O Terrorista de Nova Iguaçu foi um criminoso responsável por uma série de atentados com bombas caseiras durante os anos de 1985 e 1987, respectivamente, em dois clubes, um cinema em um shopping center e em um supermercado Sendas, no município de Nova Iguaçu no Rio de Janeiro.

Numa reportagem do Jornal do Brasil de 17 de outubro de 1986 intitulada "Terrorista de Nova Iguaçu é contra rock", poucos dias após a explosão de uma bomba caseira no Cinema Center I do Shopping Iguatemi, um bilhete escrito em código de sinais marítimos e assinado com as iniciais NL, foi encontrado e traduzido, revelando que o criminoso supostamente era um "apreciador de música lenta" e estaria revoltado com os clubes da Baixada Fluminense que tocavam músicas do gênero rock nos bailes de fim de semana.Terrorista de Nova Iguaçu é contra rock, Jornal do Brasil (17 de outubro de 1986)Adversário do "rock" se diz autor de atentados, Jornal do Brasil (17 de outubro de 1986)

Nielsen Barros Louzada foi a única pessoa a ser presa e acusada de ser o autor da explosão num baile do Mesquita Tênis Clube no ano de 1985,Rádio-bomba explode no ouvido do rapaz, Jornal dos Sports (13 de agosto de 1985) que matou Otacílio Alexandrino Pinheiro, de 23 anos, um torneiro mecânico e ex-goleiro do Bandeirantes,BAIXADA, Jornal dos Sports (20 de agosto de 1985) "Antes do jogo foi observado um minuto de silêncio pelo falecimento do ex-goleiro do Bandeirantes, Juca (Otacílio Alexandrino Pinheiro), ocorrido no dia 11 deste mês no Tênis Club de Mesquita, em virtude da explosão de um rádio-bomba..." e cegando um amigo seu. Porém, Nielsen já estava respondendo a processo na 4º Vara Criminal de Nova Iguaçu quando ocorreu a explosão no Cinema Center I em 1986, no Shopping Iguatemi,Bomba em cinema fere três, Jornal do Brasil (6 de outubro de 1986)Bomba fere três em cinema de Nova Iguaçu, Jornal do Brasil (6 de outubro de 1986) e afirmou que seu nome estaria envolvido no caso por inimigos políticos de seu pai, o ex-deputado Nielsen Louzada.

Devido a escassez de reportagens sobre o caso, é presumido que o Terrorista de Nova Iguaçu ainda não tenha sido identificado, ou possa estar falecido ou preso. Um outro maníaco, que estava praticando atentados a bomba na Zona Norte do Rio de Janeiro, teria feito 12 atentados com vários feridos. Um eletricista de 22 anos foi preso pela políciaEletricista pode ser autor de 12 atentados, O Fluminense (12 de julho de 1988) e teria sido investigado se ele possuía ligações com o maníaco da Zona Norte. Devido a essa escassez de reportagens sobre o desfecho dessa investigação e a incerteza se o maníaco da Zona Norte seria o Terrorista de Nova Iguaçu, tampouco se os dois criminosos terem sido identificados ou presos, é presumido que ambos casos ainda não tenham sido solucionados.

Primeiro atentado miniaturadaimagem|Nova Iguaçu, Rio de Janeiro Pela madrugada do dia 12 de agosto de 1985, ocorreu uma explosão dentro do Mesquita Tênis Clube, localizado na Rua Arthur de Oliveira Vecchi, em Mesquita, causando a morte do torneiro mecânico e ex-goleiro Otacílio Alexandrino Pinheiro de 23 anos. Aproximadamente duas mil pessoas dançavam no local ao som da Equipe Charles Discoteca quando ocorreu a explosão. Apesar da explosão, não houve pânico, segundo informação da diretoria, frisando ainda que caso ocorresse, resultaria em tumulto e pisoteamento durante a fuga.

Informações iniciais da investigação da explosão, apurada pelo delegado Dennis Rupert e Claudete Oliveira da Silva, uma das feridas, revelou que o rádio foi entregue a Otacílio por um homem de meia-idade, branco e baixo, com bigode e que trajava calça de brim azul e camisa quadriculada e seria conhecido de Otacílio. O indivíduo saiu em seguida rapidamente. Ao pegar o rádio com a mão esquerda, Otacílio levou o artefato para o ouvido esquerdo e com a sua mão direita girou o dial para mudar de estação, causando a explosão do artefato. Otacílio, que estava junto a um grupo de amigos próximo ao palco, foi atingido em cheio pela bomba.

A violenta explosão dilacerou o braço de Otacílio, bem como desfigurou seu rosto, e uma parte da arcada dentária foi arremessada à distância junto com outros pedaços do corpo, e sua massa encefálica ficou grudada ao teto do ginásio. O autor do atentado teria sumido do local e, segundo frequentadores, chegou a ser procurado por um grupo de rapazes, mas escapou.

Otacílio era um frequentador do Mesquita e era conhecido por todos os outros frequentadores. Ricardo Pinheiro, seu irmão, estava dormindo na hora do atentado e foi avisado do fato, enquanto seu pai, João Batista Pinheiro, de 54 anos, teve um ataque cardíaco e passou mal, sendo internado na Casa de Saúde Nossa Senhora de Fátima, em Nova Iguaçu. Amigos de Otacílio protestaram à porta do clube, exigindo que a determinação dos diretores é que os frequentadores teriam de ser revistados pelos seguranças, pois aparentemente alguns não sofriam revista.

No dia 17 de agosto de 1985, o Jornal dos Sports noticiou a prisão do radioperador da Secretaria de Polícia Civil, Nielsen Barros Louzada, filho do ex-deputado Nielsen Louzada, em conexão com a explosão do Mesquita Tênis Clube.Policial preso no caso da bomba-rádio, Jornal dos Sports (17 de agosto de 1985) Nielsen foi encaminhado à Delegacia de Homicídios, e o delegado Wanderlei José da SilveiraDelegado que intimou 6 banqueiros de bicho é afastado da Homicídios, Jornal do Brasil (12 de dezembro de 1985) se deslocou a Baixada para escutar depoimentos de duas vítimas do atentado, que estavam internadas no Hospital Nossa Senhora de Fátima. O delegado Wanderlei foi exonerado da delegacia de Homicídios em decorrência de uma intimação a banqueiros do jogo do bicho.

Apesar do sigilo durante as diligências do caso e como não foram dadas informações na Delegacia de Homicídios, a reportagem do Jornal dos Sports especulou que o fato seria possivelmente uma rivalidade entre o Mesquita Futebol Clube e do Mesquita Tênis Clube, o primeiro sendo dirigido pelo pai de Nielsen. Também foi dito que Otacílio, a vítima fatal da explosão, era ligado a um grupo radioperador e que ele iria colocar o rádio-bomba no aparelho de som do Tênis Clube. O artefato foi descrito como "sofisticado" e de "procedência estrangeira", tendo o delegado solicitado exames periciais acurados.

Na época, suspeitou que Nielsen e Otacílio estariam envolvidos no atentado, suspeitando de implicação a um grupo na época conhecido como "grupo da Rua Marques", que estavam envolvidos em atos de violência na área.

Uma reportagem de o Jornal do Brasil de 7 de janeiro de 1986 sobre o atentado no Mesquita Futebol Clube menciona um pintor chamado Edson dos Santos que estava sendo investigado juntamente a Nielsen Barros, ambos acusados de colocar a bomba. Os dois foram ouvidos em juízo na 4ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, onde aguardavam a sentença.

O ex-deputado do PMDB e presidente do Mesquita Futebol Clube e pai de Nielsen Barros, Nielsen Louzada afirmou que "se alguém colocou uma bomba no meu clube, foi por inveja" e não acreditava em rivalidade. Nielsen também teria alegado que seu filho e o pintor Edson eram inocentes, e que teriam sido coagidos a confessar o atentado. "Obrigado a confessar o que não fez," e também afirmou que "nenhuma das testemunhas do incidente no Mesquita Tênis reconheceu meu filho. Naturalmente quem colocou a bomba no Tênis foi o mesmo que colocou a de ontem no meu clube."

Segundo atentado No dia 5 de janeiro de 1986, enquanto mais de três mil pessoas estavam no salão assistindo o show do cantor Tony Tornado no Mesquita Futebol Clube, localizado na Avenida Feliciano Sodré, ocorreu aproximadamente as 22 horas e 20 minutos uma explosão de uma bomba de fabricação caseira, causando ferimentos em oito pessoas, incluindo uma criança, que foram medicados na Casa de Saúde Nossa Senhora de Fátima, enquanto outros foram medicados na Casa de Saúde São José, em Mesquita.Guerra entre clube faz 8 vítimas - Explosão e pânico no salão do baile, Jornal dos Sports (7 de janeiro de 1986) A violenta explosão provocou pânico e correria entre os frequentadores, que desesperados, procuravam saída em meio ao pisoteamento de outras pessoas, temendo outra explosão.

