Stelio Frati (Milão, 26 de junho de 1919 - Milão, 14 de maio de 2010) foi um engenheiro aeronáutico, projetista, empreendedor e acadêmico italiano.
Formação acadêmica e primeiros trabalhos Stelio Frati, logo na infância, demonstrava ter talento para a aviação, interessando-se por aeromodelismo. Durante 1938 a 1943, graduou-se em engenharia mecânica pela Faculdade Politécnica de Milão, que à época não tinha curso de especialização em engenharia aeronáutica, o que não impediu que Frati se especializasse nessa área. Em 1940, foi campeão nacional italiano de com um motoplanador sem radiocontrole. Seu planador conseguiu o recorde mundial (não oficial) de resistência, ao voar durante duas horas e meia continuamente. Na faculdade também projetou alguns planadores no (CVV), que havia sido fundado em 1934 por iniciativa de um grupo de estudantes aficionados por aviação.
Segunda Guerra Mundial: projeto do motoplanador militar Aeronautica Lombarda A.R. thumb|230px|esquerda|Detalhes do projeto do
De 1941 a 1943, em plena Guerra Mundial, trabalhou, junto a outro engenheiro italiano, , no projeto e construção de um motoplanador para uso militar. A aeronave de assalto transportava uma carga explosiva e contava com um sistema de controle por radiofrequência. Denominado , era equipado com um motor radial , utilizado no bimotor . O planador era inicialmente conduzido por um piloto, que logo após a decolagem alijava o trem de pouso, que era reutilizado. Quando estava a uma altitude definida, o piloto ligava o sistema de radiocontrole, certificando-se que estava operacional, saltando em seguida de paraquedas. O planador era então controlado remotamente a partir de outro avião, para ser lançado contra o alvo. Foram construídas cinco unidades e dois voaram. No entanto, as aeronaves nunca foram usadas em ação.
O conceito original havia sido idealizado pelo engenheiro e oficial da Regia Aeronautica Italiana, , depois do ingresso da Itália na guerra. O objetivo era enfrentar a frota da Marinha Real Britânica. O programa recebeu na época a denominação ARP (Aircraft Radio Piloted), sendo uma adaptação do bombardeiro trimotor Savoia-Marchetti SM.79. O ARP foi usado experimentalmente em batalha em 12 de agosto de 1942, mas não obteve êxito. Durante o voo, ocorreu uma falha no sistema transmissor de sinal de radiofrequência, causando a perda de controle, e a aeronave caiu já sem combustível nas montanhas da Argélia.
thumb|380px|<center> (1943)
Apesar desse começo mal sucedido, o projeto não foi abandonado e em novembro de 1942, a Força Aérea firmou um contrato com a Aeronautica Lombarda, onde Ermenegildo Preti e Stelio Frati eram engenheiros, para o fornecimento de um protótipo e mais cinco unidades. A aeronave deveria ser monoplano, monomotor e ter um projeto simples, utilizando madeira como principal material de construção, exceto em alguns detalhes, superfícies das asas e trem de pouso. O primeiro voo foi realizado em 13 de junho de 1943, com o primeiro pré-série concluído em agosto do mesmo ano. Posteriormente, as autoridades militares da Alemanha, uma das potências que integrava o Eixo na Segunda Guerra, cancelaram o programa, e todas as aeronaves produzidas foram destruídas.
Retorno à vida acadêmica e primeiros projetos independentes thumb|300px|<center>Politécnica de Milão
Com o fim da guerra, a Faculdade Politécnica de Milão criou o curso de Especialização em Aeronáutica, e convidou Frati para o cargo de professor adjunto. Ele aceitou o convite e permaneceu na faculdade lecionando por dez anos, ampliando seu conhecimento em aeronáutica, o que o motivou a realizar seus empreendimentos posteriores.
Planador BF46 Em 1946 publicou L'Aliante, um guia para o projeto de planadores e no ano seguinte iniciou o projeto do planador BF-46, com Silvio Bassi, que havia sido seu professor no curso de engenharia na Politécnica de Milão. O projeto foi concluído em 1948 e o BF-46 voou pela primeira vez em 1949, construído no Aeroclub de Busto Arsizio, em Varese. Tinha uma envergadura de 13,24 metros e alcançava velocidade máxima de . Destinado ao treinamento dos alunos que ingressavam no curso, tinha dois lugares e era de construção simples e econômica, com estrutura de madeira recoberta com tecido. Apenas um protótipo foi construído.
Motoplanador Ditta Movo FM.1 Passero thumb|280px|esquerda|<center>Detalhes do projeto do Ditta Movo FM.1 Passero
Nessa época, Frati já havia iniciado a carreira como projetista freelancer, passando a criar diversos modelos e vendendo seus projetos concluídos para qualquer fabricante italiano que desejasse construí-los. O primeiro projeto independente foi um motoplanador de , o Ditta Movo FM.1 Passero, que apesar de sua baixa potência, atingia uma velocidade máxima de . Foi produzido pela Modelli Volanti (Movo), de Gustavo Clerici, que Frati conhecia desde a adolescência e que o apoiou financeiramente. Em fevereiro de 1947 a construção do FM.1 foi concluída e, em abril, foi apresentado em uma exposição em Milão, juntamente com o e outros modelos.
thumb|290px|Ditta Movo FM.1 Passero na exposição de Milão, abril de 1947
O FM.1 Passero era uma aeronave de asa alta cantilever, de assento único com uma fuselagem totalmente metálica. Era equipado com um motor de dois pistões opostos Macchi MB.2 de , que acionava uma hélice posicionada atrás da asa. O projeto, construção e apresentação do protótipo foram realizados contrariando as imposições legais na época. Uma das sanções impostas pelas forças aliadas depois da guerra era a proibição de desenvolvimento e construção de aeronaves na Itália.
