miniaturadaimagem|O cangaceiro Jararaca, preso em Mossoró, ao lado de dois soldados em 1927 O batismo de fogo de Mossoró foi como passou a ser conhecida a invasão da cidade de Mossoró pelo bando de Lampião, no estado brasileiro do Rio Grande do Norte, no ano de 1927.
Esta foi a primeira vez que o chamado "rei do cangaço" teve um ataque frustrado, e resultou na morte dos cangaceiros Colchete e Jararaca. A magnitude da malograda incursão teve um impacto permanente nas manifestações políticas e culturais no município.
O ataque Em 13 de junho de 1927, o bando de Lampião invadiu Mossoró. A cidade tinha grandes dimensões para os padrões da época, cerca de vinte mil habitantes. Anteriormente, o cangaceiro escreveu ao prefeito Rodolfo Fernandes, ameaçando invadi-la caso não pagassem quatrocentos contos de réis. Em vez de ceder à chantagem, Fernandes mobilizou uma resistência ao ataque, que foi frustrado.TAVARES, Edgley Freire; SILVA, Francisco Paulo da. A inscrição da memória no espaço urbano: efeitos de sentido na contação da invasão de lampião a Mossoró feita monumento. IN: MILANEZ, Nilton; SANTOS, Janaina de Jesus. (org.). Análise do discurso: sujeito, lugares e olhares. São Carlos: Claraluz, 2009. p.23-30 Em 2020, o escritor Robério Santos localizou uma carta, escrita por Rodolfo Fernandes para o coronel Antonio Gurgel, que estava refém de Lampião, em que o político nega o pagamento dessa quantia.
Perdas de Lampião O cangaceiro Colchete foi morto em combate. Como resultado da derrota de Lampião, o cangaceiro Jararaca foi capturado e, no dia 19 de junho, executado. Supostamente enterrado vivo, Jararaca passou a ser cultuado no município e é considerado um santo popular.
Repercussão O evento teve fortes consequências culturais e políticas. O batismo de fogo de Mossoró foi a única derrota de Lampião. Em razão desse triunfo, o evento é rememorado como um marco da história da cidade, que passou a ser considerada a "cidade da resistência", imagem construída com apoio do jornal O Mossoroense. O simbolismo da resistência de Mossoró foi amplamente explorado por políticos locais, sobretudo a família Rosado, o que permanece na atualidade.
Representações culturais Devido à sua relevância histórica, o evento foi explorado na literatura de cordel. Em 2002, 75 anos após a invasão, o escritor potiguar Tarcísio Gurgel escreveu a peça Chuva de Bala no País de Mossoró, encenada anualmente no município desde então.
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