Aeroporto Internacional de Brasília – Presidente Juscelino Kubitschek é um aeroporto internacional na região administrativa do Lago Sul, no Distrito Federal. É o terceiro maior aeroporto do Brasil em número de passageiros transportados e o primeiro aeroporto da América do Sul a operar com pistas simultâneas. Desde 20 de abril de 1999, o aeroporto leva o nome de Juscelino Kubitschek (1902–1976), o 21º Presidente do Brasil.

O aeroporto está localizado na região administrativa do Lago Sul, a 13 quilômetros do centro de Brasília. É operado pela Inframérica. O local do aeroporto cobre uma área de cerca de 2.900 hectares de propriedade aeroportuária.

Algumas de suas instalações são compartilhadas com a Base Aérea de Brasília da Força Aérea Brasileira. O Centro Integrado de Controle de Tráfego Aéreo e Defesa Aérea Brasileiro seção 1 (Cindacta I) também está localizado nas proximidades do aeroporto.

O complexo aeroportuário foi concedido à iniciativa privada em 6 de fevereiro de 2012 para o Consórcio Inframérica durante o período de 25 anos, pelo valor de 4,5 bilhões de reais. Em 2019, foi apontado pela consultoria de aviação internacional OAG como o terceiro mais pontual do mundo.

História

Construção e inauguração miniaturadaimagem|esquerda|O aeroporto em 1959

O Aeroporto de Vera Cruz, construído em 1955 pelo então vice-governador de Goiás, Bernardo Sayão Carvalho Araújo, a pedido do presidente da sede da Nova Capital Federal, Marechal José Pessoa, já existia. Em 2 de outubro de 1955, o aeroporto recebeu a primeira tripulação de operários que construiria a nova capital. Essa instalação estava localizada onde hoje é o Terminal Integrado de Ônibus e Trem de Brasília. Tinha uma pista de terra de 2,7 quilômetros e um terminal de passageiros em um barraco improvisado de parede de sabugo coberto com folhas de buriti. A mudança para local definitivo já havia sido identificada como prioridade e as obras foram iniciadas em 6 de novembro de 1956. A obra durou mais de seis meses e exigiu a limpeza de uma área de 1,3 milhão de metros quadrados. A pista foi projetada para ter 3,3 quilômetros mas inicialmente tinha apenas 324 metros de comprimento e 45 metros de largura. O terminal de passageiros foi construído em madeira. Em 2 de abril de 1957, a aeronave presidencial pousou pela primeira vez no local, e a inauguração oficial ocorreu em 3 de maio de 1957. Naquele ano, no mesmo local também foi inaugurada a Base Aérea de Brasília. esquerda|miniaturadaimagem|Inauguração do aeroporto de Brasília, pelo voo da Pan Am, em 3 de maio de1957 No mesmo ano também, a Pan American World Airways (Pan Am) organizou um voo diretamente de Nova Iorque para a capital federal, pela linha PA 201, com um Lockheed Super Constellation.

Apesar de ter sido oficialmente inaugurado no dia 3 de maio de 1957, a primeira etapa de construção da pista foi inaugurada em 2 de abril do mesmo ano, com a recepção de um pouso do Viscount (avião presidencial) que trazia o próprio presidente, os embaixadores da França e de Portugal, ministro, deputados e Lúcio Costa, que acabara de vencer o concurso do Plano Piloto, além de jornalistas estrangeiros. A comitiva viera para Brasília inspecionar as obras da Nova Capital.

A pista do aeroporto foi projetada pelo engenheiro carioca e pioneiro em Brasília (chegou em outubro 1956) Atahualpa Schmitz Prego. Ele era o engenheiro-chefe da Companhia Metropolitana de Engenharia e responsável pela construção do Aeroporto, na conclusão da primeira etapa, foram construídos 2400 metros de pista de operação por 45 metros de largura, na segunda etapa a pista foi ampliada, atingindo 3300 metros de extensão, sendo a mais extensa pista do país até então.

