A Coleção de Cerâmica Tapajônica de Belém é composta de 1.444 peças, que se encontram sob guarda do Museu do Estado do Pará (MEP). O conjunto foi tombado como patrimônio cultural do estado do Pará pelo DPHAC, em 2005.

Composição A Coleção de Cerâmica Tapajônica de Belém é composta de 1.444 peças relacionadas à cultura e ao cotidiano das populações indígenas dos Tapajós, que habitavam o Oeste do Pará (ao longo dos Rios Tapajós e Amazonas), no período pré-colonial. 81 das peças estão completas e as outras 1.363 são fragmentos. São consideradas alguns dos artefatos arqueológicos mais antigos das Américas.⁣

"O material descoberto revela-se bastante diverso, mas pela complexidade nos ornamentos é associado a práticas ritualísticas, algumas comprovadamente relacionadas ao tratamento que se dava aos mortos".Priante, Wagner Penedo. A cerâmica dos Tapajó e o desejo de formas : estudo de peças cerâmicas arqueológicas mirando potências criativas. 2016. Dissertação (Mestrado em Artes) – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Instituto de Artes, São Paulo, 2016. Acesso em: 01-05-2023. Quanto à aparência, geralmente retratam figuras em forma de humanos (antropomorfismo) ou de animais (zoomorfismo); além disso, geralmente tem "cor ocre, temperadas com cauixi, cacos, rochas, areia e cariapé". Destacam-se as seguintes peças:

Vasos; Vasos de gargalo, Vasos globulares, e Vasos cariátides. Estatuetas humanas; Mulheres em pé (muitas vezes grávidas) com base semilunar, e Homens sentados. Cachimbos angulares inspirados na flora regional; Pratos, tigelas e vasilhas com base e/ou alças; e Apitos.

Histórico No início do século XX, vasto material arqueológico passou a ser encontrado pelas ruas da cidade de Santarém, no interior do Pará, por conta da erosão provocada por chuvas e da ocupação das terras para produção agrícola. A população passou a recolher o material e apelidou as peças de ‘caretas’, porque predominavam cabeças de bichos e formas humana esquisitas.

Entre 1923 e 1926, Curt Nimuendajú (etnólogo de origem alemã que percorreu o Brasil em meio aos índios por mais de quarenta anos) localizou 65 sítios arqueológicos em Santarém. Seus manuscritos sobre os Tapajó e os achados cerâmicos foi publicado em alemão em 1939, com o título Die Tapajó. Sobre os achados, ele comenta haver um grande sítio no bairro Aldeia (sobretudo na Rua da Alegria), pois o bairro estaria sobre um sítio habitado pela população indígena no período da colonização da região. Apesar de 200 anos terem se passado com intenso tráfego de pessoas, animais e veículos "esmagando essa superfície diariamente", ele comenta sua surpresa por encontrar peças cerâmicas em tão bom estado.

As peças que hoje compõem a Coleção de Cerâmica Tapajônica foram compradas pelo Governo do Estado do Pará de um morador da cidade de Santarém, Geraldo Caetano Corrêa Sobrinho, que era colecionador.

Tombamento Por sua importância histórica e cultural, a coleção foi tombada como patrimônio cultural do estado do Pará pelo Departamento de Patrimônio Histórico Artístico e Cultural (DPHAC), em 28 de abril de 2005. Está inscrita no Livro do Tombo do Patrimônio Arqueológico e Antropológico (de número 2).

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