O BGM-109 Tomahawk, também conhecido como Tomahawk Land Attack Missile, é um míssil de cruzeiro, subsônico, de longo alcance. Introduzido pela General Dynamics na década de 1970, ele foi projetado como um míssil de médio a longo alcance, de baixa altitude, que poderia ser lançado de uma plataforma de superfície como navios de guerra e submarinos. Ele foi aprimorado diversas vezes, e, através de cessões e aquisições corporativas, é agora produzido pela Raytheon.Raytheon Alguns Tomahawks foram também fabricados pela McDonnell Douglas (atualmente Boeing Defense, Space & Security).

Histórico de desenvolvimento thumb|right|300px|Míssil UGM-109 Tomahawk detonando sobre um alvo de teste na Ilha de San Clemente, 1986.

Tomahawk Um dos principais vetores de evolução do Tomahawk é a incorporação de capacidades de guerra centrada em redes, utilizando fluxos de dados de múltiplos sensores (aeronaves, VANTs, satélites, tropas em terra, blindados e navios) para detecção, rastreamento e designação de alvos, além de possibilitar o reenvio de informações coletadas por seus próprios sensores para essas plataformas de combate.

Block II As variantes do Tomahawk Block II foram submetidas a ensaios operacionais entre janeiro de 1981 e outubro de 1983, entrando em serviço em 1984. As modernizações incluíram: um motor foguete acelerador (booster) aprimorado, altímetro de radar e sistema de navegação por correlação óptica digital de área DSMAC (Digital Scene Matching Area Correlator). O DSMAC consistia em um sistema computacional de navegação óptica que permitia aos processadores de bordo guiar o míssil e reconhecer objetivos por meio de câmeras ópticas. Ao realizar a identificação visual direta do terreno e do alvo, o sistema proporcionava precisão superior à dos cálculos por coordenadas estimadas de satélite.

Devido à capacidade de processamento restrita da época, o DSMAC não processava mapas integrais de alta resolução, mas calculava matrizes de contraste simplificadas que eram sobrepostas em um registrador de memória temporária e comparadas com dados pré-carregados. Os dados da trajetória de voo eram armazenados em baixa resolução para preservar memória destinada às imagens detalhadas da área do alvo terminal. As matrizes de navegação eram previamente geradas em computadores de grande porte (*mainframes*) em terra a partir de fotografias de satélites de reconhecimento, simulando a perspectiva do míssil em voo raso. Como as condições do relevo sofrem alterações sazonais e de iluminação, o algoritmo filtrava disparidades ópticas para manter a orientação. Para operações noturnas, o míssil dispunha de um estroboscópio de alta intensidade que iluminava o solo em frações de segundo para captura instantânea de quadros."Image Processing for Tomahawk Scene Matching". Johns Hopkins APL Technical Digest, Volume 15, Number 3. Geoffrey B. Irani and James P. Christ.

Block III Introduzido em 1993, o Tomahawk Block III incorporou controle de tempo de chegada ao alvo (time-of-arrival) para ataques coordenados, melhorias no algoritmo de correlação DSMAC, receptor GPS com proteção contra interferência eletrônica (anti-jamming), ogiva WDU-36 de menor peso e dimensões, motor turbofan aprimorado e ampliação do alcance operacional.

Block IV A variante Block IV deu origem ao programa Tomahawk Tático (TACTOM, Tactical Tomahawk).

O programa TACTOM foi estruturado em dezembro de 1997 em resposta aos novos requisitos operacionais da Marinha dos Estados Unidos, que demandava um míssil com maior flexibilidade tática, capacidade de resposta em tempo real e menor custo unitário de produção, conforme lições extraídas de conflitos como a Guerra do Golfo (Operação Tempestade no Deserto), intervenções na Bósnia e a Operação Raposa do Deserto. O pacote Block IV AUR (All-Up-Round, contemplando o míssil integrado ao casulo de lançamento de superfície ou cápsula de submarino) baseou-se no programa de modernização TBIP (Tomahawk Baseline Improvement Program).

