thumb|320px|O Hood e o Repulse na Austrália em 1924 A Marinha Real Britânica construiu uma série de cruzadores de batalha entre as décadas de 1900 e 1920. O conceito dos cruzadores de batalha foi criado pelo almirante de frota sir John Fisher, que desenvolveu a ideia de um novo tipo de navio de guerra com o armamento de um couraçado, porém mais rápido, leve e com menos blindagem. As primeiras embarcações desse tipo foram aquelas da Classe Invincible, que foi sucedida pela quase idêntica Classe Indefatigable. A ameaça cada vez maior da Marinha Imperial Alemã levou ao desenvolvimento da Classe Lion, que era mais poderosa, rápida e bem protegida do que classes anteriores. Seu projeto serviu de base para os sucessores e .
Em seguida veio a Classe Renown, cujos navios originalmente seriam couraçados da Classe Revenge, mas que acabaram transformados em cruzadores de batalha a fim de aproveitar os materiais já encomendados. Foi sucedida pela Classe Courageous, que foi concebida como navios rápidos e pouco protegidos para um plano de invadir o litoral alemão no Mar Báltico. A construção de mais cruzadores de batalha por parte da Alemanha levou ao desenvolvimento da Classe Admiral, porém três de seus membros foram cancelados e apenas um chegou a ser finalizado. Os britânicos por fim também conceberam o projeto da Classe G3, que foi cancelada depois da assinatura do Tratado Naval de Washington.
Quase todos os cruzadores de batalha britânicos serviram durante a Primeira Guerra Mundial, atuando principalmente em missões de patrulha pelo Mar do Norte à procura da Frota de Alto-Mar alemã. Eles estiveram presentes nas Batalhas da Angra da Heligolândia, Malvinas, Dogger Bank e Jutlândia, com o Queen Mary, e sendo afundados nesta última. A maioria das embarcações sobreviventes foram descomissionadas e desmontadas depois da guerra. Apenas o , e continuaram servindo. Eles lutaram na Segunda Guerra Mundial principalmente em deveres de escolta de comboios, envolvendo-se em operações nas Campanhas da Noruega, Atlântico, Mediterrâneo e Pacífico. O Hood foi afundado na Batalha do Estreito da Dinamarca e o Repulse afundado por ataques aéreos japoneses, ambos em 1941. Os membros da Classe Courageous tinham sido convertidos em porta-aviões na década de 1920 e serviram nesta função durante a guerra, com o sendo afundado em 1939 e o em 1940. O Renown e o foram tirados de serviço ao final do conflito e desmontados alguns anos depois.
+ Legenda Armas principais Número e tamanho dos canhões da bateria principal Deslocamento Deslocamento do navio totalmente carregado Propulsão Número e tipo do sistema de propulsão e velocidade máxima Batimento Data em que o batimento de quilha ocorreu Lançamento Data em que o navio foi lançado ao mar Comissionamento Data em que o navio foi comissionado em serviço Destino Fim que o navio teve
Classe Invincible
thumb|240px|esquerda|O HMS Invincible Os navios da Classe Invincible foram os primeiros cruzadores de batalha do mundo. Eles foram concebidos pelo almirante de frota sir John Fisher, o Primeiro Lorde do Mar da Marinha Real Britânica, que desenvolveu a ideia de um novo tipo de navio de guerra com o armamento de um couraçado, mas mais rápido, leve e com menos blindagem. As embarcações da classe foram originalmente designadas formalmente como cruzadores blindados até 1911, sendo reclassificadas em 24 de novembro como cruzadores de batalha. Antes disso também tiveram várias outras designações extraoficiais, como cruzadores-couraçados e cruzadores dreadnought.