Cinco minutos após o atentado, passavam em frente ao clube Três Patamos do Batalhão da Polícia Militar e um do Núcleo de Operações Especiais. O tenente Eraldo notou o tumulto na porta da agremiação e determinou que seus subordinados isolassem a área, enquanto ao mesmo tempo chegava o delegado titular Augusto Pires Batista e dois inspetores. Os diretores do clube tentaram desfazer o local, retirando estilhaços de metal e papelão, bem como parafusos e uma possível espoleta de bomba, que seriam do artefato, até mesmo tentando fazer o show prosseguir, mas sem êxito.Bomba explode durante show de Toni Tornado em clube de Mesquita e deixa 7 feridos, Jornal do Brasil (6 de janeiro de 1986) Um agente judiciário, Hernandes Freitas Soares, relatou ao delegado que teria sido agredido enquanto pedia socorro na portaria, exibindo sua carteira funcional, o que acarretou em agressões de dois seguranças, que o atiraram na calçada, dizendo "lugar de se morrer era na rua".

Após a explosão no Mesquita Futebol Clube, os policiais acreditaram que os atentados estariam ligados a uma guerra entre associados do Mesquita Futebol Clube, que tinha passado para a 1ª Divisão da Federação Fluminense de Futebol, que disputaria naquele ano o primeiro campeonato, com o seu rival, o Tênis Clube Mesquita. A explosão no Tênis Clube Mesquita, que vitimou Otacílio, foi insinuada que pessoas fiéis ao Mesquita Futebol Clube estariam envolvidas no atentado de 1985. A investigação sobre a explosão do Mesquita Futebol Clube estariam usando essa hipótese, mas não havia alguma pista concreta que reforçasse tais suspeitas. Os associados dos dois clubes, por sua parte, declararam assustados com os atentados.

Terceiro atentado No dia 5 de outubro de 1986, cerca de 300 pessoas estavam assistindo o filme O Homem da Capa Preta no cinema Center I no shopping Iguatemi, localizado na Avenida Marechal Floriano, em Nova Iguaçu, quando explodiu uma bomba de fabricação caseira por volta das 18 horas, ferindo três delas, duas com mais gravidade.

Policiais do Departamento de Investigações Especiais da Secretaria da Polícia Civil afirmaram que o artefato era de baixa potência e teria sido acionado por um sistema de corda de relógio. O artefato teria sido inserido embaixo de um assento da quinta fila, a partir da sala de projeção, localizada na entrada, ao lado direito da tela. O mecanismo teria sido acionado no final da sessão anterior. A explosão teria sido procedida de um telefonema anônimo à gerência do cinema.Bomba, Correio Braziliense (6 de outubro de 1986)

Mulheres, com namorados e noivos, estavam sentadas próximas umas das outras e na mesma fila onde foi colocado o artefato. A explosão da bomba foi descrita como "surda" e "abafada", e logo em seguida vieram os gritos das moças, interrompendo imediatamente a projeção. As luzes se acenderam e as portas foram abertas; não houve tumulto e a sala de projeção foi rapidamente evacuada. A sessão no Center 2, que exibia The Karate Kid, Part II estava repleta de espectadores e continuou. A explosão não havia alarmado frequentadores dos bares do shopping, que estavam funcionando normalmente. Uma vítima, Alexandra Sabone Massa, de 17 anos, foi medicada na casa de saúde Nossa Senhora de Fátima. Duas outras vítimas do atentado foram levadas até o Hospital da Posse. Uma delas, Solange Vicente da Silva, de 25 anos, teve as pernas perfuradas por pedaços da bomba, composta na maioria de sua parte de pregos, enquanto a outra vítima, Norma Sueli Ventura Santiago, de 17 anos, foi submetida a uma cirurgia de enxerto para recuperar a panturrilha da perna esquerda, no qual foi a mais afetada. O namorado de Alexandra, Paulo do Carmo Lima, de 25 anos, não ficou ferido no atentado.