O contrato de produção inicial em baixa cadência (LRIP) foi concedido à Raytheon (RTX) em outubro de 2002, atingindo a capacidade operacional inicial (IOC) em 2004.

O Sistema de Controle de Armas do Tomahawk Tático (TTWCS, Tactical Tomahawk Weapons Control System) viabilizou a capacidade de espera ativa em voo (loitering), permitindo que os operadores redirecionem o vetor para alvos alternativos pré-programados ou novas coordenadas GPS transmitidas via enlace de dados por satélite bidirecional, além de receber relatórios telemétricos de integridade do míssil durante a missão. O sistema entrou em serviço na Marinha norte-americana no final de 2004, possibilitando planejamento tático descentralizado a bordo das unidades lançadoras (FRU).

O Tomahawk Block IV, operacional a partir de 2006, expandiu os recursos de controle de ataque, permitindo a reprogramação em voo para até 15 alvos alternativos em memória ou qualquer nova coordenada geográfica. A comunicação satelital bidirecional permite o envio de imagens de avaliação de danos de batalha (BDA) registradas pela câmera de bordo instantes antes do impacto. O míssil recebeu ainda receptores GPS com maior imunidade a contramedidas eletrônicas.

Em 16 de agosto de 2010, a Marinha dos EUA concluiu o primeiro teste de detonação estática da ogiva multifuncional JMEWS (Joint Multi-Effects Warhead System), projetada para combinar capacidade de fragmentação com penetração em alvos de concreto reforçado e estruturas subterrâneas blindadas (bunker buster).U.S. Navy Completes First Test of New Warhead for Tomahawk Block IV Missile – Raytheon press release via PRNewswire.com, 24 de outubro de 2010

Em 2012, foram realizados estudos de viabilidade técnica para a integração da tecnologia do míssil antirradiação AGM-88E AARGM ao Tomahawk Tático.

A partir de 2014, a Raytheon iniciou testes de sensores de busca multimodal para ataque antinavio contra alvos móveis na superfície do mar. O sistema combina guiamento passivo por detecção eletromagnética da assinatura de radar do alvo e busca ativa por ondas milimétricas para discriminação de embarcações hostis antes do impacto terminal.Facing End of Tomahawk Production, Raytheon Plays Industrial Base Card , National Defense Magazine, 2 de abril de 2014New Seeker Could Put Tomahawk In Long-Range Anti-Ship Missile Race – Aviationweek.com, 12 de novembro de 2014 Os primeiros Tomahawk Block IV equipados com capacidade antinavio marítima (Maritime Strike Tomahawk - MST) e perfil de voo rasante sobre a água (sea-skimming) foram programados para entrega operacional a partir de 2021.U.S. Navy Anti-Ship Tomahawk Set for Surface Ships, Subs Starting in 2021 – News.USNI.org, 18 de fevereiro de 2016

Projetos de desenvolvimento contemplaram variantes supersônicas equipadas com motor estatorreator (ramjet) para alcançar velocidades de Mach 3. Contudo, as limitações dimensionais dos sistemas de lançamento vertical das embarcações navais — tubos de de diâmetro e de comprimento — impuseram restrições à ampliação volumétrica do corpo do míssil.

Em janeiro de 2016, o Laboratório Nacional de Los Alamos desenvolveu pesquisas para converter o combustível residual JP-10 do míssil em uma carga termobárica ar-combustível (FAE) no momento do impacto, ampliando a energia de explosão contra o alvo além da ogiva principal.Tomahawk Missiles Will Get Twice as Deadly by Blowing Up Their Own Fuel, Popular Mechanics, 15 de janeiro de 2016

thumb|O contratorpedeiro lança-mísseis realizando o lançamento de um Tomahawk Block V durante ensaios operacionais em 2020.