Aos 22 dias do mês de fevereiro de 1960, ocorreu um evento no aeroporto que ficou para a história. Em voo direto de Washington com o pouso do Boeing 707 Air Force One ainda na jovem pista, Brasília recebeu a visita de Dwight Eisenhower, na época, presidente dos Estados Unidos da América, para estabelecer e conectar o DF à sua nação.

Ampliação Em 1965, Oscar Niemeyer propôs um projeto visionário para o Aeroporto de Brasília em substituição ao terminal de madeira: circular, com pilares externos semelhantes ao Palácio da Alvorada e túneis do metrô até o pátio satélite. Porém, o arquiteto perdeu a concessão e, devido ao golpe de estado brasileiro de 1964, o governo militar optou por construir o projeto de Tércio Fontana Pacheco, arquiteto do Ministério da Aeronáutica Brasileira. O aeroporto é, portanto, um dos poucos edifícios importantes de Brasília que não tem relação com Niemeyer. miniaturadaimagem|O edifício satélite circular antes da expansão miniaturadaimagem|Saguão Sul do BSB. O saguão está conectado ao terminal principal da BSB e foi inaugurado em abril de 2014. miniaturadaimagem|Interior do terminal

No dia 30 de junho de 1980, o Papa São João Paulo II visitou o Brasil pela primeira vez. A aeronave que pousou na Base Aérea de Brasília foi um McDonnell Douglas DC-10-30 fretado da Alitalia de matrícula I-DYNC vindo diretamente de Roma. Logo após a chegada e descida do avião o Papa beijou o solo brasileiro em humildade, e caminhou por um tapete vermelho, tendo sido recebido pelo então presidente, João Figueiredo. Rezou uma missa solene no centro da capital, pedindo a humildade do povo brasileiro para com os pobres e interioranos. Além disso, o Brasil devido a sua população de maioria católica, foi onde São João Paulo II ficou por mais tempo, uma estadia de 12 dias, também passando por mais 13 cidades. Em ato também, apelou para que os sacerdotes não se envolvam com políticas e sim agradar somente à Deus e efetuarem à sua lei e propagarem às suas escrituras conforme a tradição.

No ano de 1981 a VARIG recebeu suas primeiras aeronaves Jumbo, os Boeing 747-200. A rota de apresentação do novo equipamento aéreo ocorreu a partir de Brasília e teve como destino Campo Grande, utilizando a aeronave, demonstrando o potencial da companhia. A aeronave levou também na apresentação, o presidente João Figueiredo.

Em 1990, o aeroporto passou por sua primeira grande reforma e passou a ganhar a forma atual com um corpo central e dois edifícios satélites inicialmente planejados, mas apenas um concluído, a ala oeste. Desde 1990 está em reforma e ampliações, construídas pela Camargo Côrrea, seguindo projeto arquitetônico do arquiteto Sérgio Roberto Parada, com conclusão entre 2000 e 2004. A primeira fase incluiu a construção de um viaduto de acesso ao terminal de passageiros e cobertura metálica inaugurado em 1992 e o primeiro edifício satélite circular, inaugurado em 1994, cujo formato lembra um disco ovni. Na segunda fase, o corpo principal do terminal de passageiros foi remodelado para incluir um shopping e o edifício satélite recebeu nove pontes de embarques. Em 2005, foi inaugurada uma segunda pista.

O antigo terminal de aviação geral construído originalmente em 1988 foi novamente reformado e transformado no Terminal de Passageiros 2. Foi aberto ao tráfego em 2 de agosto de 2010.

Em 2003 a Oceanair Linhas Aéreas (antiga denominação para Avianca Brasil) começou a operar no aeroporto, após a compra dos Embraer EMB-120 Brasília e Fokker 50, como um plano de expansão da sua rede de transporte.

Em 19 de setembro de 2007 a TAP Air Portugal iniciou suas operações no aeródromo para Lisboa. O voo inaugural da rota foi operado por uma aeronave tradicional da companhia, o Airbus A340-300. E depois foi utilizado um Airbus A330-200 para os cinco voos diários. A partir de 2019 como parte de renovação de frota, foi introduzido na linha o Airbus A330-900neo para modernizar os voos, com maior conforto, segurança, economia e rapidez. A companhia opera até hoje em Brasília, mantendo o status de companhia estrangeira mais antiga a operar na capital federal. O A330-900neo atualmente é a maior aeronave que opera diariamente e sem interrupções no aeroporto.

Em 31 de agosto de 2009, a Infraero divulgou um plano de investimento no valor de 514,8 milhões de reais para a reforma do aeroporto, com foco nos preparativos para a Copa do Mundo FIFA de 2014, sendo Brasília uma das cidades-sede, e dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016 que foram realizados no Rio de Janeiro: Ampliação de pátios e pistas de táxi (R$ 34,5 milhões). Concluído em abril de 2013 Reforma do terminal de passageiros existente (R$ 22,5 milhões). Concluído em novembro de 2015 Ampliação do terminal de passageiros (R$ 439 milhões). Concluído em abril de 2015 Estacionamento (R$ 18 milhões). Concluído em abril de 2014

Respondendo às críticas à situação de seus aeroportos, em 18 de maio de 2011, a Infraero divulgou uma lista avaliando alguns de seus aeroportos mais importantes de acordo com seus níveis de saturação. Segundo a lista, Brasília foi considerado criticamente saturado, operando acima de 85% de sua capacidade.

Concessão thumb|Novo Píer Sul thumb|Píer Norte

Após decisão tomada em 26 de abril de 2011 pelo governo federal para que empresas privadas obtivessem concessões para operar alguns aeroportos da Infraero, em 6 de fevereiro de 2012, a administração do aeroporto foi concedida por 25 anos ao Consórcio Inframérica, formado pelo Grupo Brasileiro de Engenharia Engevix (50 %) e o grupo argentino Corporación América (50 %). A Infraero, entidade estatal, detém 49% das ações da empresa constituída para administração.

Entre 2012 e 2014, o consórcio Inframérica investiu 1,2 bilhão de reais no aeroporto: reforma do terminal, aumentando o número de pistas de embarque de 13 para 29 e de 40 para 70 posições de aviões. Em abril de 2014, foi inaugurado o Saguão Sul, que atende voos domésticos.

Em novembro de 2015, a Força Aérea Brasileira autorizou que as pistas 29R/11L e 29L/11R fossem operadas simultaneamente, sendo o primeiro aeroporto na América do Sul com essas características, podendo operar até oitenta voos por hora. Em , a FAB suspendeu as operações simultâneas, após dois incidentes consecutivos nos quais as aeronaves, por erros de digitação, viraram para o mesmo lado, entrando em rota de choque. Em , a operação simultânea das pistas foi retomada, com a implementação de cartas de procedimento diferentes e independentes para cada pista, de forma a eliminar a possibilidade de erros de programação.

Para 2016 até 2022 estavam previstos investimentos para a área internacional, construção de novos parques de estacionamento, quatro novos hotéis nas imediações, uma nova área de negócios e outras instalações, como um centro comercial, mas nada foi concretizado até meados de 2022.

No dia 18 de novembro de 2010 foi inaugurado no aeroporto a rota para Miami pela American Airlines. A rota funcionou até 16 de março de 2020 quando foi suspensa pela pandemia de COVID-19, sendo extinta oficialmente em 2 de julho de 2020. A rota era feita por aeronaves Boeing 757-200, com um planejamento para operar o Boeing 737-MAX8 a partir de maio de 2019 porém não foi concretizado. A linha era operada 5 vezes por semana e posteriormente passou a ser diário. E noturno a partir de 1 de maio de 2014.

Entre 31 de março de 2014 e 15 de setembro de 2016 a Air France operou no aeroporto. Os voos de numeração AF 515/AF 520 tinham como destino o Aeroporto Internacional de Paris-Charles de Gaulle. A rota era operada cotidianamente, 3 vezes por semana, pelas segundas, quartas e sextas, por aeronaves Boeing 777-200ER.

Ao dia 4 de novembro do ano de 2018 a Gol começou as operações para Miami e Orlando a partir de Brasília com os Boeing 737-MAX8, na época, recentemente adquiridos pela companhia. O voo de Brasília-Orlando tem numeração G3 7600, Orlando-Brasília G3 7601, Brasília-Miami G3 7748 e Miami-Brasília G3 7749.