Codó é um município brasileiro do interior do estado do Maranhão, Região Nordeste. Situa-se no Leste Maranhense, a 300 km de distância da capital estadual São Luís, e a 170 km de Teresina, capital do Piauí. É polo da Região dos Cocais, fazendo parte de um importante eixo econômico e populacional no estado, além de ser o município brasileiro com a maior concentração de centros de religião afro-brasileira por metro quadrado, sendo 400 terreiros umbandistas concentrados apenas em Codó.https://www.al.ma.leg.br/noticias-tv/5050
Fundada em 16 de abril de 1896, Codó é a 3ª maior cidade de toda a Região Geográfica Intermediária de Caxias (superada por Timon e Caxias) e a 7ª maior cidade do Maranhão. Segundo a hierarquia urbana do Brasil 2018 (IBGE), o município é classificado como Centro Subregional B, pela influência que exerce sobre cidades e áreas de municípios vizinhos.
A população, de acordo com a estimativa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2024, é de 118 295 habitantes. Dessa forma, Codó constitui-se como um dos maiores polos populacionais do estado em população e sua décima primeira maior força econômica estadual, com um PIB de mais de R$ 1,649 bilhões em 2021.
Etimologia Existem algumas versões sobre a origem do nome da cidade de Codó. Uma primeira, contada tradicionalmente de geração em geração, afirma que o nome Codó é originário de uma ave chamada codorna que teria existido em abundância nas terras codoenses.
O professor Fernando Barbosa de Carvalho contribui ensinando que a palavra Codó lugar alagadiço, charco e brejo. O geógrafo Teodoro Sampaio afirma que Codó traduz arremesso de dardo, flecha pequena usada pelos índios. Afirma-se também que, em 1614, sucumbiu afogado no rio Itapecuru o francês Kodok, originando a palavra Codó.
Defende o historiador Augusto César Marques, em sua obra "Dicionário Histórico-Geográfico da Província do Maranhão", que o município tomou o nome de Codó em homenagem ao rio de mesmo nome, o rio Codozinho.
Propaga-se ainda, que a palavra Codó é uma consequência do tráfico negro, escravos trazidos da cidade africana de Kodok, localizada no Sudão.
História Origem Selva, mata virgem habitadas por pássaros de diferentes matrizes e animais que fizeram das rochas e dos cavalos as suas moradias.
O Rio Itapecuru, grande rio, corria ligeiro beijando as promissoras terras codoenses. Os portugueses subiram o rio em busca de ouro e foram ficando na terra dos encantos. Escolheram lugares para morar, construíram as suas casas, continuaram as suas famílias.
Os índios que habitavam a região, Barbados, Guanarés e Urubus não gostaram dos colonizadores portugueses. Os ânimos exaltaram-se. Houve luta pela posse da terra.
Preocupado com a catequização dos indígenas e, ao mesmo tempo, no apaziguamento dos ânimos, o padre Antônio Vieira fundou as aldeias de paz e enviou da Aldeia de Paz de São Miguel (hoje Cidade de Rosário), o padre João Villar S. J., que foi assassinado pelos índios às margens do rio Codozinho em 1719. Com o padre João Villar, viajavam o padre Gonçalo Pereira, o franciscano Antônio Gonçalves, o capitão Francisco Soares Pinto e índios Guanarés, remadores.
A tradição confere ao Comendador português Luís José Nicolau Henrique, o Pau Real, o título de primeiro agricultor, homem dedicado a terra, fazedor de roças para o cultivo de produtos agrários. Construi seu armazém parava comercialização de madeira e produtos alimentícios na margem esquerda do rio Itapecuru, em terreno ao lado do Porto do Balão, onde eram descarregados negros escravizados para serem vendidos e mercadorias. Pau Real transportava as suas madeiras em navios gaiolas para serem vendidas em centros comerciais às margens do rio Itapecuru e na capital São Luís. Tornou-se, tempos depois, um rico e opulento fazendeiro, senhor de escravos da Vila de Codó.
A derrubada das árvores (comércio de madeiras) nas matas codoenses teve seu início a partir de 1870. Esse processo de exploração das nossas matas fortaleceu a emigração para as terras codoenses, aumentandoa chegada de barcos abarrotados de colonos, acompanhados de seus escravos. Sendo assim, os três elementos étnicos que deram origem a formação da população codoense são: os índios, primitivos habitantes da terra; os portugueses (os brancos), vindos da Europa como desbravadores, verdadeiros invasores da terra indígena e os negros, trazidos do continente africano para servirem na lavoura. Lembramos também a presença física do elemento arabe, principalmente dos sírios e dos libaneses que muito contribuiram para o desenvolvimento da cidade no setor comercial.
Codó de vila a cidade Codó foi crescendo, de povoado passou à vila pela Lei Provincial de n° 07, de 29 de abril de 1835. As mercadorias postas nas prateleiras das lojas eram reduzidas, atendendo as necessidades primordiais da população que crescia às margens do rio Itapecuru. O comércio era fraco, constituía-se de lojas, botequins e bodegas nos quais se vendiam produtos que chegavam através dos navios gaiolas e batelões. Os produtos eram: querosene, sal, café, tecidos, perfumes, talcos, miçangas, sapatos, bebidas, pimentas, incensos, quinquilharias, jornais, revistas e hortaliças.
A Vila de Codó encontrava-se segura, resguardada de qualquer rebeldia molestadora a sua quietude e paz interna, por sediar o 22° Batalhão da Guarda Nacional e o seu comando superior.
Para tratar assuntos comerciais e dos atinentes a colonos portugueses, havia um consulado de Portugal, cujo representante era José Joaquim Ferreira Machado. Codó foi emancipada em conformidade com a lei n° 133, de 16 de abril de 1896.
O início do povoamento de Codó data do ano de 1780, sendo um dos seus primeiros exploradores o agricultor Luís José Rodrigues. Antigo armazém de mercadorias, situado às margens do rio Itapecuru, foram fatores importantes para o seu desenvolvimento as atividades agrícolas mantidas pelos ricos senhores da aristocracia rural maranhense e por agricultores portugueses instalados na Colônia Petrópolis, numa iniciativa de Francisco Marques Rodrigues. Decisiva também para o seu crescimento foi a imigração de sírios e libaneses, a partir de 1887.
O povoado de Codó foi elevado à categoria de vila por meio de Resolução Régia, assinada no dia 19 de abril de 1833. Através da Lei estadual n°13, sancionada pelo governador Alfredo da Cunha Martins, no dia 16 de abril de 1896, passou à condição de cidade.
Em 1892, construía-se a primeira indústria de Codó - Companhia Manufatureira e Agrícola, de propriedade de Emílio Lisboa. Um dos diretores da fábrica, genro do seu proprietário, era João Ribeiro, que em 1909 levava para Codó Sebastião Archer da Silva que fora para trabalhar como escriturário e anos mais tarde tornar-se-ia o proprietário da fábrica e uns dos principais políticos do estado do Maranhão.
Em 1900, Codó foi visitada pelo ilustre futuro presidente Afonso Pena. Chegou a bordo do vapor São Salvador, viajando com destino a Caxias, durante sua estada no Norte do Brasil.
Na verdade, o nome Codó não é derivado de codorna nem de codorniz. Não tem cabimento essa teoria, porque no Maranhão a codorna foi introduzida recentemente no início do século passado. Em 1815 o major Paula Ribeiro cita em seu trabalho sobre os índios maranhenses o rio Codozinho assim como o rio Codó seu antigo nome. César Marques, na sua obra Dicionário Histórico-Geográfico da Província do Maranhão, cita a vila de Codó na época, juntamente com o rio que lhe deu o nome indicando assim que a vila de Codó ou a cidade de Codó atualmente tem seu nome derivado do rio Codó, hoje Codozinho. Em documentos mais antigos, achamos a seguinte informação.
