Maly Weisenblum é uma pianista, cravista e professora brasileira. Por muitos anos foi professora na UFRGS, apresentou-se como solista com as principais orquestras brasileiras e desenvolveu uma ativa carreira como camerista.

Carreira

Natural de Porto Alegre, iniciou seus estudos musicais ainda criança, sendo aluna de piano de Demóphilo Xavier e Natho Henn.Martins, Ruth. "Maly Weisenblum e sua arte maravilhosa". Jornal do Dia, 26/05/1963, p. 2 Em 1949 passou a estudar com Ilse Woebcke, recebendo também lições de harmonia e contraponto de Ênio de Freitas e Castro."Pianista Maly Weisenblum". Diário de Notícias, 19/05/1955, p. 9 Em seguida fez cursos de curta duração com Hugo Balán, Hans Graf, Karl Schnabel, Hans-Joachim Koellreuter, Tomás Terán, Walter Gieseking e Sebastian Benda. A convite de Benda, em 1955 participou do Festival Bach-Mozart na Bahia como co-solista do Concerto para dois pianos de Mozart, sob a regência de Koellreuter.

Ainda em 1955 fez sua estréia como concertista em Porto Alegre, interpretando o Concerto para piano nº 3 de Beethoven, acompanhada pela OSPA, que segundo o Diário de Notícias foi "um dos grandes sucessos artísticos do ano"."Teatro e Rádio". Diário de Notícias, 24/08/1955 O crítico Paulo do Couto e Silva elogiou sua técnica segura, excelente sonoridade, fraseado correto e alto acabamento nos detalhes; sua performance surpreendia e muito se devia esperar dela no futuro.Silva, Paulo do Couto e. "A OSPA e Maly Weisenblum". Diário de Notícias, 26/05/1955, p. 9 O crítico Angelo Guido louvou seu "elevado e nobre estilo pianístico, absolutamente séria, equilibrada e cheia de calor, sem o mínimo laivo de afetação, rica de compreensão e mergulhada em atmosfera de espiritualidade e encanto", sendo uma intérprete digna das altas exigências da peça, concluindo que "quem ouviu a jovem intérprete no concerto de segunda-feira e viu com que arrebatamento foi aplaudida, [...] mais tarde dela há de lembrar-se, quando o nome de Maly Weisenblum, projetado além das fronteiras do país, brilhar em grandes centros musicais do Velho Mundo".Guido, Angelo. "Maly Weisenblum". Diário de Notícias, 29/05/1955, p. 9

A convite do professor Hans Graf, dirigiu-se para a Europa, aperfeiçoando-se na Academia de Viena, onde foi aluna de Bruno Seidlhofer, graduando-se com nota máxima."Maly Weisenblum pela Pró-Arte". Diário de Notícias, 26/05/1963, p. 6 Fez várias apresentações em Viena e cursos no Mozarteum de Salzburgo, onde também se apresentou. Na Academia Chigiana de Siena especializou-se em música de câmara. Recebeu o primeiro prêmio em música de câmara em concurso do Conservatório Real de Música de Bruxelas.

Estava de volta ao Brasil em fins de 1958, realizando concertos com a OSPA em Porto Alegre e recitais em Salvador, Recife, Natal e São Paulo, além de aparecer em programas de rádio e televisão. O compositor e musicólogo Bruno Kiefer escreveu em 1959 dizendo-se surpreendido com os progressos que fizera na Europa, tendo se tornado "uma artista, no sentido mais autêntico da palavra", chegando "àquela fase em que o intérprete já possui todos os pressupostos para estar em completa identificação com a obra", e alcançando "um nível jamais atingido por um pianista porto-alegrense".Kiefer, Bruno. "Maly Weisenblum". Diário de Notícias, 05/05/1959, p. 5 Em 1960 o Jornal do Dia a chamava de "uma das mais brilhantes figuras do mundo artístico gaúcho"."Noticiário local". Jornal do Dia, 27/07/1960, p. 9 No mesmo ano o crítico carioca Ayres de Andrade a considerou "intérprete de invulgares recursos, quer de técnica, quer de expressividade. [...] Tudo o que ela fez ao piano trazia impresso um cunho de intensa musicalidade".Andrade, Ayres de. "Eliminatórias do Concurso de Piano". O Jornal, 19/09/1959, p. 2

