DNA do Crime (em inglês: Criminal Code) é uma série de televisão brasileira de drama policial e assalto criada por Heitor Dhalia, Bernardo Barcellos e Leonardo Levis, e produzida pela Netflix em parceria com a Paranoïd Filmes. A série é inspirada em um mega-assalto que ocorreu em Ciudad del Este, no Paraguai, em 2017, e explora a complexa teia do crime organizado na fronteira entre Brasil e Paraguai, além do uso da tecnologia de DNA nas investigações policiais.
A primeira temporada foi lançada em 14 de novembro de 2023 e a segunda temporada estreou em 4 de junho de 2025. Criada por Heitor Dhalia, Bernardo Barcellos e Leonardo Levis, a série tem roteiros de Bernardo Barcellos e Bruno Passeri (roteiristas-chefe na primeira temporada), Leonardo Levis, Davi Kolb, Rosana Rodini, Mariana Vielmond e Aly Muritiba. A direção da primeira temporada é de Heitor Dhalia e Pedro Morelli, com Dhalia assumindo a direção geral da segunda temporada, que também conta com episódios dirigidos por Morelli e Felipe Vellas.
A série é estrelada por Maeve Jinkings, Rômulo Braga e Thomás Aquino. Após seu lançamento, tornou-se um fenômeno de audiência global, alcançando o primeiro lugar entre as séries de língua não-inglesa mais vistas na Netflix e entrando no Top 10 em mais de 70 países, sendo aclamada por sua escala de produção cinematográfica e pela intensidade de sua narrativa, que estabeleceu um novo patamar para o gênero de ação policial no Brasil.
Enredo 1ª temporada (2023) Após um assalto de proporções épicas à sede de uma empresa de transporte de valores em Ciudad del Este, Paraguai, policiais federais da delegacia de Foz do Iguaçu, no Brasil, iniciam uma investigação complexa e sem precedentes. A temporada se aprofunda na caçada da Polícia Federal a uma sofisticada organização criminosa transnacional. Liderados pelos agentes Benício (Rômulo Braga), um policial intenso e movido por um trauma pessoal, e Suellen (Maeve Jinkings), uma perita estratégica e meticulosa que retorna ao trabalho após a licença-maternidade, eles seguem o rastro das amostras de DNA coletadas nas cenas do crime. Essa análise meticulosa, que se torna a espinha dorsal da investigação e o diferencial da equipe, os leva a descobrir uma conexão surpreendente entre o roubo no país vizinho e outros crimes recentes em território brasileiro, desvendando um plano criminoso ainda maior, arquitetado por uma facção poderosa conhecida como "A Organização". Esta facção, liderada pelo enigmático e calculista Sem Alma (Thomás Aquino), opera com precisão militar em ambos os lados da fronteira. Benício, movido por um desejo pessoal de vingança após a morte de um colega durante um confronto anterior, e Suellen, buscando provar seu valor e conciliar a perigosa profissão com a recente maternidade, mergulham em um perigoso jogo de gato e rato. A trama explora não apenas a perseguição e os confrontos diretos, mas também as tensões internas na equipe policial, os desafios burocráticos e a complexa logística de uma investigação que cruza jurisdições e envolve múltiplos crimes, desde roubos a bancos até assassinatos, revelando a vasta e interligada rede do crime na fronteira.
