Lista dos principais acontecimentos no ano 1974 em Portugal.

Incumbentes Presidente da República: Américo Tomás (até 25 de abril) Junta de Salvação Nacional (interinamente, entre 25 de abril e 15 de maio) António de Spínola (entre 15 de maio e 30 de setembro) Francisco da Costa Gomes (a partir de 30 de setembro) Primeiro-Ministro: Marcelo Caetano (III Governo do Estado Novo, até 25 de abril) Junta de Salvação Nacional (interinamente, entre 25 de abril e 16 de maio) Adelino da Palma Carlos (I Governo Provisório, entre 16 de maio e 18 de julho) Vasco Gonçalves (II e III Governos Provisórios, a partir de 18 de julho) Presidente da Assembleia Nacional: Carlos Monteiro do Amaral Neto (XI Legislatura)

Eventos Janeiro 17 — O General António de Spínola é nomeado para Vice-Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas.

Fevereiro 22 — Lançamento do livro Portugal e o Futuro do General António de Spínola, que causa furor ao advogar uma solução política para a Guerra do Ultramar, propondo a autonomia das colónias.

Março 14 — Um numeroso grupo de oficiais generais, que viria a ser vulgarmente conhecido como "Brigada do Reumático", reúne-se com o Presidente do Conselho, Marcelo Caetano, no Palácio de São Bento, para afirmar a sua fidelidade à política ultramarina do Governo; os generais Costa Gomes e António de Spínola (respectivamente, Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas e Vice-Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas) não comparecem, e são nesse mesmo dia exonerados dos seus cargos. 16 — Intentona das Caldas. Uma coluna de militares do Regimento de Infantaria 5 marcha até Lisboa com o intuito de derrubar o governo de Marcelo Caetano; o golpe fracassa por falta de coordenação entre os organizadores e os militares são presos.

Abril thumb|Revolução dos Cravos em abril de 1974 21 — D. Francisco Santana é ordenado Bispo do Funchal, na Sé de Lisboa, por D. António Ribeiro, Cardeal-Patriarca de Lisboa. 25 — Revolução dos Cravos. Diversas unidades motorizadas afetas ao Movimento dos Capitães rumam a Lisboa e tomam sítios-chave, incluindo estações de rádio, a RTP, ministérios, o aeroporto e, por fim, o Quartel do Carmo, onde se refugiara Marcelo Caetano; cai o regime ditatorial praticamente sem oposição, o poder passa a ser exercido pela Junta de Salvação Nacional, e Portugal inicia o processo de transição democrática. 30 — Álvaro Cunhal, secretário-geral do Partido Comunista Português, regressa a Portugal, após um exílio de 14 anos na União Soviética; é recebido no Aeroporto da Portela por uma multidão entusiástica de centenas de pessoas.

Maio 4 — A Conferência Episcopal Portuguesa emite uma Nota Pastoral acerca dos acontecimentos recentes; assume a defesa do pluralismo político e exorta os sacerdotes católicos a não militarem em partidos políticos. 6 — É fundado o Partido Popular Democrático (PPD), de centro-esquerda e de cariz social-democrata, por Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão e Joaquim Magalhães Mota. 10 — É fundado o Movimento de Esquerda Socialista (MES) que conta, entre os fundadores, com Jorge Sampaio, João Cravinho, José Manuel Galvão Teles e Vítor Wengorovius. É no mesmo dia fundado o Partido da Democracia Cristã (PDC), por iniciativa de, entre outros, Nuno Calvet de Magalhães, João da Costa Figueira e Henrique de Sousa e Melo. 15 — António de Spínola, presidente da Junta de Salvação Nacional, assume as funções de Presidente da República, sendo empossado em cerimónia no Palácio de Queluz. 16 — Toma posse o I Governo Provisório, presidido pelo moderado Adelino da Palma Carlos, escolhido por Spínola. Mário Soares assume a pasta dos Negócios Estrangeiros enquanto Sá Carneiro e Álvaro Cunhal são nomeados ministros sem pasta. 20 — Américo Tomás e Marcelo Caetano, até então em residência vigiada no Funchal, partem para o exílio no Brasil. 23 — É fundado o Partido Popular Monárquico (PPM), criado por iniciativa da Convergência Monárquica, federação de diversos movimentos monárquicos independentes. 28 — No dia em que se cumpriam 48 anos da instauração da Ditadura Militar, elementos do Movimento Democrático dos Artistas Plásticos (MDAP) embrulham com um grande pano negro e prendem com cordas a estátua de Salazar, da autoria de Francisco Franco, que se encontrava no pátio do Palácio Foz, num ato de "destruição simbólica e um ato de criação artística", não estando nunca em causa a destruição da estátua, retirada pouco depois. 31 — É empossado o Conselho de Estado, responsável pelo sancionamento e veto dos diplomas do Governo, e pela fiscalização e verificação da constitucionalidade dos seus atos; é composto por vinte e um elementos, entre membros da Junta de Salvação Nacional, representantes do MFA, e sete cidadãos desginados pelo Presidente da República.

