A Classe Majestic foi uma classe de couraçados pré-dreadnought operada pela Marinha Real Britânica, composta pelo , , , , , , , e . A classe foi encomendada como parte de um programa que tinha a intenção de fortalecer a Marinha Real diante de seus principais rivais, a Marinha Nacional Francesa e a Marinha Imperial Russa. Seu projeto apresentou vários melhoramentos sobre classes anteriores, incluindo um armamento mais poderoso e melhor blindagem. A classe se tornou um marco no projeto de couraçados e foi copiada por várias marinhas estrangeiras.

Os couraçados da Classe Majestic eram armados com uma bateria principal composta por quatro canhões de 305 milímetros instalados em duas torres de artilharia duplas. Tinham um comprimento de fora a fora de 128 metros, boca de quase 23 metros, calado de oito metros e um deslocamento carregado de mais de dezesseis mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por oito caldeiras a carvão que alimentavam dois motores de tripla-expansão, que por sua vez giravam duas hélices até uma velocidade máxima de dezesseis nós (trinta quilômetros por hora). Os navios também tinham um cinturão principal de blindagem que tinha uma espessura máxima de 229 milímetros.

Os navios da classe tiveram início de carreira tranquilos e serviram principalmente no Canal da Mancha, mas também no Mar Mediterrâneo e Sudeste Asiático. Foram sendo colocados na reserva a partir de meados da década de 1900, mas trazidos de volta ao serviço depois do início da Primeira Guerra Mundial em 1914. Foram inicialmente usados para escoltar a Força Expedicionária Britânica até a França, com alguns também participando da Campanha de Galípoli em 1915, onde o Majestic foi afundado. As embarcações foram novamente sendo tiradas de serviço, desarmadas e usadas em funções secundárias como depósitos e navios de reparo. Eles foram desmontados entre 1920 e 1923.

Desenvolvimento O contra-almirante John Fisher, o Controlador da Marinha Real Britânica, emitiu em 1891 um pedido para um novo projeto de couraçado baseado na predecessora Classe Royal Sovereign, mas que incorporasse o recém projetado canhão de 305 milímetros e blindagem Harvey, que era significativamente mais resistente do que blindagem composta. William Henry White, o Diretor de Construção Naval, preparou um projeto preliminar de 12,7 mil toneladas armado com quatro canhões de 305 milímetros e protegido por um cinturão de blindagem de 229 milímetros de espessura. O projeto foi apresentado ao Conselho do Almirantado Britânico em 27 de janeiro de 1892. A maior resistência da blindagem Harvey permitiu que o mesmo nível de proteção dos navios anteriores fosse mantido ao mesmo tempo que a quantidade geral de blindagem fosse diminuída, reduzindo significativamente o peso. Consequentemente, o esquema de proteção desse projeto era mais compreensivo do que o da Classe Royal Sovereign, ao mesmo tempo que minimizava o aumento de deslocamento. Isto permitiu que uma proteção blindada completa fosse adicionada para os canhões principais.

O conselho aprovou o projeto com a intenção de iniciar a construção de três navios sob o Programa Naval de 1892, mas os trabalhos no canhão de 305 milímetros demoraram mais do o esperado, assim as obras foram adiadas para o programa do ano seguinte. Nesta altura, aquele que seria o terceiro navio do que se tornaria a Classe Majestic tinha sido reprojetado como o couraçado de segunda classe , deixando apenas duas embarcações para serem construídas sob o Programa Naval de 1893. Entretanto, por volta de agosto de 1893 a percepção do público britânico tinha mudado a ponto de achar que a Marinha Real tinha perdido força diante de suas rivais tradicionais, a Marinha Nacional Francesa e a Marinha Imperial Russa. Desta forma, lorde John Spencer, 5.º Conde Spencer e Primeiro Lorde do Almirantado, propôs um grande plano de expansão naval que incluía mais sete novos couraçados com o objetivo de aplacar a opinião pública.

A Classe Majestic provou-se um marco para todos os couraçados pré-dreadnoughts sucessores. Apesar da predecessora Classe Royal Sovereign ter revolucionado e estabilizado o projeto de navios capitais britânicos ao introduzir um navio com borda livre alta com quatro canhões principais em montagens duplas à vante e à ré, foi a Classe Majestic que estabeleceu a bateria de 305 milímetros e iniciou a prática de montar coberturas blindadas sobre as barbetas; estas estruturas, apesar de bem diferentes das torres de artilharia anteriores que eram bem pesadas e circulares, acabaram ficando conhecidas como "torres de artilharia" também e isto se tornou o padrão de navios de guerra ao redor do mundo. A Classe Majestic foi a maior classe de couraçados construídos até então e a mais bem sucedida, com seu projeto tendo sido amplamente copiado.

Projeto Características thumb|240px|esquerda|Desenho da Classe Majestic A Classe Majestic tinha 118,8 metros de comprimento entre perpendiculares e 128,3 metros de comprimento de fora a fora, boca de 22,8 metros e calado de 8,2 metros. O deslocamento carregado era de toneladas. Tinha uma borda livre de 7,6 metros à vante, 5,2 metros à meia-nau e 5,6 metros à ré. O casco era subdividido em 72 compartimentos estanques dentro da cidadela blindada e 78 fora. Um fundo duplo cobria boa parte do comprimento do casco. Os couraçados tinham dois mastros de poste, cada um com duas gáveas. Os navios, exceto o Hannibal, Caesar e Illustrious, foram construídos com um novo projeto em que a ponte de comando ficava ao redor da base do mastro de vante e à ré da torre de comando para impedir que uma ponte danificada ruísse ao redor da torre.

