Biojoias, que também podem ser conhecidas como ecojoias ou joias naturais, são acessórios desenvolvidos a partir de materiais orgânicos disponíveis na natureza.
Os brincos, pingentes, anéis e outros adornos são feitos de forma artesanal utilizando distintas partes de plantas e passam por um tratamento que envolve sua desidratação e preparação para se tornar uma obra de design com fins estéticos. As matérias-primas podem ter origem nos mais diversos biomas. No caso do Brasil se destacam a Amazônia, o Cerrado e a Mata Atlântica.
Devido aos materiais utilizados na sua produção e ao fato dela ser feita em geral de forma artesanal, a confecção de biojoias pode ser uma opção de desenvolvimento econômico social e ambientalmente sustentável. Só no Pará se estima que em 2021 tenham se comercializado cerca de R$ 4,4 milhões, segundo dados do Instituto de Gemas e Joias da Amazônia (Igama).
Governos locais, estaduais e organizações não-governamentais apoiam portanto várias iniciativas de produção de biojoais, como o projeto "Preciosidades da Amazônia", desenvolvido por artesãs de Parauapebas, no sudeste do Pará. Ou a iniciativa do Instituto Federal do Pará Campus Ananindeua, que apoia a produção e comercialização das biojoias por mulheres quilombolas de Abacatal, nas proximidades do instituto. Essa possibilidade de gerar renda para mulheres em situação de vulnerabilidade social é outro aspecto valorizado. As populações tradicionais dos biomas fonte das matérias-primas são outro grupo que se pode beneficiar com o envolvimento na confecção e comercio das biojoias, dado seu conhecimento dos materiais necessários para a elaboração dos adornos. Da mesma forma que diversos povos indígenas, como os Ticuna do Amazonas, Krahô do Tocantins e os Yanomami de Roraima, entre outros, em cujas comunidades há artesãos que integram redes de produção das biojoias, comercializadas em plataformas online.
Matérias-primas miniaturadaimagem|Sementes de tento-carolina. Como já referido, há uma grande diversidade de materiais orgânicos que podem ser utilizados na produção de biojoias. Podemos destacar os seguintes:
A semente de jarina (Phytelephas macrocarpa), que por suas características aptas ao uso na confecção de biojoias (como brilho e maleabilidade) e semelhança com o marfim, é objeto de pesquisas, como a realizada por geólogos da Universidade Federal do Pará. Sementes de tucumã (Astrocaryum aculeatum Meyer) e murumuru (Astrocaryum murumuru). Sementes de tento-carolina (Adenathera pavonina), de cores fortes e textura atraente. Caroços de açaí (Euterpe oleracea), utilizados para fazer colares, por exemplo. Sementes de inajá (Attalea maripa), bacaba (Oenocarpus bacaba) e olho de boi (Mucuna urens). Sementes de paxiúba (Socratea exorrhiza). Coco de Piaçava (Attalea funifera Martius), endêmica da Mata Atlântica. Sementes de olho de cabra (Ormosia fastigiata) e carrapicho-do-mato (Urena lobata) e folhas de minurinha (Chamaecrista orbiculata), típicas do Cerrado. Pele de tilápia (Pseudocrenilabrinae), um interessante caso de biojoia que não se baseia em partes de alguma planta. Também se podem utilizar peles de pescada-amarela (Cynoscion acoupa), tainha (Mugilidae), corvina e gó (Cynoscion microlepidotus), como em projeto mantido por pescadores de Bragança, com tecnologia desenvolvida por um aluno do curso de Engenharia da Pesca da Universidade Federal do Pará (UFPA). Chifre lapidado de boi (Bos taurus), exemplo de biojoia inspirada no bioma do Pantanal. Algumas artesãs que trabalham com biojoias: Maira Bello, artista indígena do povo Mura, a paraense Jacilene do Amor Divino, o paranaense Gabriel Virmond e a designer manauara Maria Oiticica.
Beneficiamento Para estarem aptas a se manterem preservadas e poderem ser comercializadas, os materiais orgânicos utilizados para a confecção de biojoias podem passar por uma série de processos tais como a extração (que deve ser cuidadosa), a seleção, a esterilização, a polimerização ou desidratação, um banho de cobre e talvez outro de prata ou ouro.
Distribuição e comercialização Além das já citadas plataformas online, como a do Movimento das Mulheres das Ilhas de Belém (MMIB), os adornos podem ser vendidos em feiras de artesanato, como a que acontece todos os anos paralela ao Círio de Nazaré, em Belém. Biojoias também são vendidas como artigos de luxo, como é o caso daquelas da grife de Maria Oiticica, cujas lojas estão em shoppings de luxo e aeroportos.
Já na Casa do Artesão de Cuiabá podem ser vistos alguns exemplos de biojoias feitas com sementes da região.
Referências
Ligações Externas Lista de algumas marcas de biojoias.
Site do Grupo de Artesanato de biojoias do Movimento das Mulheres das Ilhas de Belém (MMIB).
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