Junho 9 — Portugal restabelece relações diplomáticas com a União Soviética e com a Jugoslávia. 19 — O Presidente da República, António de Spínola, acompanhado por Francisco Sá Carneiro e Diogo Neto, encontra-se com o Presidente norte-americano, Richard Nixon, na Base das Lajes. 23 — É fundada a Associação dos Deficientes das Forças Armadas.

Julho 8 — Criação do Comando Operacional do Continente (COPCON), visando garantir às Forças Armadas as necessárias condições para assegurarem o efectivo cumprimento do Programa do MFA "contra eventuais manobras reacionárias". 19 — É fundado o Partido do Centro Democrático e Social (CDS), "correspondendo ao apelo de amplas correntes de opinião pública, abrindo-se a todos os democratas do centro-esquerda e centro-direita", por Diogo Freitas do Amaral, Adelino Amaro da Costa e Basílio Horta.

Setembro 7 — São assinados os Acordos de Lusaca, entre Portugal e a FRELIMO, consagrando a independência de Moçambique. 11 — É publicada no Diário do Governo, uma declaração conjunta da Junta de Salvação Nacional, do Conselho de Estado e do Governo Provisório, reconhecendo a independência de Guiné-Bissau. 13 — São nacionalizados os Bancos de Angola, Nacional Ultramarino e Banco de Portugal. 30 — O General António de Spínola demite-se do cargo de Presidente da República; o General Costa Gomes é nomeado para o suceder, acumulando o cargo com o de Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas.

Outubro 5 — A ponte sobre o Tejo é rebatizada com o nome Ponte 25 de Abril. 20 — Tem lugar em Lisboa o VII Congresso (Extraordinário) do Partido Comunista Português, o primeiro realizado na legalidade.

Novembro 4 — Forças de extrema-esquerda tentam impedir a realização do primeiro comício da Juventude Centrista, organização de juventude do CDS, no Teatro São Luiz; de seguida, dirigem-se para a sede do partido, no Largo do Caldas, que é alvo de invasão e pilhagem. 16 — Frank Carlucci é nomeado embaixador dos Estados Unidos da América em Lisboa, em substituição de Stuart Nash Scott. 21 — A título póstumo, Humberto Delgado é reintegrado no posto de General da Força Aérea. 23 — Tem lugar em Lisboa o I Congresso do PPD; Francisco Sá Carneiro é confirmado na liderança do partido.

Dezembro 13 — Inicia-se em Lisboa o I Congresso do PS na legalidade; Mário Soares é eleito Secretário-Geral do partido. 16 — É fundada a União Democrática Popular (UDP), resultante da junção de diversos grupos de extrema-esquerda.

Desporto Basquetebol Campeonato Nacional de Basquetebol da 1.ª Divisão de 1973–74

Ciclismo Volta a Portugal de 1974

Futebol

Primeira Divisão de 1973–74 Segunda Divisão de 1973–74 Taça de Portugal de 1973–74

Hóquei em patins Campeonato Português de Hóquei em Patins de 1973–74

Nascimentos Abril thumb|100px|Ricardo Araújo Pereira 28 — Ricardo Araújo Pereira, humorista

Julho thumb|100px|André Carrilho 26 — André Carrilho, cartunista

Agosto 24 — Dalila Carmo, atriz

Setembro 5 — Elísio Donas, músico (m. 2023)

Mortes Fevereiro 13 — João Pedro de Andrade, escritor (n. 1902)

Maio 21 — Sara Beirão, escritora, jornalista, ativista feminista (n. 1880)

Junho thumb|100px|Ferreira de Castro 8 — José Manuel Sarmento de Beires, militar, pioneiro da aviação (n. 1893) 29 — Ferreira de Castro, escritor (n. 1898)

Julho thumb|100px|Raul Lino 13 — Raul Lino, arquiteto (n. 1879)

Agosto 11 — José Falcão, toureiro (n. 1942)

Setembro thumb|100px|Bissaya Barreto 12 — António da Cunha Aragão, oficial da Marinha (n. 1904) 16 — Fernando Bissaya Barreto, médico e político (n. 1886)

Novembro 22 — Manuel Maria Ferreira da Silva, prelado católico (n. 1888)

Dezembro thumb|100px|Jorge Croner de Vasconcelos 8 — Luís Maria Lopes da Fonseca, advogado e político (n. 1883) 9 — Jorge Croner de Vasconcelos, compositor (n. 1910)

Ver também Cinema em Portugal em 1974 Desporto em Portugal em 1974 Televisão em Portugal em 1974 Fundações em Portugal em 1974 Extinções em Portugal em 1974