A primeira atividade tanto do Indomitable quanto do Inflexible depois do início da Primeira Guerra Mundial foi perseguir sem sucesso os navios alemães SMS Goeben e SMS Breslau no Mar Mediterrâneo. O Invincible e o Inflexible foram enviados para o Oceano Atlântico no final de 1914 em busca da Esquadra do Sudeste Asiático alemã, enfrentando-a e derrotando-a em dezembro na Batalha das Malvinas. O Indomitable participou da Batalha de Dogger Bank no Mar do Norte no início de 1915, enquanto o Inflexible acabou seriamente danificado nos estágios iniciais da Campanha de Galípoli no Mediterrâneo. Os três navios participaram em 1916 da Batalha da Jutlândia, quando o Invincible foi afundado por uma explosão interna. Os dois restantes ficaram realizando patrulhas pelo Mar do Norte até o fim da guerra. Foram tirados de serviço em 1919 e desmontados em 1922.
Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 8 × 305 mm t 2 turbinas a vapor;25 nós (46 km/h) abril de 1906 abril de 1907 março de 1909 Afundado em 1916 março de 1906 março de 1907 junho de 1908 Desmontados em 1922 fevereiro de 1906 junho de 1907 outubro de 1908
Classe Indefatigable
thumb|240px|O HMS Indefatigable c. 1910 O projeto da Classe Indefatigable era baseado na predecessora Classe Invincible mas incorporando pequenas modificações, incluindo maior autonomia e melhores arcos de disparo para as duas torres de artilharia de meia-nau. Apenas o Indefatigable foi originalmente planejado, porém o New Zealand e o foram depois construídos com o financiamento vindo da Nova Zelândia e Austrália como parte de um esquema concebido pelo Almirantado Britânico que tinha o objetivo de fortalecer a defesa naval dos domínios. O Australia foi operado pela Marinha Real Australiana, mas o New Zealand foi operado pela Marinha Real Britânica.
O Indefatigable estava no Mediterrâneo quando a Primeira Guerra Mundial começou e participou da perseguição ao Goeben e Breslau, retornando para casa pouco depois. O New Zealand estava no Mar do Norte e participou de algumas das primeiras ações navais do conflito, incluindo a Batalha da Angra da Heligolândia e o ataque contra as cidades de Scarborough, Hartlepool e Whitby. As duas embarcações participaram da Batalha da Jutlândia, com o Indefatigable sendo afundado por uma explosão de um de seus depósitos de munição depois de ser alvejado várias vezes pelo cruzador de batalha alemão . O New Zealand passou o restante do conflito patrulhando o Mar do Norte à procura da Frota de Alto-Mar alemã sem grandes incidentes. Depois da guerra fez uma viagem para a Índia e outros domínios, sendo descomissionado em 1922 e desmontado no ano seguinte.
Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 8 × 305 mm t 2 turbinas a vapor;25 nós (46 km/h) fevereiro de 1909 outubro de 1909 fevereiro de 1911 Afundado em 1916 junho de 1910 julho de 1911 novembro de 1912 Desmontado em 1923
Classe Lion
thumb|240px|esquerda|O HMS Lion em 1915 O aceleramento do programa de construção naval da Alemanha a partir de 1907 começou a criar uma pressão política para que o governo britânico autorizasse a construção de novos couraçados e cruzadores de batalha. O projeto da Classe Lion foi desenvolvido especificamente em resposta aos novos cruzadores de batalha alemães da Classe Moltke, que eram maiores e mais poderosos que a Classe Invincible. Os navios da Classe Lion foram baseados nos couraçados da Classe Orion, sendo mais rápidos e mais bem protegidos do que a predecessora Classe Indefatigable e armados com oito dos novos canhões de 343 milímetros.
O Lion atuou como a capitânia da esquadra de cruzadores de batalha da Grande Frota por praticamente toda a Primeira Guerra Mundial. Os dois participaram da Batalha da Angra da Heligolândia no início da guerra, com o Lion ajudando a afundar o cruzador rápido SMS Cöln. O Princess Royal brevemente atuou no Caribe antes de retornar para o Mar do Norte, juntando-se ao seu irmão na Batalha de Dogger Bank, quando infligiu danos sérios no cruzador blindado . Ambos estiveram presentes na Batalha da Jutlândia, sendo danificados. Passaram o resto da guerra em patrulhas sem incidentes no Mar do Norte. Foram tirados de serviço em 1920 e desmontados alguns anos depois.
Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 8 × 343 mm t 2 turbinas a vapor;27 nós (50 km/h) novembro de 1909 agosto de 1910 junho de 1912 Desmontado em 1924 maio de 1910 abril de 1911 novembro de 1912 Desmontado em 1923
HMS Queen Mary
thumb|240px|O HMS Queen Mary c. 1914 O projeto do Queen Mary foi muito baseado na predecessora Classe Lion, incorporando apenas algumas pequenas modificações. O arranjo do seu armamento secundário e de sua blindagem foram modificados, enquanto os aposentos dos oficiais teve sua localização transferida de meia-nau próximos das posições de combate de volta para a posição tradicional na popa.
O navio participou da Batalha da Angra da Heligolândia nos primeiros meses da Primeira Guerra Mundial, depois tentando sem sucesso interceptar a força alemã que bombardeou Scarborough, Hartlepool e Whitby. O Queen Mary esteve presente na Batalha da Jutlândia em 1916, acertando o cruzador de batalha alemão e incapacitando uma de suas torres de artilharia. O Seydlitz por sua vez conseguiu incapacitar um dos canhões principais do Queen Mary. O cruzador de batalha enquanto isso também passou a atacá-lo, acertando dois projéteis em dez minutos, detonando um de seus depósitos de munição e afundando-o.
Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 8 × 343 mm t 2 turbinas a vapor;28 nós (52 km/h) março de 1911 março de 1912 setembro de 1913 Afundado em 1916
HMS Tiger
thumb|240px|esquerda|O HMS Tiger c. 1919 O projeto do Tiger também era baseado na predecessora Classe Lion e tinha a intenção de ser uma versão aprimorada do Queen Mary. Seu projeto incorporou um novo arranjo da bateria principal com o objetivo de proporcionar melhores arcos de disparo, um armamento secundário mais poderoso, velocidade máxima mais elevada e também uma proteção lateral mais profunda.
O navio entrou em serviço alguns meses depois do início da Primeira Guerra Mundial, participando da Batalha de Dogger Bank no início de 1915 enquanto ainda estava em seu período de testes e adaptação. No ano seguinte esteve presente na Batalha da Jutlândia, sendo alvejado várias vezes por navios alemães mas não sendo seriamente danificado. Depois disso passou o restante da guerra realizando patrulhas pelo Mar do Norte sem grandes incidentes, com exceção de dar cobertura distante na Segunda Batalha da Angra da Heligolândia em 1917. A Marinha Real pode manter o Tiger na ativa depois da assinatura do Tratado Naval de Washington de 1922, sendo transformado dois anos depois em um navio-escola. Voltou ao serviço ativo entre 1929 e 1931, sendo então descomissionado e desmontado em 1932.
Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 8 × 343 mm t 2 turbinas a vapor;28 nós (52 km/h) junho de 1912 dezembro de 1913 outubro de 1914 Desmontado em 1932
Classe Renown
thumb|240px|O HMS Renown em 1920 Os dois navios originalmente seriam couraçados da Classe Revenge, porém suas construções foram canceladas com o início da Primeira Guerra Mundial. Fisher pouco depois conseguiu aprovação para iniciar suas obras como cruzadores de batalha que poderiam ser construídos rapidamente usando os materiais já encomendados. Um novo projeto foi rapidamente preparado e os construtores concordaram com um prazo de obras de quinze meses, que acabou excedido em alguns meses. Estas embarcações foram armadas com os novos canhões de 381 milímetros, sendo os navios capitais mais rápidos do mundo ao serem finalizados.