Na década de 1960 fez numerosas apresentações nas principais cidades brasileiras, recebendo muitos elogios. Foi chamada pelo jornal A Tribuna de São Paulo de "festejada pianista patrícia", "uma das mais destacadas virtuoses do teclado do sul do país e dos meios artísticos nacionais","Artes e Artistas". A Tribuna, 16/02/1966, p. 7 o Jornal do Brasil do Rio de Janeiro a chamou de "grande musicista","Música, capital Curitiba". Jornal do Brasil, 11/10/1966, Caderno B, p. 5 o Diário de Notícias de Porto Alegre destacou a "brilhante carreira" que vinha fazendo diante "das mais exigentes plateias","Maly Weisenblum com a OSPA para estudantes". Diário de Notícias, 03/06/1960, p. 10 e o Jornal do Dia de Porto Alegre assinalou o "tanto sucesso que tem alcançado dentro e fora de nossas fronteiras"."Notas de arte". Jornal do Dia, 01/04/1962, p. 7 No II Festival Internacional de Música do Paraná em 1966 foi professora e recitalista, e fez o recital de abertura do III Festival em 1967."Alunos do curso de música vão à Alemanha". Diário do Paraná, 05/01/1967, 1º Caderno, p. 1 Relembrando em 1970 sua participação no III Festival, a crítica Marisa Sampaio a chamou de "grande artista do teclado".Sampaio, Marisa Ferraro. "A música por compromisso". Diário do Paraná, 13/09/1970, 2º Caderno, p. 11 Em 1974 foi membro do júri do Concurso Nacional de Piano Natho Henn de Porto Alegre.Sampaio, Marisa Ferraro. "Martina Graf". Diário do Paraná, 30/06/1974, p. 10

Em 1965 foi contratada pelo Instituto Santa Cecília de São Paulo para coordenar o curso de interpretação pianística,"Pianista Maly Weisenblum no Instituto Musical Santa Cecília". A Tribuna, 23/12/1965, 1º Caderno, p. 13 já dava aulas em Porto Alegre, e depois lecionou por muitos anos no Departamento de Música do Instituto de Artes da UFRGS, quando sua carreira como concertista passou para segundo plano. Embora ocasionalmente ainda atuasse como solista com orquestras, permaneceu ativa nos palcos principalmente como camerista e, a partir de 1985, como membro estável da Orquestra de Câmara do Theatro São Pedro, onde atuou como cravista."Música da câmara na Casa da Cultura". Pioneiro, 01/11/1994, Caderno Sete Dias, p. 3 Em 1990 formou um duo com o flautista Ayres Potthoff que permaneceu ativo por dez anos, apresentando-se na França, Alemanha, República Tcheca e Noruega, interpretando obras de compositores europeus e brasileiros."Flauta e piano em recital na UCS". Pioneiro, 18/08/2000, Caderno Sete Dias, p. 1"Música". Folha do Sul, 18/08/2000, p. 3 Formou muitos alunos e aposentou-se no Instituto de Artes em 2006.Antônio, Luiz. "Música em Pessoa: Maly Weisenblum". Rádio da UFRGS, 10/06/2010

Gravou LPs com obras de Armando Albuquerque e Bruno Kiefer,"Música erudita toma os palcos da cidade". Correio de Notícias, 21/10/1986, p. 18 elogiada por Edino Krieger por sua interpretação de obras de Kiefer, Krieger, Edino. "Colóquio: obras de Bruno Kiefer". In: Brasiliana, 2005 (21) e em 2000 lançou o CD Recital com Ayres Potthoff, com obras de Bach, Mozart e Beethoven."Flauta e piano em recital na UCS". Pioneiro, 18/08/2000, p. 8

Bruno Kiefer dedicou-lhe uma sonata. Foi um dos três recipientes da dedicatória de um livro do filósofo Ricardo Timm de Souza lançado pela editora da PUCRS, dizendo que ela "faz da arte uma pedagogia da dignidade humana".Souza, Ricardo Timm de. Razões Plurais: itinerários da racionalidade ética no século XX: Adorno, Bergson, Derrida, Levinas, Rosenzweig. EDIPUCRS, 2004, p. 8 Para o músico e historiador Rogério Ratner, Maly Weisenblum é um dos artistas de origem judaica que deram contribuições de grande importância à música do estado,Ratner, Rogério. "A contribuição judaica à música gaúcha". Judaismo Humanista, 27/10/2009 e a pesquisadora Liliana Andrade a chamou de "proeminente pianista de Porto Alegre".Andrade, Liliana Michelsen de. O primeiro movimento da Sonata II para piano solo de Bruno Kiefer: uma análise interpretativa. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2007, p. 18 Em 2016 foi homenageada pela UFRGS no Seminário Grandes Mestres da UFRGS como um dos professores que "contribuíram significativamente para o desenvolvimento das áreas da Música e das Artes Cênicas da Universidade"."Painel destaca trajetória de docentes pioneiros do Instituto de Artes". Notícias UFRGS, 17/10/2016

Ver também História da música erudita em Porto Alegre

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