A eleição municipal de Belém em 2024 ocorreu nos dias 6 de outubro (primeiro turno) e 27 de outubro (segundo turno), e teve como objetivo eleger um prefeito, um vice-prefeito e 35 vereadores que compõem a administração da capital paraense, com início dos mandatos em 1.º de janeiro de 2025 e término em 1.º de janeiro de 2029.

O prefeito em exercício Edmilson Rodrigues, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), disputou um novo mandato, porém se tornou o primeiro prefeito de Belém a ficar de fora do segundo turno, consequentemente não conseguindo se reeleger, desde a instauração da reeleição em 1998.

Foi eleito Igor Normando, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que derrotou o candidato do Partido Liberal (PL) Éder Mauro no segundo turno e se tornou o prefeito mais jovem da capital paraense, além de marcar o retorno do MDB ao Palácio Antônio Lemos após 34 anos desde a gestão de Fernando Coutinho Jorge.

Esta eleição foi marcada, principalmente, por causa da realização da COP30, evento da Organização das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas, que foi sediada na cidade e ocorreu em novembro de 2025. Esta foi a primeira vez que tanto o Brasil quanto a região amazônica sediaram o evento.

Contexto

Eleição anterior Edmilson Rodrigues, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), foi eleito em 2020 no segundo turno, obtendo 390.723 votos (51,76%), derrotando Everaldo Eguchi, do Patriota, que obteve 364.095 votos (48,24%). Rodrigues vinha de duas tentativas de voltar ao Palácio Antônio Lemos, de onde assumiu o cargo de prefeito entre 1997 e 2005, quando era filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT). Em ambas, nos anos de 2012 e 2016, foi superado por Zenaldo Coutinho, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) no segundo turno.

Eleições gerais de 2022

Nas eleições para governador, Helder Barbalho (MDB) foi reeleito em primeiro turno obtendo 582.468 votos (71,15%), contra 200.325 votos (24,47%) conquistados por Zequinha Marinho (PL). Os outros candidatos somaram 35.833 votos (4,38%) na capital paraense.

Já no primeiro turno das eleições presidenciais, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 392.207 votos (45,74%) contra 370.564 votos (43,21%) de Jair Messias Bolsonaro (PL) em Belém. Outros candidatos somaram 94.736 votos (11,05%). No segundo turno, Lula obteve 431.858 votos (50,28%) e Bolsonaro obteve 427.051 votos (49,72%) na capital paraense. Cenário de crise Ao contrário dos dois primeiros mandatos, Edmilson enfrentava um cenário de dificuldades em sua terceira gestão, que vinha do atraso no pagamento de salários dos profissionais da saúde entre os anos de 2022 e 2023 até a crise na coleta de lixo, em decorrência da expiração do prazo de uso do aterro sanitário em Marituba, o que gerava protestos dos moradores do município citado e inclusive da população da capital por conta da poluição do ar e dos rios. Tal problema, iniciado desde a inauguração do "novo lixão" em 2015, acabou se agravando em 2023, quando a data limite foi atingida em 30 de novembro.

Os cenários resultaram na queda de popularidade de Rodrigues, que chegava a atingir números elevados de rejeição nas pesquisas de opinião. Além disso, a má avaliação do atual prefeito deu início a um cenário de racha dentro do próprio PSOL e de frentes de apoio da esquerda paraense, sobretudo no cenário nacional, já que os baixos números de aprovação começaram a ser usados por adversários do pré-candidato a prefeito de São Paulo, Guilherme Boulos.

Paula Coradi, presidenta nacional do partido de Edmilson Rodrigues, o PSOL, garantiu à imprensa que a legenda irá priorizar a candidatura de Edmilson Rodrigues, bem como a de Guilherme Boulos, seu correligionário que lidera as pesquisas de intenção de voto em São Paulo.

COP 30 Após a escolha de Belém no dia 18 de maio de 2023 para receber a COP-30, a cidade ainda enfrenta alguns desafios como hospedagem, transporte e infraestrutura adequada para um evento de grande porte.

Apresentação Apesar da alta impopularidade, Edmilson Rodrigues resolveu oficializar a sua pré-candidatura à reeleição em 21 de março de 2024, já que na recente pesquisa Datailha figura entre os primeiros melhores posicionados, ou seja, tecnicamente empatado em primeiro lugar na sondagem.

No entanto, dentro do PSOL, havia um cenário de racha, principalmente pelo lançamento da pré-candidatura da professora e vereadora Silvia Letícia, que, apesar de ser companheira de partido de Rodrigues, era uma das principais opositoras pela esquerda da gestão psolista, integrando a corrente Revolução Socialista, enquanto que Edmilson era da corrente Primavera Socialista, que possui um histórico de rivalidade dentro do partido. O caso acabou levando a sua suspensão de dentro do PSOL e a discussão de uma possível expulsão. Além disso, o PT havia cogitado inicialmente deixar a base do governo municipal e lançar uma candidatura própria ou apoiar um nome ligado ao governador Helder Barbalho (MDB), uma vez que o mesmo é um dos representantes da base aliada do presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva. Porém, o partido decidiu apoiar a reeleição de Edmilson devido a falta de um nome forte se fosse seguir como candidato independente, tendo como a condição de lançar mais uma vez o vice, como havia sido nas eleições de 2020 quando o ex-secretário estadual de cultura, Edilson Moura, foi escolhido, se tornando o primeiro homem negro a assumir tal cargo na capital paraense. Foi oficializado candidato à reeleição em 03 de agosto de 2024, na convenção eleitoral do PSOL, com a presença de 21 mil pessoas no bairro do Guamá, que oficializou novamente Edilson Moura (PT) como seu vice.

Pelo lado Barbalhista, como são conhecidos os apoiadores do governador Helder Barbalho, era especulado o nome do deputado estadual Zeca Pirão como o seu candidato, chegando a aparecer na liderança em algumas pesquisas. Contudo, com a saída de Igor Normando do PODE devido a filiação do senador Zequinha Marinho ao partido, que havia deixado o PL por discordâncias em alguns posicionamentos, Helder decidiu lançar Normando como o seu candidato, assinando também a sua filiação ao MDB. Para compor o nome a vice, dois parlamentares foram colocados como possíveis apostas: o então secretário de esporte e lazer e ex-deputado federal, Cássio Andrade (PSB), e a então secretária de cultura, Ursula Vidal (UNIÃO), com a última chegando a ganhar força para assumir tal função, enquanto que o primeiro optou por ser apenas o coordenador de campanha de Igor, assim como também acabou causando a saída do PSB da base de apoio da gestão municipal de Edmilson. Porém, em uma reviravolta, ficou decidido que Andrade, que seria o coordenador de campanha, ficaria como vice na chapa de Normando, enquanto que Ursula voltaria ao cargo de secretária de cultura em uma ação estratégica, visando crescer os investimentos para a COP-30. Além do PSB, o PDT, que havia inicialmente fechado o apoio à Rodrigues, decide reverter em favor de Normando, causando também a sua saída da gestão municipal. No entanto, alguns candidatos a vereador do próprio PDT mantiveram o apoio à Edmilson, assim como o Cidadania, que mesmo fazendo parte da federação com o PSDB, resolveu apoiar o atual prefeito.

No lado Bolsonarista, três nomes apareceram como opções. O primeiro era o de Éder Mauro, deputado federal e principal porta-voz do ex-presidente Jair Bolsonaro, chegando a abrir importantes vantagens na liderança nas pesquisas de opinião. O segundo nome é o de Everaldo Eguchi, que chegou a ir no segundo turno em 2020. Eguchi posteriormente deixaria o PRD e voltaria ao PL, mas ficando por pouco tempo, quando se filiou ao PODE e se lançou como pré-candidato a prefeito. No entanto, a sua candidatura foi impossibilitada pela alta cúpula do partido, que resolveu apostar no radialista Jefferson Lima. Além disso, Everaldo também havia deixado de apoiar o ex-presidente da república, Jair Bolsonaro, mostrando uma possível aproximação de Helder Barbalho, o que também teria desagradado os parlamentares do Podemos, apesar do partido não expor a real razão do descarte de sua candidatura. O delegado federal deixaria o partido e posteriormente se filiaria ao Avante, porém, é expulso do partido após a sua pré-candidatura também ter sido rejeitada, uma vez que os mesmos decidiram por apoiar Thiago Araújo (Republicanos). Ao final, Eguchi se filiaria ao PRTB, oficializando a sua candidatura. O último nome é o de Henrique Nassar, também pelo PL, que, apesar de apostar em Éder Mauro, Nassar de qualquer jeito oficializou a sua pré-candidatura, criando também um cenário de racha dentro do partido entre seus militantes.

