A Caridade é a doação voluntária de ajuda aos necessitados, como um ato humanitário.
Prática
A doação de caridade é o ato de doar dinheiro, bens ou tempo para os desafortunados, seja diretamente ou por meio de uma organização ou outra causa digna.
Alguns grupos consideram a caridade como sendo distribuída para outros membros dentro de seu grupo particular. Embora dar aos que estão quase ligados a si mesmo seja às vezes chamado de caridade - como no ditado "A caridade começa em casa" - normalmente a caridade denota aqueles que não estão relacionados, com piedade filial e termos semelhantes para sustentar a família e os amigos. De fato, tratar aqueles relacionados ao doador como se fossem estranhos necessitados de caridade levou à figura do discurso "tão frio quanto a caridade" - proporcionando aos parentes de alguém como se fossem estranhos, sem afeição.
De acordo com a lei federal nº 5.063, de 4 de julho de 1966, fica instituído o Dia da Caridade, que será comemorado anualmente a 19 de julho, com a finalidade de difundir e incentivar a prática da solidariedade e do bom entendimento entre os homens.
Crítica Críticos das doações por caridade argumentam que simplesmente transferir presentes ou dinheiro para pessoas carentes tem efeitos negativos a longo prazo. A organização de microcrédito online Zidisha publicou uma publicações em seu blog que afirmava que dar esmolas pode realmente causar danos incentivando a falta de progresso da pobreza e criando uma mentalidade de dependência entre os destinatários. De acordo com Zidisha, os empréstimos de microfinanciamento são uma alternativa melhor do que as doações, porque incentivam o investimento bem-sucedido dos fundos e criam uma mentalidade de capacitação por parte dos beneficiários.
Uma crítica filosófica da caridade pode ser encontrada na obra A Alma do Homem sob o Socialismo, de Oscar Wilde, onde ele diz ser “um modo ridiculamente inadequado de restituição parcial ... geralmente acompanhado por alguma tentativa impertinente por parte do sentimentalista de tiranizar as vidas privadas [dos pobres]", bem como um remédio que prolonga a ‘doença’ de pobreza, em vez de curá-la”. Os pensamentos de Wilde são citados com aprovação de Slavoj Žižek, o pensador esloveno acrescenta sua descrição do efeito da caridade sobre quem a recebe:
Friedrich Engels, em seu tratado de 1845 com base na condição da classe trabalhadora na Inglaterra, aponta que as doações, seja por governos ou indivíduos, são frequentemente vistas pelos doadores como um meio de esconder o sofrimento que é desagradável de ver. Engels cita de uma carta ao editor de um jornal inglês que reclama que
“(...) as ruas estão assombradas por enxames de mendigos, que tentam despertar a compaixão dos transeuntes da maneira mais desavergonhada e irritante, expondo suas roupas esfarrapadas, aspecto doentio, feridas e deformidades repugnantes. Eu deveria pensar que quando alguém não apenas paga a taxa da pobreza, mas também contribui em grande parte para as instituições de caridade, uma delas faz o suficiente para ter o direito de ser poupada de tais importunações desagradáveis e impertinentes.”
A burguesia inglesa, conclui Engels,
“(...) é caridoso por interesse próprio; não dá nada de imediato, mas considera suas doações como um negócio, faz um acordo com os pobres, dizendo: "Se eu gasto tanto em instituições benevolentes, compro o direito de não ser mais incomodado, e você é obrigado a ficar em seus buracos escuros e não irritar meus tenros nervos, expondo sua miséria. Você deve se desesperar como antes, mas você deve se desesperar sem ser visto, isso eu exijo, isso eu compro com minha assinatura de vinte libras para a enfermaria! É infame, essa caridade de um burguês cristão!”The Condition of the Working Class in England (1845), Penguin edition (1987), p. 277.
O Institute of Economic Affairs publicou um relatório em 2012 chamado "Sock Puppets: Como o governo faz lobby e por quê", que criticava o fenômeno de governos que financiavam instituições de caridade que então pressionam o governo por mudanças que o governo queria o tempo todo.
Em resposta, defensores da caridade defendem que as alternativas governamentais de assistência são baseadas em coerção e financiados por impostos, por isso careceriam de amor genuíno. Eles apontam possíveis efeitos adversos dessas alternativas, como a perda da responsabilidade individual, criação de uma classe dependente do Estado e a promoção da demagogia política. Também argumentam que a caridade privada é mais eficiente que a assistência estatal em ajudar os necessitados.
Tradições religiosas
Catolicismo A doutrina católica classifica a caridade como uma das virtudes teologais e uma das sete virtudes. Tem o mesmo significado que o Ágape. É um sentimento que pode ter dois sentidos, o sentimento para si mesmo, e ao próximo.
O Cristianismo afirma que a caridade é o "amar ao próximo como a si mesmo". E afirma que se uma pessoa não se amar adulterando e mentindo a si mesma sobre as coisas que a rodeia, defendendo somente o seu ponto de vista sem pensar no ponto de vista divino, pode estar "amando" o seu próximo, mas da sua maneira, pois quanto mais buscar o esclarecimento divino sobre como amar a si mesma, maior poderá ser o amor desta pessoa pelo seu próximo.
E afirma que nos dias atuais muitos estão buscando a Cristo, mas da sua "maneira", não procurando arrepender de suas ações, pois em si mesmos não acham culpa alguma, pois defendem os seus próprios pontos de vista. Esquecem-se que o salário de pecado é a morte, e quem não se ama (caridade) peca, pois quem exerce a caridade, não peca, pois acaba amando à Deus mais do que a si mesma, ouvindo assim a sua voz e colocando em prática a Verdade que recebe. Dizendo, que quem ama a Cristo, confirma também o Senhorio de Cristo sobre a si mesma, abandonando tudo por Ele, pois um Servo abandona tudo pelo seu Senhor, vivendo somente para ele.
