Rivaldo Barbosa de Araújo Junior (Rio de Janeiro, 31 de maio de 1969) é um policial civil e ex-professor universitário brasileiro. Foi chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro entre março e dezembro de 2018, quando o Estado estava sob intervenção federal na área segurança pública. Assumiu o cargo um dia antes do assassinato da vereadora Marielle Franco, no qual seria o responsável por coordenar as investigações.

Em 2026, foi considerado culpado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de obstrução de justiça e corrupção passiva, sendo condenado a 18 anos de prisão.

Biografia Barbosa foi militar da Aeronáutica por 15 anos, e formou-se em direito em 1998, pelo Centro Universitário Augusto Motta. Em 2002, foi para reserva e entrou para a Polícia Civil do Rio de Janeiro como delegado. Em 2008, assumiu a Subsecretária de Inteligência, durante a gestão de José Mariano Beltrame na secretária de segurança. Em 2012, foi nomeado delegado titular da Divisão de Homicídios da Capital, sendo responsável por investigar casos de grande repercussão, como o assassinato da juíza Patrícia Acioli (ocorrido em 2011) e o desaparecimento do pedreiro Amarildo Dias de Souza. Também foi coordenador geral das delegacias de homicídios do Estado.

Em 29 de novembro de 2016, o processo contra os policiais militares acusados de matar o menino Eduardo de Jesus, de 10 anos, em 2 de abril de 2015, no Conjunto de Favelas do Alemão, foi arquivado. A decisão teve o voto de dois de três desembargadores. Na época, o inquérito da Polícia Civil, investigado pelo delegado Rivaldo Barbosa, concluiu que os policiais agiram em legítima defesa, trocavam tiros com bandidos e balearam Eduardo acidentalmente, apesar de testemunhas terem dito o contrário.

Em 22 de fevereiro de 2018, foi anunciado como chefe da Polícia Civil, no qual tomou posse em 13 de março. No fim do ano, deixou o cargo, após o encerramento da intervenção federal na segurança pública no Estado. O relatório da Polícia Federal aponta que as investigações sobre pelo menos cinco mortes violentas que tiveram a participação do chamado "Escritório do Crime", no Rio de Janeiro, não foram concluídas pela Delegacia de Homicídios (DH) da Capital. Os assassinatos, que foram motivados principalmente pela disputas com caça-níqueis, ocorreram entre 2011 e 2018.

Assassinato de Marielle Franco

No dia seguinte a posse como chefe da Polícia Civil, ocorreu o assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes. Na época, Barbosa reuniu-se com parentes das vítimas e afirmou que a elucidação do caso seria uma questão de honra. A investigação do caso ficou sob responsabilidade de Giniton Lages, nomeado pelo próprio Barbosa.

Em novembro de 2019, foi acusado pela Polícia Federal de ter recebido R$ 400 mil para obstruir o caso. Em 24 de março de 2024, foi preso junto aos políticos Chiquinho Brazão e Domingos Brazão, como um dos suspeitos de ser o mandante da morte de Franco. A prisão ocorreu após a homologação da delação premiada de Ronnie Lessa, envolvido nas mortes de Marielle e Anderson.

Em 29 de abril de 2024, antes de ser denunciado à Procuradoria Geral da República, a defesa de Rivaldo pediu para prestar depoimento ao ministro do STF, Alexandre de Moraes, para que o ele e sua esposa, Erika Araújo, sejam ouvidos no processo. Rivaldo estaria sedento para falar, de acordo com advogados.

Em 7 de maio, Rivaldo foi denunciado pela Procuradoria Geral da República juntamente com os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão.

Em 17 de maio, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, manteve a prisão de Rivaldo Barbosa, acusado de ser o mentor do assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018.

Em 3 de junho, Rivaldo disse em depoimento à Polícia Federal que não conhece os irmãos Brazão e que não participou de nenhuma trama para matar a vereadora Marielle Franco. Rivaldo afirmou que Lessa citou seu nome na investigação com o objetivo de se vingar por ter sido preso.

Em 15 de julho, Rivaldo prestou depoimento ao Conselho de Ética. Ele afirmou que a vereadora Marielle só o ajudava e negou participação no crime. Rivaldo foi escolhido foi para ser testemunha de defesa do processo no Conselho de Ética da Câmara.

Em 9 de agosto, a Polícia Federal entregou ao STF um relatório complementar sobre obstrução de investigação do caso Marielle e disse que imagens de câmeras de segurança que poderiam levar a assassinos foram ignoradas, de propósito, por delegados indiciados, Rivaldo Barbosa e Giniton Lages.

Em 16 de outubro, Rivaldo foi transferido para a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Em 24 de fevereiro de 2026, a Primeira Turma do STF o considerou culpado pelos crimes de obstrução de justiça e corrupção passiva, sendo condenado a 18 anos de prisão por ter recebido dinheiro da milícia para atrapalhar as investigações. Rivaldo foi absolvido do crime de homicídio qualificado por "dúvida razoável".

Na tarde do dia 16 de março de 2026, Rivaldo Barbosa deixou a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, para ser transferido para uma penitenciária no Rio de Janeiro. A transferência foi autorizada pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes.

Categoria:Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro Categoria:Policiais do estado do Rio de Janeiro Categoria:Professores universitários do Brasil Categoria:Naturais da cidade do Rio de Janeiro Categoria:Assassinato de Marielle Franco