O Lusitano Ginásio Clube MHIH • OMC, também conhecido como Lusitano de Évora, é um clube multidesportivo português, sediado na cidade de Évora, no Alentejo. A sua equipa de futebol competiu catorze temporadas na primeira divisão portuguesa entre 1952 e 1966, sendo um dos estandartes com mais presenças no principal escalão. É ainda o décimo quarto clube com mais participações consecutivas e o clube do Alentejo que mais temporadas esteve no escalão máximo português. Venceu o Campeonato Nacional da II Divisão em 1951/52 e mais recentemente o Campeonato de Portugal em 2024/25.

Foi durante o século XX um marco importante na evolução da educação física e cultura desportiva da região. Sob o lema "Fazer Forte, Fraca Gente", mudou em 1925 a sua designação de Lusitano Futebol Clube para Lusitano Ginásio Clube, em consonância com essa mesma cultura de vontade de renovação do corpo e da alma da população alentejana. Teve uma importante obra cultural e educativa através da promoção de aulas de alfabetização de adultos e possuía uma das melhores bibliotecas privadas do país. As diversas sedes do Lusitano Ginásio Clube ao longo do século XX, no antigo Largo do Paraíso, na Rua Serpa Pinto, bem como no Campo Estrela, que foi durante décadas um dos melhores estádios e relvados desportivos do país, constituíram polos aglutinadores de gerações eborenses que acreditaram no ideal de mente sã em corpo são.

Augusto Leitão escreveu um dia de 1926 no Notícias de Évora "...as cores esperançosas da sua bandeira, o escudo sagrado das cinco quinas, as abençoadas muralhas da cidade que lhe serviu de berço e o nome sacrossanto de descendente de Lusa Pátria." História esquerda|miniaturadaimagem|156x156px|Domingos Morais, fundador e primeiro capitão, treinador e presidente Fundação

Em 1911, em Évora, um grupo de moços, dos oito aos quinze anos encontrava-se no adro da Igreja da Graça para jogarem futebol e começaram a visar a ideia de formarem um "grupo" de futebol.

Foi aprazada uma reunião para o dia 11 de Novembro de 1911, na Rua das Fontes n.º 3, em casa do Professor Dâmaso Simões, onde estavam hospedados três irmãos do Redondo, Domingos Coelho Morais "o Besnica", Venâncio Coelho Morais, Rogério Coelho Morais, que faziam parte do grupo e aos quais se juntaram o "keeper" Adriano Peres Sales, os irmãos José Conde Ribeiro e João Conde Ribeiro, José Simões Silva, Manuel Fernandes, Manuel Marçal, Manuel Morais e Augusto Melo. Nessa reunião resolveram fundar o "Luzitano Foot-ball Club".

Do grupo faziam ainda parte estudantes liceais, da escola comercial e ainda marçanos do comércio. Principiaram por efetuar jogos com outros grupos, no Largo dos Colegiais e Rossio de S. Brás. Com o decorrer dos anos o grupo foi progredindo e os moços tornaram-se homenzinhos. Começaram a jogar contra as segundas categorias do Sport Vitória Académico, da Real Casa Pia de Évora, Empregados do Comércio, Sporting, Graça, União Eborense, Álvaro Gaspar ou os Pedestrianistas.

Note-se a curiosidade de o clube ter sido fundado no dia onze do mês onze de 1911 e de o futebol, a modalidade que mais o notabilizou, se jogar com onze jogadores. Acresce que a sua primeira sede se situava na Travessa da Bola, n.º 11.

Primeiras Vitórias Em 1917/18 ganha o seu primeiro Campeonato da Cidade de Évora, ainda organizado pela Liga Eborense de Foot-Ball.GIORGIO, Giusepe, O Futebol em Évora e o seu Campeonato Regional, Smashwors Edition, Maio de 2015, . Pág. 19.

No dia 4 de setembro de 1925, na Esplanada do Eden Teatro, em Assembleia Geral, foi resolvido alterar o nome, com a substituição da palavra "Futebol" pela de "Ginásio", ficando a partir dessa data com a designação atual, Lusitano Ginásio Clube sob o lema "Fazer Forte Fraca Gente".

Antes de existirem competições nacionais, as provas futebolísticas eram essencialmente locais, disputadas entre equipas da mesma cidade ou da mesma região. O Lusitano desde muito cedo mostrou que tinha nascido para lutar por vitórias.

Em 1921, a Federação Eborense dos Sports começou a organizar o campeonato local tendo-se o Lusitano proclamado campeão de Évora bisando em 1921/22, 1922/23. A partir de 1926 é criada a Associação de Futebol de Évora, como associação de âmbito distrital, devidamente filiada na FPF e nos moldes que hoje a conhecemos e foi a partir daí que o Campeonato Distrital de Évora deixa de ser oficioso. O Lusitano vence as três primeiras edições, 1926/27, 1927/28, 1928/29). Após o reconhecimento do Campeonato Regional de Évora por essa altura, as equipas de Évora puderam começar a disputar qualificações para o Campeonato de Portugal competição disputada desde 1922 e que apurava o campeão nacional.GIORGIO; Giusepe, O Futebol em Évora e o seu Campeonato Regional, Smashwors Edition, Maio de 2015, . Páginas 23 e 24.Giorgio, Giusepe, O Futebol em Évora e o seu Campeonato Regional, Smashwors Edition, Maio de 2015, . Páginas 35 a 45.COELHO, João Nuno e PINHEIRO, Francisco, A Paixão do Povo, Edições Afrontamento, , págs. 246 e 247

Em 1928/29, por fim a Associação de Futebol de Évora teve a oportunidade de enviar primeira vez um representante ao Campeonato de Portugal e este é o campeão regional, Lusitano Ginásio Clube. Para apurar o representante alentejano o clube enfrentaria a prestigiada equipa do Luso de Beja, vencendo por 7-1 e apurando-se para a primeira eliminatória, na qual seria eliminado pelo Vitória de Setúbal. O clube participa ainda em todas as edições entre 1929/30 e 1933/34. A melhor prestação deu-se na época 1930/31. Nesse ano o Lusitano começa a qualificação eliminando os rivais da cidade SL Évora e Juventude, qualificando-se depois para o fase a eliminar onde teve uma passagem direta para os oitavos de final uma vez que o seu adversário Sporting se recusou a participar em virtude de conflitos entra a FPF e AFL. Nos oitavos de final calhou em sorte o SC Salgueiros, ultra favorito, mas os lusitanistas levariam a melhor com uma vitória em Évora por 3-2 e um empate 1-1 arrancado no campo do Amial, no Porto. Atingiu assim os quartos de final tendo apenas caído frente ao Benfica.Democracia do Sul, 30 de Abril de 1931, página 2GIORGIO, Giusepe, O Futebol em Évora e o seu Campeonato Regional, Smashwors Edition, Maio de 2015, . Pág. 52 e ss.

Nos anos 30 o clube também não dava mostras de desacelerar na Associação de Futebol de Évora, reclamando o título de 1930/31 e mais um tricampeonato (1932/33, 1933/34, 1934/35). Com Inácio Serrano na baliza e Ricardo Sertório Oliveira a comandar a defesa, o Lusitano tinha nos médios António Caeiro e António Pedro Mira as traves mestras do meio campo no apoio ao um quinteto ofensivo que ficou na memória do futebol na cidade constituído por Manuel Peixoto "Xôrra", Fausto de Souza, José Teles, o malogrado António Filipe "Tonica" e Manuel Branco.GIORGIO, Giusepe, O Futebol em Évora e o seu Campeonato Regional, Smashwors Edition, Maio de 2015, . Páginas 60 a 70.

No ano de 1931 haveria de ser chamado à seleção nacional de futebol o primeiro jogador do Lusitano. A 28 de março de 1931 o selecionador nacional Tavares da Silva convocou o defesa esquerdo Ricardo Sertório Oliveira "Monginho" para um jogo contra a Itália cidade do Porto.José Frota, LUSITANO DE ÉVORA, O Clube e a Cidade

O clube venceria ainda os títulos de 1939/40 e 1940/41, mas começava a desenhar-se um futuro mais ambicioso no horizonte, com os olhos postos nos campeonatos nacionais que começavam a dar os primeiros passos em Portugal e cuja participação deixaria de estar autorizada apenas aos clubes das associações de futebol de Lisboa, Porto, Setúbal e Coimbra. Já em setembro de 1945, no jornal A Bola, Cândido de Oliveira (que chegou a escrever para o boletim do Lusitano) saudava e defendia em crónica o alargamento dos campeonatos nacionais, que nessa época viram, por exemplo, aumentar o campeonato nacional de 10 para 14 equipas, possibilitando assim um acesso real a equipas mais pequenas e da província ao principal escalão, com vista ao desenvolvimento do desporto rei em Portugal. Nos anos 30 e 40, o Lusitano seria quase sempre presença assídua na segunda divisão nacional.A Bola, Ed.70, de 27 de Setembro de 1945

