A arraia-de-colares (nome científico: Fontitrygon colarensis) é uma espécie de raia tropical da família dos dasiatídeos (Dasyatidae), nativa das águas salobras rasas do estuário do rio Amazonas, no norte do Brasil. Habita baías costeiras durante a estação seca e se afasta da costa na estação chuvosa. É caracterizada por um disco de barbatana peitoral romboide, focinho alongado e uma faixa escura no lábio inferior. Uma espécie razoavelmente grande, com os machos e fêmeas atingindo larguras de disco de 63 centímetros (25 polegadas) e 91 centímetros (36 polegadas) respectivamente. As fêmeas dão à luz de 1 – 4 filhotes, possivelmente anualmente. A arraia-de-colares é visada e capturada como captura incidental pela pesca artesanal e comercial brasileira; essas pressões, juntamente com seu pequeno alcance e baixa taxa reprodutiva, levaram a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN / IUCN) a listar essa espécie como criticamente ameaçada de extinção.
Etimologia
Raia deriva do latim rāia ou rāja,ae em sentido literal. Foi registrada pela primeira vez no como raya.Grande Dicionário Houaiss, verbete raia Arraia é uma provável forma protética, fruto da aglutinação do substantivo com o artigo definido a. Nessa forma, ocorreu pela primeira vez em 1367 como arraya.Grande Dicionário Houaiss, verbete arraia
Taxonomia A arraia-de-colares foi descrita por Hugo Ricardo Secioso Santos, Ulisses Leite Gomes e Patricia Charvet-Almeida em 2004, na revista científica Zootaxa. O epíteto específico refere-se à ilha de Colares, na baía de Marajó, onde o espécime-tipo, um macho com 2,07 metros (6,8 pés) e com maturidade sexual, foi capturado. Originalmente, a espécie foi classificada dentro do gênero Dasyatis, mas numa reavaliação conduzida em 2016, foi atribuída ao gênero Fontitrygon.
Distribuição e habitat A distribuição da arraia-de-colares parece restrita à foz do Rio Amazonas, no norte do Brasil, na área estuarina afetada pela descarga de água doce do rio; também pode ocorrer em áreas adjacentes até a Venezuela. Encontrada a uma profundidade de seis metros (20 pés), realiza movimentos anuais que são influenciados pela salinidade: na estação seca é encontrada nas baías costeiras como Marajó, enquanto na estação chuvosa sai das baías e se desloca para o mar.
Descrição A arraia-de-colares tem disco de barbatana peitoral em forma de diamante tão longo quanto largo, com margens arredondadas e um focinho longo que se afunila numa ponta. O focinho da fêmea é mais curto que o do macho, e as bordas do focinho mergulham ligeiramente perto da ponta. Os olhos são pequenos e seguidos por grandes espiráculos. Há uma aba de pele entre as narinas com uma margem posterior franjada e cantos arredondados. O lábio inferior é em forma de arco e forrado por uma distinta faixa reta e escura. A dentição é sexualmente dimórfica: os machos têm dentes pontiagudos e recurvados em 43-45 fileiras de dentes superiores e 45-60 fileiras de dentes inferiores, enquanto as fêmeas têm dentes de coroa plana em 66-77 fileiras de dentes superiores e 75-77 fileiras de dentes inferiores. Existem três-quatro papilas numa fileira transversal no assoalho da boca, que podem ter pontas bifurcadas. As nadadeiras pélvicas são triangulares, com as pontas pontiagudas se estendendo além do disco. A cauda é longa e semelhante a um chicote, medindo mais de duas vezes o comprimento do disco.
Pequenos tubérculos achatados são dispostos aleatoriamente ao longo da linha média dorsal da base da cauda até entre os olhos, afinando em direção à ponta do focinho. As fêmeas também têm tubérculos na parte inferior. A coloração dorsal é marrom-claro uniforme, tornando-se mais escura na cauda e nos clásperes (nos machos), e com margem posterior clara nas nadadeiras pélvicas. A parte inferior é pálida, escurecendo em direção às margens das nadadeiras. Os machos atingem 2,07 metros (6,8 pés) de comprimento e 63 centímetros (25 pés) de largura, enquanto as fêmeas atingem 2,61 metros (8,6 pés) de comprimento e 91 centímetros (36 pés) transversalmente.
Biologia e ecologia Tal como outras arraias, é vivípara aplacentária; apenas fêmeas recentemente emprenhadas podem ser encontradas na costa, sugerindo que os movimentos anuais desta espécie podem estar relacionados com a reprodução. Os tamanhos de ninhada observados variam de um a quatro, e o ciclo reprodutivo pode durar um ano.
Conservação A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) avaliou a arraia-de-colares como criticamente ameaçada, citando sua distribuição geográfica limitada, provavelmente baixa taxa reprodutiva e suscetibilidade a equipamentos de pesca. Esta espécie é abundante na Baía de Marajó durante a estação seca. É capturada de modo acidental na pesca artesanal e comercial visando o bagre no estuário do Amazonas. Além disso, embarcações de pesca industrial do Pará começaram a pescar diretamente essa espécie na década de 2000, com suas capturas sendo exportadas para a Europa. A UICN recomendou que o Brasil implementasse esquemas de conservação de habitat e manejo pesqueiro. Em 2007, a espécie foi classificada como vulnerável na Lista de espécies de flora e fauna ameaçadas de extinção do Estado do Pará; como vulnerável na Portaria MMA N.º 444 de 17 de dezembro de 2014; em 2018, como vulnerável no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); e como vulnerável no anexo três (peixes) da Lista Oficial da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção da Portaria MMA Nº 148, de 7 de junho de 2022
Categoria:Peixes descritos em 2004 Categoria:Peixes endêmicos do Brasil Categoria:Fontitrygon Categoria:Espécies citadas na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção Categoria:Espécies citadas na Portaria MMA N.º 148 Categoria:Espécies citadas na lista Extinção Zero do Pará Categoria:Espécies citadas no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção