miniaturadaimagem|250px|Estátuas de guerreiros galaicos no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa. miniaturadaimagem|196x196px|Guerreiro de Armeá, Alhariz As estátuas de guerreiros galaicos (denominação escolhida por Emil Hübner, em 1861), Emil Hübner: «Statuen galläkischer Krieger in Portugal und Galicien». En: Kaiserlich Deutsches Archäologisches Institut: Archäologische Zeitung. Nr. 154, 1861, p 186ss. Reimer, Berlín 1861. também chamadas de estátuas de guerreiros da cultura castreja, ou do nome impróprio de guerreiros lusitano-galaicos, são uma série de esculturas de pedra, talvez pré-romanas, que foram encontradas no noroeste da Península Ibérica, mais precisamente no norte de Portugal e no sul da Galiza, quase todas no antigo convento bracarense da Galécia.Los guerreros galaicos, Guerrero galaico de Cabeceiras de Basto (Portugal), Fernando Acuña Castroviejo

Elas são com as pedras formosas, a expressão artística mais conhecidas da cultura castreja, e o embleme dos galaicos, demonstrando a sua atitude guerreira. No entanto, depois dum século e meio de estudos, ainda sabemos muito pouco sobre a sua origem e função.

Existe um grande acervo destas figuras no Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa com sete estátuas, e em museus locais, da Cultura castreja em Guimarães, Sanfins, Museu D. Diogo de Sousa em Braga e museu Municipal de Viana do Castelo.