Anos de glória

Campeões Nacionais da II Divisão No início da década de 50 do século XX, o Lusitano começou a pôr os olhos em voos mais altos e atacar uma subida à primeira divisão. A primeira tentativa quase bem sucedida dá-se em 1950/51 com o treinador italo-argentino Anselmo Pisa ao comando da equipa e reforços como Duarte e Teixeira da Silva do Belenenses (autor do primeiro golo que o Real Madrid sofreu no Estádio Santiago Bernabéu aquando do respetivo jogo de inauguração). O Lusitano venceu a sua Zona e ultrapassou igualmente a II Fase, mas não conseguiu impor-se na Fase Final. No ano seguinte chegam ao clube reforços como os argentinos Valle e Vicente Di Paola, ex-jogadores da AS Roma, o guineense Flora, Pepe, Domingo (ex-Oviedo e Atlético de Madrid) e sobretudo Dinis Vital que se tornaria uma das maiores estrelas do Lusitano. miniaturadaimagem|250x250px|Taça II Divisão Nacional Na época 1951/52 consegue a tão ambicionada promoção. Embora não tenha vencido inicialmente a sua série na primeira e segunda fases, na fase final, onde realmente importava, o Lusitano impôs-se ao União de Coimbra, ao Torriense ao Vitória de Setúbal e sagrou-se Campeão Nacional da II Divisão 1951/52. Foi um momento de celebração e júbilo únicos em Évora, com celebrações na famosa Praça do Geraldo após o empate a zero entre eborenses e sadinos no Campo Estrela, que selava em definitivo a subida ao escalão maior do clube alentejano. Centenas de pessoas participaram na festa comemorativa realizada na Herdade do Vale de Moura.Blogue do Lusitano Ginásio Clube 2011/11/Centenário Historia do Lusitano Ginásio

Os primeiros tempos entre os grandes O clube reforçou-se em agosto de 1952 com elementos como o ex-benfiquista Augusto Batalha, o internacional português Patalino proveniente do O Elvas e José Pedro Biléu, contratado ao Luso Morense, que se tornaria nos anos seguintes no maior goleador da história do clube até aos dias de hoje.Jornal A Bola, 14 de agosto de 1952, pág. 5

O tomba gigantes do campeonato miniaturadaimagem|Alinhamento de estreia do Lusitano na 1ª Divisão em 1952 O primeiro jogo do Lusitano na primeira divisão ocorreu no dia 28 de Setembro de 1952, na Amoreira, frente ao Estoril Praia, antigo clube de Anselmo Pisa. De véspera a direção organizou um beberete comemorativo na Casa do Alentejo em Lisboa. O clube da linha ofereceu um galhardete comemorativo da estreia do mais recente primodivisionário. Os alentejanos apresentaram-se com uma vitória por 1-0 na estreia. O jornal "A Bola", na sua edição de 29 de Setembro chamava à capa "Estreia auspiciosa do Lusitano de Évora". À sexta jornada o Lusitano era líder do campeonato após uma vitória por 2-0 no Campo Estrela contra o bicampeão Sporting, resultado que permitiu voltar à liderança isolada, feito que nunca mais foi igualado por uma equipa recém promovida à primeira divisão. Poucos dias, antes do natal, à décima jornada, uma vitória por três bolas a zero frente ao FC Porto, fazia dos dragões o segundo "grande" a sair derrotado do Campo Estrela. O jornal A Bola chamou-lhe o "Tomba Gigantes" do campeonato. Anselmo Pisa suspenderia o seu consulado à frente do clube por motivos de saúde em março de 1953, sendo substituído pelo jogador-treinador e coordenador das escolas de jogadores do clube, Domingo García y García para a reta final da temporada. A primeira participação saldou-se com um sétimo lugar tendo o clube andado sempre pela parte superior da tabela.Jornal A Bola, 29 de setembro de 1952, capa e página 5

Meias finais da Taça de Portugal