2ª temporada (2025) A segunda temporada de DNA do Crime retoma com a Polícia Federal, liderada por Suellen (Maeve Jinkings) e Benício (Rômulo Braga), ainda lidando com as consequências da operação fracassada contra Isaac (Alex Nader) e sua crescente organização criminosa, a Quadrilha Fantasma, que absorveu remanescentes da facção de Sem Alma. Isaac, agora uma figura ainda mais poderosa e ambiciosa, planeja um audacioso assalto ao Banco Central de Fortaleza, um dos maiores roubos da história do Brasil. Apesar da resistência policial, que resulta na morte do Professor – mentor de Isaac e um golpe duro para Suellen, que via nele uma peça-chave para desmantelar a organização –, ele consegue escapar com parte do dinheiro. Este evento, e a morte do irmão de Isaac, Gabriel (Daniel Blanco), durante outro assalto interceptado pela polícia, impulsiona o criminoso a reavaliar suas estratégias e a expandir seu poder. Desconfiado e paranoico, Isaac decide eliminar seu antigo financiador, o Embaixador (Nico García Hume), consolidando o controle total sobre suas operações. Ele então inicia uma nova e lucrativa frente de negócios: o tráfico internacional de drogas, buscando novas alianças com cartéis e outros criminosos, como o misterioso "Xuxa" (Matías Desiderio) ou como o perigoso "Greco" (Stefano Cassetti), emissário da Máfia Calabresa. A temporada aprofunda a complexidade da rede criminosa, mostrando a evolução de Isaac de um ladrão de bancos para um barão do crime com ambições globais, enquanto a Polícia Federal, agora com novos integrantes e enfrentando desafios ainda maiores, corre contra o tempo para antecipar seus movimentos e impedir a consolidação de seu império.
Análise dos Arcos de Personagens O que sustenta a tensão de DNA do Crime para além das cenas de ação é o investimento em arcos de personagens complexos e bem definidos, que evoluem significativamente ao longo das duas temporadas. A série utiliza seus protagonistas e antagonistas não apenas para mover a trama, mas para explorar as consequências psicológicas e morais de uma vida imersa na violência e na obsessão.
Benício: A tragédia da obsessão O agente Benício (Rômulo Braga) inicia sua jornada na primeira temporada movido por um luto palpável e um desejo de vingança pela morte de seu parceiro. Seu arco inicial é o da fúria justa, agindo de forma impulsiva e frequentemente desrespeitando protocolos, o que o coloca em conflito constante com a estrutura da Polícia Federal. Na segunda temporada, essa vingança se solidifica e se transforma em uma obsessão crônica e fria. O caso deixa de ser sobre seu amigo e se torna a única razão de sua existência. Benício torna-se mais isolado, amargo e disposto a cruzar linhas ainda mais turvas, personificando a questão filosófica de até que ponto a busca por justiça pode corromper o justiiceiro. Sua trajetória explora o alto custo pessoal da luta contra o crime, questionando se é possível destruir monstros sem se tornar um.
Suellen: O peso da liderança e da estratégia Se o arco de Benício é sobre implosão, o de Suellen (Maeve Jinkings) é sobre a pressão externa e o crescimento forçado. Na primeira temporada, sua luta é por reafirmação profissional após a licença-maternidade, representando a inteligência, o método e a ciência como contraponto à força bruta. Ela é a personificação da ordem. Com seu valor provado, a segunda temporada a eleva a uma posição de liderança estratégica de fato. Seu arco passa a ser sobre o fardo da responsabilidade. Cada falha na operação, cada vida perdida, recai sobre seus ombros. Ela precisa gerenciar não apenas a complexa investigação, mas também a instabilidade de Benício e as pressões institucionais. A jornada de Suellen é a da transformação de uma perita brilhante em uma comandante sobrecarregada, ilustrando que liderar no caos exige mais do que inteligência técnica, mas também um imenso sacrifício pessoal e resiliência emocional.
Os Antagonistas: Um estudo sobre o mal A série se destaca por construir antagonistas com filosofias distintas. Sem Alma (Thomás Aquino), o principal adversário da primeira temporada, é o "fantasma", um criminoso quase ascético, movido por uma disciplina rígida e uma ideologia de oposição ao sistema. Ele representa um crime organizado, metódico e doutrinário. Em contraste, Isaac (Alex Nader), que assume o protagonismo na segunda temporada, personifica uma forma diferente de mal: a ambição capitalista sem limites. Impulsionado pela paranoia e por perdas pessoais, seu arco mostra a evolução de um assaltante especialista para um empreendedor do crime que diversifica seus negócios para o narcotráfico. Se Sem Alma era um estrategista que queria desaparecer, Isaac é um barão que deseja construir um império visível e duradouro. Juntos, seus arcos oferecem um estudo comparativo sobre as diferentes facetas e motivações do crime de alta periculosidade.
Relação com eventos reais A trama de DNA do Crime é fortemente inspirada por eventos criminais reais, notavelmente o mega-assalto à sede da empresa de transporte de valores Prosegur ocorrido em Ciudad del Este, Paraguai, em 24 de abril de 2017. Este assalto, considerado um dos maiores da história do Paraguai, envolveu dezenas de criminosos fortemente armados, o uso de explosivos para acessar o cofre da empresa, táticas de cerco e confronto com a polícia, resultando na morte de um policial do Grupo Especial de Operações e no roubo de milhões de dólares, com estimativas variando entre 8 e 40 milhões.
A série reflete diversos aspectos deste e de outros crimes de "domínio de cidades" (também conhecidos como "novo cangaço" no Brasil), uma modalidade criminosa em que grupos organizados sitiam cidades, geralmente de pequeno e médio porte, para realizar grandes roubos, tipicamente a bancos ou transportadoras de valores. Elementos como o planejamento meticuloso dos assaltos, o uso de armamento de guerra (como fuzis .50 capazes de derrubar aeronaves), a tática de criar múltiplos focos de distração incendiando veículos e atacando postos policiais para neutralizar as forças de segurança, e a fuga estratégica através da fronteira para o Brasil são retratados na ficção e espelham o modus operandi de facções criminosas reais que atuam na região, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), suspeito de envolvimento direto no caso Prosegur.
Um pilar central da série, e que dá nome à produção, é a utilização de vestígios de DNA para a resolução dos crimes. Esta abordagem é diretamente inspirada pelo trabalho inovador e persistente da Polícia Federal brasileira na investigação do assalto à Prosegur. A coleta e análise de material genético deixado pelos criminosos nos veículos abandonados, em abrigos e em cenas de confronto foram cruciais para identificar suspeitos brasileiros e conectar o assalto no Paraguai a uma rede de outros crimes violentos em território brasileiro, como roubos a carros-fortes em São Paulo e no interior. Este esforço investigativo, que envolveu a análise de centenas de vestígios e a inserção de dezenas de perfis genéticos no Banco Nacional de Perfis Genéticos, rendeu à Polícia Federal do Brasil o prêmio internacional "DNA Hit of the Year" em 2020, um reconhecimento da Interpol e do grupo de trabalho da Rede Europeia de Laboratórios de Ciências Forenses (ENFSI) pela eficácia da ciência forense no combate ao crime organizado transnacional.
Apesar da forte inspiração em fatos, o criador Heitor Dhalia ressalta que DNA do Crime é uma obra de ficção. Os personagens, suas tramas pessoais e muitos dos desdobramentos narrativos são criações para fins dramáticos, utilizando os eventos reais como um ponto de partida para explorar temas mais amplos sobre o crime, a justiça e a natureza humana na complexa realidade da fronteira. A série busca, assim, um equilíbrio entre o realismo dos procedimentos investigativos e das táticas criminosas, validados por extensa pesquisa e consultoria, com a liberdade criativa necessária para construir um thriller de ação envolvente e com arcos de personagens cativantes.
Elenco Ator/Atriz Personagem Temporadas 1ª 2ª Maeve Jinkings Suellen Rômulo Braga Benício Thomás Aquino Sem Alma (Santos) Pedro Caetano Rossi Alex Nader Isaac Erom Cordeiro Fernando Daniel Blanco Gabriel Letícia Tomazella Delegada Vendramin Luis Kwong Fernando Inoki Miguel Nader Gomes Larissa Bocchino Suely Douglas Sampaio Felipe Gabriel Chadan Cauã Elzio Vieira Breno Nico García Hume Embaixador Guito Santos (Policial colega de Benício) Phellipe Azevedo Cabo Adriano João Fernandes Maomé Jorge Paz Cabeça Matías Desiderio Xuxa Stefano Cassetti Greco
Participações especiais