Inventário e localização Segundo um inventário publicado em 2003 pelo arqueólogo Francisco Calo Lourido, existem 32 estátuas ou fragmentos de estátuas de guerreiros da Cultura castreja, faltando o guerreiro de Melgaço, assim como as cabeças encontrada em Braga e Vila Nova de Famalicão: 1. Anlló, Paróquia de Castrelo, São Cristovo de Ceia, Ourense, Galiza, cabeça com eventualmente um capacete, e com torque, conservada no Museo Arqueólogico de Ourense 2. Armeá, Paróquia de Santa Mariña de Aguas Santas, Allariz, Ourense, Galiza, fragmento do torso duma estátua de guerreiro, conservado no Museo Arqueólogico de Ourense. 3. Armeá, Paróquia de Santa Mariña de Aguas Santas, Allariz, Ourense, Galiza, outro fragmento do torso duma estátua de guerreiro, conservado no Museo Arqueólogico de Ourense. 4. Bergazo, O Corgo, Lugo, Galiza, fragmento de pés descalços bem executados possivelmente dum guerreiro, conservado no Museo Arqueólogico de Lugo. 5. Castro de Britelo, Ponte da Barca, estátua de guerreiro sem cabeça e pés, mas com uma cetra no peito que supostamente anunciava sol ou chuva. Para acabar com essa superstição um padre tê-la-á mandado destruir. 6. Capeludos, Vila Pouca de Aguiar, fragmento dum pequeno guerreiro sem pernas e muita mutilada, conservada no Museu Nacional de Arqueologia. 7. Castromao, Celanova, Ourense, Galiza, fragmento dum torso duma pequena estátua de guerreiro, conservado por um particular. 8 ab. Cendufe, Arcos de Valdevez, 2 fragmentos possivelmente da mesma estátua, a) pés descalços e b) parte inferior do escudo decorado até aos joelhos e, conservados no Museu Arqueológico Nacional. 9. Cendufe, Arcos de Valdevez, fragmento das pernas duma possível estátua de guerreiro, outra que a precedente por o grão da pedra ser mais grosso, o conjunto foi encontrado em 1907 numa parede duma propriedade perto da igreja, conservado no Museu Arqueológico Nacional. 10. Guarda, apareceu uma cabeça de granito em mau estado, fora da zona dos guerreiros galaicos, mas inicialmente foi considerada como tal, conservada no Museu da Guarda. 11. Lezenho, Boticas, estátua de guerreiro em que falta parte das pernas duma altura de 206 cm, encontrada em 1785 está conservada no Museu Arqueológico Nacional. 12. Lezenho, Boticas, outra estátua em que falta também parte das perna duma altura de 175 cm , encontrada na mesmas circunstâncias, mas de melhor feição e mais decorada, conservada igualmente no Museu Arqueológico Nacional. 13. Lezenho, Boticas, estátua muito mutilada, sem cabeça quase sem braços e parte das pernas, mas ricamente decorada. Foi encontrada em 1905 fazendo parte dum edifício na aldeia de Campos, está atualmente em Lisboa no Museu Arqueológico Nacional. 14. Lezenho, Boticas, estátua sem cabeça e parte das pernas, mas ricamente decorada e muito parecida com a precedente. Foi encontrada nas mesmas circunstâncias está também no Museu Arqueológico Nacional. ”Quando em Julho de 1905 visitámos o crasto de Lasenho, contaram-nos existir mais uma estátua, que se achava no próprio lugar de Campos, e procedendo nós o exame e desenho da maior, encontrámos a outra, servindo de degrau a um casebre…” Dr. Figueiredo da Guerra, juiz de direito da comarca de Boticas. 15. Midões, Barcelos, estátua desaparecida, que porventura nunca terá existida, poderá vir dum erro de interpretação de Hübner, que confundiu Midões de Tábua com o Midões de Barcelos e um ídolo, com uma estátua de guerreiro.Rios González, Sergio, Las Estatuas Galaico Lusitanas en posición de parada. I. Distribución espacial, emplazamientos y epigrafia asociada. Portvgalia, Nova Série, vol. 42, Porto, DCTP-FLUP, 2021, pp. 19-48, DOI: https://doi-org/10.21747/09714290/port42a2 16. Castro de Monte Mozinho, Penafiel, Parte baixa duma estátua de guerreiro feita com um granito de fraca qualidade de grão grosso, muito mutilada e partida com a particularidade de ter as pernas bem separadas, conservada no Museu de Penafiel. 17. Castro de Monte Mozinho, Penafiel, fragmento duma perna possivelmente de guerreiro, embora a inscrição no seu pedestal de granito de grão fino deixa pensar o contrario, conservado no Museu de Penafiel. 18. Ralle, Taboada, Galiza, grande cabeça com capacete. 19. Río, Vilarín, Ourense, Galiza, Cabeça com capacete possivelmente de guerreiro galaico, conservada no Museo Arqueológico Provincial de Ourense. 20. Roriz Barcelos, cabeça partida de talvez um guerreiro. 21ab. Rubiás, Bande, Galiza outra cabeça, dum guerreiro com torque, conservada no Museo Arqueológico Provincial de Ourense. Outro fragmento com uma inscrição desapareceu. 22. A Sabanle, Quintela, Galiza, fragmento do torso dum guerreiro com um pequeno escudo, conservado no Museo Municipal de Vigo 23. Vizela Estátua dum guerreiro muita mutilada, sem cabeça e escudo e pernas, encontrada por Martins Sarmento na Igreja de São Jorge de Vizela, foi para o Museu de Martins Sarmento em Guimarães. 24. Citânia de São Julião, Ponte São Vicente, Vila Verde, estátua dum guerreiro, descoberta por uma retro-escavadora da câmara de Vila Verde na construção dum caminho para a capela de São Julião, o que explica a sua deterioração, pois falta a cabeça um braço e parte das pernas. Mas no entanto ela destaca-se pela sua rica decoração e pela sua inscrição. Ela está no Museu D. Diogo de Sousa em Braga. 25. São Paio de Mexeido, Viana do Castelo estátua de guerreiro infelizmente muita alterada, com uma cruz no peito e outras alterações. Está conservada no Museu Municipal de Viana do Castelo. 26 abcd. Citânia de Sanfins, foram encontrados quatro fragmentos (cabeça, tronco, parte das pernas e pés) mas certamente de duas estátuas. As pernas não parecem encaixar bem com os pés encontrados no alto dum penedo, na entrada da citânia da segunda muralha. Ainda estão no sítio de origem, o resto está guardado no museu da citânia. 27. Santa Agueda, pequena estátua de 19 cm possivelmente de guerreiro conservada no Museo Arqueológico Provincial de Ourense 28. Santa Comba, Refojos, Cabeceiras de Basto, grande estátua de guerreiro de 2,06 m, com inscrição, conservada por um particular. 29. Santa Comba, Refojos, Cabeceiras de Basto, estátua de guerreiro, alterada com uma inscrição em 1612 e posteriormente, com uma cabeça e outras aberrações. 30. Castro de Santo Ovidio, Fafe, estátua de guerreiro, sem cabeça e parte das pernas, foi adquirida por Martins Sarmento em 1878 que a levou para Guimarães. 31. Vilar de Barrio, Bóveda y Padreda, Galiza, estátua desaparecida. 32. Vilarelhos, Alfândega da Fé, cabeça desaparecida, possivelmente dum guerreiro com muita reserva. 33. Lugar da Cividade, Paderne, Melgaço, torso duma estátua de guerreiro com um pequeno escudo. 34. Braga, em 1977, em obras feitas no lado sul da Av. da Imaculada Conceição, junto as antigas oficinas da Livraria Cruz foram recolhidas, por um privado, duas peças de grande valor: uma cabeça de guerreiro (essa cabeça não tem torque mas um elmo) e uma estátua sedente. Antes de Bracara, de Francisco Sande Lemos 35. Castro de São Miguel Anjo, Famalicão, cabeça de guerreiro, com elmo, encontrada perto da muralha externa.Expressões simbólicas e rituais da Idade do Ferro do Noroeste de Portugal, Ana M. S. Bettencourt, em JORGE, Victor Oliveira – “Arquitectando espaços : da natureza à metapolis : 7ª mesa redonda de Primavera.” Porto : Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2003. ISBN 972-9350-83-3. p. 131-149.

