Marc Marie Joseph Raymond du Pontavice (Paris, 10 de janeiro de 1963) é um produtor, artista e desenhista francês. Conhecido por ter produzido produções como Les Zinzins de l'espace, Oggy et les Cafards, Ratz, Zig & Sharko, FloopaLoo, Gainsbourg (vie héroïque) e J'ai perdu mon corps, é o fundador e o CEO do estúdio de animação francês Xilam Animation, fundado em 1999 depois de sua saída da Gaumont no final de 1998. Marc também é CEO do estúdios Cube Creative desde 2023, que foi adquirida pela Xilam em 2020, substituindo o fundador da Cube, Lionel Fages, que deixou o cargo de CEO e One World Films, dedicado para filmes live-action, onde cujo também é cofundador.

Biografia Nascido no dia 10 de janeiro de 1963 no 15.º arrondissement de Paris, filho do universitário Emmanuel du Pontavice e da médica Anne de Pardieu, Marc vem de uma família da nobreza bretã, a família du Pontavice. Os pais de Marc nunca trabalharam no cinema francês e levavam raramente ele ao cinema, e sua avó era quem o levava ao lendário cinema do 7.º arrondissement de Paris, La Pagode. Quando completou sete anos, seus pais concordaram em apresentar a ele um filme que eles gostavam, Luzes da Cidade de Charlie Chaplin. Todos os domingos, assistia ao programa que ele não perdia, Histoires sans paroles da ORTF. A vocação para o cinema surgiu tarde para Marc e quase por acaso, depois de ter sido rejeitado pela segunda vez pela École nationale supérieure. Na adolescência, sua vida escolar foi uma sucessão de fracassos; aos 16 anos, e sua vida familiar era um desastre terrível. Ele estudou num colégio jesuíta perto de Bonn, na Alemanha, escolhido pelos pais, onde passou os dois primeiros meses em absoluto silêncio, sem conversar e rodeado de estranhos. Acalmado pelo poder do silêncio, Marc passou os dias lendo, principalmente poesia e poucos romances.

Quando criança, teve traumas na infância, devido aos abusos sexuais que sofria de sua mãe a lhe que espancava violentamente, trancava no armário e separava das brincadeiras de seus irmãos, já que o casamento de seus pais era um fracasso, porque sua mãe era lésbica. Os abusos foram acalmados quando ela abandonou ele e seu pai em 1986 para se mudar para os EUA. Ele só reencontrou sua mãe 30 anos depois, quando ela faleceu em 2016. Em sua infância, seus heróis eram Fatty Arbuckle, Buster Keaton, Harold Lloyd e Charlie Chaplin, seu filme favorito era The Jungle Book de Walt Disney, assistia os desenhos de Tex Avery e Chuck Jones, lia quadrinhos como Mandrake e Rahan e admirava por muito tempo as pinturas do artista russo Alexander Iakovlev que eram penduradas na casa de sua avó que as colecionava. A preparação para a ENS lhe proporcionou três anos de liberdade de preocupações. Ele estava fascinado pela ideia de se tornar produtor e se dedicar à arte e à imagem. Marc não tinha contatos nessa área e não via um caminho claro para ingressar nela. No entanto, algo que se destacou em sua pesquisa foi a frequência de falências. Na época, a profissão era particularmente arriscada, e os produtores, que geralmente não tinham formação econômica e financeira, eram frequentemente vistos como maus gestores. Ele considerou buscar treinamento que lhe servisse como uma forte credencial para entrar no setor. Estudou no Instituto de Estudos Políticos de Paris e foi graduado na seção Eco-Fi em 1989, após ter estudado lá por três anos a partir de 1986, depois de ter estudado por quatro anos seguidos para entrar na universidade.

Carreira Marc começou sua carreira no estúdio cinematográfico mais antigo do mundo, a Gaumont em 1990, depois do estúdio unir forças com a CFC-Groupe Robur para criar a Gaumont-Robur Télévision, liderada por Christian Charret, cujo objetivo era produzir séries televisivas de alta qualidade para canais de televisão da Europa. Então gerente jurídico e financeiro da CFC-Groupe Robur entre 1989 à 1990, depois de gerenciar a organização financeira e a produção de cerca de cem horas de ficção na Robur, Marc tornou-se secretário-geral da nova divisão. Em 1992, após a venda do catálogo de filmes à UGC, a Robur também vende a sua participação na Gaumont-Robur Télévision à Gaumont, que posteriormente renomeia para Gaumont Télévision.

Em 1993, incentivado pelo sucesso da série de Highlander, Marc du Pontavice propôs adaptar a série para um desenho animado, coproduzida pela Gaumont Television em 1994. Convencido pela série entregue em apenas dez meses, o diretor geral da Gaumont, Patrice Ledoux propôs em março de 1995 a Marc formar seu próprio departamento, a Gaumont Multimédia para produzir desenhos animados, videogames e a internet. Mudou-se para os antigos estúdios de Luc Besson em Paris em setembro de 1995, que acabou se tornando anos mais tarde a sede da Xilam. Séries como Les Zinzins de l'espace, seguida por Oggy et les Cafards fizeram grande sucesso para o estúdio, a Gaumont Multimédia também produziu videogames com as adaptações de Os Visitantes em 1997 e O Quinto Elemento em 1998. Também é o primeiro produtor francês à vender desenhos animados franceses para a televisão americana.

No entretanto, por necessidade de dinheiro da Gaumont para desvolver sua rede Multiplex de cinemas, a reorientação de seu principal negócio, o cinema, e à uma incapacidade de desenvolvimento dos negócios de diversificação na Gaumont, além do falecimento de seu pai Emmanuel em 23 de dezembro daquele ano, ele sai da Gaumont em 10 de dezembro e foi substituído por Stéphane Pathernay no comando da Gaumont Multimédia em 1 de janeiro de 1999 até o fechamento do estúdio no mesmo ano. No mesmo dia de sua substituição, Marc anuncia a criação de um estúdio de animação independente, que foi introduzido na MIPTV em maio de 1999. Em 5 de agosto de 1999, ele funda o estúdio de animação Xilam, onde o nome do estúdio é um anagrama de M-Alix, uma declaração de amor à sua esposa, Alix de Maistre e em dezembro do mesmo ano, a Gaumont vende os ativos da antiga Gaumont Multimédia para Marc du Pontavice por 44 milhões de francos e reintegra na Xilam. Também em 1999, assinou um contrato com a Dargaud e a Lucky Comics para a compra dos direitos de animação de Lucky Luke, produzindo Les Nouvelles Aventures de Lucky Luke para a France 3 em 2001 com um orçamento de 18,4 milhões de euros.

Em 8 de abril de 2009, Marc foi eleito presidente do Sindicato dos Produtores de Animação Franceses, após ter atuado como vice-presidente do sindicato. Ficou no cargo até 2015, quando foi sucedido por Philippe Alessandri.

Em 3 de fevereiro de 2020, junto de 19 acionários, compram a revista cinéfila com mais tempo de publicação da França, a Cahiers du cinéma, o que resultou a equipe editorial da revista se demitindo coletivamente depois da compra da revista. No mesmo ano, foi convidado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas para se tornar membro da academia.

Em 10 de março de 2022, lança o seu livro autobiográfico Destin animé pela editora Slatkine et Compagnie, que conta sobre a sua vida de produtor e a história do estúdio Xilam. O desenvolvimento do livro começou em meados de setembro de 2020 na pandemia de COVID-19, quando a editora do livro ofereceu à Marc para contar a história dele num livro autobiográfico, descrito por ele como interessante e elogiou particularmente pelo capítulo final sobre J'ai perdu mon corps, no qual ele descreveu a criação do longa como o ponto em que grande parte de sua história pessoal e profissional se cristalizou.

Vida pessoal É casado com a diretora e roteirista Alix de Maistre desde 23 de junho de 1989, a quem compartilhava e namorava há cinco anos desde 1984 e eles tem dois filhos, Lou e Ivan. Marc e Alix se casaram na antiga comuna francesa de Saint-Martin-du-Mesnil-Oury em Calvados.