Aliás, Jesus Cristo ordenou: "Amar a Deus sobre todas as coisas", isto para os cristãos constitui a parte fundamental da caridade.
Quem tem o amor, prova, não somente com palavras mas sim com ações. Abrindo mão dos costumes dos gentios por amar a Deus sobre todas as coisas, seguindo a sua voz e os seus mandamentos.
O Catecismo da Igreja Católica enfatiza que o amor de Cristo é um modelo supremo para os fiéis. Ao destacar que Cristo sacrificou Sua vida por nós, mesmo quando éramos considerados "inimigos", a doutrina católica busca ressaltar a extraordinária natureza desse amor. Ele exorta os seguidores a emular esse exemplo (par. 1825), amando até mesmo aqueles que consideramos adversários. Além disso, o Catecismo destaca a importância de seguir o mandamento de amar o próximo como a si mesmo, aproximando-se daqueles que estão distantes, amando as crianças e os pobres com a mesma dedicação que Cristo demonstrou. Assim, ele sublinha a centralidade do amor de Cristo como um guia inspirador para a prática da caridade e compaixão na vida cotidiana.
Resumindo e usando as palavras do Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, "a caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos por amor de Deus. Jesus faz dela o mandamento novo, a plenitude da lei. A caridade é «o vínculo da perfeição» () e o fundamento das outras virtudes, que ela anima, inspira e ordena: sem ela «não sou nada» e «nada me aproveita» ()".Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, n. 388
São Paulo disse que, de todas as virtudes, "o maior destas é o amor" (ou caridade). O Amor é também visto como uma "dádiva de si mesmo" e "o oposto de usar".GEORGE WEIGEL, A Verdade do Catolicismo; cap. 6, pág. 101
Espiritismo A Doutrina Espírita, de acordo com o Espiritismo, entende a caridade como um dever moral de todo homem e que não se resume apenas ao auxílio material. No Livro dos Espíritos, questão 886, Allan Kardec pergunta aos espíritos superiores:
"886. Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus? Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições dos outros, perdão das ofensas."KARDEC, Allan (Coord.). O livro dos espíritos: princípios da doutrina espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da humanidade. Tradução de Guillon Ribeiro. 91. ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2008. p. 457.
A caridade, portanto, reflete o princípio cristão fundamental de amor mútuo entre todos, independentemente da situação em que se encontrem, tendo aplicação no âmbito moral e material.
No livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, que faz um estudo dos ensinos de Jesus, a comunicação do espírito identificado como Paulo, o apóstolo, dá um bom panorama de como a caridade deve ser encarada:
"Meus filhos, na máxima: Fora da caridade não há salvação, estão encerrados os destinos dos homens, na Terra e no céu; na Terra, porque à sombra desse estandarte eles viverão em paz; no céu, porque os que a houverem praticado acharão graças diante do Senhor. Essa divisa é o facho celeste, a luminosa coluna que guia o homem no deserto da vida, encaminhando-o para a Terra da Promissão. Ela brilha no céu, como auréola santa, na fronte dos eleitos, e, na Terra, se acha gravada no coração daqueles a quem Jesus dirá: Passai à direita, benditos de meu Pai. Reconhecê-los-eis pelo perfume de caridade que espalham em torno de si. Nada exprime com mais exatidão o pensamento de Jesus, nada resume tão bem os deveres do homem, como essa máxima de ordem divina. Não poderia o Espiritismo provar melhor a sua origem, do que apresentando-a como regra, por isso que é um reflexo do mais puro Cristianismo. Levando-a por guia, nunca o homem se transviará. Dedicai-vos, assim, meus amigos, a perscrutar-lhe o sentido profundo e as consequências, a descobrir-lhe, por vós mesmos, todas as aplicações. Submetei todas as vossas ações ao governo da caridade e a consciência vos responderá. Não só ela evitará que pratiqueis o mal, como também fará que pratiqueis o bem, porquanto uma virtude negativa não basta: é necessária uma virtude ativa. Para fazer-se o bem, mister sempre se torna a ação da vontade; para se não praticar o mal, basta as mais das vezes a inércia e a despreocupação. Meus amigos, agradecei a Deus o haver permitido que pudésseis gozar a luz do Espiritismo. Não é que somente os que a possuem hajam de ser salvos; é que, ajudando-vos a compreender os ensinos do Cristo, ela vos faz melhores cristãos. Esforçai-vos, pois, para que os vossos irmãos, observando-vos, sejam induzidos a reconhecer que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, sem embargo da seita a que pertençam. – Paulo, o apóstolo. (Paris, 1860.)"KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo: com explicações das máximas morais do cristo em concordância com o espiritismo e suas aplicações às diversas circunstâncias da vida. Tradução de Guillon Ribeiro. 120. ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2002. p. 315-317.
O Espiritismo tenta, pela demonstração ao homem de sua condição de espírito imortal, impulsioná-lo à doação de si próprio ao bem daqueles que dele podem obter auxílio. Quando o homem enxerga a vida como algo que se definha, efêmera, ao passar do tempo, o seu instinto natural de conservação lhe impulsiona ao egoísmo. De modo contrário, para o que vislumbra a imortalidade, o tempo deixa de ser algo a temer e o foco da vida passa a ser o presente. A caridade, neste caso, é como um mero trabalho que um trabalhador executa, sabendo que é necessário ao fim pretendido pelo seu senhor, que lhe dará o seu salário. Para este, considera Allan Kardec: