O Museu de História Natural de Mato Grosso ou MHNMT, é uma instituição de salvaguarda de acervo de grande relevância histórica, científica e cultural com artefatos arqueológicos, paleontológicos e etnográficos do estado de Mato Grosso. Fundado em 2006 pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) em parceria com o Instituto Ecossistemas e Populações Tradicionais (ECOSS), é referência nacional no estudo da Megafauna, o museu conta com uma exposição permanente dividida em três vertentes: Paleontológica, Arqueológica (pré-histórica e histórica) e Etnológica. Durante a exposição são abordados temas como a origem da Terra, as transformações de sua biodiversidade (focando especialmente na biodiversidade pré-histórica de Mato Grosso), as populações originárias mato-grossense e a diversidade cultural dos povos indígenas.
O Museu de História Natural de Mato Grosso tem como missão ser um espaço de memória, divulgação e pesquisa da pré-história e das culturas de populações tradicionais mato-grossenses, além de sensibilizar a população sobre a urgência da proteção ambiental e da construção de hábitos sustentáveis e também promove exposições temporárias e itinerantes, além de organizar uma programação mensal repleta de atividades educativas, criativas e lúdicas.
O MHNMT está abrigado no casarão colonial conhecido como Casa Dom Aquino, Patrimônio Histórico do Estado de Mato Grosso desde 1997, que foi construído em 1842 por José Antônio Murtinho, sendo local de nascimento e residência de dois personagens importantes para a história do estado: Joaquim Duarte Murtinho (1848-1911) e Francisco de Aquino Correia (1885-1956).
Entre suas instalações destaca a Biblioteca "Maria Lucia Franco Pardi" com obras que dialogam com as temáticas abordadas pelo Museu; a Reserva Técnica, que salvaguarda artefatos da coleção de referência paleontológica e arqueológica, além de acervos etnológicos por meio de parceria com o Instituto Ecoss, o qual está apto pelo IPHAN para emissão de endossos institucionais; o auditório; Parquinho infantil; Café Nhô Dino, além de 10.000 m² de área verde com acesso ao Rio Cuiabá e um viveiro de mudas, que são doadas para a população.
Coleção O MHNMT abriga coleção de grande significância para o estado de Mato Grosso com mais de 75 mil artefatos. Ela é cuidadosamente mantida de forma a narrar a história da vida no nosso planeta. Fazem parte da coleção os seguintes acervos: Paleontológico; Arqueológico Pré-histórico; Arqueológico Histórico; e Etnológico. Vale ressaltar os notáveis fósseis da Megafauna do acervo paleontológico, considerados por especialistas como uma dos mais bem preservadas do Brasil. A preparação dos acervos destinados à exibição pública é separada da dos artefatos de referência e de pesquisa, que ficam salvaguardados de forma segura na Reserva Técnica do Museu.
Acervo Paleontológico O Acervo paleontológico do MHNMT é composto por pelo menos um artefato representativo de cada grande Era geológica (Era Pré-Cambriana; Era Paleozoica; Era Mesozoica; e Era Cenozoica), que vão desde fósseis de microrganismos, como os estromatólitos, passando pelos fósseis de dinossauro e até animais da megafauna, como o mastodonte, a preguiça-gigante e o tatu-gigante. Ressalta-se que todas as peças deste acervo foram encontradas no estado de Mato Grosso e são resultados de projetos de pesquisas e de prospecção desenvolvidos pelo Instituto Ecoss com o apoio da Fundação de Amparo a Pesquisa do Mato Grosso (FAPEMAT), a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Universidade de Várzea Grande (Univag) e Archaeo Pesquisas Arqueológicas. Em sua coleção existem, aproximadamente, 1.200 fósseis, que foram doados ao Museu pelo Instituto Ecoss; os principais projetos são: 1) Gruta do Curupira; 2) Projeto de Pesquisa Devoniano-Siluriano (anos 2000); e 3) Projeto Dinossauros.
Projetos de Pesquisa paleontológicos
Gruta do Curupira (anos 1990 e 2000) esquerda|miniaturadaimagem|Fósseis do Pampatherium humboldti expostos no MHNMT.|185x185px
O Projeto Gruta do Curupira foi realizado pela arqueóloga Suzana Hirooka no distrito de Bauxi, município de Rosário Oeste, nos anos 1990 e 2000. A prospecção de fósseis desta pesquisa foi responsável por formar o maior acervo de animais da megafauna existente em Mato Grosso. Deste grupo, destacam-se os fósseis encontrados durante esse projeto dos seguintes animais: Pampatherium humboldti, Eremotherium laurillardi e Glossotherium.
Pampatherium humboldti ou tatu-gigante era um animal que poderia chegar até os três metros de comprimento e pesar mais de 200 kg. Estes animais geralmente se assemelhavam aos tatus, principalmente no formato do crânio, focinho longo e presença de três áreas na carapaça (cintas móveis, escudos escapulares e pélvicos). No MHNMT estão em exposição os fragmentos da carapaça até partes como tíbia e fêmur (veja os mais de 180 fósseis do Pampatherium na coleção digital do MHNMT).
miniaturadaimagem|267x267px|Réplica da fêmur do Eremotherium laurillardi em exposição no MHNMT, o fóssil está salvaguardado na Reserva Técnica.|esquerda
Eremotherium laurillardi ou preguiça-gigante que, em pé, chegaria até os seis metros de altura e poderia pesar até 5 toneladas. Entre os fósseis Deste animal, o MHNMT expõem para o público a réplica do fragmento do fêmur, osteodermas, metacarpos, metatarsos (veja os mais de 100 fósseis da Eremotherium laurillardi na coleção digital do MHNMT).
miniaturadaimagem|Fósseis da Glossotherium em exposição no MHNMT.|279x279px
Glossotherium outra espécie de preguiça, menor do que a Eremotherium laurillardi, que atingiria, em pé, até dois metros de altura e pesava cerca de 1,5 toneladas. Entre os fósseis em exposição no MHNMT deste animal estão: dentes, vértebras, costelas e tíbia (veja os fósseis da Glossotherium na coleção digital do MHNMT).
Projeto de Pesquisa Devoniano-Siluriano (anos 2000)
Este projeto de pesquisa foi realizado pelo Instituto Ecoss em parceria com a Universidade de Várzea Grande (Univag), no município de Chapada dos Guimarães/MT. A partir dele foi possível realizar a prospecção de Brachiopodas, moluscos, trilobita fossilizadas (do período devoniano-siluriano), uma evidência científica que prova que a região de Chapada já foi mar. Atualmente estes artefatos estão salvaguardados e expostos no Museu de História Natural de Mato Grosso.
esquerda|miniaturadaimagem|244x244px|Réplica osteológica do Titanossauro, com mais de 20 metros de comprimento e 4 metros de altura. Criada pelo paleoartista Carlos Scarpini. miniaturadaimagem|Réplica osteológica do Pycnonemosaurus nevesi, com cerca de 4 metros de altura e 9 metros de comprimento. Criada pelo paleoartista Carlos Scarpini.
Projeto Dinossauros (2008 e 2010) Este projeto idealizado pelo Instituto Ecoss foi realizado em parceria com a FAPEMAT em Chapada dos Guimarães. A partir deste projeto, foram feitas descobertas de importantes fósseis de dinossauros que habitaram a região. Entre eles, cabe citar o Pycnonemosaurus nevesi e Titanosaurus. Além desses fósseis, o MHNMT expõe na área externa as réplicas osteológicas destes dois animais em tamanho real. Ressalta-se que a réplica do Titanossauro é a maior do Brasil.
Acervo Arqueológico miniaturadaimagem|224x224px|Artefatos líticos pré-históricos mato-grossenses expostos no MHNMT.|esquerdaO acervo arqueológico do MHNMT está dividido em Pré-Histórico (grupos humanos sem escrita) e Histórico (após o sistema de escrita). Ressalta-se que estes artefatos são resultados de pesquisas do Instituto Ecoss, em diversas regiões do estado de Mato Grosso.
