O Comércio do Porto foi um jornal português, fundado no Porto em 2 de junho de 1854. Quando se deixou de publicar, em 2005, era o segundo mais antigo jornal português, a seguir ao Açoriano Oriental.

História thumb|Antigo edifício do jornal, na Avenida dos Aliados, dos arquitetos Rogério de Azevedo e Baltazar Castro|esquerdaO Comércio do Porto saiu pela primeira vez para as bancas com a designação "O Commercio" e com uma publicação trissemanal: às segundas, quartas e sextas-feiras. Vendia-se a 40 réis e veio satisfazer a "necessidade sentida na praça do Porto dum jornal de commercio, agricultura e industria, onde se tratem as matérias economicas, historicas e instructivas", segundo o primeiro editorial. Os fundadores foram Henrique Carlos Miranda e Manuel Sousa Carqueja. miniaturadaimagem|Plaqueta da Rua do Comércio do Porto, para onde o jornal se mudou por volta de 1857. Em janeiro de 1855 passou a diário e, em 1856, adoptou a designação O Comércio do Porto que manteve até ao fim. Por volta dessa altura, instalou-se na rua da Ferraria de Baixo, que acabaria por ser rebatizada como Rua do Comércio do Porto.

Em 1884, Manuel Sousa Carqueja faleceu, tendo sido substituído pelo sobrinho, Bento Carqueja, que marcou uma orientação benemérita do jornal, tendo contribuído para a construção de habitação social, para o apoio às vítimas de calamidades e de epidemias.

Ainda no século XIX, o jornal foi um dos primeiros a ter correspondentes no estrangeiro, tendo chegado a ter repórteres no Brasil e Japão.

Em 1930, o jornal passou a ter sede num edifício na Avenida dos Aliados, da autoria dos arquitetos Baltazar Castro e Rogério de Azevedo, integrada na arquitetura modernista e Art Déco da época. O edifício, assim como a garagem adjacente, estão classificados como Monumento de Interesse Público.

Ao longo da sua história, contou com a colaboração de figuras como: Carolina Michaëlis, Guerra Junqueiro, António Carneiro, o rei D. Carlos (que contribuiu com ilustrações) e a rainha D. Amélia, João de Deus, Bordalo Pinheiro, José Malhoa, Vianna da Motta, Moreira de Sá, Roque Gameiro, Alfredo Keil, João Arroyo, Salvador Barata Feyo, A. Santos Martins e muitos outros. Camilo Castelo Branco foi uma das principais figuras que contribuiu para o jornal, através de folhetins, assim como Teixeira de Pascoaes e Ramalho Ortigão.

O jornal acompanhou vários acontecimentos dos séculos XIX e XX, como a Primeira Guerra Mundial, entre outros, e foi considerado pelo jornalista Armando Pereira da Silva como "uma atmosfera de liberdade verdadeiramente invulgar no período anterior ao 25 de Abril". Um dos exemplos era o suplemento Cultura e Arte, que contava com forte participação de opositores ao Estado Novo, como António José Saraiva, Fernando Guimarães, Eduardo Lourenço, José Régio, Óscar Lopes, Jorge Listopad, Joel Serrão, entre outros.

Após o 25 de abril, em pleno Processo Revolucionário em Curso, chegou a imprimir 120 mil cópias. Em 1986, tornou-se no primeiro jornal do país com uma redação informatizada.

Nos anos 90 teve uma contínua descida das tiragens e, em 2001, foi vendido ao grupo espanhol Prensa Ibérica. Apesar da tentativa de viabilização empreendida pelos seus novos proprietários, o jornal acabou por não se revelar economicamente viável.

A sua última edição foi impressa em 30 de Julho de 2005.

Espólio O espólio do jornal foi entregue à Câmara de Vila Nova de Gaia em novembro de 2008, após o grupo espanhol Prensa Ibérica ter negociado com a autarquia a concessão dos arquivos.

Inicialmente por 10 anos, a concessão mantém-se até hoje, estando, no entanto, disperso o espólio não publicado, como o arquivo fotográfico.

Suplementos Um dos suplementos mais conhecido foi o Comércio do Porto Ilustrado, publicado anualmente na altura do Natal entre 1893 e 1924, que incluía fotogravuras e textos. Contou com as contribuições do Rei D. Carlos e a Rainha D. Amélia, Guerra Junqueiro, Mouzinho de Albuquerque, Júlio Dantas, entre outros.

Também contou com o suplemento literário Cultura e Arte, um agrícola O Lavrador, e com uma edição para as então colónias.

Ligações externas

Site oficial (arquivado) O Comércio do Porto no site do Arquivo Municipal de Gaia

Categoria:Jornais extintos de Portugal Categoria:Jornais em língua portuguesa Categoria:Média do Grande Porto Categoria:Fundações em Portugal em 1854 Categoria:Extinções em Portugal em 2005