miniaturadaimagem|Os taínos sofreram perseguição durante a conquista espanhola das Caraíbas, e a sua população foi dizimada. O genocídio taíno foi cometido pelos conquistadores espanhóis contra o povo indígena taíno durante a conquista da América, desenvolvida nas Caraíbas durante o . Estima-se que, antes da chegada do Império espanhol à ilha de Quisqueya ou Ayiti (que Cristóvão Colombo batizou como Hispaniola), a comunidade taíno tivesse entre 100.000 e 1.000.000 de habitantes, que foram submetidos à escravatura e a outros tratos violentos após a deposição do último cacique taíno em 1504. Em 1514, a população tinha sido reduzida a apenas 32.000 taínos; em 1565, o número era de 200; e em 1802, foram declarados extintos.
No entanto, a National Geographic realizou uma reportagem em 2019, revelando que existem descendentes e que seu desaparecimento dos registos foi parte de um relato fictício criado pelo império espanhol com a intenção de apagar a sua história.
História Os taíno foram povos de línguas aruaques que chegaram à América aproximadamente 4000 anos antes da conquista e estavam assentados nas Bahamas, nas Antilhas Maiores e nas Antilhas Menores. Cristóvão Colombo estava à procura de ouro; no entanto, ao não o encontrar focou-se no negócio escravista. Ao chegar à ilha produziu-se um confronto entre os colonizadores tripulantes da Santa María e os taíno, após os primeiros terem abusasado sexualmente das mulheres nativas. Em 1503, a maioria dos caciques foi presa e queimada viva. O frade Bartolomé das Casas escreveu que, nesse massacre, os espanhóis atacaram também os demais habitantes, cortando as pernas aos meninos enquanto corriam.
Em 1492, Colombo tentou desembarcar na costa norte da ilha, mas uma de suas embarcações, a Santa María, naufragou na costa norte e, sob a direção de Colombo, os destroços foram aproveitados para a construção de um forte; o primeiro assentamento europeu no Novo Mundo durante a Era dos Descobrimentos. Como o naufrágio ocorreu no dia de Natal, o forte foi chamado de La Navidad. O forte localizava-se em algum lugar próximo à atual cidade de Cabo Haitiano.
Colombo deixou parte de sua tripulação em La Navidad e retornou à Espanha, acreditando erroneamente que seus homens não representariam uma ameaça aos nativos, os quais ele julgava serem amistosos. O cacique Caonabo liderou um ataque ao forte em 1493, assassinando todos os espanhóis que haviam permanecido no local. Sua esposa, Anacaona, explicaria mais tarde que, indignada com o tratamento dispensado aos nativos pelos espanhóis, ela havia incentivado Caonabo a atacar e retomar a aldeia.
Quando Colombo retornou a Hispaniola e encontrou La Navidad destruída, Caonabo já era considerado um dos líderes mais poderosos da ilha. O cacique de Marién, Guacanagaríx, que dominava o noroeste da ilha, informou aos espanhóis que Caonabo fora o responsável pelo ataque. Em 1494, Bartolomeu Colombo recebeu a notícia de que Caonabo planejava um ataque ao forte espanhol de Santo Tomás. Em resposta, Colombo enviou um contingente de quatrocentos homens, liderado por Alonso de Ojeda, para marchar em direção ao interior da ilha com o objetivo de incutir medo e subjugar os nativos.
Caonabo foi capturado por Ojeda e feito prisioneiro. A captura de Caonabo revoltou os taínos, desencadeando a primeira revolta de povos nativos contra os espanhóis. O irmão de Caonabo, Manicatex, reuniu cerca de 7.000 nativos para atacar os espanhóis e resgatar Caonabo. No entanto, os taínos foram facilmente derrotados, em grande parte devido ao uso de cavalaria pelos espanhóis. Manicatex e outros líderes nativos foram feitos prisioneiros. Os espanhóis decidiram retirar Caonabo da ilha para evitar futuras revoltas; assim, ele e seu irmão foram enviados para a Espanha. Caonabo morreu durante a viagem e foi sepultado no mar.
