O esporte feminino no Brasil é a trajetória do esporte e as competições esportivas exclusivamente praticado por mulheres brasileiras, que é marcado por superações, conquistas memoráveis e desafios. A atuação e presença de mulheres brasileiras em atividades esportivas, tradicionalmente masculinas no país, data desde o século XIX, mas é somente durante o século XX que se ganha notoriedade.

Algumas mulheres pioneiras desafiaram as convenções da época e começaram a competir a partir do início do século XX. Em resumo, o esporte feminino no Brasil evoluiu significativamente ao longo do século XX e no início do século XXI, superando barreiras e vencendo preconceitos. Atletas femininas demonstraram, consistentemente, destaques através de sua capacidade, talento e dedicação em meio a uma visão ainda patriarcal, onde romperam paradigmas e serviram de exemplo e inspiração para as gerações vindouras de mulheres que desejam envolver-se no mundo dos esportes. Esta jornada promoveu a igualdade de gênero, fortalecendo a confiança e determinação das mulheres em todo o país, assim, consolidando a importância do esporte como um agente de transformação na sociedade brasileira e mundial!

História No Brasil, na primeira metade do século XX, a sociedade era desfavorável para a prática esportiva das mulheres, por isso, não tinha uma quantidade significativa de pessoas do sexo feminino praticantes de atividades físicas e esportivas. No entanto, mesmo com um cenário sociocultural negativo, a participação feminina nos esportes e atividades físicas teve seu processo inicial na década de 1920, nos clubes por intermédio das jovens filhas de imigrantes, que vieram do continente europeu e já valorizavam os esportes e exercícios.

A década de 1930 é marcada pela participação da nadadora Maria Lenk nos Jogos Olímpicos, o primeiro campeonato feminino de bola ao cesto, e os Jogos Femininos do Estado de São Paulo; esses eventos contribuíram para a abertura da participação das mulheres nas práticas esportivas. Entretanto, essa inserção não evolui muito nas próximas décadas, pois, em 14 de abril de 1941, o Decreto da Lei n° 3.199, no seu artigo 54, no governo de Getúlio Vargas, restringiu a prática esportiva da mulheres conforme a sua incompatível natureza, sendo esse decreto, vigente até 1975. Em contrapartida, no ano de1965, por meio da Deliberação n° 7/65, o Conselho Nacional de Desportos (CND) liberou a prática esportiva feminina, no entanto, com exceção das lutas; futebol de campo, salão e praia; polo; rugby, halterofilismo; e beisebol.

Até a década de 1980, o esporte brasileiro era gerido de forma amadora, prejudicando tanto homens quanto mulheres. Era comum que os maiores atletas brasileiros, devido às más condições, ou obtivessem apenas alguns bronzes esporádicos ou sequer ganhassem medalhas, quando eram favoritos ao ouro, ou pelo menos a obter uma medalha. Nos Jogos Olímpicos de Verão de 1948, realizados em Londres, Piedade Coutinho resultou em duas finais, terminando em sexto nos 400 metros livres, e sexto nos 4 × 100 metros livres, juntamente com Eleonora Schmitt, Maria da Costa e Talita Rodrigues. Coutinho também nadou aos 100 metros livres, não chegando à final. Para ela, no entanto, a final dos 400 metros livres não era um motivo de comemoração. Naquele ano, ela havia feito uma excepcional 5m20s3, suficiente para a medalha de prata olímpica. Mas as más condições de viagem para a Europa, alojamento e alimentação, e a perda de forma devido aos vários dias sem treinar devido à longa viagem, teve o seu preço. Isso era típico do esporte brasileiro naqueles dias; condições semelhantes também custaram as medalhas à Maria Lenk e Manuel dos Santos.

Nos Jogos Olímpicos de Verão de 1932, realizado em Los Angeles, nos Estados Unidos, durante as paradas no percurso, os atletas tiveram o compromisso de vender cerca de 55 mil sacas de café nos portos para que pudessem financiar a própria viagem para os Jogos, porém, nem todos acabaram conseguindo.

Outro fator que sempre dificultou o Brasil a ter maior projeção no esporte foi a inferioridade financeira e tecnológica frente aos estadunidenses e europeus. Ao longo das décadas, foram sendo inventados novos uniformes e materiais esportivos revolucionários; não sofriam com o acúmulo de água; davam grande vantagem aos poucos atletas que os utilizavam; e eram mais leves. Só com a massificação do esporte, após os anos 1990, que esta vantagem foi anulada.

Neste sentido, podem também ser incluídos os generalizados casos de doping dos anos 70 e 80, realizados pela Alemanha Oriental e outras potências esportivas, muitas vezes no esporte feminino, onde foram batidos recordes mundiais que perduraram por décadas ou que se mantém até hoje, com isto, inviabilizaram ainda mais qualquer pretensão do esporte feminino em países menos desenvolvidos, como o Brasil.

De década de 1990 em diante, porém, o esporte mundial mudou e se aperfeiçoou, juntamente ao do Brasil. A década de 1990, se caracterizam pelo surgimento e crescimento dos canais de TV por assinatura com 24 horas de programação diária destinada ao esporte, o que possibilitou maior destaque as competições femininas sendo exibidos na televisão. As transformações de fazer parte do cotidiano, acabaram por provocar uma mudança de paradigma no esporte mundial, promovendo o mesmo. Com isto, também aumentou exponencialmente a participação feminina nos esportes em todo o mundo.

Não por acaso, a Seleção Brasileira de Voleibol Feminino e a Seleção Brasileira de Basquetebol Feminino começaram a ganhar medalhas mundialmente na década de 1990, se consolidando de 2000 em diante. Mais tardiamente, na década de 2010, ocorre o mesmo com a Seleção Brasileira Feminina de Handebol e a Seleção Brasileira de Ginástica Artística Feminina. Outros problemas nacionais, porém, persistem, mantendo o Brasil atrás das maiores potências esportivas mundiais: nos Jogos Olímpicos de Verão de 2016, realizados no Rio de Janeiro, constatou-se que seis em dez escolas públicas do Brasil não tinham quadras para atividades físicas, o que reduziu as possibilidades de peneirar-se novos talentos esportivos.

Brasileiras nas olimpíadas A primeira edição dos Olimpíaca em que uma mulher brasileira participou foi em 1932, em Los Angeles, protagonizado pela nadadora Maria Lenk, que na época foi a única mulher, entre os sessenta e seis homens que formaram a delegação brasileira. Na edição seguinte, nos Jogos Olímpicos de Verão de 1936, em Berlim, Lenk novamente participou de jogos olímpicos, mas dessa vez teve a companhia de outras atletas olímpicas brasileiras, cinco nadadoras e uma esgrimista.

Em Berlim, a pioneira, novamente, deixou sua marca indelével, competindo os 200m no estilo borboleta, tornando-se a primeira mulher no mundo a fazê-lo. Sendo, essa modalidade, posteriormente oficializada. No ano de 1939, durante o auge de sua carreira, a nadadora estabeleceu dois recordes mundiais no nado do peito, demonstrando que estava pronta para enfrentar as principais competidoras, podendo ter sido a primeira mulher a conquistar uma medalha olímpica. No entanto, os Jogos Olímpicos de 1940 e 1944 foram cancelados devido à Segunda Guerra Mundial.

Nas próximas edições, após da paralisação dos Jogos frente a Guerra, em 1948, em Londres, o Brasil contou com onze representantes mulheres e nos Jogos Olímpicos de Verão de 1952, em Helsinque, com apenas cinco competidoras.

Durante as próximas três edições dos Jogos Olímpicos, de 1956, 1960 e 1964, sediadas, respectivamente, em Melbourne, Roma e Tóquio, o Brasil regrediu na representatividade feminina em suas delegações, contando com apenas uma representante, nas modalidades saltos ornamentais e atletismo. Na edição de Tóquio, a brasileira representante, Aída dos Santos, conquistou o quarto lugar no salto em distância, que se tornou o melhor resultada feminino em numa modalidade individual por quarenta e quatro anos.

