A Bolsa Amarela é um livro infantojuvenil da escritora brasileira Lygia Bojunga. Foi escrito originalmente em 1976 e conta a história de Raquel, uma menina de dez anos que, nos tempos da ditatura militar, e por desaprovação da família, se vê impedida de realizar suas três vontades guardadas na bolsa amarela: crescer, ser menino e ser escritora.

Reprimida pela família, Raquel esconde suas vontades em uma bolsa amarela e a partir dela descobre amigos que a ajudam a encontrar um novo jeito de estar no mundo. Tem como uma de suas temáticas o feminismo.

Características e temas A história, narrada em primeira pessoa, é formada pela junção do mundo real no qual a personagem vive as repressões e o mundo da sua imaginação, onde pode ser tudo que deseja, sem críticas. A narração feita por Raquel inicia na forma de cartas, motivadas pela vontade que a menina tem de ser levada a sério, que pra ela é sinônimo de ser grande, e poder conversar. As cartas são para um destinatário imaginado, André, dois anos mais velho que ela, e então à amiga dele, Lorelai. Quando suas cartas são descobertas por sua irmã mais velha, Raquel passa a escrever romances com personagens que refletem suas vontades reprimidas, o primeiro sobre um galo que tem a obrigação de ser chefe de família, até que decide fugir do galinheiro.

As percepções de Raquel sobre o machismo que vivenciava são vistas, além da sua vontade de ser menino, nos personagens masculinos que cria, desenvolvendo eles de forma mais criativa, e ao criar personagens femininas, dá a elas características que as inferiorizam por serem mulheres, como é exemplificado pela Guarda-Chuva. Suas experiências com a desigualdade de gênero vão desde a observação de relações entre seus familiares até interações recorrentes que tem com colegas de escola.

A censura sofrida está refletida na maior vontade guardada de Raquel, a de ser escritora, pois nela a menina encontra liberdade de expressão e a possibilidade de ser quem quiser, por meio dos personagens criados que variam entre animais, pessoas e até mesmo objetos que dividem experiências e pensamentos com ela. Usando a imaginação, ela alcança a liberdade e o protagonismo que tanto sonha, pois, por ser criança, raramente é respeitada em conversas. Dessa forma, o livro também traz reflexões sobre como a criança era e é vista na sociedade e a importância do exercício da imaginação.

Premiações É a obra mais famosa da autora e rendeu prêmios internacionais como Prêmio Hans Christian Andersen (1982) e o Prêmio Astrid Lindgren Memorial Award (2004).

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