A língua menya, também conhecida como menyama ou menye, é uma língua papua da , uma família dentro do grupo das línguas Trans-Nova Guiné, sendo falada no leste da Papua Nova Guiné. Até 2006, ela contava com cerca de 25000 falantes distribuídos no situado na costa sudoeste da Província de Morobe. Ela está classificada como ameaçada.

Etimologia O nome menya refere-se a um pequeno rio que flui da região oeste até o Rio Tauri, 4km ao norte do Distrito de Menyamya, centro administrativo provincial.

Distribuição A língua menya é falada majoritariamente no Distrito de Menyamya da Província Morobe, localizada na costa norte da Papua Nova-Guiné. Entretanto, há um número significante de falantes de menya residentes das cidades de Lae, Wau e Bulolo, as três na Província de Morobe, e de Kimbe e Biala, na Província da Nova Bretanha Ocidental. Além disso, há registro de falantes na capital Porto Moresby e no Distrito de Karema, na Província do Golfo.

Línguas relacionadas Menya é a segunda maior língua da família Angan em termos de falantes. Ela é cercada por outras línguas da mesma família, por isso teve pouco contato com línguas de outras famílias. Em termos de cognato, a maior similaridade aparece com as línguas Kapau/Hamde (69-75%) e Yagwaia (50-58%).

Dialetos Há 3 ou 4 grupos socioléticos entre os falantes de menya. Dois são consistentemente reconhecidos como linguisticamente e socialmente distintos: os Tnäuyqä (aqueles ao sudeste) e os Tepatiqä (aqueles ao oeste). Já aqueles ao Nordeste são também considerados linguisticamente uniformes, no entanto, não há um nome único para eles. Os habitantes dessa área referem-se a si próprios pelo nome de seu respectivo clã dominante, com exceção das cinco filas mais ao oeste dessa região, os quais são reconhecidos como os Juaqänjqä. No estudo de Carl Whitehead, eles são denominados como grupo do Nordeste.

Os dialetos com maior diferença linguística são o Tnäuyqä e o Tepatiqä. Enquanto o Nordeste/Juaqänjqä está situado no meio, mas mais próximo do Tepatiqä. Embora haja diferenças no vocabulário, as diferenças na pronúncia mostram-se mais significantes.

História Durante os anos 50, o Tok Pisin, uma língua utilizada para o comércio baseada no inglês, emergiu como meio principal de comunicação entre o governo e outros serviços introduzidos na área.

Toda a educação formal da área era dada em Inglês até a recente introdução do sistema educacional de pré-escolas. Assim, os equivalentes ao Jardim de Infância, 1º e 2º anos passaram a ser lecionados em "escolas de vilas", podendo utilizar a língua que a comunidade preferir.

Menya continua sendo a primeira língua para maior parte das crianças, embora o Tok Pisin também seja introduzido desde cedo. Além disso, poucas mulheres frequentavam escolas até os anos 80, logo as mulheres adultas sabem pouco de Tok Pisin e Inglês.

Atualmente, a tendência é de que o bilinguismo aumente, mas a atitude da população com relação a sua língua e o novo sistema educacional do governo podem limitar, senão prevenir, que a língua menya caia em desuso. Mas é provável que a crescente no bilinguismo e na taxa de alfabetização resultará numa taxa acelerada de mudança da língua. Fonologia O inventário fonológico menya consiste de 17 consoantes e 6 vogais. E assim como outras línguas da , é caracterizada por uma complexidade fonológica incomum a outras da Papua Nova Guiné. Núcleo silábico nasal, palatalização e labialização tornam a análise de padrões silábicos dificultosa e resulta na ocorrência de longas cadeias de consoantes na palavra. Além disso, a perda e fusão de fonemas nas divisões entre morfemas é bem expressiva.

Consoantes

A língua menya possui 17 fonemas consonantais. Dentre eles, percebe-se uma falta de fonemas fricativos (com exceção da glotal //) e de fonemas líquidos, ambas características não são incomuns em línguas papuas.

+ Fonemas consonantais da língua menya Bilabial Dental Palatal Velar Uvular Glotal Plosiva Nasal Fricativa Aproximante

Vogais

A língua menya possui 6 fonemas vocálicos. Esse sistema de 6 vogais é comum a outras línguas papuas.