Em um episódio no início de 1495, um subchefe taíno matou dez espanhóis e incendiou cabanas onde havia espanhóis doentes. Em resposta, Cristóvão Colombo liderou uma expedição que resultou na captura de mais de 1.500 taínos destinados a serem enviados à Espanha para venda, marcando a primeira forma aberta de escravização em Hispaniola. Como apenas 150 cabiam nos navios, e por ordem de Colombo "quem quisesse poderia levar quantos quisesse", mais de 600 foram entregues aos espanhóis. Os 400 restantes deveriam ser libertados, mas cerca de metade dos cativos a bordo do navio morreu. miniaturadaimagem|363x363px|Os cinco cacicados nos quais se dividia a ilha de Hispaniola quando da chegada dos espanhóis. Anacaona, viúva de Caonabo e irmã de Behechio, retornou a Jaragua, no sudoeste da ilha, para governar com seu irmão — o cacique da época —, tornando-se posteriormente uma cacica. Segundo Fernando Colombo, o ataque "melhorou a posição dos cristãos... Ele [Cristóvão Colombo] levou os indígenas a tal estado de obediência e tranquilidade que todos prometeram pagar tributo". Cristóvão Colombo ordenou que pessoas com 14 anos ou mais que viviam perto das minas de ouro fornecessem ouro, e que todos os outros entregassem vinte e cinco libras de algodão. Aqueles que pagavam tributo eram obrigados a usar um distintivo no pescoço, e qualquer pessoa encontrada sem ele estava sujeita a punição.
Em uma visita a Jaragua, Bartolomeu Colombo exigiu tributo de Behecchio e Anacaona. Behecchio mentiu, alegando que não podiam pagar o tributo porque seu povo não sabia onde o ouro podia ser encontrado nem o que ele era, e que Jaragua não possuía ouro. Eles concordaram em fornecer produtos como algodão, mandioca e peixe seco.
Massacre de Jaragua A escravização em toda a ilha de Hispaniola resultou em muitas rebeliões e na fuga de muitos taínos para Jaragua a partir de 1496. Samuel M. Wilson, arqueólogo e antropólogo, sugere que o massacre de Jaragua não foi realizado para reprimir uma rebelião, mas para "subjugar uma comunidade de certa forma separatista".
Em 1503, quando Anacaona, que passou a governar Jaragua depois da morte de seu irmão em 1502, recebeu a notícia de que Nicolás de Ovando estava chegando à região, ela reuniu líderes e caciques taínos locais, bem como pessoas de povoados vizinhos, em Jaragua. Ovando levou consigo 300 soldados e 70 cavaleiros. Diz-se que muitos compareceram e celebraram com banquetes, danças e jogos. Bartolomé de las Casas escreveu sobre o massacre de Jaragu em sua obra Historia de las Indias. Segundo Las Casas, em um domingo, Ovando pediu a todos os líderes que se reunissem na casa de Anacaona, pois ela desejava falar com eles. Quando chegaram, ele e seus homens sacaram as espadas contra Anacaona e cerca de oitenta líderes. Todos foram amarrados, e Anacaona foi retirada de sua casa. Os espanhóis então bloquearam todas as saídas e incendiaram a residência. Moradores locais e pessoas que haviam ido a Jaragua para a recepção foram mortos, estripados, empalados e esquartejados. Cavaleiros percorriam o povoado atacando os taínos com lanças. Espanhóis que residiam em Jaraguá também foram atacados; cerca de 50 deles morreram durante o massacre. Las Casas relatou que alguns espanhóis colocavam crianças em seus cavalos — sem saber ao certo se para protegê-las ou para matá-las —, mas cavaleiros vinham por trás e as empalavam. Quando as crianças caíam dos cavalos, os espanhóis as seguravam no chão e cortavam suas pernas.