Com a morte do padre João Villar, missionário jesuíta, numa guerra entre os Guanarés e os tapuias barbados em 1719 o então governador do maranhão Bernardo Pereira de Berredo, amigo pessoal do sacerdote jesuíta, formou tropa e exterminou parte dos Guanarés e Tapuias Barbados. Em seguida doou as terras para exploração e colonização portuguesa. No final do século XVIII, o comendador Pau Real explorava a região extraindo toda a madeira de lei da região entre a margem direita do rio Codozinho ou rio Codó e a margem esquerda do rio Itapecuru, local onde hoje está situada a cidade de Codó .
Com a derrubada das grandes árvores, ficaram seus codos, tocos ou troncos cortados, região essa que passou a ser chamada de região do codório, local onde há muitos codos cortados. Os primeiros habitantes construíram suas habitações na região dos codórios ou troncos cortados, onde eram desmatadas criando assim a freguesia do codório ou povoado do Codório, que, com o passar dos anos, foi abreviado para Codó, que passou à categoria de vila na década de 1830 e à de cidade em 1896 com a criação do município de Codó.
Geografia 245x245px|esquerda|thumb|Praça Ferreira Bayma, localizada no centro da cidade.
Segundo o IBGE a densidade demográfica da população de Codó é de 26,20 habitantes por km² e possui uma área de 4.361,59-km².
Estrutura Geológica, Relevo e Solo Codó encontra-se localizada em uma estrutura geológica de uma Bacia Sedimentar, a Bacia Sedimentar do Parnaíba, datada do período Silúrio-Devoniano da Era Paleozoica (aproximadamente 440 milhões de anos), onde há o afloramento da Formação Codó (camada de sedimentos datada do Cretáceo) composta basicamente por arenito cinza-esverdeada, basalto preto, argilito, gipsita e calcário.
Devido esse tipo de bacia sedimentar identificada no município, conseguimos verificar um vasto número de riquezas em recursos minerais vírgulas recursos esses de grande valor econômico para a região, como os depósitos de gipsita e calcário. Encontramos também fósseis de esporos e pólen, o que indica uma possível valorização na região, casos sejam encontradas outras espécies em pesquisas futuras.
Localizado na unidade leste maranhense, o relevo apresenta-se formado por planaltos intercalados de chapadas, colinas e morros. No município, encontramos altitudes modestas, cerca de 47 m acima do nível do mar que passaram por processos erosivos tornando-se planas com pequenas elevações e desníveis que atingem, no máximo, 40 metros de altura.
Os solos que se originaram na formação Codó apresentam características específicas por possuírem uma fertilidade média a alta, teores de fósforo aceitáveis e bons níveis de Cálcio (Ca) e Magnésio (Mg), além de uma saturação por base alta. Essas características favorecem a utilização do solo no setor primário da economia, tendo a necessidade de realizar correções com adubos químicos e orgânicos, considerando o solo um grande potencial na agricultura e na pecuária. Os tipos de solo que se apresentam na região são: Latossolo Amarelo, Podzólico Vermelho Amarelo, Plintossolos, Gleissolos, Solos Aluviais e Areias Quartzosas.
Clima e Vegetação O clima tropical de transição entre o úmido e o seco se caracteriza pelo trimestre mais chuvoso, entre verão e outono, durante os meses de Fevereiro, Março e Abril; e os meses mais secos, de inverno a início da primavera, durante o período de Julho, Agosto e Setembro. A temperatura média anual se apresenta mais elevada, acima de 27°C e a umidade relativa do ar de 74%, sendo uma das mais baixas do Estado do Maranhão.
A vegetação predominante é a Mata dos Cocais, também conhecida como Floresta Aberta/Babaçu, que ocupa toda a região do Vale do Itapecuru e apresenta, como principais espécies: a palmeira do Babaçu e a carnaúba. Outra vegetação bastante encontrada na área são os campos cerrados, principalmente, nas regiões Leste, Noroeste e Sudoeste do município, sendo as principais espécies o pequizeiro, o jatobá, a andiroba, além das outras frutíferas, como caju, buriti, pequi, nacuri e pitanga que são frutas conhecidas pelo sabor e alto valor nutritivo.
Hidrografia