Continuidade da linha de produção A cadência de produção do Block IV TACTOM foi reduzida para 100 unidades anuais no ano fiscal de 2018 (FY18). O planejamento orçamentário original previa a suspensão da fabricação de novos mísseis no FY19 para concentrar recursos exclusivamente na recertificação de mísseis existentes e instalação de kits de modernização, processo que culminou na especificação do Block V. Para preservar a base industrial e a cadeia de fornecedores, o Congresso dos EUA aprovou a compra de 90 mísseis Block IV novos no FY19, mantendo a linha ativa até a transição definitiva para a montagem de unidades novas de padrão Block V no ano fiscal de 2022.

Block V O padrão Block V integra o programa Tactical Tomahawk e desdobra-se em três configurações operacionais principais:

A variante Block V originou-se como um programa de extensão de ciclo de vida e modernização dos estoques de mísseis Block IV existentes, agregando mais 15 anos de vida útil às células, além de servir como linha-base para mísseis novos de fábrica. As unidades recebem a Arquitetura de Comunicações Avançadas (ACA), capacidade de ataque naval marítimo (Block Va) e a ogiva de múltiplo efeito JMEWS (Block Vb).

Variantes: Block V: Versão modernizada para ataque terrestre com sistemas de navegação e comunicação atualizados e receptor GPS com avançada proteção contra bloqueio de sinal (anti-jam). Block Va (MST): Variante configurada para ataque antinavio contra alvos de superfície manobráveis no mar (*Maritime Strike Tomahawk*), dotada de sensor passivo e ativo multi-espectral. O alcance estimado situa-se entre devido à realocação de volume interno para os componentes de rastreio e guiamento. Block Vb: Equipado com a ogiva multifuncional JMEWS, combinando capacidade de fragmentação omnidirecional e perfuração de alvos fortificados e instalações subterrâneas. A capacidade operacional inicial foi programada para 2027. Kit MST: Conjunto de modernização aplicado durante o processo de recertificação para converter células de Block IV no padrão antinavio Block Va MST.

Em 2025, o comando do programa de mísseis da Marinha dos EUA comunicou que os mísseis de configuração MST estariam operacionais nos contratorpedeiros de superfície até setembro daquele ano, com integração subsequente aos submarinos de ataque no ano fiscal de 2026. Todo o arsenal remanescente de Tomahawks Block IV está sendo convertido para as configurações do Block V, enquanto os lotes remanescentes da versão Block III foram retirados de serviço e desmilitarizados.Entire Navy Tomahawk Missile Arsenal Will Upgrade To Block V. USNI News. 22 de janeiro de 2020.

Em 2020, o Laboratório Nacional de Los Alamos anunciou o desenvolvimento de processos para a síntese do combustível de alta densidade energética do míssil a partir de etanol de milho, reduzindo o uso de ácidos agressivos e insumos derivados de petróleo em comparação com a formulação clássica do JP-10.

Sistemas de lançamento

Cada míssil é armazenado e disparado a partir de um casulo pressurizado que o protege durante o transporte e manuseio, atuando igualmente como tubo de lançamento. Esses casulos eram montados em lançadores quádruplos blindados ABL (Armored Box Launcher), instalados nos quatro encouraçados reativados da classe Iowa: , , e . Lançadores ABL foram instalados também em oito contratorpedeiros da classe Spruance, nos quatro cruzadores da classe Virginia e no cruzador de propulsão nuclear . Os recipientes também são empregados em sistemas de lançamento vertical (VLS) em navios de superfície, em sistemas de lançamento por cápsula (CLS) nos lotes posteriores dos submarinos das classes Los Angeles e Virginia, e através dos tubos de torpedo convencionais de submarinos. Todas as embarcações equipadas com o sistema ABL já foram descomissionadas.

No caso dos mísseis lançados por submarinos (designados UGM-109), após serem ejetados por pressão de gás (verticalmente pelas células VLS) ou por impulsão hidráulica (horizontalmente pelos tubos de torpedo), um motor foguete auxiliar de combustível sólido (booster) é acionado para impulsionar o míssil até a superfície e iniciar a trajetória aérea.