As circunstâncias do fim da vida de Anacaona são objeto de controvérsia. Algumas fontes sugerem que ela foi enforcada pelos espanhóis em vez de ser queimada junto com os outros líderes, como um sinal de respeito. Outras fontes afirmam que ela foi levada a Santo Domingo para ser julgada, sendo enforcada três meses depois. Poucas fontes, principalmente francesas, relatam que ela foi torturada em Santo Domingo antes de ser enforcada.
Durante vários meses após o massacre, Nicolás de Ovando continuou uma campanha de perseguição contra os taíno até que seu número se tornasse muito pequeno, de acordo com o historiador Samuel M. Wilson. Após esse período, os taínos sobreviventes sofreram abusos físicos nas minas de ouro e nos canaviais, bem como perseguição religiosa durante a Inquisição Espanhola, além da exposição a doenças trazidas pelos colonizadores. Outros foram capturados e levados para a Espanha para serem comercializados como escravos, o que resultou em inúmeras mortes devido às péssimas condições humanas durante a viagem.
Em trinta anos, entre 80% e 90% da população Taíno morreu. Devido ao aumento do número de pessoas (espanhóis) na ilha, houve uma maior demanda por alimentos. Os taínos foram forçados a adotar as práticas agrícolas dos espanhóis. Na esperança de frustrar os espanhóis, alguns taíno se recusaram a plantar ou colher suas plantações. O fornecimento de alimentos tornou-se tão escasso em 1495 e 1496 que cerca de 50.000 pessoas morreram de fome. Alguns historiadores determinaram que o declínio populacional massivo se deveu mais a surtos de doenças infecciosas do que a guerras ou ataques diretos.
Em 1507, a população taíno em Hispaniola havia diminuído para 60.000. Os estudiosos acreditam que as doenças epidêmicas (varíola, gripe, sarampo e tifo) foram uma causa preponderante do declínio populacional dos povos indígenas, e também atribuíram um "grande número de mortes taíno... aos sistemas de servidão contínuos" que existiam.
Discurso acadêmico Acadêmicos como o historiador Andrés Reséndez da Universidade da Califórnia em Davis afirmam que a doença por si só não explica a destruição das populações indígenas da Hispaniola. Enquanto as populações da Europa se recuperaram após o devastador declínio populacional associado à Peste Negra, não houve tal recuperação para as populações indígenas do Caribe. Ele conclui que, embora os espanhóis tivessem conhecimento de doenças mortais como a varíola, não há menção delas no Novo Mundo até 1519, o que significa que talvez não tenham se espalhado tão rapidamente quanto se acreditava inicialmente, e que, diferentemente dos europeus sob a Peste, as populações indígenas foram submetidas à escravidão, exploração e trabalho forçado em minas de ouro e prata, em enormes escalas. Reséndez afirma que "a escravidão emergiu como uma das principais causas de morte" dos povos indígenas do Caribe. O antropólogo Jason Hickel estima que o trabalho forçado nessas minas matava um terço dos indígenas submetidos a ele a cada seis meses.
Posteriormente, a Universidade de Yale classificou as atrocidades cometidas pelo Império Espanhol contra os Taíno como um "genocídio" e também incluiu o genocídio Taíno em seu Programa de Estudos sobre Genocídio.
Raphael Lemkin afirma ser possível considerar os abusos cometidos pelo império espanhol contra a população nativa das Américas como genocídio cultural e até mesmo genocídio declarado, especialmente levando em conta os abusos do sistema de encomienda. O historiador David Stannard, da Universidade do Havaí, descreve a encomienda como um sistema genocida que "levou milhões de povos nativos da América Central e do Sul a mortes precoces e agonizantes". Os pesquisadores Bridget Conley e Alex de Waal destacam a instrumentalização da fome pelos conquistadores contra os taíno como um fator que contribuiu para o genocídio, e Harald E. Braun destaca o massacre de Jaragua em 1503 como um caso de massacre genocida.
Ver também
Taíno Genocídio de povos indígenas
Fontes
Categoria:Genocídios na América do Sul Categoria:!Mais Negritudes em Teoria da História na Wiki