Foi considerado que os couraçados da classe tinham boa navegabilidade, muito por sua borda livre alta, tendo um balanço leve e boa manobrabilidade, porém sofriam de um alto consumo de combustível. Tinham uma altura metacêntrica transversal de 1,1 metro em carga plena. A tripulação ficava entre 672 e 794 oficiais e marinheiros, com estes números variando entre os navios e no decorrer de suas carreiras. Cada embarcação também levava uma variedade de barcos menores, geralmente incluindo três pinaças a vapor, um escaler a vapor de treze metros, dois cúteres de dez metros, duas baleeiras de 8,2 metros, três gigs entre 7,3 e 9,8 metros, um bote esquife de 4,9 metros e uma jangada de 4,11 metros. Os couraçados eram equipados com seis holofotes de 610 milímetros, quatro instalados na ponte de comando e um em cada mastro. Os nove navios receberam entre 1909 e 1910 telégrafos sem fio Tipo I.

Os testes marítimos do predecessor couraçado revelaram que os motores poderiam parar de funcionar quando forçados a um nível elevado. Desta forma, a Classe Majestic foi projetada para alcançar a mesma velocidade máxima com um motor mais potente, dando aos engenheiros uma maior margem de segurança em velocidade máxima. O sistema de propulsão consistia em dois motores de tripla expansão com três cilindros, cada um girando uma hélice de quatro lâminas. O vapor para os motores vinha de oito caldeiras marítimas Scotch a carvão cuja exaustão era canalizada para duas chaminés colocadas lado a lado. A potência indicada normal era de 10,2 mil cavalos-vapor (7,5 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de dezesseis nós (trinta quilômetros por hora). Forçando os motores a potência chegava a 12,1 mil cavalos-vapor (8,9 mil quilowatts) para dezessete nós. As embarcações receberam em 1908 novas caldeiras mistas de carvão e óleo combustível. Podiam carregar normalmente até 1,1 mil toneladas de carvão, com espaços adicionais permitindo que esse número crescesse para 1,9 mil toneladas. Espaço para quatrocentas a quinhentas toneladas de óleo combustível foram adicionados quando as novas caldeiras foram instaladas. A autonomia era de sete mil milhas náuticas (treze mil quilômetros) a uma velocidade de dez nós (dezenove quilômetros por hora).

Armamento thumb|240px|O interior de uma das torres de artilharia do Illustrious Os couraçados da Classe Majestic tinham uma bateria principal de quatro canhões Marco VIII calibre 35 de 305 milímetros em duas torres de artilharia duplas, uma à vante e outra à ré. Foram os primeiros navios capitais britânicos armados com uma bateria de 305 milímetros desde a década de 1880. Este canhão era uma melhora significativa em relação às armas de 343 milímetros que tinham sido instaladas na Classe Royal Sovereign, tanto em termos balísticos quanto do próprio canhão, pois era bem mais leve. Disparavam projéteis de 390 quilogramas a uma velocidade de saída de 760 metros por segundo para um alcance máximo de 12,7 quilômetros.

As torres ficavam em cima de barbetas em formato de pêssego, exceto aquelas do Caesar e Illustrious, que eram circulares. As montagens BII dos primeiros sete couraçados permitiam que os canhões fossem recarregados em qualquer posição de rotação usando a munição mantida dentro da torre, mas esta precisava voltar para a linha central caso fosse necessário trazer mais munição dos depósitos, pois os guindastes de munição não giravam junto com a torre. As montagens BIII dos dois últimos membros da classe tinham guindastes giratórios e isto permitia recarregamento em qualquer ângulo de rotação. As duas montagens podiam abaixar as armas até cinco graus negativos e elevar até 13,5 graus. Quatro couraçados da classe foram desarmados durante a Primeira Guerra Mundial e esses canhões foram usados para armar os oito monitores da Classe Lord Clive. As duas torres do Illustrious foram posteriormente colocadas como baterias costeiras no rio Tyne.

A economia de peso na bateria principal permitiu que a Classe Majestic tivesse uma bateria secundária de doze canhões calibre 40 de 152 milímetros, um armamento maior do que em classes anteriores. As armas ficavam em casamatas em dois conveses à meia-nau. Disparavam projéteis de 45 quilogramas a uma velocidade de saída de 672 metros por segundo, tendo um alcance de 9,1 quilômetros a uma elevação de quinze graus. Também foram equipados com dezesseis canhões Marco I de 76 milímetros e doze canhões Marco I de quarenta milímetros para defesa contra barcos torpedeiros. Estas armas ficavam em uma variedade de montagens, incluindo casamatas, no teto das torres de artilharia e nas gáveas. Por fim, tinham cinco tubos de torpedo de 450 milímetros, quatro submersos no casco e um em lançador montado no convés da popa. Os torpedos foram produzidos pelo Arsenal Real de Woolwich e eram do modelo Marco IV, tendo uma ogiva de 91 quilogramas e um alcance de 690 metros a 27,5 nós (50,9 quilômetros por hora).

Blindagem O cinturão de blindagem da Classe Majestic tinha 229 milímetros de espessura de aço Harvey, com este novo material permitindo que fosse mais profundo e leve do que embarcações predecessoras. O cinturão tinha 67 metros de comprimento, com 1,68 metro ficando acima da linha de flutuação e 2,9 metros abaixo. O cinturão conectava-se por meio das barbetas à anteparas transversais nas suas extremidades, uma de 356 milímetros à vante e uma de 305 milímetros à ré. O convés blindado tinha 76 milímetros na parte central e laterais inclinadas de 102 milímetros que conectavam-se à extremidade inferior do cinturão. Este arranjo era para que qualquer projétil que penetrasse o cinturão também tivesse que passar pelo convés antes de chegar nas partes vitais dos navios. A espessura do convés reduzia para 64 milímetros em direção da proa e da popa.