Há no entanto muitas duvidas no que diz respeito aos pequenos fragmentos seguintes: cabeça Nº10, cabeça Nº32, fragmento de pé Nº4 e cabeça Nº18. O que restringe substancialmente a área de difusão das esculturas. No total temos dezanove estátuas: Armeá (Nº 2, 3), Capeludos (Nº6), Castromao (Nº7), Cendufe (Nº 8), Outeiro Lesenho e Aldeia de Campos (Nº 11, 12, 13 e 14), Monte Mozinho (Nº 16 ), A Sabanle (Nº22), São Jorge de Vizela (Nº 23), São Julião (Nº 24), São Paio de Mexeido (Nº 25) , Sanfins (Nº 26), Santa Comba (Nº 28, 29), Castro de Santo Ovidio (Nº30), Lugar da Cividade (Nº 33).

Características

thumb|300px|Asse romano com no verso uma cetra galaica com a mesma decoração

São estátuas duma grande uniformidade tipológica, em granito de corpo inteiro, na grande maioria um pouco mais alta que o natural, (duma altura média de 2m, mas vai dos 4 m aos 0,6 m com 8 estátuas de 1,70 m; 9 de 2 m e 5 de 2,5 m ) de homens de pé com pernas juntas e braços contra o corpo, armados, da alta nobreza ou guerreiros. Nenhuma está inteira, e algumas delas além de estar partidas foram maltratadas como o “Basto”, com uma inscrição e uma cabeça fantasista. Elas são a copia exata, ao pormenor, do modelo. Por isso alguns guerreiros tem barba ou bigode, estão vestidos com uma túnica curta (saio) com um decote em V, as vezes ricamente decorada. Alguns tem um elmo, polainas, ou botas, mas tem todos uma cetra na sua frente, um cinturão com um punhal ou uma espada, estão também representados com um torque ao pescoço e braceletes símbolos do seu alto estatuto social. As armas são idênticas as encontradas em achados arqueológicos da Idade do Ferro da Península. Ou seja, são representações de guerreiros locais, que não possuem modelos romanos, embora obviamente haja para algumas uma certa influência.

Em exceção a essa definição temos três estátuas, as de Capeludos, Melgaço e Quintela por ser de trabalho mais grosseiro, de tamanho reduzido, de ter um escudo de forma convexa mais pequeno com um umbo maior, de não ter decorações na roupa nem adornos, e por ter um decote mais pronunciado na túnica. Pela rusticidade aparente e pelo feitio da cetra comparável a representação do diadema de Moñes podemos admitir uma anterioridade em comparação as outras estátuas, embora Jorge de Alarcão pensa que as diferenças devem-se a falta de habilidade de alguns escultores, e que todas as estátuas são contemporâneas. Então que outros pensam que houve uma evolução em função das particularidades seguintes. Principais características Caraterísticas pré-romanas Nº 1: a mão direita segura o punhal, em relevo. Nº 2: ombros levantados. Também aparece nas estátuas celtas como o guerreiro de Hirschanden. Nº 3: calçado, com botas de couro. Nº 4: com capacete Nº 5: sulco nas costas, ou seja uma incisão nas costas que represente a coluna vertebral. Também aparece nas estátuas celtas como o guerreiro de Hirschanden. Nº 6a: a parte frontal do busto e posterior são plainas. Nº 6b: representação não anatómica da cabeça. Nº 7: a base da estátua é cónica, espetada entre penedos como em Sanfins.

Caraterísticas de influência romana