No lado independente, Thiago Araújo se lança novamente como candidato, mas agora pelo Republicanos, uma vez que o mesmo deixaria o Cidadania, onde esteve desde a sua primeira vez na política em 2012, alegando sofrer perseguição interna por ser o principal opositor ao governo Helder Barbalho, uma vez que o partido acabou se juntando com o PSDB devido a federação nacional, já que o lado tucano decidiu ir para a base de apoio à gestão estadual. Outros nomes que compõem essa frente são o do professor Ítalo Abati pelo NOVO, que pela primeira vez lança um candidato à prefeito na capital paraense, uma vez que em 2020 apresentou apenas candidatos a vereador, da jornalista Wellingta Macêdo pelo PSTU e da guarda portuária Raquel Brício pelo UP, que assim como o PSB e PDT, deixou a base de apoio ao governo municipal.

Calendário eleitoral

Candidatos à prefeitura +Prefeito(a)Vice-Prefeito(a)Coligação Partido(s)Tempo do horário eleitoralCandidato(a)Partido FederaçãoCargos relevantesCandidato(a)Partido FederaçãoCargos relevantes10semmoldura|128x128pxThiago AraújoRepublicanos Deputado estadual (2015–atualidade);

Vereador de Belém (2013–2015)130x130pxShirley AlvesAGIR ProfessoraBelém quer mudança de verdade Republicanos, AGIR, Solidariedade, Avante, DC e PMB1 minuto e 11 segundos15 128x128pxIgor NormandoMDB Secretário de Estado de Articulação da Cidadania (2023–2024);

Deputado estadual (2019–atualidade);

Vereador de Belém (2013–2019)128x128pxCássio AndradePSB Secretário de Estado de Esporte, Cultura e Lazer (2023–2024);

Deputado federal (2019–2023);

Deputado estadual (2007–2018);

Vereador de Belém (2005–2006) Levanta Belém MDB, PSB, PDT, UNIÃO, Fed. PSDB Cidadania (PSDB e Cidadania), PSD, PP, PRD e MOBILIZA4 minutos e 19 segundos16 128x128pxWellingta MacêdoPSTU Jornalista; Atriz; Líder do Movimento Quilombo Raça e Classe 128x128pxAirton MoraesPSTU FarmacêuticoSem coligação20semmoldura|128x128pxJefferson LimaPODE Radialista; Apresentador de TV 128x128pxAline KzamPODE MédicaSem coligação31 segundos22semmoldura|134x134pxÉder MauroPL Deputado federal (2015–atualidade); Delegado 128x128pxTatiane CoelhoPL MédicaSem coligação2 minutos30128x128pxÍtalo AbatiNOVO Professor; Conselheiro do Grupo Enactus 130x130pxBernardino GrecoNOVO AdvogadoSem coligação50129x129pxEdmilson RodriguesPSOL Fed. PSOL REDE Prefeito de Belém (1997–2005; 2021–2025)

Deputado federal (2015–2020)

Deputado estadual (1987–1995; 2011–2015)128x128pxEdilson MouraPT

FE Brasil Vice-prefeito de Belém (2021–2025);

Secretário Estadual de Cultura (2007–2010);

Vereador de Belém (2005–2008)A nossa família é o povo Fed. PSOL REDE (PSOL e REDE) e FE Brasil (PT, PCdoB e PV)1 minuto e 56 segundos80130x130pxRaquel BrícioUP Guarda portuária 128x128pxGal LeiteUP SindicalistaSem nome <small>UP e PCB

Apesar do diretório estadual do Solidariedade apoiar diretamente Thiago Araújo (Republicanos), outra parte do partido optou por apoiar Everaldo Eguchi (PRTB), formando a coligação não oficial União Bora Belém, levando a campanha de Araújo a pedir impugnação da chapa. No dia 18 de agosto, a Justiça Eleitoral decidiu manter o Solidariedade como componente da campanha de Thiago, anulando a coligação de Eguchi.