Nos Jogos Olímpicos de Verão de 1968, sediado na Cidade do México, participaram três atletas, sendo todas do atletismo. Na próxima edição, nos Jogos Olímpicos de Verão de 1972, em Munique, participaram cinco brasileiras. A delegação brasileira do Brasil nos Jogos Olímpicos de Verão de 1976, realizado em Montreal, no Canadá contou com a participação de sete atletas.

Um dos fatores que contribui para a baixa quantidades de mulheres nas olimpíadas entre as décadas de 1930 e 1970, foi a proibição da CND por meio do decreto-lei número 3.199, de 14 de abril de 1941, que permaneceu estabelecido até 1975, o decreto estabeleceu que "às melhores não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país", ademais, o Conselho, por meio do seu regimento, em 1965, também determinou que "não é permitida a prática de lutas de qualquer natureza, futebol, futebol de salão, futebol de praia, polo, halterofilismo e beisebol".

Na década de 1980, vários fatores geopolíticos e diplomáticos contribuíram para o aumento de atletas femininos nas delegações olímpicas brasileira. Devido a esses fatores, foi somente nos Jogos Olímpicos de Verão de 1980, em Moscou, na União Soviética, pela segunda vez, o número de mulheres brasileiras ultrapassou dois dígitos, com a participação de quinze atletas (contra 94 homens), nas modalidades de vôlei, ginástica artística e atletismo. A partir desse ponto, o contingente feminino cresceu progressivamente. No Jogos Olímpicos de Verão de 1984, em Los Angeles, o país contou com vinte e duas atletas, nas modalidades de vôlei, atletismo, ginástica artística, ginástica rítmica, nado sincronizado, saltos ornamentais, tênis e tiro esportivo.

Nos Jogos Olímpicos de Verão de 1988, sediado em Seul, capital da Coreia do Sul, houve trinta e cinco brasileiras, nas modalidades de atletismo, ginástica artística, natação, saltos ornamentais, tênis, tiro, vôlei, vela e judô. Em 1992, nos Jogos de Barcelona, participaram cinquenta e uma mulheres, na qual participaram de modalidades antes já existentes e mais nas novas modalidades estreadas oficialmente, basquete, ciclismo, judô e tênis de mesa.

Após sessenta e quatro anos da primeira participação de uma atleta brasileira, nos Jogos Olímpicos de Verão de 1996, em Atlanta, quando sessenta e seis mulheres brasileiras integraram a delegação brasileira, foi a primeira vez que atletas brasileiras conquistaram suas primeiras medalhas, ouro e prata, na modalidade vôlei de praia, pelas duplas Jacqueline e Sandra, Mônica e Adriana, respectivamente. Também no vôlei de quadra, o Brasil conquistou a medalha de bronze, após derrotar a Rússia. Nessa ocasião, as atletas representavam 29% do total de atletas e levaram 4 das 15 medalhas, correspondendo a 26% do total.

Nos Jogos Olímpicos de Verão de 2000, realizado em Sydney. o contingente de mulheres brasileiras participantes nas Olimpíadas aumentou significativamente, representando mais de 40% da delegação brasileira nos jogos, totalizando 94 mulheres ante 111 homens, representando 46% da delegação nacional. Elas conquistaram 4 das 12 medalhas que o Brasil recebeu, o equivalente a 33% do total.

Em 2004, nos Jogos de Atenas na Grécia, as mulheres constituíram com quase metade da delegação brasileira: 125 homens e 122 mulheres (49%). No entanto, em termos de medalhas, obtiveram apenas 2 das 10 (20%). Nos Jogos Olímpicos de Verão de 2008, realizado em Pequim, quatro anos depois, elas apresentaram um desempenho ainda mais destacado no selecionado brasileiro. Com uma representação de 48% (133 mulheres e 144 homens), elas conquistaram 7 das 17 medalhas, ou seja, 41%. Após o bom resultado em Pequim, nos Jogos Olímpicos de Verão de 2012, em Londres, o desempenho foi semelhante. Com 123 mulheres (47% do total), as atletas foram responsáveis por 6 das 17 medalhas (35%) conquistadas pelo Brasil.