thumb|310px|O USS Salem em 1952, um dos últimos cruzadores pesados dos Estados Unidos e o único preservado A Marinha dos Estados Unidos construiu uma série de cruzadores pesados entre as décadas de 1920 e 1940. As primeiras embarcações tiveram seus tamanhos limitados pelos termos do Tratado Naval de Washington, começando pela Classe Pensacola, concebida para se igualar a navios da Marinha Imperial Japonesa. Em seguida veio a Classe Northampton, projetada para corrigir deficiências de sua predecessora, enquanto a Classe Portland teve apenas pequenos melhoramentos. Foi descoberto durante a construção desta que as classes anteriores tiveram seus deslocamentos subestimados, assim seu projeto foi alterado e alguns de seus navios modificados ainda durante sua construção, transformando-se na Classe New Orleans. Em seguida veio o , o último cruzador pesado construído sob limitações de tamanho.
Os Estados Unidos abandonaram os tratados internacionais de controle armamentistas depois do início da Segunda Guerra Mundial em 1939, permitindo a construção de navios maiores. Os primeiros cruzadores desenvolvidos sem estas restrições foram aqueles da Classe Baltimore, projetados para corrigir deficiências no projeto do Wichita. Ela foi sucedida pela Classe Oregon City, que apenas incorporou pequenas mudanças em relação à Classe Baltimore, e depois pela Classe Des Moines, que era muito maior que suas predecessoras e armada com novos canhões que possuíam uma cadência de tiro muito mais elevada. O fim da Segunda Guerra em agosto de 1945 fez com que a maioria dos navios da Classe Oregon City e da Classe Des Moines fossem cancelados incompletos ou antes mesmo de terem suas construções iniciadas.
Os cruzadores pesados norte-americanos foram empregados principalmente na Guerra do Pacífico depois da entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial em 1941, atuando na escolta de porta-aviões e em bombardeios litorâneos nas Campanhas de Guadalcanal, Nova Guiné, Ilhas Aleutas, Ilhas Gilbert e Marshall, Ilhas Marianas e Palau, Filipinas e Ilhas Vulcano e Ryūkyū. Alguns também atuaram na Batalha do Atlântico, participando da escolta de comboios para a União Soviética e das Invasões do Norte da África, Normandia e Sul da França. Sete navios foram afundados no decorrer da guerra. As embarcações sobreviventes das Classes Pensacola, Northampton, Portland e New Orleans e o Wichita foram descomissionadas depois da guerra e todas foram descartadas e desmontadas em 1959, com exceção dos dois membros da Classe Pensacola, que foram afundados como alvo de tiro. Os membros das Classes Baltimore, Oregon City e Des Moines continuaram servindo pelas décadas seguintes, alguns sendo convertidos em cruzadores de mísseis guiados na década de 1950. Seus membros atuaram na Guerra da Coreia e na Guerra do Vietnã. Os navios restantes foram descomissionados entre as décadas de 1950 e 1980 e depois desmontados entre as décadas de 1970 e 2000. O da Classe Des Moines é o único preservado como um navio-museu.
+ Legenda Armas principais Número e tamanho dos canhões da bateria principal Deslocamento Deslocamento do navio totalmente carregado Propulsão Número e tipo do sistema de propulsão e velocidade máxima Batimento Data em que o batimento de quilha ocorreu Lançamento Data em que o navio foi lançado ao mar Comissionamento Data em que o navio foi comissionado em serviço Destino Fim que o navio teve
Classe Pensacola
thumb|esquerda|240px|O USS Pensacola em 1935 A Classe Pensacola foi a primeira de cruzadores pesados da Marinha dos Estados Unidos. Seu projeto foi elaborado para atender aos termos do Tratado Naval de Washington de 1922, que limitava o deslocamento padrão de cruzadores a 10,1 mil toneladas. Consequentemente, os navios tiveram sua blindagem sacrificada para que pudessem ficar dentro dos limites. Foram armados com dez canhões de 203 milímetros com o objetivo de se igualarem à Classe Myōkō da Marinha Imperial Japonesa, mas espalhados por quatro torres de artilharia, e não cinco como os japoneses, a fim de reduzir o comprimento e assim o deslocamento.
Os dois navios começaram suas carreiras na Frota do Atlântico, mas o Salt Lake City foi transferido em 1932 para a Frota do Pacífico e o Pensacola em 1935. Ambos passaram o período entreguerras em relativa tranquilidade, ocupando-se de exercícios de rotina e viagens para portos estrangeiros. Os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial no final de 1941 e os cruzadores foram colocados na escolta de porta-aviões na Guerra do Pacífico. Desempenharam este dever durante várias operações das Campanhas de Guadalcanal, Ilhas Aleutas, Ilhas Gilbert e Marshall, Ilhas Marianas e Palau, Filipinas e Ilhas Vulcano e Ryūkyū. Depois do fim da guerra foram usados como alvos nos testes nucleares da Operação Crossroads em julho de 1946, sobrevivendo e sendo afundados como alvos de tiro em 1948, o Salt Lake City em junho e o Pensacola em novembro. Referências das histórias dos navios pelo Dictionary of American Naval Fighting Ships:
Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 10 × 203 mm 11 700 t 4 turbinas a vapor;32 nós (59 km/h) outubro de 1926 abril de 1929 fevereiro de 1930 Afundados em 1948 junho de 1927 janeiro de 1929 dezembro de 1929
Classe Northampton
thumb|240px|O USS Northampton em 1935 O projeto da Classe Northampton foi muito baseado na predecessora Classe Pensacola, novamente sob as restrições do Tratado Naval de Washington. As mudanças incluíram uma melhor disposição da blindagem, uma borda livre mais alta de modo a melhorar a navegabilidade, aprimoramento da subdivisão interna do casco e adição de um hangar para hidroaviões. A bateria principal foi reduzida em um canhão para nove em relação aos dez da Classe Pensacola, porém isto permitiu a remoção de uma torre de artilharia, o que consequentemente levou a uma economia de peso que possibilitou melhoramentos em outros aspectos das embarcações.
A maioria dos cruzadores serviram principalmente na Frota do Pacífico em tempos de paz e suas principais atividades consistiram exercícios de rotina e viagens internacionais. Com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial foram colocados em funções de escolta de porta-aviões e comboios e bombardeio litorâneo. O Augusta foi o único a atuar na Batalha do Atlântico, participando das Invasões do Norte da África, Normandia e Sul da França. Os restantes lutaram na Guerra do Pacífico e primeiro se envolveram em ações no Sudoeste do Pacífico, onde o Houston foi afundado em março de 1942 na Batalha do Estreito de Sunda. Em seguida atuaram na Campanha de Guadalcanal, com o Northampton sendo afundado na Batalha de Tassafaronga em dezembro de 1942 e o Chicago no mês seguinte na Batalha da Ilha Rennell. Os sobreviventes então atuaram nas Campanhas das Ilhas Gilbert e Marshall, Filipinas e Ilhas Vulcano e Ryūkyū. Foram descomissionados em 1946 e desmontados em 1959. Referências das histórias dos navios pelo Dictionary of American Naval Fighting Ships:
Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 9 × 203 mm 11 600 t 4 turbinas a vapor;32 nós (59 km/h) abril de 1928 setembro de 1929 maio de 1930 Afundado em 1942 março de 1928 julho de 1929 junho de 1930 Desmontados em 1959 julho de 1928 setembro de 1930 janeiro de 1931 setembro de 1928 abril de 1930 março de 1931 Afundado em 1943 maio de 1928 setembro de 1929 junho de 1930 Afundado em 1942 julho de 1928 fevereiro de 1930 janeiro de 1931 Desmontado em 1959
Classe Portland
thumb|240px|esquerda|O USS Indianapolis em 1945 O projeto da Classe Portland também foi desenvolvido sob as restrições do Tratado Naval de Washington e inspirado na predecessora Classe Northampton, apenas com pequenas modificações. Estas incluíam armamentos mais avançados, com armas principais sendo elaboradas para possuírem um alcance muito maior que aquelas usadas nas classes anteriores. Originalmente cinco navios foram encomendados, mas os três últimos navios foram convertidos na sucessora Classe New Orleans durante a construção.
Os navios da classe serviram tanto na Frota do Pacífico quanto na do Atlântico durante os tempos de paz, ocupando-se exercícios de rotina e viagens diplomáticas para portos estrangeiros. Com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, foram colocados na escolta de porta-aviões, com o Portland participando em 1942 das Batalhas do Mar de Coral e Midway e depois em várias batalhas da Campanha de Guadalcanal, já o Indianapolis no mesmo período foi colocado em operações nas Campanhas da Nova Guiné e Ilhas Aleutas. De 1943 em diante os dois atuaram dando apoio para as Campanhas das Ilhas Gilbert e Marshall, Ilhas Marianas e Palau, Filipinas e Ilhas Vulcano e Ryūkyū. O Indianapolis foi afundado em julho de 1945 enquanto seguia de Guam para as Filipinas depois de ser torpedeado pelo submarino . O Portland foi descomissionado em 1946 e permaneceu inativo na reserva até ser desmontado em 1959. Referências das histórias dos navios pelo Dictionary of American Naval Fighting Ships:
Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 9 × 203 mm 12 755 t 4 turbinas a vapor;32 nós (59 km/h) fevereiro de 1930 maio de 1932 fevereiro de 1933 Desmontado em 1959 março de 1930 novembro de 1931 novembro de 1932 Afundado em 1945
Classe New Orleans
thumb|240px|O USS San Francisco em 1945 Foi descoberto que os cálculos de deslocamento tanto da Classe Pensacola quanto da Classe Northampton tinham sido muito superestimados e, na realidade, os navios possuíam um deslocamento aproximadamente mil toneladas abaixo do planejado, prejudicando sua resistência estrutural e qualidade da blindagem. A Marinha dos Estados Unidos assim considerou necessário realizar alterações no projeto da Classe Portland, porém não seria possível modificar significativamente duas das embarcações que estavam sendo construídas por estaleiros particulares. Consequentemente, os cruzadores construídos por estaleiros estatais tiveram seus projetos amplamente modificados e se transformaram na Classe New Orleans, com mais navios encomendados depois.
As embarcações da classe tiveram inícios de carreira tranquilos, envolvendo exercícios e viagens internacionais, tanto no Atlântico quanto no Pacífico. O New Orleans e o San Francisco estavam presentes no Ataque a Pearl Harbor em dezembro de 1941, mas não foram danificados. O Tuscaloosa era o único membro da classe no Atlântico e foi colocado na escolta de comboios e depois enviado como reforço para a Frota Doméstica britânica, participando das Invasões do Norte da África e Normandia, mais várias outras operações na Europa. Os outros navios primeiro lutaram nas Batalhas do Mar de Coral e Midway e em seguida deram suporte para a Campanha de Guadalcanal, com o Astoria, Quincy e Vincennes sendo afundados em agosto de 1942 na Batalha da Ilha Savo. Os três restantes foram seriamente danificados em confrontos em Guadalcanal, mas sobreviveram e continuaram atuando como escolta de porta-aviões e em ações de bombardeio litorâneo pelas Campanhas das Ilhas Gilbert e Marshall, Ilhas Aleutas, Ilhas Marianas e Palau e Ilhas Vulcano e Ryūkyū, tendo a participação do Tuscaloosa nesta última. Os cruzadores sobreviventes foram descomissionados após a guerra em 1946 e 1947 e mantidos inativos até serem desmontados em 1959. Referências das histórias dos navios pelo Dictionary of American Naval Fighting Ships: