foi um diretor de cinema e roteirista japonês. Embora menos conhecido internacionalmente do que seus contemporâneos Akira Kurosawa, Kenji Mizoguchi e Yasujirō Ozu, ele era uma figura muita famosa em seu país natal, amado pela crítica e pelo público entre as décadas de 1940 e 1960. Entre seus filmes mais conhecidos estão Carmen Kokyō ni Kaeru (1951), o primeiro longa-metragem colorido do Japão, Nihon no higeki (1953), Nijū-shi no hitomi (1954), Nogiku no gotoki kimi nariki (1955), Yorokobi mo kanashimi mo ikutoshitsuki (1957), A Balada de Narayama (1958) e Fuefukigawa (1960).
Biografia
Infância e início de carreira Keisuke Kinoshita nasceu Masakichi Kinoshita em 5 de dezembro de 1912, em Hamamatsu, Shizuoka, como o quarto de oito filhos do comerciante Shūkichi Kinoshita e de sua esposa Tama. Sua família gerenciava a manufatura de picles e era dona de uma mercearia local. Fã de cinema desde muito cedo, prometeu se tornar cineasta, mas enfrentou forte oposição por parte de seus pais.
Um dia quando ele estava estudando no ensino médio, uma equipe de filmagem chegou a Hamamatsu para gravar. Ele fez amizade com o ator Bando Junosuke quando este foi à sua loja em busca de produtos na cidade. Mais tarde, Bando o ajudou a ir para Kyoto, onde a maioria dos filmes japoneses eram feitos, mas seu avô veio e o levou de volta para casa no dia seguinte. Sua determinação em se tornar um cineasta finalmente convenceu seus pais a deixá-lo seguir carreira. Sua mãe garantiu-lhe uma participação nos estúdios Shochiku Kamata, onde Ozu, Mikio Naruse e outros diretores famosos trabalhavam.
Sem formação universitária, Kinoshita não foi autorizado a trabalhar como assistente de direção e teve que começar como fotógrafo; ele se inscreveu na Escola de Fotografia Oriental e se formou antes de ser finalmente admitido na Shochiku. Lá ele trabalhou primeiro no laboratório de processamento de filmes, depois como assistente de câmera, antes de se tornar assistente de direção de Yasujirō Shimazu e mais tarde de Kōzaburō Yoshimura. Em 1940, Kinoshita foi convocado para a Guerra Sino-Japonesa e foi para a China, mas retornou no ano seguinte devido a um ferimento.
Carreira como diretor Kinoshita voltar a trabalhar para a Shochiku e foi promovido a diretor em 1943. Adaptando uma peça popular de Kazuo Kikuta, ele fez a comédia Hana saku minato com um elenco e orçamento enormes. No mesmo período, houve a ascensão de um outro novo diretor, Akira Kurosawa, mas sendo Kinoshita, no final daquele ano, quem ganhou o tão cobiçado Prêmio de Novo Diretor.
Como muitos cineastas japoneses no final da década de 1930 e início da década de 1940, Kinoshita dirigiu um filme que superficialmente endossou a política expansionista do regime militarista do Japão, intitulado Rikugun (1944). Mesmo assim, a famosa cena final mostrava uma mãe lamentando a partida do filho para a guerra, ao invés de aplaudi-lo. Embora não tenha sido censurado, Kinoshita recebeu duras críticas e não foi autorizado a dirigir outro filme até o final da Segunda Guerra Mundial. Mais tarde, ele argumentou: "Não posso mentir para mim mesmo em meus dramas. Eu não poderia dirigir algo que fosse como apertar a mão e dizer: 'Venha morrer.'" Ele voltou para sua cidade natal, Hamamatsu, onde esperou o término da guerra.
Seu primeiro filme do pós-guerra foi Ōsone-ke no asa (1946), que conta a história de uma família dividida pela guerra e pelos conflitos entre seus membros de mentalidade liberal e pró-militaristas. A cena final, com o restante da família saudando o sol nascente, foi censurada pelo conselho de censura americano, indo contra as objeções de Kinoshita. Nos anos seguintes, ele trabalhou em diversos gêneros, incluindo comédia, drama contemporâneo, de época, fantasmas e de suspense. Um de seus longas de grande sucesso foi a comédia romântica Ojōsan kanpai! (1949), estrelada por Setsuko Hara.
Em 1951, Kinoshita viajou para a França para conhecer seu ídolo, o diretor francês René Clair. Como afirmou Kinoshita, outro motivo da viagem foi ver seu país natal de uma perspectiva diferente. No mesmo ano foi lançado a comédia musical Carmen Kokyō ni Kaeru, o primeiro filme colorido do Japão. Por motivos técnicos e financeiros, uma versão em preto e branco também foi filmada e lançada. Carmen Kokyō ni Kaeru foi a primeira colaboração de Kinoshita com a atriz Hideko Takamine, que apareceu em muitos de seus futuros filmes. No início, Kinoshita reuniu um grupo já consolidado de colegas de trabalho: Takamine, Kinuyo Tanaka, Yoshiko Kuga, Keiji Sada e Yūko Mochizuki, onde esses atuaram em papéis principais ou coadjuvantes, enquanto seu irmão Chuji (também creditado como Tadashi) foi diretor de trilha sonora e Hiroshi Kusuda diretor de cinematografia. A irmã de Keisuke, Yoshiko Kusuda, esposa de Hiroshi Kusuda, escreveu o roteiro de Yūyake-gumo (1956).
A metade da década de 1950 foi marcada pelo lançamento de dois dos filmes mais aclamados de Kinoshita, Nijū-shi no hitomi (1954), uma história de uma professora que vê os sonhos de seus jovens alunos desmoronarem devido às restrições econômicas e militares, e Nogiku no gotoki kimi nariki (1955), um drama histórico ambientado na era Meiji, que gira entorno do amor não realizado entre dois adolescentes. Também foi muito popular o drama Yorokobi mo kanashimi mo ikutoshitsuki (1957), filme que conta a vida de um dono de farol, e que teve vários remakes nos próximos anos, incluindo uma versão do próprio Kinoshita. A Balada de Narayama (1958), um drama histórico que retrata a lendária prática do ubasute, foi inscrito no 19º Festival Internacional de Cinema de Veneza, mas encontrou reações muito variadas.
Em meados da década de 1960, Kinoshita se voltou exclusivamente a trabalhos televisivos. O historiador de cinema Donald Richie classificou o drama de guerra Fuefukigawa (1960) e Kōge (1964), como os últimos trabalhos notáveis do diretor. Alexander Jacoby também achou digno mencionar o filme satírico Haru no yume de 1960, que ele chamou de "esquisitamente agradável".
Igual a diretores mais velhos de sua época como Ozu e Naruse, Kinoshita permaneceu fiel a um estúdio de cinema (Shochiku) antes de ingressar na televisão, e muitas vezes trabalhou para Shochiku mesmo em anos posteriores, enquanto outros diretores de sua geração como Yoshimura e Kaneto Shindō, e até Heinosuke Gosho, começaram a trabalhar de forma independente para diferentes estúdios no início dos anos 1950.
Embora poucos detalhes concretos tenham surgido sobre a vida pessoal de Kinoshita, sua homossexualidade era amplamente conhecida no mundo cinematográfico. O roteirista Yoshio Shirasaka e seu frequente colaborador, relembra a "cena brilhante" que Kinoshita fez com os belos e bem vestidos assistentes de direção dos quais ele se cercava. Seu filme de 1959, Sekishunchō, foi chamado de "o primeiro filme gay do Japão" pela intensidade emocional retratada entre seus personagens masculinos.
Kinoshita morreu em 30 de dezembro de 1998, devido a um acidente vascular cerebral. Seu túmulo se encontra em Engaku-ji, Kamakura, muito próximo ao de seu colega e também diretor da Shochiku, Yasujirō Ozu.
Filmografia AnoTítulo em japonêsRōmajiTítulo em portuguêsFilmes da década de 19401943花咲く港Hana saku minatoPorto das Flores生きてゐる孫六Ikite iru MagorokuMagoroku está Vivo1944歓呼の町Kanko no MachiRua do Júbilo陸軍RikugunExército1946大曾根家の朝Ōsone-ke no asaManhã na Família Osoneわが恋せし乙女Ikite iru MagorokuA Garota que eu Amava1947不死鳥FushichōFénix結婚KekkonCasamento1948女OnnaMulher肖像ShōzōO Retrato破戒HakaiApostasia1949お嬢さん乾杯!Ojōsan kanpai!Um Brinde à Jovem新釈四谷怪談(前後編)Shin'yaku Yotsuya kaidan (sengo hen)Histórias de Fantasmas de Yotsuya I e II破れ太鼓Yabure daikoTambor QuebradoFilmes da década de 19501950婚約指環Kon'yaku yubiwaAnel de Casamento1951善魔ZenmaA Boa Fadaカルメン故郷に帰るCarmen Kokyō ni Kaerubra: A Volta de Carmen少年期!ShōnenkiAdolescência海の花火Umi no hanabiFogos de Artfifício no Mar1952カルメン純情すCarmen JunjōsuO Amor Puro de Carmen1953日本の悲劇Nihon no higekiprt: Uma Tragédia Japonesa1954女の園Onna no sonoO Jardim das Mulheres二十四の瞳Nijushi no hitomibra: Vinte e Quatro Olhos1955遠い雲Tōi kumoAs Asas Esfarrapadas野菊の如き君なりきNogiku no gotoki kimi narikiVocê é Como um Crisântemo Selvagem1956夕やけ雲Yūyake-gumoAdeus ao Sonho太陽とバラTaiyō to baraA Rosa sobre seu Braço1957喜びも悲しみも幾歳月Yorokobi mo kanashimi mo ikutoshitsukiTempos de Alegria e Tristeza風前の灯Fūzen no tomoshibiO Perigo está Próximo1958楢山節考Narayama bushi kōbra/prt: A Balada de Narayamaこの天の虹Kono ten no nijiO Arco-íris Eterno1959風花KazabanaA Enxurrada de Neve惜春鳥SekishunchōAdeus à Primavera今日もまたかくてありなんKyō mo mata kakute arinanAssim, Outro DiaFilmes da década de 19601960春の夢Haru no yumeSonhos de Primavera笛吹川Fuefukigawabra: O Rio Fuefuki/Múrmurio do Rio Fuefuki1961永遠の人Eien no hitobra: O Inesquecível1962今年の恋Kotoshi no koiO Amor Deste Ano二人で歩いた幾春秋Futari de aruita ikushunjūBalada de um Trabalhador1963歌え若人達Utae wakōdotachiCantem, Jovens!死闘の伝説Shitō no densetsuUma Lenda ou era?1964香華KōgeO Perfume do Incenso1967なつかしき笛や太鼓Natsukashiki fue ya taikoLinda Flauta e TamborFilmes da década de 1970-19801976スリランカの愛と別れSuri Ranka no ai to wakareAmor e Separação no Sri Lanka1979衝動殺人・息子よShōdō satsujin musuko yoMeu Filho! Meu Filho!1980父よ母よ!Chichi yo, haha yo!Os Jovens Rebeldes1983この子を残してKono ko o nokoshitebra: Crianças de Nagasaki1986新・喜びも悲しみも幾歳月Shin yorokobi mo kanoshimi mo ikutoshitsukiGrandes Alegrias, Pequenas Tristezas1988父ChichiPai
Principais temas e estilo Embora não tenha se limitado a um determinado gênero, os dois principais estilos muito utilizados por Kinoshita foram a comédia e o melodrama. Um tema importante abordado em suas obras foi a representação da história nacional em termos pessoais, narrando famílias ou comunidades ao longo de um determinado período de tempo. Além disso, os seus filmes concentravam-se frequentemente no sofrimento das crianças em circunstâncias opressivas e mostravam uma simpatia geral pelos socialmente marginalizados. Trabalhando menos em um nível analítico, mas intuitivo, os filmes de Kinoshita mostraram, segundo Alexander Jacoby, uma ocasional simplicidade e ingenuidade, mas nos casos de Nijushi no hitomi e Nogiku no gotoki kimi nariki, eles estavam entre os mais puramente comoventes do cinema japonês. Donald Richie também destacou a sátira e a comédia dos personagens nos filmes de comédia de Kinoshita, e uma seriedade emocional que excedia o sentimentalismo em seus filmes mais sérios. As vezes sendo mais crítico com os futuros trabalhos do diretor, Richie detectou um tradicionalismo crescente em seus filmes, como A Balada de Narayama, Fuefukigawa e Kōge.
Embora ele frequentemente tenha adaptado obras literárias de escritores nacionais como Tōson Shimazaki, Kunio Kishida e Isoko Hatano, muitos de seus roteiros foram baseados em ideias originais suas. Kinoshita explicou sua produção com o fato de que ele "não consegue evitar. Ideias para filmes sempre surgiram na minha cabeça como pedaços de papel em uma cesta de lixo". Alguns de seus roteiros foram gravados por outros diretores, incluindo o primeiro filme na estreia da atriz Kinuyo Tanaka como cineasta, Koibumi (1953).
Kinoshita também era um artista ávido que experimentava formas cinematográficas diferenciadas em seus filmes. Ele usou ângulos de câmera expressionistas em Carmen junjōsu, enquadramento de imagens semelhante a um daguerreótipo em Nogiku no gotoki kimi nariki, e tingimento parcial para evocar a impressão de xilogravuras japonesas em Fuefukigawa. Ele intercalou imagens de noticiários em Nihon no higeki, e utilizou efeitos de palco kabuki em A Balada de Narayama. Kazabana conta sua história de maneira fragmentada e não linear, precedendo a nova onda do cinema japonês.
Influência