Lucia Paiacu Tabajara (Apodi, 18 de janeiro de 1961), é uma liderança indígena do povo Paiacu e Tabajara. Lucia é a fundadora do primeiro museu indígena do Rio Grande do Norte, direcionado a preservar a cultura indígena na região de Apodi, no Oeste Potiguar: o Museu Indígena Luiza Cantofa.

Em 2021, recebeu o troféu de Mulher Cidadã pela Câmara Municipal de Apodi pela sua importância em relação à defesa dos povos indígenas da região.

Já em 2023, o Museu Indígena Luiza Cantofa recebeu o Prêmio Darcy Ribeiro de Educação Museal, revelando o reconhecimento por suas notáveis práticas de educação museal desenvolvidas pelo museu.

Biografia Lucia Paiacu Tabajara, anteriormente Lucia Maria Tavares, é filha do agricultor e ex-combatente Sebastião Clementino Tavares e da lavadeira de roupas Maria das Neves da Conceição. Sua mãe e avó materna eram indígenas do povo Paiacu e viviam na região do Sítio Córrego, zona rural e hoje um distrito de Apodi. Seu pai, indígena tabajara, é oriundo do bairro Casa Amarela de Recife (PE).

Ainda jovem, a liderança se casou com Erione Marinho de Paiva (falecido) e tiveram um filho, Abdala Tavaris, que é pai dos três netos de Lúcia: Ágata, Guilherme e Gabriela. Esta última foi a primeira indígena aprovada por cotas na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e atualmente curso Direito na universidade. Em 2019, Lucia já participativa da comissão especial da UERN que tratava a respeito das cotas étnico-raciais na universidade, contribuindo na luta para a presença dos estudantes indígenas na universidade.

Em meados da década de 1980, Lucia se separou do marido e foi trabalhar em São Paulo como costureira por cerca de 20 anos. Durante sua vida na capital paulista, ela passou a estudar a história dos indígenas potiguares, entre eles os tapuias paiacus e os potiguaras. Assim, a ativista foi reunindo as informações e conhecimentos necessários para lutar pela preservação cultural dos povos indígenas de que é descendente.

Em 7 de fevereiro de 2013, Lucia inicio o projeto de criação do primeiro museu indígena do Rio Grande do Norte, o Museu do Índio Luíza Cantofa, e o Centro Histórico Cultural Tapuias Paiacus da Lagoa do Apodi. O primeiro foi nomeado em homenagem à indígena tapuia paiacu Luíza Cantofa, assassinada em 03 de novembro de 1825 no município de Portalegre ao confrontar a sociedade da época.

Em julho de 2023, o Museu Indígena Luíza Cantofa foi oficialmente inaugurado durante a VII Assembleia Indígena do Rio Grande do Norte (AIRN) e a IV Assembleia de Mulheres Indígenas do RN (AMIRN), sediadas pela primeira vez pelo município de Apodi. O museu abriga artefatos e documenta histórias e a identidade dos povos indígenas de Apodi e de outras regiões do Rio Grande do Norte. Dentre os artefatos arqueológicos abrigados no museu estão lâminas de machado, percutores, batedores, pontas de projétil, cerâmicas e tapeçarias, todos relacionados à memória indígena da região.

Lucia recebeu um parecer favorável em 2019 do Ministério Público (RN) para alterar seu nome para Lucia Paiacu Tabajara, recebendo assim o nome do seu povo como sobrenome. A alteração do registro da indígena foi autorizado pela justiça.

Ver também

Povos indígenas do Brasil Tapuias Tabajaras

Referências

Ligações Externas Álbum Biográfico das Guerreiras da Ancestralidade (Vencedor do Prêmio Jabuti 2023)

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