+ Fonemas vocálicos da língua menyaFrontalCentralPosteriorFechada Média Aberta

Tonicidade e tons A silaba tônica normalmente ocorre na última ou penúltima sílaba. Em palavras com mais de 3 sílabas geralmente há duas sílabas tônicas, com a última sendo a mais forte.

Há existência de tons. Eles podem ter valor fonêmico, mas sua funcionalidade é baixa. Por conta disso, não há descrições precisas sobre a sua influência na língua. Tom e tonicidade são interdependentes.

Ortografia A língua menya é muito mais falada do que escrita e a maioria dos registros escritos são transcrições de discurso falado. Isso resulta em algumas variações na escrita como em hiyamdqä para hiyandqä (casuar).

Quatro das plosivas pré-nasais, // // // //, são escritas sem a nasal quando ela ocorre na início da palavra e, ao mesmo tempo, ocorre no meio da palavra. Essa variação ortográfica é uma decisão dos menya literados.

+ Alfabeto menyaMinúsculaMaiúsculaFonema e representação em portuguêspP// como em "papel"tT como em "tapa"sS// como em "tchau"kK// como em "casa"qQ// como em "qiṭṭ" (gato em árabe moderno)mM// como em "menos"nN// como em "nada"nyNy// como em "banho"ŋŊ// como em "manga"b, mbB// (fonema // pré-nasalisado) é fonema próprio da línguad, ndD// (fonema // pré-nasalisado) é fonema próprio da línguaj, njJ// (fonema // pré-nasalisado) é fonema próprio da línguag, ŋgG// (fonema // pré-nasalisado) é fonema próprio da línguaŋqŊq// (fonema // pré-nasalisado) é fonema próprio da línguawW// como em "quando"yY// como em "jiboia"hH// como em "marreta"iI// como em "iate"äÄ// como em "melhor" (sotaque europeu)uU// como em "uva"eE// como em "escola"aA// como em "father" (inglês americano)oO// como em "olho"

Gramática A gramática Menya é típica das línguas da família das Trans-Nova Guiné. A sufixação é mais proeminente que a prefixação e a utilização de clíticos, isso é, termos que integram fonologicamente uma palavra, tornando-se uma sílaba dessa, é recorrente.

Pronomes Pronomes pessoais Na língua menya, os pronomes pessoais distinguem-se em número entre singular (um referente), dupla (dois referentes) e plural (mais de dois referentes). E também em pessoas gramatical (1ª,2ª e 3ª pessoas). Não há distinção entre gênero, assim como entre inclusão ou exclusão para a 1ª pessoa de formas não-singulares.

+ Pronomes pessoais em menya Singular Dupla Plural1ªnyiyene2ªsiqehe3ªki(ke)qu

Os pronomes pessoais possuem uma forma genitiva e uma empática. A forma genitiva geralmente indica posse e é formada pela adição do enclítico ~qä ou ~yaqä, ambas são intercaláveis, mas a segunda é mais frequentemente utilizada. Já forma empática ocorre sempre após a forma genitiva, juntamente com um enclítico ~uä, ela nunca ocorre isolada e tem a função de reforçar o foco no referente.

Pronomes demonstrativos Os pronomes demonstrativos são mais utilizados que os pronomes pessoais quando referem-se a uma 3ª pessoa. Eles distinguem entre número, pessoa, gênero/classe (masculino ou neutro, feminino, honorífico e diminutivo).

Os enclíticos para as distinções acima seguem a seguinte ordem:

Raiz + (Gênero) + (Pessoa e número) + (Objeto (Oblíquo))

+ Pronomes demonstrativos baseados na raiz i (isso)-Masculino (~qu)Feminino (~i ou ~u)Honorífico (~pa)Diminutivo (~pu ou ~su)SingulariquiiipaipuDupla (~aqu)iquaquiuaquipequisuaquPlural (~a)iquaiuaipeisua

+ Pronomes demonstrativos no masculino singular- PertoMeioLongeIndefinidoExatoNeutrotuqu = tä+qu (esse)iqu (esse/aquele)hŋqu (alguém)qäqu (especificamente ele)Mesma alturanequ (esse aí)näŋu = n+ŋu (aquele ali)Acimayequ (esse aí em cima)yaŋu (aquele ali em cima)Abaixomequ ou biqu (esse aí em baixo)maŋu (aquele ali em baixo)

Eles também possuem a forma genitiva e empática, mas nesse caso os enclíticos são ~qä ou ~uä para a forma genitiva. Há situações em que cada forma é preferível, mas elas não são claras. A forma empática é similar àquela dos pronomes pessoais, mas ocorre com os enclíticos citados acima.