A relação do casal é bem amorosa, devido à Marc e Alix formam um casal unido e fusional, onde o amor dela protege ele, também pelo apoio dela, tanto emocional e intelectual à Marc, sendo uma das condições pelo balanço dele. Sem ela, suas escolhas nem seriam sempre as mesmas. O nascimento dos filhos de Marc e Alix, Lou em 1992 e Ivan em 1995 trouxeram uma renascença a Pontavice, que enfrentou abusos sexuais vindos por parte de sua mãe na infância. Marc tem uma boa relação com seus dois filhos, e como também dele formar um vínculo forte com sua primogénita. Quanto ao seu filho mais novo, ele vê como um menino maravilhoso e vê a si mesmo refletido como num espelho. No 50º aniversário de Marc, em 2013, Alix fez um discurso comovente, proferindo uma frase essencial que dizia toda a força do seu olhar sobre ele: "Marc, você não tem medo."

Ao contrário de sua mãe, Anne de Pardieu, com quem tinha uma relação tensa devido aos abusos sexuais que ele sofreu nas mãos dela quando criança, Marc tinha um bom relacionamento com seu pai, Emmanuel du Pontavice. Em sua infância, seu pai adorava contar a ele e a seus irmãos a história do jovem espartano cujo fígado foi devorado por uma raposa escondida sob sua capa, e que preferiu suportar esse tormento em silêncio a revelar o que havia feito. O pai de Marc sempre amou as mulheres, até a última. Ele via seu pai como um grande intelectual e erudito, embora não se importasse com sua carreira de produtor, mas o parabenizava constantemente por sua felicidade amorosa com Alix. Em dezembro de 1999, por volta da época em que a biblioteca da antiga Gaumont Multimédia estava sendo adquirida para integração à Xilam; Marc, Alix e os dois filhos viajaram para a China para celebrar o Ano Novo com seu irmão. A filha mais velha do casal, Lou, retornou ao país 19 anos depois para filmar seu longa-metragem Le veilleur em 2018, que originalmente era um projeto de curta-metragem para o INSAS da Bélgica.

Ele é fã de animações recentes como O Conto da Princesa Kaguya e Kaze Tachinu do Studio Ghibli e Galáxia Wander da Disney, além de ter uma admiração à Brad Bird, a série Bluey e os quadrinhos de Joann Sfar, que trabalhou com ele em Gainsbourg (vie héroïque), dirigido pelo próprio Joann.

Marc é fluente em inglês e alemão, este último devido ao período em que estudou em um internato perto de Bonn durante a adolescência, enquanto o primeiro anteriormente era terrível por ter escolhido o alemão como sua primeira língua estrangeira.

Criticou a decisão da France Télévisions de fechar a France 4 ao jornal Le Figaro em 2018, chamando-o de um "erro profundo". Em uma coluna enviada à Agence France-Presse em 2020, cerca de cem representantes, incluindo Marc e o diretor de J'ai perdu mon corps, Jérémy Clapin que compõem a nova assembleia geral da Academia das Artes e Técnicas do Cinema que realiza a cerimônia do César, descartaram uma renúncia coletiva e denunciaram a falta de transparência após a presença do diretor Roman Polanski entre os membros. Sobre o tema da inteligência artificial, ele afirmou que a IA jamais reproduzirá qualquer história ou estilo e que não deve ser vista como um meio de revolucionar os processos por trás da animação. Apesar de não considerar a IA uma ameaça, ele e a Xilam tentam se concentrar e ir exatamente onde a IA não consegue chegar, afirmando que é impossível para a IA criar conteúdo animado. Em Capitaine Jim, Marc que comentou que a mão do desenhista pode ser sentida e que não era o foco na época, mas estão indo para onde a IA tem dificuldade de acompanhar. Ele disse que seu filme, Le mystère Lucy Lost é uma resposta ao medo da inteligência artificial na animação, visto que é um longa-metragem absolutamente impossível de criar usando IA, tanto técnica quanto artisticamente e que a inteligência artificial é incapaz de se aventurar nesse território.

O pai de Marc, Emmanuel visitou o Brasil para uma conferência sobre a aplicação da Convenção de Varsóvia no salão nobre do edifício do Ministério da Aeronáutica no Rio de Janeiro em 1977.

Honra Ele foi nomeado Cavaleiro (Cavaleiro) da Ordem Nacional do Mérito em 2014.

Filmografia Televisão