Após os testes estáticos realizados no CVV da Politécnica de Milão em outubro de 1947, o FM.1 foi entregue no aeródromo de Venegono Superiore, para os voos de teste. Durante os testes, a aeronave apresentou um desempenho insatisfatório, apesar da velocidade de cerca de 151 km/h. As asas curtas projetadas por Frati para aumentar a velocidade não eram adequadas para planar, e a distância de decolagem precisava ser bastante longa. O modelo não conseguiu a certificação, e Frati depois projetou uma aeronave mais versátil. Ampliou o cockpit com um segundo assento e substituiu o motor Macchi por dois motores P.25 de . Tinha uma envergadura de 9 metros e atingia velocidade máxima de . O protótipo desta variante, designado FM.2 Bipassero, foi construído no início de 1948, mas também não foi desenvolvido.
Outros projetos Década de 1950 Ambrosini F.4 Rondone thumb|esquerda|290px| reg I-BASS; cn 021, ano 1954, no Aeroporto de Milão-Linate
O primeiro monoplano de asa baixa projetado por Frati foi o , de 1951, destinado a treinamento e esportes. O protótipo foi construído no CVV da Faculdade Politécnica de Milão com a denominação de F.4 Rondone, tinha dois assentos lado a lado e estrutura de madeira. Era equipado com motor Walter Mikron de , enquanto as unidades de série, produzidas pela Aeronautica Lombarda e , eram equipadas com motor Continental C90 de . Com trem de pouso triciclo e retrátil e envergadura de , sua velocidade de cruzeiro era de e alcance de . Foram produzidas cerca de vinte unidades. O modelo conquistou vários recordes internacionais na época, incluindo o de velocidade, atingindo em um percurso de 100 km, estabelecido pelo piloto Inginio Guagnellin, o que tornou Frati mais respeitado no meio aeronáutico.
Caproni F.5 Trento thumb|290px| Produzido em 1952, único protótipo, exposto no
O projeto seguinte de Frati, o , com dois assentos em , de asa baixa, também utilizava madeira na construção. A estrutura de madeira em um avião a jato já havia sido utilizada anteriormente no caça britânico DH.100 Vampire pela de Havilland Aircraft Company. O Trento F.5 foi fabricado pela italiana Caproni em 1952. Doze anos antes, ela havia construído o primeiro avião italiano com propulsão a termojato, o Caproni Campini N.1. Com comprimento de , envergadura de e peso de , a razão de subida era de 1 300 ft/min (6,6 m/s). Era impulsionado por um motor a jato de fabricação francesa, um , que produzia um empuxo máximo de , levando a aeronave a uma velocidade máxima .
O primeiro voo ocorreu em 20 de maio de 1952, decolando do Aeroporto de Milão-Linate. Apesar do interesse demonstrado por um treinador a jato e do ótimo desempenho em voo confirmado nos testes, a produção em série exigiria a transição para estrutura metálica, com investimentos que a empresa não conseguiria sustentar. O protótipo foi então adquirido pela Força Aérea e incorporado ao Departamento de Voo Experimental para mais testes com o registro I-FACT, tendo sido danificado em um pouso. O reparo foi feito, convertendo a estrutura para alumínio. Retomou à atividade, participando do em meados de 1954, mas depois o programa foi cancelado. Em 1960, o Trento F.5 foi transferido para Turim, onde estava sendo criado um Museu Aeroespacial. Permaneceu no acervo até 1990, quando foi vendido ao , em Milão, e restaurado no ano seguinte.
Pasotti F.6 Airone thumb|230px|Detalhes do projeto do
Em 1954, Stelio Frati projetou o para a Pasotti, sediada na Bréscia. Era um bimotor de asa baixa cantilever de quatro lugares, equipado originalmente com dois motores Continental C90 de quatro cilindros e cada, com hélices de passo fixo de duas pás. No mesmo ano, começaram os testes do protótipo. Em 1956, o projeto foi modificado para utilização de motores de quatro cilindros, com potência de cada, equipados com hélices de passo variável. Havia também versões com motores de , também com hélices de passo variável. O trem de pouso era triciclo e retrátil, a envergadura de e o comprimento de . Utilizando motores Lycoming O-290, a velocidade de cruzeiro era de , com velocidade máxima de . A autonomia era de , razão de subida de 244 m/min (13,4 ft/s) e teto operacional de . O Pasotti F.6 Airone nunca chegou a ser produzido em série, sendo produzidos apenas protótipos.
Ambrosini F.7 Rondone II thumb|230px|esquerda|<center>F.7 Rondone II
O , uma aeronave utilitária leve, monoplano monomotor, foi desenvolvida por Frati como uma versão de três lugares do F.4 Rondone. A nova aeronave recebeu um motor Continental C90 de e o primeiro protótipo voou pela primeira vez em 10 de fevereiro de 1954. Uma pequena série de nove aviões foi produzida sob licença pela Legnami Pasotti. Além da Itália, os F.7 Rondone II também foram vendidos na França e na Alemanha. Algumas versões foram equipadas com um motor de quatro cilindros de , atingindo a velocidade máxima de e teto operacional de .
Falco F.8L thumb|230px|<center>F.8L Super Falco IV, produzido pela Laverda