Pronomes de parentesco Os pronomes de parentesco são específicos a cada relação e aparecem apenas na forma dupla e no plural. Eles referem-se apenas ao tipo de parentesco, sem fazer distinção, por exemplo, entre as relações "eu e meu pai" ou "eu e meu filho".

Himbäquen (você e sua família): hi (2ª pessoa) + mb (relação entre pais e filhos) + qu (masculino/neutro) + en (2ª pessoa).

Substantivos Os substantivos (ou nomes) são a classe gramatical mais ampla na língua Menya. Elas podem subdividir-se em alguns grupos:

Substantivos simples Formas livres monomorfêmicas. Podem expressar uma ampla variedade de entidades: concretas e abstratas, comuns e próprias.

Exemplos: hikä — pedra, kŋŋuä — pensamento, Wopi — (nome de um rio)

Substantivos compostos Há aqueles que possuem mais de um radical, sendo formado pelos processos de: Composição por justaposição: não há mudança significativa das raízes que compõem o substantivo. Por exemplo, yä (árvore) + quwqä (folha) torna-se yäquwqä (folha de uma árvore) Composição por aglutinação: há mudanças nas raízes que compõem a palavra. Geralmente a primeira raiz é encurtada para a formação do substantivo composto. Por exemplo, buayä (batata doce) + quwäqä (folha) torna-se bequwäkä (folha de batata doce)

Substantivos derivados Em Menya, a derivação é somente do tipo deverbal, sendo ocasionada pela adição do enclítico ~qä. Seu principal uso é em frases verbais negativas. Por exemplo, tqä (falante) é composto por t (falar) + qä

Substantivos de parentesco Substantivos de parentesco são similares aos pronomes de parentesco, no sentido de que são específicas para cada tipo de relação. Eles geralmente necessitam de um prefixo concordando em pessoa gramatical (e número até certo ponto) com a pessoa à qual o referente é relacionado. Eles também podem vir acompanhados de enclíticos que especificam nome, número e gênero do referente. Quando o referente é a primeira pessoa, o prefixo geralmente não é utilizado.

apiqu (meu/nosso pai) — ap (pai) + iqu (masculino e singular)

qenuŋua (pais de vocês dois) — qe (vocês dois) + n (pai) + uŋua (plural e masculino)

Verbos A maior parte da complexidade morfológica da língua menya está contida nos verbos. Suas raízes podem possuir duas variações a depender de critérios fonológicos. Além disso, eles podem possuir até dois prefixos e sete sufixos e algumas propriedades como evidencialidade e tempo futuro não são parte da gramática, embora possam aparecer. Geralmente, eles seguem a seguinte fórmula:

Núcleo verbal = (polaridade) + (número e pessoa do afetado) + raiz + (valência) + (aspecto interno)

+ Estruturas verbais em menyaModo real finalnúcleo + (tempo/aspecto) + número e pessoa do ator + (modo)Modo irreal final 1núcleo + (aspecto) + número e pessoa do ator 1 + (n) + (ŋqä + número e pessoa do ator 2)Modo irreal final 2núcleo + (aspecto) + número e pessoa do ator 1 + (ni + número e pessoa do ator 2) + (ŋqä) + (modo)Modo real medial RDnúcleo + aspecto + número e pessoa do ator + (caso)Modo irreal medial RDnúcleo + aspecto + número e pessoa do ator + (tqä) + (subordinador)Modo real medial MDnúcleo + (ät) + número e pessoa do ator + (caso)Modo irreal media MDnúcleo + (aspecto) + número e pessoa do ator + qä + (subordinador)

As denominações final e medial dizem respeito a posição do verbo na sentença. As formas mais simples são as finais, coincidindo com a o ordenamento padrão de sentenças da língua Menya (SOV), enquanto as formas mediais são utilizadas para a construção de períodos compostos por subordinação e coordenação.Observações: Termos em parênteses são opcionais. RD e MR significam, respectivamente, referentes diferentes e mesmos referentes.

Núcleo verbal O prefixo de polaridade indica a polaridade (positiva ou negativa) e a certeza (forte ou fraca) de uma asserção. Ela pode ser dos tipos: