Why Nations Fail , publicado pela primeira vez em 2012, é um livro dos economistas Daron Acemoglu e James A. Robinson. O livro aplica conhecimentos de economia institucional, de economia do desenvolvimento e de história econômica para compreender por que razão as nações se desenvolvem de forma diferente, com algumas tendo sucesso na acumulação de poder e prosperidade e outras falhando. O livro utiliza uma vasta gama de estudos de casos históricos.
Os autores também mantinham um site (com blog inativo desde 2014) com discussões sobre o livro.
Contexto O livro é o resultado de muitos anos de pesquisas de Daron Acemoglu sobre a teoria do crescimento econômico e de James Robinson sobre as economias da África e da América Latina, bem como de pesquisas de muitos outros autores. Contém uma interpretação da história de vários países, tanto extintos como modernos, do ponto de vista de uma nova escola institucional. A ideia central de muitos dos trabalhos dos autores é o papel das instituições na obtenção de um elevado nível de bem-estar nos países. Um livro anterior dos autores, The Economic Origins of Dictatorship and Democracy, é dedicado ao mesmo tema, mas não continha um grande número de vários exemplos históricos.
Os autores entram indiretamente em uma discussão polêmica com autores de outras teorias que explicam a desigualdade global: os autores de interpretações de teoria geográfica Jeffrey Sachs e Jared Diamond, representantes da teoria da ignorância da elite Abhijit Banerjee e Esther Duflo, Seymour Martin Lipset e sua teoria de modernização, bem como com vários tipos de teorias culturais: a teoria de David Landes sobre a estrutura cultural diferenciada dos habitantes do Norte da Europa, a teoria de David Fischer sobre a influência positiva da cultura britânica, com a teoria de Max Weber sobre a influência da ética protestante no desenvolvimento econômico. Eles criticaram duramente a teoria geográfica como "incapaz de explicar não apenas a desigualdade global em geral", mas também o fato de que muitos países permaneceram estagnados durante muito tempo, e depois, em determinado momento, iniciaram um rápido crescimento económico sem que sua posição geográfica tenha mudado.
Simon Johnson foi coautor de muitas das obras de Acemoglu e Robinson, mas não participou do trabalho do livro. Por exemplo, em um artigo de 2002, mostraram por meio de análise estatística que os fatores institucionais superam a cultura e a geografia na determinação do PIB per capita de diferentes países. Em um artigo de 2001 mostraram como a mortalidade entre os colonos europeus nas colónias influenciou o estabelecimento de instituições e o desenvolvimento posterior destes territórios.
Conteúdo
Condições para o desenvolvimento sustentável Começando com uma descrição de Nogales, no Arizona, e Nogales, em Sonora, os autores questionam as razões da dramática diferença nos padrões de vida em ambos os lados do muro que separa as duas cidades. O livro centra-se na forma como alguns países conseguiram alcançar elevados níveis de prosperidade, enquanto outros falharam consistentemente. Os países que conseguiram atingir um elevado nível de bem-estar apresentaram durante muito tempo taxas elevadas e estáveis de crescimento económico: este estado econômico é por eles denominado de desenvolvimento sustentável. É acompanhado por uma constante mudança e aprimoramento de tecnologias — processo denominado progresso científico e tecnológico. Procurando as razões pelas quais em alguns países observa-se este fenómeno, enquanto outros parecem estar congelado no tempo, os autores chegam à conclusão de que para que ocorra progresso científico e tecnológico é necessário proteger os direitos de propriedade de amplas camadas da sociedade e da capacidade de indivíduos de receber rendimentos de seus empreendimentos e de suas inovações (incluindo o direto a patentes de invenções). Mas assim que um cidadão recebe uma patente, ele imediatamente passa a ter um interesse em obstruir que novas patentes melhores que sua invenção sejam registradas, para que ele possa receber duradouramente os rendimentos de sua invenção. Portanto, para o desenvolvimento sustentável, é necessário que exista um mecanismo que não lhe permita fazer isso, porque juntamente com a patente, ele recebe um rendimento substancial. Os autores chegam à conclusão de que tal mecanismo são instituições políticas pluralistas que permitem que amplos setores da sociedade participem do governo do país. Neste exemplo, o inventor da patente anterior perde, mas todos os outros ganham. Com instituições políticas pluralistas, toma-se uma decisão benéfica para a maioria, o que significa que o inventor da anterior não poderá impedir a patente de uma nova invenção e, assim, haverá um aprimoramento tecnológico contínuo. A interpretação do crescimento económico como uma mudança constante de bens e tecnologias foi proposta pela primeira vez por Joseph Schumpeter, que chamou este processo de destruição criativa. Na forma de modelo econômico, este conceito foi implementado por Philippe Aghion e Peter Howitt no modelo Aghion-Howitt, onde o incentivo para o desenvolvimento de novos produtos é o lucro monopolista de sua produção, que termina após a invenção de um produto melhor. Dado que só as instituições políticas pluralistas podem garantir que os proprietários dos monopólios existentes, utilizando o seu poder económico, não conseguirão bloquear a introdução de novas tecnologias, estas, segundo os autores, são uma condição necessária para a transição do país para o desenvolvimento sustentável. Outro pré-requisito é um nível suficiente de centralização do poder no país, porque na ausência disso, o pluralismo político pode transformar-se em caos. A base teórica do trabalho dos autores é apresentada em um artigo conjunto com Simon Johnson, e os autores também observam a grande influência do trabalho de Douglass North em seus pontos de vista.
Os autores reforçam sua posição analisando o desenvolvimento econômico de vários países e sociedades modernas e outras já desaparecidas: os EUA ;a Inglaterra medieval e o Império Britânico; a França; a República de Veneza; a República Romana e o Império Romano; a Áustria-Hungria; Império Russo, a URSS e Rússia moderna; a Espanha e suas muitas ex-colônias: Argentina, Venezuela, Guatemala, Colômbia, México e Peru; o Brasil; o período colonial da região do Caribe; a civilização maia; a cultura natufiana; o Império Otomano e a Turquia moderna; o Japão ; a Coreia do Norte e a Coreia do Sul; os impérios Ming e Qing e a China moderna; os sultanatos de Tidore, Ternate e Bakan, o estado insular de Ambon e outras comunidades no território da Indonésia atualmente, e as consequências do impacto da Companhia Holandesa das Índias Orientais sobre eles; a Austrália; a Somália e o Afeganistão; os reinos de Aksum e a Etiópia moderna; a África do Sul, o Zimbabué eBotswana; os reinos do Congo e de Cuba, e a República Democrática do Congo atual; os estados de Oyo, Daomé e Ashanti, e Gana moderna; a Serra Leoa; o Egito moderno e Uzbequistão. Os críticos observam por unanimidade a riqueza de exemplos históricos do livro.
Comparando dois tipos de instituições O papel decisivo para o desenvolvimento dos países, segundo os autores, é desempenhado pelas instituições — um conjunto de regras e mecanismos formais e informais para coagir os indivíduos a cumprir regras existentes na sociedade. Acemoglu e Robinson dividem as instituições em dois grandes grupos: políticas e econômicas. As primeiras regulam a distribuição de competências entre as diversas autoridades do país e o procedimento de formação desses órgãos, e as segundas regulam as relações patrimoniais dos cidadãos. O conceito de Acemoglu e Robinson consiste em opor dois arquétipos: as instiuições econômicas e políticas chamadas “extrativas” (“extrair”, “espremer”) e as “inclusivas” (“incluir”, “unir”), que em ambos os casos se reforçam e se apoiam mutuamente.
As instituições econômicas inclusivas protegem os direitos de propriedade de amplos sectores da sociedade (não apenas da elite), não permitem a alienação injustificada de propriedade e permitem que todos os cidadãos participem nas relações económicas para obter lucros. Nas condições de tais instituições, os trabalhadores estão interessados em aumentar a produtividade do trabalho. Os primeiros exemplos de tais instituições são a commenda na República de Veneza e as patentes de invenções. A existência a longo prazo de tais instituições econômicas, segundo os autores, é impossível sem instituições políticas inclusivas que permitam que amplos sectores da sociedade participem no governo do país e tomem decisões que sejam benéficas para a maioria. Estas instituições são a base de todas as democracias liberais modernas. Na ausência de tais instituições, quando o poder político é usurpado por um pequeno estrato da sociedade, mais cedo ou mais tarde, este estrato utilizará tal poder para ganhos de poder econômico, ataques aos direitos de propriedade de outros e, portanto, para destruir instituições econômicas inclusivas.
As instituições econômicas extrativas excluem grandes segmentos da população da distribuição do rendimento das suas próprias atividades. Impedem que todos, exceto a elite, se beneficiem da participação nas relações econômicas; para a elite, ao contrário, é permitido até alienar a propriedade daqueles que pertencem a outros grupos. Exemplos incluem a escravidão, a servidão e a encomienda. No contexto de tais instituições, os trabalhadores não têm incentivos para aumentar a produtividade do trabalho, uma vez que todo ou quase todo o rendimento adicional será tomado pela elite. Tais instituições econômicas são acompanhadas por instituições políticas extrativas que excluem grandes setores da população do governo e concentram todo o poder político nas mãos de um estrato estreito da sociedade (por exemplo, a nobreza). Entre os exemplos, estão as monarquias absolutistas e vários tipos de regimes ditatoriais e totalitários, bem como regimes autoritários com elementos externos de democracia (constituição e eleições), tão difundidos no mundo moderno, onde o governantes recebem o apoio de estruturas de poder: o exército, a polícia e tribunais dependentes. O próprio fato de haver eleições em um país não significa que as suas instituições não possam ser classificadas como extrativas: a concorrência pode ser desonesta, as oportunidades dos candidatos e o seu acesso aos meios de comunicação social podem ser desiguais, e a votação pode ser conduzida com inúmeras violações, e nestes casos, as eleições são apenas um espetáculo, cujo final é conhecido de antemão.
Análise do desenvolvimento econômico de diferentes países Acemoglu e Robinson analisam os fatores que contribuem para o sucesso ou fracasso dos Estados em seu livro. Argumentam que as explicações habitualmente citadas, como a geografia, o clima, a cultura, a religião, a raça ou a ignorância dos líderes políticos, são insuficientes.
Para apoiar a sua tese, os autores comparam estudos de caso de diferentes países. Destacam exemplos como a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, onde fatores semelhantes levaram a resultados econômicos divergentes. Também examinam as cidades fronteiriças para analisar o impacto dos ambientes institucionais na prosperidade.
O principal argumento de Acemoglu e Robinson é que as instituições econômicas e políticas inclusivas são cruciais para a prosperidade econômica. As instituições inclusivas permitem uma ampla participação na tomada de decisões e proporcionam incentivos ao talento e à criatividade. Por outro lado, as instituições extrativas, que beneficiam uma pequena elite, dificultam o crescimento econômico.