Alfredo Abranches Ruas (Anjos, Lisboa, Portugal, 20 de dezembro de 1890 – Lourenço Marques, Moçambique, 13 de novembro de 1966) foi um cantor, autor e ator de teatro e cinema português. Destacou-se sobretudo em teatro de revista, tendo criado e interpretado várias peças musicais e fados que foram gravadas pela Odeon. Contracenou com Ilda Stichini, Amélia Rey Colaço, Fernanda Coimbra, Teresa Gomes, Lucinda do Carmo, Lina Demoel, Brunilde Júdice, Adelina Forte, Gil Ferreira e Eugênia Álvaro Moreyra, entre muitos outros nomes.
Biografia Nascido a 20 de dezembro de 1890, em Lisboa, Alfredo Abranches Ruas era filho da atriz Adelina Abranches e do empresário teatral Luís Gonzaga Viana Ruas, natural de Lisboa (freguesia do Socorro), sendo irmão mais novo da também atriz Aura Abranches.
Em 1909 estreou-se na peça A Feiticeira, de Victorien Sardou, no antigo Teatro do Príncipe Real (Teatro Apolo) em Lisboa, ingressando dois anos depois na sua primeira tournée às ilhas dos Açores e Madeira, seguindo-se o Brasil, com Leopoldo Fróes e Paquito Calvo. Interpretava essencialmente os papéis dos galãs cómicos das operetas austríacas. Nos anos seguintes integrou as companhias do Teatro Apolo, Teatro Maria Vitória, Teatro da Natureza, cujas peças eram encenadas no Jardim da Estrela, Rey Colaço-Robles Monteiro ou ainda companhia de Álvaro Moreyra, entre outros, e fundou a sua própria companhia, ao lado de sua irmã, intitulada de Aura Abranches-Alfredo Ruas, levando aos palcos peças como Frei Luís de Sousa, de Almeida Garret, A Mulher Mascarada, de Charles Mére, O Tio Rico, de Amílcar Ramada Curto, ou O Grande Amor, de Mário Nicodemi.
Juntamente com Álvaro Leal, escreveu a farsa em 3 actos O Cabo Verde, e com Feliciano Santos, O Campo de Aviação. Traduziu do francês as peças L’enfant de l’amor, de Henry Bataille, La Gamine, de Pierre Weber e Henri de Gosse, Pour Vivre Heureux, de Ives de Mirande, L’Amor defendu, de Romain Coolus, On Purge Bebé e Maria Colibri, de Georges Feydeau.
No cinema estreou-se em 1921, com o filme mudo Amor de Perdição, realizado por Georges Pallu, seguindo-se Lisboa, Crónica Anedótica em 1930. Integrou o elenco de vários filmes sonoros portugueses e brasileiros.
Casou primeira vez com Armanda Adriana Ferreira da Cunha, de quem se divorciou por sentença de 24 de fevereiro de 1922.
A 29 de maio de 1924, casou segunda vez civilmente, em Lisboa, com a também atriz Maria Elisa de Andrade Sampaio (Coração de Jesus, Lisboa, c. 1904), filha do ator Adolfo Casqueiro de Sampaio e de Eduarda Augusta Botelho de Andrade Sampaio, doméstica, ambos naturais de Lisboa (das freguesias de Santa Isabel e do Socorro, respetivamente). Por sentença de 18 de outubro de 1928, os dois divorciaram-se litigiosamente.
A 4 de agosto de 1937, casou terceira vez civilmente, em Lisboa, com a também atriz Maria Inácia Sá Pereira (Santo Ildefonso, Porto, c. 1899), filha de Afonso de Sá Pereira, natural de Chaves, e de Ana de Oliveira Rebelo, natural de Tarouca (freguesia de Gouviães).
Posteriormente fixou residência em Lourenço Marques, onde continuou a atuar e viria a falecer. Em 1960, apresentou uma exposição de pintura, com 21 quadros da sua autoria, e em 1961, participou noutra exposição, onde expôs uma pintura, ao lado de Malangantana e Rui Calçada Bastos.
Carreira
Cinema
Amor de Perdição (1921), como Simão Botelho Lisboa, Crónica Anedótica (1930) O Trevo de Quatro Folhas (1936), como Pintor Feitiço do Império (1940), como Sargento Amor de Perdição (1943), como Mourão Mosqueira Inês de Castro (1944), como Álvaro Gonzales Três Dias Sem Deus (1945), como Pai de Lídia Um Beijo Roubado (1950), como Porteiro Chaimite (1953), não creditado Três Recrutas (1953) Treze Cadeiras (1957)
Teatro
A Feiticeira (1909, Teatro do Príncipe Real, Lisboa), O Fado (1910, Teatro Apolo, Lisboa), de João Bastos e Bento Faria Agulha em Palheiro (1911, Teatro Apolo, Lisboa), de Ernesto Rodrigues, Félix Bermudes e Marçal Vaz (pseudónimo de Lino Fernandes) Esta Mascara (1911, Teatro Sá da Bandeira, Porto), autoria Cacilda de Castro Ó Ricócó (1920, Teatro Carlos Gomes, Rio de Janeiro), encenação de Lino Ferreira, Silva Tavares e Lopo Lauer Os Poveiros (1921, Teatro Nacional São João, Porto), de Henrique Roldão e Robalo Sales As Virtudes de Germana (1923, Teatro Politeama, Lisboa), de José Sarmento A Ondina (1924, Teatro Politeama, Lisboa), de Marco Praga Rataplan! (1925, Teatro Maria Vitória, Lisboa), encenação de Gregos e Troianos Água-Pé (1927, Teatro Avenida, Lisboa), encenação de Irmãos Unidos Charivari (1929, Teatro Politeama, Lisboa), de Manuel Santos Carvalho Rosa Engeitada (1929, Teatro Maria Vitória, Lisboa), adaptação de Silva Tavares, António Carneiro, Coutinho Oliveira O Senhor da Serra (1931, Teatro República, Rio de Janeiro) O Noviço (1937, Teatro Regina, Rio de Janeiro), de Martins Pena O Cabeleira (1937, ), de José do Rego e Santa Rosa O Rio (1937, Teatro Regina, Rio de Janeiro), de Júlio Tavares (pseudônimo de Carlos Lacerda) Luz por baixo da porta, de J. Guimarães Menegale Frei Luís de Sousa, de Almeida Garret Ásia (1937, Teatro Boa Vista, São Paulo), de Henri-René Lenormand Ludo (1937), de Pierre Seize O Rei do Câmbio (1939), de J. Carlos Lisboa A Peleja de D. Tareja (1939, Teatro Ginásio, Lisboa), de Alfredo Ruas, Francisco Ribeiro e Alberto Reis
Literatura
O Cabo Verde (peça teatral) O Campo de Aviação (peça teatral)
Homenagens O seu nome faz parte da toponímia de Ramada em Odivelas.
Referências
Categoria:Naturais de Lisboa Categoria:Mortos em 1966 Categoria:Atores de Portugal Categoria:Cantores de Portugal Categoria:Cantores de fado Categoria:Atores de teatro Categoria:Nascidos em 1892 Categoria:Teatro Variedades