Libertinagem Erudita (do francês Libertinage Érudit) é um movimento intelectual do século XVII vertente do movimento libertino (libertinisme ou libertinage); uma categoria criada para agrupar uma tendência intelectual e cultural plural do fim do século XVII e início do século XVIII, além de um arranjo de autores de diversos estilos e ocupações — filósofos, poetas, médicos, acadêmicos. Esta é representada principalmente por Gabriel Naudé, François de La Mothe Le Vayer e, Pierre Gassendi. E possui inúmeras intersecções com o fenômeno de publicação e circulação de textos filosóficos clandestinos.
O termo libertino (do francês libertinisme, libertinage e, esprit fort) que significava inicialmente "livre-pensar", assume gradativamente um sentido pejorativo devido as polêmicas dos adeptos que foram considerados pessoas que rejeitavam a moralidade. Etimologicamente, deriva-se em última instância da palavra latina libertinus, que significa "escravo liberto". Essas transformações do termo foram devido os conflitos ideológicos da europeia ocidental neste período, do ímpeto libertino do século XVI à uma rejeição com o fortalecimento do conservadorismo no século XVIII.
Definição Os termos "libertino" e "libertinagem", originalmente do francês libertinisme, libertinage e, esprit fort, que significavam "livre-pensador" no início do século XVII, assumem gradativamente uma polissemia de sentidos sendo alguns com conotação pejorativa através de polêmicas que apresentam esses sujeitos como pessoas que rejeitavam a moralidade e tinham forte ênfase com a sexualidade. Uma definição cunhada pelo protestante francês João Calvino para ofender um grupo de opositores de suas políticas na cidade suiça de Genebra. Este grupo, liderado por Ami Perrin, argumentou contra a "insistência de Calvino de que a disciplina da igreja deveria ser aplicada uniformemente contra todos os membros da sociedade genebrina".
As sucessivas transformações semânticas do termo refletem os conflitos ideológicos que permeavam a sociedade europeia ocidental, expondo o ímpeto libertino no início do século XVI e seu posterior recuo diante do fortalecimento conservador, sendo quase que universalmente rejeitado no século XVIII, mesmo por pensadores materialistas.
Apesar de sua heterogeneidade, a libertinagem é filosoficamente marcada pela crítica e subversão da tradição moral e religiosa, promovendo ideias céticas, materialistas, anti-metafísicas e anti-teológicas. O aspecto erudito dessa cultura se manifesta no amplo uso de referências antigas e renascentistas, citações e doxografias. Teve por efeito revigorar o interesse por um número de autores latino, como Plutarco e Luciano, principalmente pela crítica da superstição em ambos, além de alçar pensadores como Epicuro, Lucrécio e Sexto Empírico a um novo grau de relevância filosófica enquanto alternativas ao aristotelismo escolástico. Os autores libertinos promoveram reinterpretações da cultura antiga distintas da imagem estabelecida pelo humanismo, enfatizando o caráter ateísta, cético e materialista desse passado. Entre as influências mais recentes, por outro lado, podem ser listados autores renascentistas como Pietro Pomponazzi, Maquiavel, Montaigne, Girolamo Cardano e Jean Bodin, como também Pierre Charron e Lucilio Vanini, antecessores diretos da primeira geração de libertinos.
De acordo com o crítico literário René Pintard: "a libertinagem, em especial na sua manifestação erudita, dispensa uma definição precisa e prescinde de classificações exaustivas oriundas de análises criteriosas."
Didier Foucault e Péter Nagy informam a dificuldade em definir precisamente o libertino devido a polissemia de sentidos deste termo. Mas Nagy sugere que: este termo é um movimento filosófico, uma conduta humana e, também uma corrente literária e, Foucault sugere que: este termo aparece em sociedades onde o cristianismo tenta padronizar o comportamento/pensamento das pessoas, então a libertinagem (de idéias ou de moral) seria uma forma de resistência a uma padronização cristã; criticar os dogmas com o uso da liberdade de pensamento.
Temas Esta vertente intelectual do movimento libertino aborda os seguintes temas:
liberdade de pensamento; hedonismo regrado; contra dogmas religiosas, e; Perspectivas contra-hegemônicas sobre a essência humana.
Representantes
Lucilio Vanini Lucilio Vanini ou Giulio Cesare Vanini (1585 – 1619), foi um filósofo, médico e livre pensador italiano. Um dos primeiros pensadores modernos a enxergar o universo regido por leis naturais (determinismo causal) e, um dos primeiros defensores da evolução biológica entre humanos e macacos.
La Mothe Le Vayer
Gabriel Naudé Gabriel Naudé (1600 — 1653) foi um escritor político e bibliotecário francês.
Guy Patin Guy Patin (1601 1672) foi médico, cirurgião e, literato francês.
Em Portugual O poeta português Bocage e outros poetas contemporâneos enfrentaram a censura devido serem considerados representantes da poesia libertina em Portugal, assim suas obra circularam clandestinamente ou permaneceram desconhecidas até início do século XIX.
Bibliografia
Categoria:Libertinagem Categoria:Iluminismo