direita|miniaturadaimagem| Os Pilares da Criação na Nebulosa da Águia Arte espacial (ou "arte astronômica") é a expressão usada para definir um gênero artístico que busca representar as maravilhas do Universo. Porém, também pode incluir obras de arte que são feitas no espaço, em situações de gravidade zero dentro de espaço naves, estações espaciais ou voos parabólicos, assim como inclui também obras de arte feitas na Terra porém enviadas ao espaço, seja para orbitarem como satélites artificiais ou como parte de satélites maiores, ou para permanecerem em corpos celestes, como em Marte ou na Lua.
Assim como outros gêneros, a arte espacial é multifacetada, abrangendo características do realismo, impressionismo, arte de hardware, escultura, imagens abstratas e até arte zoológica, entre outros. Por mais que os artistas façam arte que referenciam elementos astronômicos há muito tempo, mais especificamente desde a Pré-história, a arte espacial em si ainda está em sua infância: afinal, a humanidade ganhou a capacidade tecnológica de olhar para fora do nosso mundo somente há poucas décadas. Assim, a representação dessas novas fronteiras é ainda recente.
Seja qual for o caminho estilístico escolhido, quando artistas geralmente tentam comunicar ideias relacionadas, de alguma forma, ao espaço, é comum que isso inclua reflexões sobre a infinita vastidão que nos cerca. Em alguns casos, artistas que se consideram "artistas do espaço" usam mais do que ilustrações e pinturas para comunicar descobertas científicas ou obras que retratam o espaço. Isto porque alguns tiveram a oportunidade de trabalhar diretamente com a tecnologia de voo espacial e mesmo com cientistas especializados na tentativa de expandir as artes, as humanidades e a expressão cultural relativa à exploração espacial.
Praticantes das artes visuais têm, por muitas décadas, explorado o espaço em suas imaginações, usando métodos tradicionais de pintura. Agora, muitos usam as mídias digitais para alcançar objetivos semelhantes. revistas de ficção científica e de ensaios visuais eram os principais veículos para a arte espacial, muitas vezes reproduzindo imagens de planetas, naves espaciais e dramáticas paisagens extraterrestres. Chesley Bonestell, R. A. Smith, Lucien Rudaux, David A. Hardy e Ludek Pesek são alguns dos principais artistas do começo do gênero. Eles se envolveram ativamente na visualização de propostas para a exploração do espaço sideral, obtendo contribuições de astrônomos e especialistas no que era ainda um campo incipiente da tecnologia de foguetes. Esses especialistas estava ansiosos para disseminar as suas ideias para um público mais amplo e a arte espacial tinha um grande papel nisso. (De fato, foi o segundo administrador da NASA, James E. Webb, quem iniciou o programa de arte espacial da agência, em 1962, quatro anos depois da sua fundação.) Uma das características mais marcantes da obra de Bonestell é o modo como ele retrata os mundos exóticos com a sua própria beleza alienígena, muitas vezes retratando a destinação assim como os modos tecnológicos de se chegar até lá.
Arte astronômica
Considera-se que a arte astronômica é o aspecto da arte espacial dedicada a visualizar as maravilhas do espaço sideral. Uma das suas grandes ênfases é a compreensão do ambiente espacial como uma nova fronteira para a Humanidade. Outras obras retratam mundos alienígenas, extremos da matéria, como buracos negros, e conceitos decorrentes da inspiração derivada da astronomia.
A arte astronômica, nas décadas de 1940 e 50, foi desbravada principalmente por Chesley Bonestell, cujas habilidades para resolver problemas de perspectiva, para pintar com o olho de um mestre de pinturas "matte", comuns ao cinema, criando assim uma impressão visual realista, e para procurar os maiores especialistas nos campos que fascinavam ele, eram formidáveis. Seu trabalho foi inspirador na era pós-guerra para que se pudesse pensar sobre viagens espaciais, que pareciam impossíveis antes do foguete V-2. Até hoje, vários artistas ajudam a trazer ideias de forma apresentável para a comunidade espacial, tanto retratando as ideias mais recentes sobre como sair da Terra quanto mostrando as maravilhas que nos aguardam lá fora.
A arte astronômica é a mais recente de de diversos movimentos artísticos que vem explorando as ideias que surgem sobre a contínua exploração da Terra, (Escola do Rio Hudson, ou Luminismo), o passado distante (Antiguidade e arte animal pré-histórica) e o Universo constantemente revelado. Grande parte dos artistas astronômicos usa métodos tradicionais de pintura ou seus equivalentes digitais, de modo a levar o espectador às fronteiras do conhecimento humano reunido na exploração do espaço sideral. Suas obras geralmente retratam elementos em uma linguagem visual que é familiar ao realismo, mas extrapolada para ambientes exóticos cujos detalhes refletem um conhecimento em continuidade e a imaginação científica. Um exemplo de processo para a criação da arte astronômica seria estudar e visitar ambientes desérticos para experimentar um pouco de como seria estar em Marte e pintar com base nessa experiência. Outro exemplo seria, ao ouvir falar de algum evento relacionado ao tema que provavelmente seria incrível assistir de perto, procurar ler artigos publicados ou conversar com especialistas na área sobre este fenômeno. Normalmente, há um esforço artístico para enfatizar os elementos visuais favoráveis desses eventos, assim como um fotógrafo compõe uma imagem. A melhor arte astronômica compartilha com o espectador o que é que atrai a imaginação do artista sobre o assunto retratado.
Nos países de língua inglesa, revistas de ficção científica como Fantasy and Science Fiction, Amazing, Astounding (mais tarde renomeada como Analog) e Galaxy Science Fiction foram importantes veículos para a arte espacial, principalmente na década de 1950. Cabe ressaltar também a importância das revistas de ensaios fotográficos da época, como Life, Collier's e Coronet para a disseminação desse gênero. Na União Soviética, um importante veículo foi a revista Tekhnika Molodezhi (livremente traduzida como "tecnologia para jovens"), que em 1935 publicou a sua primeira história com temática espacial.
Hoje, nos países de língua inglesa, a arte astronômica pode ser vista em revistas como Sky and Telescope, The Planetary Report e ocasionalmente na Scientific American. O Programa de Belas Artes da NASA tem realizado um esforço contínuo para contratar artistas que possam criar obras de arte específicas para determinados projetos espaciais. Esse programa documenta principalmente eventos históricos. O Programa de Belas Artes da NASA operava na era do progresso aparentemente ilimitado, em especial durante a gestão do seu primeiro chefe, James Dean.
As obras que retratam situações de voo espacial como as mencionadas acima são semelhantes conceitualmente aos esforços governamentais durante a Segunda Guerra Mundial que enviaram artistas a zonas de batalha para documentar cenas como eles as viam, que inclusive também eram divulgadas em edições da revista Life.
Outro paralelo próximo à arte astronômica é a arte dos dinossauros. Ambos movimentos artísticos exploram reinos fisicamente inalcançáveis com a intenção de trazer um senso de realidade para eles. Os 'Grandes Mestres' desse campo, como Charles R. Knight e Zdeněk Burian, trabalharam com especialistas da Paleontologia, usando as melhores informações disponíveis para criar uma visão realista desse passado distante que nunca poderemos contemplar com nossos próprios olhos. Idealmente, como na arte astronômica, tal trabalho tenta mostrar o que se sabe sobre o assunto, com algumas suposições científicas para poder preencher o que é de fato desconhecido e incognoscível. Trabalhos mais recentes de um número consideravelmente grande de artistas sobre dinossauros refletem o crescimento do conhecimento científico ao representar as novas posturas corporais descobertas, assim como prováveis penas, etc. O mesmo ocorre com a arte espacial: não mais retratam, por exemplo, as paisagens extraterrestres com o céu azul fantasioso, como se supunha, mas os céus de Marte como realmente seriam vistos. A maior parte dos artistas de arte espacial e astronômica, principalmente os mais amplamente divulgados, pertencem à Associação Internacional de Artistas Astronômicos desde 1983.
Influências históricas miniaturadaimagem|A batalha de Alexandre, o Grande contra o rei persa Darius (1529), por Albrecht Altdorfer. Pré-históriaObservações astronômicas na Pré-história em Minas Gerais através de pinturas rupestres contêm alusões a constelações específicas e aos planetas visíveis.1301A pintura Adoração dos Magos de Giotto di Bondone inclui um cometa no céu, que acredita-se indicar o Cometa Halley em 1301.1416Os irmãos Limbourg no manuscrito de Duc Du Berry incluíram o que pode ser considerado como a primeira tentativa de retratar realisticamente o céu noturno, completo de meteoros em movimento.1515Albrecht Dürer publicou o primeiro desenho em perspectiva que se conhece da Terra como um Globo.1529Albrecht Altdorfer pintou A batalha de Alexandre, o Grande contra o rei persa Darius (também conhecida como a Batalha de Isso), que provavelmente é a pintura mais antiga a retratar a curvatura da Terra de uma grande altura.1711Donato Creti pintou uma série de astrônomos da época sobre visões de planetas através de um telescópio para gerar interesse no Vaticano sobre estabelecer um observatório de astronomia.1858O Cometa Donati (formalmente designado C/1858 L1 ou 1858 VI) foi registrado em diversas pinturas da época. Dois exemplos são Donati's Comet (1859) de William Turner e Donati's Comet (1859) de James Poole.1874James Carpenter e James Nasmyth publicam The Moon: Considered as a Planet, a World, and a Satellite que contém fotografias de modelos esculpidos sobre as características da Lua, que por sua vez influenciaram futuros artistas de arte espacial ao retratar o acentuado exagero vertical do terreno lunar.1870sÉtienne Léopold Trouvelot publicou uma série de cromolitografias de seus pastéis sobre assuntos astronômicos.1877Paul Dominique Philippoteaux e o gravador Laplante ilustraram a história de Júlio Verne, Hector Servadac, incluindo uma visão imaginária dos anéis de Saturno desde o próprio planeta.1918Howard Russell Butler deliberadamente faz uso do alcance dinâmico da visão humana para pintar um eclipse total baseado na observação direta.1927Scriven Bolten cria paisagens lunares para o veículo Illustrated London News usando fotos pintadas de modelos de gesso.1937Lucien Rudaux pinta muitos trabalhos, principalmente sobre Marte e a Lua, para Sur Les Autres Mondes1944As pinturas de Chesley Bonestell sobre Saturno a partir de suas diversas luas apaerce na Revista Life , introduzindo a arte espacial para o grande público americano. Livros com a arte de Bonestells incluem The Conquest Of Space (1949), The Exploration Of Mars (1956) and The World We Live In (1955), este último da própria revista Life.1952O Segundo Simpósio sobre Viagem Espacial do Planetário Hayden, que aconteceu em Nova Iorque em 1952, resultou em uma série muito conhecida de artigos sobre voos espaciais, publicados na Revista Colliers e ilustrados por Bonestell e outros.1963As pinturas de Ludek Pesek ilustram os longos volumes de The Moon And the Planets, e o volume de 1968 de Our Planet Earth - From The Beginning.1980O livro e a série televisa Cosmos, exibida no canal PBS, mostram muitos dos trabalhos de artistas de arte espacial. Carl Sagan os utilizou também em vários outros de seus livros.
Fotografia esquerda|miniaturadaimagem| O Mármore Azul, a Terra vista da Apollo 17, 1972