Arqueológico Pré-Histórico Entre os artefatos arqueológicos, que fazem parte deste período, e que estão em exposição no MHNMT, destacam-se: pontas de flechas e lanças, instrumentos lascados e urnas funerárias das civilizações ameríndias (povos caçadores-coletores do paleolítico); machados polidos e fragmentos de cerâmicas (povos agricultores e ceramistas do neolítico).
Arqueológico Histórico miniaturadaimagem|225x225px|Fragmentos de louças e faianças europeias expostas no MHNMT. O acervo arqueológico histórico do Museu é composto por objetos do período colonial, como fragmentos de porcelanas, faianças de origem europeia e cerâmicas produzidas por remanescentes africanos, que na época viviam uma condição de escravidão. Estes importantes artefatos são frutos de uma pesquisa do sítio-escola de escavação arqueológica no entorno da Casa Dom Aquino, em Cuiabá, a qual foi desenvolvida pelo Instituto Ecoss em parceria com a Univag, entre os anos de 2003 e 2004.
Acervo Etnológico O Museu conta ainda com importantes artefatos antropológicos em exposição, que compõe o acervo etnológico. Todas estas peças foram doados pelos indígenas para o Museu. Nesse sentido, destacam-se a presença de artefatos de duas etnias mato-grossenses: Karajá e Waurá.
Etnia Karajá miniaturadaimagem|164x164px|Karajá: boneca Idjadoma, cinto, abanador de palha e colar de miçangas (mais acima).|esquerda Entre os objetos da etnia karajá, que se autodesignam Iny [i’nã], destacam-se a boneca Idjadoma, que pertence a classe de bonecas Ritxõkò/Ritxòò, patrimônio cultural do Brasil desde 2012. Este é um artefato importante para a etnia, sobretudo devido ao processo de manufatura da boneca, realizado apenas pelas mulheres da aldeia e ensinado de geração em geração. As bonecas Karajá possuem o papel de indicar a fase da vida para as meninas mais novas. Outros itens desta etnia, que fazem parte da exposição são: colares, braceletes, abanador de palha e cinto.
Etnia Waurá miniaturadaimagem|Máscaras sagradas Waurá em exposição no MHNMT.|348x348px A etnia Waurá da aldeia Piyulaga, no Município de Gaúcha do Norte, no Alto Xingu, também se faz representar na exposição do MHNMT com as máscaras sagradas Waurá, que foram doadas especialmente para o Museu. Estes artefatos carregam em si a representatividade de seres-espíritos apapaatai - remanescentes mitológicos de tempos imemoriais, em que havia interação direta entre todas as criaturas e que permanecem presentes no cotidiano Wuará. Tais máscaras são receptáculos físico de toda essa representação sagrada e mística. Sua confecção e o ritual de uso são uma celebração em que homens e espíritos brincam e festejam as boas energias. Elas são feitas por artesãos da aldeia a partir de saberes tradicionais passados de geração em geração e utilizam matéria-prima obtidas da natureza de forma sustentável como o broto do buriti, que gera a palha, e sementes de frutos para a confecção dos "olhos" das máscaras; e para tingir são utilizados o jenipapo (tinge de preto); o urucum (pinta de vermelho); e açafrão (coloração amarela); os dentes de piranha e de peixe-cachorra, formam respectivamente, a "boca" e a "machadinha", que fazem parte dos artigos de luxo das máscaras. esquerda|miniaturadaimagem|218x218px|Vasilhas cerâmicas Waurá em formatos animais e prato para o preparo do beiju em exposição no MHNMT.
Além disso, fazem parte do acervo do Museu vasilhas de cerâmica em forma de animais e um prato para o preparo do beiju da tapioca. Os vasilhames cerâmicos dos Waurá são importantes condutores de modos de saber-fazer e de prestígio social interno, uma vez que sua confecção e beleza estética contribuem para a economia da aldeia e na promoção do reconhecimento sociocultural.
A Casa Dom Aquino: Arquitetura Colonial esquerda|miniaturadaimagem|Vista aérea do MHNMT, abrigado na Casa Dom Aquino.