todo o corpo diplomático, novamente com exceção do representante brasileiro, aguardaram o cortejo na escadaria da igreja, onde o cardeal patriarca de Lisboa, junto com todos os bispos do país, cantou a missa Libera me.

Reações

Roma “Santo Padre recebeu com vivo pezar a triste noticia communicada por Vossa Alteza Imperial. Elle dirige ardentes preces ao Senhor pelo repouso eterno do augusto defunto e apresenta a Vossa Alteza e á Familia Imperial as suas condolencias.

Cardeal Rampolla.”

Reino Unido “Foi com o mais vivo pezar que recebi a noticia da morte de vosso querido pai, e rogo-vos que aceiteis a expressão da minha sympathia.

Victoria R.I.”

Áustria-Hungria “A nova dor que fere Vossa Alteza Imperial affligio-me profundamente, conhecendo toda a amargura que deixão no coração esses golpes irreparaveis. Conceda Deus a Vossa Alteza Imperial todas as consolações de que precisa nesta cruel provação.

Francisco José.”

Itália ”A desgraça que leva o luto ao coração de Vossa Alteza Imperial e de sua Augusta Familia, causa-nos, à Rainha e a mim, vivissima e sincera afflicção. O venerando pai de Vossa Alteza Imperial era para nós e para a Italia um amigo sempre querido; suas altas qualidades fazião a admiração de todos os homens de intelligencia e de coração que elle honrava com a sua benevolencia. A dor de Vossa Alteza Imperial é, pois, largamente partilhada aqui, e as condolencias que offereço são tambem a expressão dos sentimentos da nação italiana.

Humberto.”

Alemanha ”A Imperatriz e eu, profundamente sentidos com a triste noticia, enviamos a Vossa Alteza Imperial a expressão das nossas mais sinceras condolencias pela perda dolorosa que acaba de soffrer.

Pedimos a Deus que vos conceda as suas consolações nesta triste provação.

Guilherme, Imperador-Rei.”

Todos os trechos citados a cima foram retirados do: BIBLIOTECA DO JORNAL DO BRAZIL. D. PEDRO II. Rio de Janeiro: Typographia do Jornal do Brazil, 1892.BIBLIOTECA DO JORNAL DO BRAZIL. D. PEDRO II. Rio de Janeiro: Typographia do Jornal do Brazil, 1892.

Convidados

Família imediata

A Princesa Imperial e o Príncipe Imperial, filha e genro do falecido O Príncipe do Grão-Pará, neto do falecido O Príncipe Luís do Brasil, neto do falecido O Príncipe Antônio do Brasil, neto do falecido